SobrEscrever #002 – Inícios

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Qual é a melhor maneira de começar uma história? De forma cronológica ou jogando o leitor no meio da ação? Nesse episódio conversamos sobre inícios, o que gostamos e desgotamos, o que muda de um gênero literário para outro, qual a diferença entre contos e romances, o uso dos prólogos e tudo mais. Mas o que falamos no programa é só o início dessa discussão que continua nos comentários!

Atenção!

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Participantes:

Lucas Ferraz (@ferraz_lucas)

Rodrigo Rahmati (@rodrahmati)

Matheus Salfir (@MatheusSalfir)

Edição:

Matheus Salfir

  • AJ Oliveira

    Fico com o Lucas, a ideia de impactar é pra fazer o pessoal continuar lendo. O início de O”Pistoleiro” é o melhor nesse quesito. Não há Twist, não explode cabeças, mas impõe o peso atmosférico que o leitor precisa pra continuar lendo.

    PS: eu não sabia que isso tinha virado uma moda, até pq a grande massa que problematiza banalidades costuma pregar o direito de escrever histórias ruins, sempre calcados na falácia da censura.

    Um forte abraço, povo. E parabéns pela iniciativa.

    • Rodrigo Rahmati

      Não sei se estou problematizando algo que não existe, mas achei importante dizer que existe bastante gente pregando que essa é meio que a única forma possível de se iniciar uma história… e aí o escritor faz isso de forma equivocada 🙂

      • AJ Oliveira

        hm.. Acho que qualquer coisa passada como “a unica solução” está meio que errado haha.

        Eu acho que é a forma mais certa a se fazer. No entanto, por princípios mercadológicos e contemporâneos, visto que nossos concorrentes são da mídia audiovisual e que já fazem esse tipo de trabalho para prender o espectador desde o primeiro episódio.

        • Matheus Salfir

          É claro que o início deve ser bom e impactante, mas não pode ser gratuito. Se você usar porcos voadores na sua hard fantasy, por exemplo, acho necessário que tenha mais que um bom motivo para usá-las e outro tão bom quanto para elas estarem no início. No final, nada é regra; as coisas boas se fazem justamente da experimentação.

          • AJ Oliveira

            Pois então se nada é regra, o inicio não “TEM QUE” ser impactante. Assim como o exemplo que o Rodrigo deu (acho que foi ele) há prólogos que não tem esse tipo de técnica, mas que fazem você voltar pra ler depois do fim, ou que só passa a fazer sentido depois que a história foi contada, enfim, tudo depende de como o autor quiser brincar com o texto.

          • Matheus Salfir

            Então, mas é que impacto pode ser subjetivo. Pode ser impacto estético, dramático, de expectativa. Mas acho que é tem que ser impactante no sentido de fisgar o leitor. Ou seja: pegar o leitor e levá-lo para história. No Até o dia em que o cão morreu, do Galera, é um início de impacto que, depois de terminar o capítulo, parece não ter ligação alguma com história, pois era só um sonho. Mas quando você termina o livro e volta para ler, dá uma profundidade maior. Então, acho que sim, tem que haver um impacto, mas não é regra que seja um impacto específico. Falando de storytelling mesmo, é basicamente o seguinte: o início tem que vender sua história. O livro citado, do Daniel, vende a história pelo estranhamente e pela estética literária, mas pode ser de outras milhões de formas. Pra mim, não é que seja uma regra ser impactante. É que um bom início impacta o leitor, no sentido de ficar na memória.

  • Norberto Silva

    Pessoal, um ótimo cast, realmente não tem como ficar sem ouvir o mais rápido possível.
    Gostei da ideia de começo no meio da ação, mas sem voltar exatamente no capítulo 2 para saber como tal personagem chegou aquele momento, no atual livro em que estou trabalhando fiz isso sem ouvir o cast e me senti muito mais confiante após ouvir as opiniões de vocês… Muito, mas muito obrigado mesmo

    • Rodrigo Rahmati

      Isso aí, haha — começa da ação e continua a partir dela, sem ficar voltando 😛

    • Matheus Salfir

      O interessante de começar na ação é justamente dar ritmo, se o escritor começa nela e depois volta pode quebrar o ritmo da narrativa; por isso, como o Rahmati citou mais abaixo, se partir da ação, não volte para nada monótono no mesmo sentido.

  • Isa Prospero

    Ótima discussão! Mas também acho que essa questão do “impacto” depende do autor. Autores consagrados podem se dar ao luxo de ter inícios mais parados (ou o famigerado prólogo), porque os leitores já confiam neles. Se é um autor iniciante ou mais desconhecido, acho que tem que se preocupar um pouco mais em segurar o leitor – não necessariamente com algo bombástico, mas atiçando o interesse para alguma coisa, como vcs disseram. Mas o mais importante pra mim é ser um texto bem escrito – se tiver erro de gramática no primeiro parágrafo, eu já perco a fé rs

    • É, muitos erros no comecinho da narrativa realmente são de fod… digo, desanimar 😛

    • Matheus Salfir

      Justamente, Isa. O impacto necessário para segurar o leitor no início não precisa ser de algo surpreendente, pode simplesmente ser um impacto lírico e não vejo mal em usar subterfúgios para prender o leitor, desde que consiga aliá-lo a sua história de maneira satisfatória.

  • Davi Paiva

    Olá, pessoal do SobrEscrever. Tudo bem? Espero que sim.

    Gostei do programa, apesar de não concordar com algumas pequenas coisas.

    Por mais que alguns autores achem que seus livros são tão sagrados quanto igrejas no Vaticano, ele é um produto no fim das contas. E como todo bom produto, ele tem que conquistar o consumidor logo de cara. E quanto mais demora para cativar, pior é. Pois o mercado está cheio de opções mais atraentes e ninguém quer perder o peixe para a concorrência.

    Maiores informações no item 4 do artigo que vocês já conhecem: http://detonerds.blogspot.com.br/2017/02/arquivos-para-escritores.html

    Abraços.