Filhos de Sangue e Osso – Tomi Adeyemi

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Montagem da capa do livro, no centro a capa completa com ilustração onde mostra a metade superior de um rosto feminino negro com cabelos brancos voltados para cima que fazem fundo para o texto com o nome da autora e o título do livro em fonte estilizada. O mesmo rosto preenche o fundo da imagem da vitrine.

No reino de Orïsha, os Maji (pessoas abençoadas pelos deuses com magia) foram massacrados pelo rei durante a Ofensiva, logo após sua magia sumir misteriosamente. Zélie viu sua mãe ser morta pelos guardas com apenas seis anos de idade. Onze anos depois, seu caminho se cruza com o de Amari, a filha do rei que fugiu do palácio ao descobrir um pergaminho que pode trazer a magia dos Maji de volta e acabar com a opressão em que os sobreviventes da Ofensiva tem vivido desde então.

A narrativa de Filhos de Sangue e Osso tem muitos elementos da jornada do herói clássica (inclusive em muitos momentos lembrei de Star Wars), mas é revestida de uma mitologia diferente que torna a jornada ainda mais interessante.

Orïsha

Em um passeio pelo Brasil, Tomi Odeyeme se encantou com a riqueza da cultura Candomblé e tomou isso como inspiração para criar essa história onde seus deuses presenteiam a humanidade com diferentes dons de magia. Porém, em um paralelo à história da população negra que continua a sofrer opressão, essas pessoas passam a viver reprimidas e violentadas a partir do momento em que sua magia os deixa. Somado a isso, o Governo (em uma tentativa de acabar com os Maji) assassina aqueles que já possuíram magia e deixam vivas apenas as crianças que nunca a conheceram.

Assim, a autora criou um mundo onde é possível fazer um paralelo com nossa realidade, mas trouxe uma parte da cultura africana, muitas vezes desconhecida (e alvo de grande preconceito) mesmo no Brasil, um país formado por tantos descendentes de africanos escravizados.

Maji

Filhos de Sangue e Osso é narrado por três pontos de vista. Como protagonista temos Zélie, descendente dos Maji, quem nunca teve a chance de conhecer sua magia, pois quando ela sumiu do mundo ainda era muito jovem. Zélie então cresceu nesse novo mundo de opressão e violência, sendo constantemente ameaçada e lutando para sobreviver junto com seu pai e irmão, Tzain. Quando ela entra em contato com um pergaminho que traz parte da sua magia de volta, ela se vê em uma jornada para trazer a magia de volta a todos, mesmo sem se sentir preparada para isso. Zélie é impulsiva e em muitos momentos percebemos que está cometendo erros, ao mesmo tempo compreendemos suas atitudes.

Amari, a princesa que descobre o pergaminho e o rouba de seu pai, parece frágil e amedrontada em um primeiro momento. Mas ao longo do livro vemos o que a levou a isso e que crescer sob o comando desse rei tirano não é bom, mesmo para seus filhos.

Para corroborar isso temos Inan, herdeiro do trono e recém nomeado capitão do exército. Ele é ingênuo ao ponto de justificar as ações de seu pai e achar que conseguirá trazer paz e conciliar os povos. Seus capítulos são um pouco repetitivos, mas foi o personagem cujo arco eu criei mais expectativa para ver o desenvolvimento.

Mas Filhos de Sangue e Osso é bom?

É muito, muito bom! A autora não trouxe nada de novo sob o sol em questão de narrativa, entretanto toda a criação de mundo é incrível, com uma mitologia inovadora que me fez querer aprender mais sobre essa cultura. Além disso, é uma história divertida de acompanhar, que prende o leitor pois sempre deixa o gostinho de quero saber o que acontecerá em seguida. O ponto mais fraco, entretanto, foi um romance estilo instalove ali pela metade que tirou um pouco o ritmo da leitura, e pareceu deslocado da história.

Filhos de Sangue e Osso faz parte de uma trilogia com o segundo previsto para ser lançado em dezembro. Além disso, um filme está para ser produzido e sinceramente, depois de algumas descrições de cena, eu estou mais empolgada para ver essa história em tela do que pela continuação em si.

Lembram que comentei que algumas coisas me lembraram bastante Star Wars? Então, para quem já leu ou não se importa com SPOILERS LEVES fica aqui algumas semelhanças que percebi: temos uma ligação psíquica/mágica/Força entre os antagonistas/interesse amoroso; tem o plot do Escolhido; tem deserto; tem arena de luta no deserto… Foi muito divertido ir notando essas coisas.

Nota

4 selos cabulosos e meio

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Ficha Técnica

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Nome: Filhos de Sangue e Osso
Autora: Tomi Odeyeme
Tradução: Petê Rissatti
Edição:
Ano: 2018
Páginas: 560
ISBN: 9788568263716
Sinopse: Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas. Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança. Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia.

Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas. O perigo espreita em Orïsha, onde leopanários-das-neves rondam e espíritos vingativos aguardam nas águas. Apesar disso, a maior ameaça para Zélie pode ser ela mesma, enquanto se esforça para controlar seus poderes — e seu coração.

Filhos de Sangue e Osso é o primeiro livro da trilogia de fantasia baseada na cultura iorubá O Legado de Orïsha está sendo adaptado para o cinema.