[Resenha] Doctor Who: Cidade da Morte – Douglas Adams

[Resenha] Doctor Who: Cidade da Morte - Douglas Adams
Recorte da capa do livro. Em um fundo escuro, no topo, o logo de Doctor Who, logo abaixo o nome: "Douglas Adams". Abaixo, no centro, estranhas hastes metálicas, uma de cada lado, terminam em lampâdas vermelhas, entre ambas hastes o texto: "From a story by David Fisher". Abaixo duas outras hastes sustentam uma placa com o texto: "City of", e na base a palavra "Death" como rochas quebradas.

Douglas Adams e muitos roteiristas de Doctor Who parecem que não levam a vida, o universo, o tempo e toda a existência muito a sério. No livro Doctor Who: Cidade da Morte, que foi baseado em um roteiro escrito por Douglas Adams, o Doutor leva a sua companion Romana para Paris no ano de 1979. Uma falha no espaço tempo e o quadro da Mona Lisa transformam um passeio banal em algo que coloca a humanidade em risco.

Você me ajuda a encontrar esse narrador?

A premissa sugere algo dramático, colossal e muito perto de uma histeria coletiva. Em vez de seguir por esse caminho, o autor James Goss prefere combinar a personalidade despojada de um Doutor da série Doctor Who com a criatividade e o bom humor de Douglas Adams. E essa boa fusão é entregue por um narrador que esbanja carisma. Ele não é só usado para contar a história. O seu jeitão temperamental salta a vista, ri muito com as suas opiniões e comentários sinceros e durante a leitura senti que tudo não passava de uma boa conversa. Com o seu humor, que por muitas vezes é ácido, ele se mostra íntimo do Doutor e um conhecedor de boa parte do universo.

Por muitas vezes queria saber a opinião dele sobre os assuntos mais complexos que envolve a humanidade ou sobre uma simples comida. Serei exagerado: se ele fosse obrigado a narrar uma grama crescendo, seria interessante ou até mesmo engraçado.

Mas pera aí, e a história?

Orçamento nunca freou as ideias dos produtores de Doctor Who e Douglas Adams já fez uma boa piada, na série de livros Guia do Mochileiro da Galáxias, com Deus. Ainda bem que ninguém decidiu frear as coisas em Doctor Who: Cidade da Morte. As reviravoltas surpreendem, os comentários sobre os parisienses por muitas vezes não são nada amistosos e no meio de tudo isso há reflexões que obrigam a pensar e repensar a vida. Não há peso, o tom é irônico e a narrativa está cheia de surpresas.

O ritmo dos acontecimentos é frenético, muito está em jogo e o Doutor encara a tudo com normalidade. Ele está se divertindo, e acha curioso e digno de nota os acontecimentos que chocam a qualquer humano. Esse ser imortal, de uma vivência praticamente infinita, nasceu para brilhar e o seu palco é cada segundo da longa existência de diversos universos. Este ser toma toda a atenção para si? Não, é claro que não. Aliás, nesta obra o Doutor nem é o protagonista. No papel principal há alguém com um grande desejo e um ótimo plano.

A perfeição é muito chata

O livro não é perfeito (nenhum é). Nesta aventura o leitor não é pego pela mão e conduzido por um paciente anfitrião. Já deixo avisado que o leitor é jogado na história sem nenhuma explicação. No início tudo parecerá maluquice pois não há explicações sobre o Doutor e a sua função e não espere uma ficção que se agarra de maneira desesperada a todas as leis que regem o universo.

Os personagens são simples, longe de ter uma construção complexa. São pessoas comuns, conduzidas por uma rotina e sem nenhuma habilidade ou história de vida extraordinária. Isso combina com toda a pegada do livro, mas pode decepcionar um leitor ávido por uma ficção cientifica “nível hard”.

Por que se encontrar com o Doutor pelo menos uma vez?

Doctor Who tem uma mensagem que marca a maioria das suas histórias:
“Não importa o tamanho do problema, não importa o tamanho do universo e não importa o que está em jogo. Tudo, absolutamente tudo, acaba se consertando.

Duvida? Então faça a prova, leia e depois venha falar comigo.

Se eu não estiver no passado ou no futuro poderei te responder.

Nota

5 selos cabulosos

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Ficha Técnica

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Nome: Doctor Who: Cidade da Morte
Autor: Douglas Adams e James Goss
Tradução: Regiane Winarski
Edição: 1º
Editora: Suma de Letras
Ano: 2015
Páginas: 280
ISBN: 9788581053134
Sinopse: O Doutor leva Romana para um feriado em Paris – uma cidade que, como um bom vinho, tem uma variedade própria. Especialmente quando você a visita durante um dos anos clássicos. Mas a TARDIS os leva para 1979, um ano de boa safra, coberto de rachaduras – não nas suas taças de vinho, mas na própria fábrica do tempo.