O Fantástico Cotidiano – 1- Questão de ponto de vista!

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Agradecimento especial à compreensão de Domenica e Lucien … vocês não existem! #EXISTEMSIM! Que bom né??? Sou muito feliz e muito grata por ter você dois e todos os cabulosos na minha vida!

Muita gente já veio conversar comigo à respeito do que é Literatura Fantástica. Se esse ou aquele livro seriam classificados como fantástico ou não.

Mediante tal evento, resolvo eu dar uma pausa no amor (pausa, porque o amor não tira férias, mas pausa pode) e tentar responder algumas perguntas à respeito do tema…literatura-fantastica_feat-1920x1080

Mas aí, surge então a pergunta… O que é o fantástico?

Tem-se, atualmente uma tendência fortíssima de considerar fantástico tudo que é “fora do real” ou que não existe, mas que por algum motivo passa a existir para justificar alguma coisa.

É muito fácil e automático pensar em Fantástico e imaginar dragões, mundos fictícios, coisas que não existem… ou TUDO que não existe mas pode existir, né?

Pfada47or exemplo: o que seriam das crianças sem as fadinhas do dente? O que seriam das florestas sem os unicórnios? O que seriam das crianças sapecas sem os gnomos?

O que torna o fantástico realmente fantástico, segundo TODOROV, (um dos maiores teóricos desse ramo senão o maior) é que a essência desse gênero consiste na irrupção, em nosso mundo, de um acontecimento que não pode ser explicado pelas leis racionais.

Ou seja, o fantástico existe para nos explicar o que nos falta à realidade.

Depois de certo tempo, percebi que na verdade convivemos com o fantástico o tempo todo, só não damos a devida atenção a ele. O fantástico está presente em cada movimento do nosso dia a dia: pequenos gestos, crenças, atos, olhares, formas, cores, btumblr_nuzoraFFKu1s4nnijo1_500rilhos…. Coisas realmente inexplicáveis acontecem!

Existem muitos fatores para que algo se torne fantástico (e isso pode ser um pouco subjetivo, visto que o que é fantástico para um pode não ser para outro – sim existe uma briga medonha aqui para que se defina isso entre os teóricos) ou para que seja caracterizado como tal pela literatura:  acontecimentos mágicos, seres sobrenaturais e com poderes, viagens no tempo, pó de pirlimpimpim ou de flu são os mais evidentes.

São esses elementos Mágicos que fazem com que tenhamos que admitir, segundo Todorov, que se façam novas leis para a natureza criada pelas quais o fenômeno do FANTÁSTICO possa ser explicado. Essa é (acredito eu) a principal característica do gênero.

Aí, me volto à pergunta lá do início do texto… Mas então o que é Fantástico?

Me vem a resposta de mais de 30 anos de livros + faculdade de Letras + pós de Literatura + disciplinas aleatórias….:

Tudo

Referências:

As dimensões do Fantástico – José Paulo Paes

Introdução à literatura Fantástica – Tzvetan Todorov

Uma Leitura do Fantástico: A invenção de Morel (A.B. Casares) e o Processo (F. Kafka). Revista Letras, 53, Curitiba, p. 109-123. Junho 2000 – Karin Volobuef

 

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  • iana

    Nossa, tô supresa de você ter chegado à conclusão de que “TUDO” é “fantástico” usando precisamente o cara que mais limita a definição da palavra, que é o Todorov. Já que vc vai citar nomes de teóricos no seu texto, você deveria ao menos apresentar corretamente a teoria deles. Para Todorov, o “fantástico” se limita a um momento bem preciso — aquela suspensão de credulidade em que o personagem (e o leitor) não sabem se devem ou não acreditar em algo fantasioso que está acontecendo. Depois disso, a narrativa geralmente ou tende pro lado do ‘maravilhoso’ (marvelous) ou pro lado do incomum (uncanny).

    Inclusive ele faz uma distinção bem grande entre fantástico (‘fantastic’), “uncanny” e “marvelous”, que não tem NADA a ver com o que vc escreveu. Muita gente critica ele porque, de fato, a teoria dele é super limitante e não referencia nada depois de Edgar Allan Poe, como se esse tipo de narrativa tivesse parado ali (pode-se argumentar que foi só para a conveniência da teoria dele).

    Não li os outros autores que você cita, mas irei procurar com certeza.

    Seu texto é bonitinho, e realmente há uma batalha eterna aí sobre definições precisas de literatura fantástica, mas em termos de conteúdo acadêmico, você deixa a desejar.