[Resenha] O Corvo – James O’Barr

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[Resenha] O Corvo – James O’Barr
Capa do livro. Um fundo preto com inúmeros pontos brancos, e algumas manchas vermelho sangue. No centro o texto "Edição Definitiva". O nome do autor em branco e o titulo "O Corvo" em vermelho sangue.

Um homem está em um beco escuro, falando sozinho, feliz por ter conseguido um videocassete roubado que vai ser vendido e convertido em pedra. Esse ladrão é surpreendido por um homem vestido de preto. O desconhecido pergunta por cinco nomes: T-Bird, Tom Tom, Funny Boy, Top Dollar e Tim Tim. A facada que o ladrão dá como resposta parece não surtir efeito no estranho, mas o alicate que o homem de preto apresenta e a promessa de arrancar os dedos do ladrão são o suficiente para fazê-lo falar.

Assim começa “O corvo”, HQ escrita e desenhada por James O’Barr, publicada no Brasil em sua edição definitiva pela Darkside Books, com tradução de Érico Assis.

Nunca esqueceremos e nunca perdoaremos

A primeira coisa que você precisa saber sobre “O Corvo” é que ela é uma história de fantasmas. Um espírito amargurado volta ao mundo dos vivos para se vingar daqueles que o mataram. A segunda coisa que você precisa saber é que “O corvo” é uma história de amor. Eric Draven retorna do mundo dos mortos para se vingar daqueles que mataram sua amada, Shelly. O amor entre os dois era tão intenso que a alma de Eric não conseguiu descansar sabendo que a vingança não tinha sido executada.

Ambientada nos anos 80, (a HQ foi originalmente publicada em 1981), “O Corvo” traz a estética e a melancolia do pós-punk, carregada de uma dose excepcional de culpa e tristeza. Tiros são trocados, gargantas são cortadas, membros arrancados, sangue é derramado e uma dívida é cobrada. Através de uma violência despudorada, O’Barr vai mostrando que os piores monstros são aqueles fabricados pela humanidade.

A solução não é apenas sobre justiça ou vingança: é sobre perdão.

A terceira coisa que deve ser deixado clara é que é uma história de culpa. A alma de Eric não descansa por que ele precisa punir os culpados pela morte de Shelly, incluindo ele mesmo, que se culpa por não tê-la protegido.

Através das memórias de Eric, o leitor vai acompanhando momentos do casal, até a noite fatídica onde uma tragédia separa os dois. Tragédia essa que Eric não conseguiu impedir, e essa impotência o atormenta mesmo após a morte.

Uma tragédia na vida pessoal do autor é expurgada nas páginas da HQ, onde acompanhamos ambos, criador e criatura, em sua busca por redenção.

O livro aborda assuntos sensíveis, que podem ser gatilho para algumas pessoas. Embora seja uma história que eu acho linda, ela é de uma beleza amarga, então se você se sentir incomodado durante a leitura, saiba que está tudo bem, respeite seus limites e retorne para ela em algum outro momento.

Mas retorne. Assim como toda história de perdão ela não é fácil de ser lida. Mas quando você chega ao final, você respira aliviado por ter deixado aquilo para trás, mesmo sabendo que queixar pra trás geralmente é a parte mais difícil.

Nota

Cinco selos cabulosos. A maior nota do site.
Cinco selos cabulosos. A maior nota do site.

 

 

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Ficha Técnica

Título: O Corvo – edição definitiva
Autor: James O’Barr
Tradução: Érico Assis
Editora: Darkside Books
Ano: 2018
Páginas: 272
ISBN: 9788594541185
Sinopse: A morte nem sempre é o fim. Em comemoração aos trinta anos de sua primeira aparição (na revista DeadWorld), O Corvo retoma sua trilha de sangue e vingança. O personagem cult que atravessou as fronteiras dos quadrinhos independentes, e foi imortalizado no último filme com Brandon Lee, acaba de ganhar sua Edição Definitiva pela DarkSide® Graphic Novel.

Prepare-se para voltar aos becos sombrios dos anos 1980 e acompanhar a história de Eric Draven, misto de anjo vingador e anti-herói, que não descansará enquanto os assassinos de sua amada Shelley continuarem vivos.

O Corvo – Edição Definitiva reúne a história completa criada por James O’Barr, e apresenta ainda trinta páginas de artes inéditas e uma sequência que o quadrinista só se sentiria à vontade para produzir anos depois. O Corvo foi concebido pelo autor para conseguir superar a dor de perder sua noiva, atropelada por um motorista embriagado. A tragédia se aproximaria novamente do universo de O Corvo em 1993, com a morte do ator Brandon Lee, filho do mestre Bruce Lee, no set de filmagens da adaptação cinematográfica.

O Corvo continua uma referência fundamental nos quadrinhos de autor, com mais de 750 mil exemplares vendidos em todo o mundo