Wicked – Gregory Maguire

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“Wicked” escrito por Gregory Maguire e publicado no Brasil pela Editora Leya em 2016, é o livro que inspirou o musical de mesmo nome e chama a atenção por contar o outro lado de uma estória clássica e muito conhecida.

Vamos lá, você sabe do que eu estou falando! Estrada de tijolos amarelos, Cidade das Esmeraldas, um mágico, uma menininha encantadora que mata uma bruxa sem querer e entra em uma aventura acompanhada de personagens inesquecíveis e seu adorado cãozinho, essas coisas… Sim! “Wicked” é mais uma das estórias derivadas do clássico “O Mágico de Oz”, já resenhado aqui no Leitor Cabuloso.

Wicked e sua mágica nem um pouco mágica

A promessa do livro “Wicked” é simples: recontar a estória de “O Mágico de Oz” através do olhar e sob perspectiva da Bruxa Má do Oeste. A ideia é, em si, muito interessante: recontar uma estória já conhecida e muito amada, sempre referenciada, através do ponto de vista do lado mau. Promissor, certo?

Foi aqui que tomei um balde água fria que, confesso, poderia ter sido evitado por um mecanismo fácil: alguém ter me avisado que o livro se passa sim no universo de Oz, é contado sim pela perspectiva da Bruxa Má do Oeste, mas não é nada parecido com a estória clássica (seja ela no formato que for, no livro ou no filme).

Ao conhecer a proposta do livro imaginei uma obra completamente diferente da que tive em mãos. Vou ser franca com vocês: eu não havia lido o livro “O Mágico de Oz” e foi devido ao primeiro capítulo de “Wicked” que imediatamente corri para sanar essa dívida comigo mesma. Esse foi, talvez, o ponto mais alto que a obra de Gregory Maguire me proporcionou.

(Caro (a) amigo (a) leitor (a), caso você ainda não tenha lido a obra clássica de L. Frank Baum, por isso faça isso. Vá com o coração aberto e preparado – não é um livro infantil, muito pelo contrário, mas é lindo, lindo, lindo!)

Terminada a leitura do clássico, voltei a “Wicked” ansiosa para saber o que levou a Bruxa Má do Oeste ser a Bruxa Má do Oeste e conhecer tudo o que ela estava pronta para me contar. Aqui, as coisas começaram a não dar muito certo…

A Bruxa Má do Oeste que não era má coisa nenhuma

O autor de “Wicked” escolheu uma fórmula clássica, mas que costuma funcionar, para contar sua estória: ele começa a narrativa contando sobre os pais de Elfaba (ainda não me conformo com esse nome), seu nascimento e sua primeira infância. Pra mim, a primeira parte do cristal quebrou aqui quando, imediatamente após o seu nascimento, Elfaba já começa a ser odiada e desprezada pelos que a conhecem apenas por ser diferente deles. Para tentar amenizar a situação do preconceito, a situação do nascimento também não é a melhor possível…

Embora possamos detestar as pessoas por não gostarem de um bebê indefeso apenas pelo fato de ser verde (e mulher!), conforme a estória continua descobrimos que a futura bruxinha já tem uma tendência a ser fora do padrão e, porque não dizer, má. Atitudes pequenas mas que dentro do contexto fazem sentido e promovem maior desprezo como o fato de ela ser insuportável, mal criada e maníaca por querer morder e incomodar todo mundo que chega perto dela.

Vou resumir o que acontece: Elfaba cresce, a vida acontece, ela vai pra faculdade, lá conhece Galinda, depois chamada de Glinda (siiiim, a Bruxa Boa do Leste).

A primeira impressão? Que Glinda é muito mais insuportável que Elfaba e que Elfaba é muito mais legal do que Glinda. Entende a brincadeira com os personagens?

Na faculdade, Elfaba conhece outros personagens e aqui a estória realmente começa a caminhar para uma possibilidade de distopia YA – regime autoritário, discriminação, revolução, segredos e por aí vai. Foi aqui que pra mim deu.

Análise Crítica

Infelizmente o livro “Wicked” não funcionou pra mim. A estória não me convenceu, o jogo com a personalidade dos personagens me cansou logo no começo quando Elfaba começa a ser maltratada apenas por ser verde, quando a família começa a desmoronar devido às atitudes extremas de fanatismo religioso e definitivamente desandou após começar a misturar acontecimentos que esbarravam a vários gêneros de literatura dentro de uma mesma obra, sem definir muito bem onde queria chegar.

Como tive dificuldade com a leitura, insisti por meses e ao final das contas precisei ser honesta comigo mesmo: “Wicked” não é um livro que foi escrito para mim. Assim como em “O Mágico de Oz”, o escritor brinca com julgamentos do leitor, colocando-nos à prova de nossa ideia já formada sobre cada personagem, tentando quebrar preconceitos. A diferença é que em “O Mágico de Oz” isso é feito através das anedotas e do caminhar da estória, de forma sucinta, em “Wicked” isso parece forçado e ficou entalado.

Escrever uma obra atemporal como os clássicos é realmente uma tarefa difícil e os resultados costumam ser raros. Falo aqui de obras como o próprio “O Mágico de Oz” e outras como “Alice no país das maravilhas”, obras essas que quando lidas ou conhecidas em nossa infância nos ensina e mostra algo e depois de adultos nos ensina e mostra a próxima camada e assim por diante.

Também achei a escrita do livro confusa. Por várias vezes precisei voltar parágrafos e, embora o livro não tenha erros grotescos de gramática ou ortografia, o estilo de escrita do Maguire não me agradou. Penso que o “forçar situações, análises, julgamentos, mudança de gênero” acabou acentuando a sensação que, ao final, não, não vou terminar de ler “Wicked”.

Aaaah, mas você não gostou e por isso não devo ler?

Eu não disse isso! Caso você tenha vontade de ler “Wicked” vá em frente! O livro tem seus pontos altos e baixos e, não é porque não funcionou pra mim que ele não irá funcionar pra você! Apenas esteja ciente de que a obra não possui quase nada de proximidade com o clássico no qual foi inspirado e mantenha isso firmemente caso precise para prosseguir a leitura. Naturalmente, se você leu, me conte como os episódios da aventura de Elfaba se finalizam, seria interessante saber.

Nota

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Nome: Wicked
Autor: Gregory Maguire
Edição: 1ª
Editora: Leya
ISBN: 9788544103890
Ano: 2016
Páginas: 496
Sinopse: Imagine acompanhar a clássica e prestigiada história de O Mágico de Oz, de L. Frank Baum, pela perspectiva de Elfaba, a Bruxa Má do Oeste! Em Wicked, Gregory Maguire nos proporciona essa chance de conhecer o outro lado da moeda, e mergulhamos novamente no fantástico mundo da Terra de Oz.

Neste livro, descobrimos todos os detalhes da vida da garota de pele verde que cresceu cercada de desafios e preconceitos, até se tornar uma bruxa infame uma esperta, irritadiça e incompreendida criatura que põe à prova todas as noções sobre a natureza do bem e do mal. A improvável amizade da Bruxa Má do Oeste e Glinda, a Bruxa Boa do Norte, donas de personalidades tão opostas que se tornam melhores amigas; a rivalidade das duas ao se interessarem pelo mesmo homem; e a reação ao governo corrupto do Mágico de Oz também estão no foco de Wicked.

A obra de Gregory Maguire arrebatou milhões de pessoas em todo o mundo e baseou um musical na Broadway, que, desde sua estreia, em 2003, já quebrou diversos recordes e conquistou muitos prêmios, incluindo o Tony Awards, considerado o Oscar do teatro. Em 2016, o musical estreou em São Paulo.

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Dizem por aí que eu sou viciada em ler e que eu gosto de tudo. Em alguns pontos os amigos estão certos e em outros nem tanto. Mas que eu não dispenso um bom livro que cai nas minhas mãos, isso não faço mesmo.
  • Glhrm

    Que pena que você não gostou! Esse é um dos meus livros favoritos de todos os tempos!
    A forma como Gregory Maguire consegue traçar a vida da bruxa Elphaba, desde a infância, sua formação e sua acenção como Bruxa Má do Oeste, é das mais fascinantes que já tive contato. Entre a conturbada vida da pobre menina verde, o autor também traça muito claramente o cenário político de uma Oz que ninguém que já tenha lido o original de L. Frank Baum imaginaria! Uma Oz que teve seu trono roubado, e agora sofre as consequências de um ditador descontrolado e com sede de poder. Preconceito, batalhas políticas, misturadas com fanatismo religioso e planos de revolução que ora soam como heroísmo, ora como terrorismo! Um paralelo incontestável com o cenário político internacional que vivemos! Lutas por território, por água, por reconhecimento e respeito enchem as páginas dessa obra que traz Animais falantes como ícones de minorias do nosso cotidiano. O autor também consegue explanar sobre pesquisa e ciência, avanços tecnológicos e a influência do poder em todos os nichos da sociedade;
    Personagens rasos da história original ganham Vida, um passado e um propósito, mostrando que por mais inocentes que pareçam, todos temos segredos e vontades a esconder.
    Esse é um dos meus livros favoritos pela profundidade que o Universo de Oz toma, como seus personagens se desenvolvem ao longo da trama (que é o primeiro livro de uma série de 4) e como podemos nos enganar pelas aparências! Eu recomendo muito!!