[Resenha] A Quinta Estação – N. K. Jemisin

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[Resenha] A Quinta Estação – N. K. Jemisin
Montagem da capa do livro, uma parede de pedra esverdeada com ornamentos à esquerda. À direita o titulo do livro e abaixo o nome da autora.

Imagine um mundo no qual, sem aviso prévio, catástrofes acontecem e afetam todo um continente. Um mundo no qual pouca coisa dura mais do que uma geração, afinal essas catástrofes destroem quase tudo que feito pelo homem. Esses acontecimentos recebem o nome de Quinta estação e todos vivem a espera da próxima vez que uma dessas estações irá se abater sobre eles. Na trilogia A terra partida, N. K. Jemisin nos apresenta esse universo que está a beira de sua destruição, pois chegou A Quinta Estação e parece ser a pior e, provavelmente, a última.

Um universo complexo

A autora construiu um universo que bem que poderia ser o nosso, mas daqui a milhares de anos e depois de muitas tragédias. Ao longo da jornada das personagens, aparecem aqui e ali ruínas de civilizações extintas que, em alguns momentos, se parecem muito com construções do nosso tempo.

Nesse continente, chamado Quietude, existem os humanos “quietos” e os orogenes que tem a habilidade de sentir e alterar as forças sísmicas, ou seja, eles podem evitar ou causar terremotos e tsunamis. E o preconceito contra os orogenes é enorme, pois os quietos acreditam que a orogenia pode causar as quintas estações.

A leitura é densa, já que há muito para aprender sobre esse mundo e sobre as relações sociais existentes ali. Mas a forma como a autora vai nos explicando esses detalhes não é cansativa ou monótona, eles estão entremeados na história de uma forma muito interessante.

Personagens tridimensionais

A narração se dá através de três pontos de vistas diferentes. São três mulheres orogenes, cada uma com uma idade diferente: uma criança, uma jovem adulta e uma mulher mais madura. Cada um desses pontos de vistas é feito de uma forma única, um deles inclusive é em 2ª pessoa. E em algum momento a gente descobre que existe uma ligação entre elas.

Os personagens são incrivelmente bem construídos, até mesmo os secundários. A medida que vamos conhecendo as três principais, vamos entendendo bem as motivações delas para suas ações. Todas elas são pessoas imperfeitas, mas de quem a gente aprende a gostar ao longo da leitura.

É maravilhoso perceber também como a autora insere diversidade na história, sem nenhum esforço. Ninguém é reduzido a uma só característica por fazer parte de uma minoria social, ser gay, trans, bi é somente uma pequena parte de suas personalidades.

Uma fantasia excepcional

Essa é uma leitura tensa, intensa e extraordinária. A estrutura narrativa que a autora usa é extremamente criativa, não se parece com outras fantasias que eu já tenha lido. Não existem exatamente vilões e heróis, somente pessoas tentando sobreviver naquele mundo difícil. E jornada das personagens passa longe de se parecer com a famigerada jornada do herói.

A narrativa não é muito fluida, uma vez que a complexidade dessa sociedade demanda um pouco mais de paciência para entendê-la. Mas o esforço vale a pena, pois uma vez que a gente mergulha na história é uma experiência maravilhosa.

A Quinta Estação ganhou o Prêmio Hugo de Melhor Romance, sendo ela a primeira escritora negra a ganhar nesta categoria. As continuações, O Portão do Obelisco e O Céu de Pedra (ambos já publicados no Brasil), ganharam o Hugo em 2017 e 2018 na mesma categoria, respectivamente. Com a premiação dos três livros da trilogia A Terra Partida, ela se tornou a única autora a ganhar o Prêmio Hugo em três anos consecutivos.

Nota

Cinco selos cabulosos. A maior nota do site.
Cinco selos cabulosos. A maior nota do site.

 

 

 

 

Garanta a sua cópia de A Quinta Estação e boa leitura!

Ficha técnica

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Nome: A quinta estação
Autora: N. K. Jemisin
Tradução: Aline Storto Pereira
Edição: 
Editora: Morro Branco
Ano: 2017
Páginas: 560
ISBN: 8592795230
Sinopse: Três coisas terríveis acontecem em um único dia: Essun volta para casa e descobre que seu marido assassinou brutalmente o próprio filho e sequestrou sua filha. Sanze, o poderoso império cujas inovações têm sido o fundamento da civilização por mais de mil anos, colapsa frente à destruição de sua maior cidade pelas mãos de um homem louco e vingativo. E, no coração do único continente, uma grande fenda vermelha foi aberta e expele cinzas capazes de escurecer o céu e apagar o sol por anos. Ou séculos.

Mas esta é a Quietude, lugar há muito acostumado à catástrofe, onde os orogenes – aqueles que empunham o poder da terra como uma arma – são mais temidos do que a longa e fria noite.