[Resenha] Fique comigo – Ayòbámi Adébáyò

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[Resenha] Fique comigo – Ayòbámi Adébáyò
Capa do livro. Um fundo vermelho, no topo o titulo em preto e letras cursivas. No centro, uma silhueta lilás humanóide na horizontal. Na base, o nome da autora

Durante os anos 80 e 90 a instabilidade política era uma constante na Nigéria. E esse é o pano de fundo para a história familiar de Yejide e Akin. Apesar de viverem em uma sociedade em que a poligamia era comum, e até esperada, eles prometeram que seriam um casal monogâmico. Porém, a dificuldade que o casal tem para engravidar acaba tornando essa decisão complicada de se manter. Em Fique comigo acompanhamos as cobranças e tensões em um drama familiar incrível.

A culpa é sempre da mulher

O casamento de Yejide e Akin seria feliz se não fosse a cobrança para que tivessem um filho. Mesmo que ambos fizessem exames que comprovassem que nenhum deles tinha problemas de infertilidade, já haviam se passado 4 anos de casamento e nada de crianças. E, por isso, Yejide se sentia cobrada por todos os lados. Os pais de Akin, as amigas, as colegas de trabalho, todo mundo sempre esperando que ela engravidasse.

Acompanhada pela sogra, Yejide aceita participar de inúmeros rituais para atrair fertilidade pro casal. Muitas vezes às custas da própria saúde, física e mental. E ao longo de toda a jornada é possível perceber que o peso, que ela sente constantemente, vai se tornando cada vez pior.

Quando um dia a família de Akin chega com uma mulher desconhecida na casa deles e a apresenta como a segunda esposa dele, Yejide sente que a única forma de salvar seu casamento é ficando grávida antes da segunda esposa.

“Quando o fardo é pesado demais e o carregamos por muito tempo, até mesmo o amor se verga, racha, fica prestes a se despedaçar, e às vezes se despedaça de fato. Mas, mesmo quando está em mil pedaços aos nossos pés, não significa que não seja mais amor.”

Personagens reais

Como em Fique Comigo é narrado tanto por Yejide quanto por Akin, ficamos sabendo dos segredos que são guardados por cada um deles. E também entendemos as motivações de cada um para suas ações. Ambos são personagens tridimensionais, que poderiam facilmente ser alguém que conhecemos.

Sua falhas, dúvidas, medos e incertezas são revelados a todo o tempo e a gente consegue mergulhar fundo no meio do drama que é a vida dos dois. É possível ter um vislumbre da evolução da vida profissional deles, mesmo que não seja o foco da história. E, a partir disso, percebemos questões interessantes sobre os papeis de gênero na sociedade nigeriana da época. Além disso, acompanhamos as consequências que as questões políticas do país tem sobre a vida das pessoas de classe média.

Além da relação entre Yejide e Akin, vemos também a relação de cada um deles com suas famílias e como isso se reflete por toda a vida de ambos, tendo consequências também para as questões conjugais.

Uma leitura intensa e envolvente

A medida que a trama vai se aprofundando e o drama daquele casal vai se complicando vai ficando mais difícil de parar de ler. A partir da metade eu não consegui mais largar e fui dormir tarde, pois precisava terminar.

A maneira como a narrativa é estruturada coloca um certo mistério na trama e isso torna a leitura ainda mais fascinante. O jeito que a autora intercala o passado dos anos 80 e 90 e o presente do fim da primeira década dos anos 2000 é muito bem feito.

Fique comigo é o romance de estreia da autora e foi nomeado para diversas premiações internacionais, tendo recebido um prêmio que celebra autores africanos em 2013. Esse é uma excelente opção para quem busca uma história carregada de emoção e com um ritmo ligeiro de acontecimentos.

Nota

Cinco selos cabulosos. A maior nota do site.
Cinco selos cabulosos. A maior nota do site.

 

 

 

 

Garanta a sua cópia de Fique comigo e boa leitura!

Ficha técnica

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Nome: Fique comigo
Autor: Ayòbámi Adébáyò
Tradutor: Marina Vargas
Edição: 1ª
Editora: Harper Collins
Ano: 2018
Páginas: 240
ISBN: 8595083207
Sinopse: Yejide e Akin se apaixonaram na faculdade e logo se casaram. Apesar de muitos terem esperado que Akin tivesse várias esposas, ele e Yejide sempre concordaram que o marido não seria poligâmico. Porém, após quatro anos de casamento — e de se consultar com médicos especialistas em fertilidade e curandeiros, tomar chás estranhos e buscar outras curas improváveis —, Yejide não consegue engravidar.

Ela está certa de que ainda há tempo, mas então a família do marido aparece na sua casa com uma jovem moça que eles apresentam como a segunda esposa de Akin. Furiosa, chocada e lívida de ciúmes, Yejide sabe que o único modo de salvar seu casamento é engravidar. O que, enfim, ela consegue — mas a um custo muito maior do que poderia ter imaginado.

Um romance eletrizante e de enorme poder emocional, Fique comigo não apenas debate as questões familiares da sociedade nigeriana, como também demostra com realismo as mazelas e as dificuldades políticas enfrentadas pela população desse país nos anos 1980. No entanto, acima de tudo, o livro faz a pergunta: o quanto estamos dispostos a sacrificar em nome da nossa família?”