Os 12 Trabalhos do Escritor #S02E05A Affonso Solano e a Jornada do Herói

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E aí, Escritores! Tudo bem? Espero que sim!

E chegamos a mais uma bateria de episódios, onde desta vez abordaremos o tema “Jornada do Herói”. Como esse é um tema bastante recorrente quando começamos a estudar escrita criativa, decidi convidar o Curador da Editora LeYa e autor de “O Espadachim de Carvão”, Affonso Solano, para a destrincharmos através de exemplos da cultura pop.

A jornada do Herói é a única forma de contar uma história? Como utilizá-la? Essas e outras questões foram abordadas em um principio de abordagem incrível sobre o assunto!

Espero que gostem!

EDIÇÃO FINAL: Fernando Ticon 

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CITADOS DURANTE O EPISÓDIO:

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  • Haniel Lucas

    Vocês comentaram da jornada de Luke e Anakin, gostaria de comentar uma coisa.

    A Jornada de Luke é a jornada do arquétipo do Herói. A jornada de Anakin é a jornada do arquétipo do antagonista. Solano mesmo disse que o escritor tem que conhecer as complexidades humanas, e estou aqui para dizer: e se você for fazer uma jornada do Arauto? Uma jornada do mentor?

    Akira Kurosawa era mestre em trabalhar com tais arquétipos. Em os Sete Samurais, por exemplo, ele criava fichas para todas os personagens que apareciam na tela para que os atores e figurantes pudessem ler e se comportar de tal forma.

    O tema e o convidado me chamou atenção logo de cara, AJ. Parabéns pelo episódio! Até indiquei pra um amigo que gosta dos trabalhos de Affonso Solano.

    • AJ Oliveira

      Esse é o problema de abordarem tanto a jornada do Herói, Haniel. Digamos que a jornada do Mestre, se seguirmos a lógica do inconsciente coletivo de Jung, tem como objetivo arquetípico repassar o conhecimento do mentor para o pupilo. Feito isso, sua jornada chega ao fim.

      No entanto, o modelo de jornada do herói conta com um perfil específico, digo, ela se encaixa no personagem que ainda tem muito a se resolver na vida, estando em uma idade justa para liberdades, conquistas, relacionamentos e afins. Ou seja, para fazermos uma jornada do mentor, esses pontos não seriam tão conflituosos, e tampouco retratariam as linhas de pensamento que um personagem experiente carrega para conflitos internos. E é nessa hora que entramos no que muitos chamam de “literatura cabeçuda” rs.

      Esse assunto será abordado na terceira parte deste episódio, então espero que essas questões possam ser melhor respondidas através do áudio.

      Forte abraço! =)

  • Beatriz Kollenz Gama

    Foi um pouco doloroso escutar esse programa, mas apesar de tudo tirei alguns bons concelhos! Pra quem se interessa na Jornada da Heroína tem um podcast muito bom do Mitografias sobre o assunto e também uma discussão do Podcasteros 54 extremamente válida, inclusive tocando nas diferentes formas de retratar a mulher nos livros de GOT e na série 😃

    • Davi

      Doloroso?

    • AJ Oliveira

      Muito obrigado pelo comentário, Beatriz!

      Eu não ouço mais o podcasteros, mas já posso dizer que o Pablo de Assis confirmou participação em um dos episódios dessa temporada 😉

      Fico muito feliz que tenha gostado do episódio, espero que ele ainda melhore pra ti nas próximas duas edições.

      Forte abraço!

  • Davi

    Muito bom episódio, a Jornada do Herói está batida a tempos, mas não significa que seja ruim. Eu mesmo em muitas vezes prefiro uma obra simples para apenas aproveitar, fora que depende muito de gosto pessoal achar ruim ou bom, ficar irritado com tal simplicidade e por aí vai.
    Todo tipo de história é valida a se fazer, mesmo que ela não tenha nada para contribuir ao mundo hahah

    • AJ Oliveira

      Pois é, Davi. O problema da jornada – e isso será abordado em outros episódios – é quando passam a utiliza-la como uma muleta narrativa, tornando assim a estória artificial e sem alma. No entanto, é um ótimo inicio para entender como narrativas começam a ser pensadas, e isso dá base para novos estudos.

  • Edinara Boff

    A jornada do herói me ajudou muito quando comecei a escrever, porque formada em exatas não tinha a menor ideia de como desenvolver uma história. É a melhor maneira? Acredito que não, justamente por ter sido utilizada demais, mas é um bom exercício para quem não sabe por onde começar, como foi meu caso.

    Abraços e sucesso!

    • AJ Oliveira

      Exatamente, Edinara! A jornada é um ótimo ponto inicial para quem ainda não entende como “esboçar” uma narrativa. Eu também me lembro de me perder muito antes de conhecer a jornada, e depois, a partir dela, ir atrás de novas formas narrativas.

      Muito obrigado pelo comentário, espero que goste da continuação deste episódio 😉

  • Janayna Bianchi Bruscagin Pin

    Tá, vamos lá. No que diz respeito à Jornada do Heroi, o episódio é ótimo. O Solano conhece muito a estrutura, e a familiaridade dele com o universo nerd fez com que os exemplos usados fossem ótimos, ilustrando muito bem conceitos que, pra quem lê O Heroi de Mil Faces ou mesmo A Jornada do Escritor, podem parecer meio abstratos.

    Mas a parte sobre a diferença entre o herói e a heroína realmente foi meio dolorosa, talvez dispensável. Uma porque o Solano fez comentários desatualizados, cheios de viés e, em alguns momentos, inocentes demais sobre o diferença entre homem e mulher num contexto amplo (e, por contexto amplo, quero dizer “em uma ambientação que não seja uma fantasia capa e espada”). E outra porque ele não é a pessoa que eu acho que deve falar sobre esse assunto, por questões que vão de lugar de fala a conhecimento de causa.

    Me incomodou, especialmente, a afirmação de que homens e mulheres não são completamente iguais. É CLARO que há diferenças biológicas entre os gêneros, assim como em outras espécies vivas, mas estamos em um momento da humanidade em que usar essa característica óbvia para reafirmar a impossibilidade de equivalência entre homem e mulher é cômoda e perigosa. E não, não estou falando necessariamente da afirmação extrema de que o homem é melhor que a mulher. Estou falando da afirmação de que os gêneros são diferentes mesmo, NA PRÁTICA. Porque a diferença PRÁTICA entre homem e mulher hoje – e em um contexto fantástico, e eu já vou chegar lá – é PURAMENTE social. Puramente construído, e não vejo razão pra continuar propagando essa visão. Qual é, de fato, a diferença de um homem pra uma mulher hoje? O recorde dos cem metros livres na natação, o peso do pneu que uma pessoa pode empurrar numa aula de crossfit, a quantidade de arroz e feijão que alguém come no almoço… talvez essas coisas realmente difiram entre os gêneros, mas… E DAÍ?

    E antes que invoquem os poderes supremos dos hormônios: eu digo, com conhecimento de causa, que numa sociedade sem o viés cultural da coisa, as diferenças causadas por eles são pífias, senão nulas. Eu morei na Dinamarca, um lugar onde – felizmente – o machismo foi (quase) totalmente eliminado. Como resultado, a taxa de escolaridade é igual entre os gêneros, a taxa de emprego/desemprego também (com proporcionalidade entre as áreas de conhecimento), os filhos são criados de maneira totalmente igualitária entre os pais (a licença-“maternidade” pode ser dividida IGUALMENTE entre o pai e a mãe) e os esportes têm adesão muito similar dos dois gêneros (o desempenho é limitado pelo físico, claro, mas voltamos no ponto anterior).

    Com isso em mente, minha dúvida é: REALMENTE é necessário perpetuar essa cisão histórico-cultural nos produtos de entretenimento que estamos produzindo e pensando para o futuro? O mercado americano já questiona essa fórmula – como prova, estão aí os movimentos ativos de inclusão de grandes editoras e autores (por exemplo, a Tor), os resultados dos últimos Prêmios Hugo e Nebula e a reação popular a produtos de entretenimento que questionam essa fórmula (oi, Mulher Maravilha, estou falando de você). REALMENTE uma mulher e um homem precisam reagir diferente ao nascimento um filho? À perda de um filho? A uma traição? À responsabilidade de ser o/a escolhido? Realmente, a dimensão emocional de um personagem tem que ser tratada com tantos dedos a depender do gênero da pessoa? O papel de Ripley, citada no episódio, foi originalmente escrita como um homem, mas o papel foi assumido por uma mulher e nenhuma mudança no roteiro foi feita. Ela é uma personagem crível, não é um “guerreiro com peitos” (nesse ponto, o Solano acertou muito em comentar contra) e é profunda. E se a questão for apenas física, em especial no tal ambiente capa e espada, a gente de fato precisa usar isso como muleta pra sempre manter a distância “segura” entre o protagonismo masculino e feminino? Uma mulher dotada de magia não pode lutar com um dragão de forma equivalente a um homem dotado de magia? A magia não existe, então portanto não necessariamente precisa estar ligada ao gênero, certo? Ou: uma mulher dotada de magia não pode lutar com um dragão de forma equivalente a um homem não-dotado de magia? Se você, autor, não considera a possibilidade de criar regras próprias que possam equiparar a força física de personagens masculinos e femininos, talvez seja a hora de considerar.

    Não estou dizendo, aqui, que a jornada do herói vs. a jornada da heroína não cumpriram seus papeis de identificação com os gêneros na história recente do entretenimento. De fato muitas mulheres se enxergavam mais em arcos relacionados à maternidade e ao “sacrifício do próprio corpo” ao invés de arcos de aprendizado da responsabilidade pela família. Mas – surpresa! – a sociedade está mudando. Esses papeis estão mudando porque eles são 99% culturais (aquele 1% biológico é o que menos importa). Se a sociedade procura papeis mais igualitários (e sim, ela procura), o que faz sentido é buscar essa equivalência também no entretenimento.

    Enfim. O entretenimento foi criado pelo homem. A jornada do heroi também. O homem muda, felizmente, então está na hora de pensar também em mudar também a forma com que os personagens são colocados dentro do entretenimento.

    De resto, ótima discussão. AJ como sempre questionando, abrindo mais a discussão, ouvindo todos os lados de um assunto – é disso que a gente precisa! Aguardo o próximo episódio! 😉