Moby Dick – Christophe Chabouté

Recorte da capa. Em primeiro plano, no centro um quadrado vazado com borda, dentro está escrito "Herman Melville's Moby Dick", tudo em amarelo. No fundo, desenho quase irreconhecivel de uma parte da baleia, em tons de cinza escuro para o preto.

Moby Dick sempre me assustou. Era só eu ficar animado para ler que já ouvia: “Muito denso!” “Cheio de detalhes”. “Não é um livro fácil”. “Você vai demorar para ler”. “É uma obra que combina com a sua época, não com hoje em dia”.

Hoje em dia é possível encontrar alguém que nunca tenha ido ao mar?
E é possível se deparar com alguém que não conhece Moby Dick?

Namorei por muito tempo aquela edição definitiva da Cosac&Naify. Namorei, me apaixonei, só que a leitura não aconteceu. Pois é, será que o navio simplesmente passou?
Um tempo atrás, um grande amigo me emprestou a HQ Moby Dick, do grande artista Chabouté publicada pelo Pipoca e Nanquim. Leio quadrinhos e mangás, mas nunca pesquisei essa arte a fundo. Entretanto, ao virar da última página da HQ em questão, constatei: Chabouté sabe usufruir ao máximo da mídia quadrinho.

Um quadro vale mais que mil palavras

É apresentado como protagonista Ismael. E no traço, principalmente os que desenham os seus olhos, é possível ver uma tentativa do garoto esconder o seu medo em relação ao que pode acontecer em uma embarcação cujo o objetivo é perseguir a Baleia Branca. Aproveito para dizer que toda a trama não está fundamentada na “aventura” de perseguir a baleia e sim na obsessão do capitão Ahab. No prosseguir da obra, vemos a loucura do capitão aumentar. Ela evolui, cresce e você não consegue imaginar qual será o seu próximo ato para demonstrar o seu ódio pela baleia ou a sua vontade de caçá-la.

Não conhecemos a fundo todos os personagens do navio nessa adaptação. Porém, vemos o medo deles ganhando formar na arte de Chabouté. Até mesmo no contraído Ismael vemos evolução. Antes o seu medo era caracterizado por “O que vai acontecer?”. Depois, ele pode ser resumido em “O que está acontecendo precisa parar”. Nos traços temos identidade e através deles vemos um cenário sempre desgastado, homens sérios, brutos e presos em suas próprias crenças. Fui tão impactado pelo arte sequencial, que em um momento pude sentir o movimentar do navio. E o artista só precisou de quadrinhos, um cômodo, personagens e uma lamparina para transmitir essa sensação.

Indo muito além da própria mídia

É fácil só elogiar o traço. A HQ não vive só de desenho, ela possui literatura. Vemos a literatura nos excelentes diálogos que transmitem personalidade e impacto, nas frases escolhidas a dedo em cada começo de capítulo e na narrativa, onde o autor conduz com maestria o crescer da loucura de Ahab com a sensação de proximidade com a Baleia.
Confesso que a vontade de ler a edição da Cosac & Naify retornou. Voltou porque quero ler novamente a HQ depois de viver a experiência do livro.

Se essa obra um dia cair em suas mãos, não leia com pressa e aproveite cada uma das páginas. Todos os clássicos devem ser tratados da mesma forma que Chabouté trata Moby Dick.

NOTA

5 selos cabulosos

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logo da “amazon” em preto num fundo amarelo

Ficha Técnica

Moby DickNome: Moby Dick
Autor: Christophe Chabouté
Tradução: Pedro Bouça
Edição: 1º
Editora: Pipoca & Nanquim
Ano: 2017
Páginas: 256
ISBN: 9788593695025
Sinopse: Moby Dick é um verdadeiro triunfo do premiado artista francês Christophe Chabouté, aclamada como a mais impressionante adaptação desse clássico da literatura para os quadrinhos. A epopeia do obcecado capitão Ahab em busca do cachalote branco é recontada de forma magistral pelas mãos de um mestre, que optou por conservar o texto original de Herman Melville, transformando-o numa primorosa narrativa gráfica. Prepare-se para a emocionante caçada à maior das criaturas do mar, ao lado do narrador Ismael, do misterioso aborígene Queequeg e de uma tripulação que oferece o próprio sangue para seu capitão em troca da promessa de glória e ouro, sem saber que, na verdade, o que os aguarda é a desgraça e o infortúnio!