A Garota no Trem (2016)

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A Garota no Trem” é um thriller psicológico que parte de uma premissa interessante e que surpreende com as reviravoltas.

O filme acompanha três protagonistas feministas fortes: Rachel, Anna e Megan. A história parte da visão e acontecimentos centrados na vida de Rachel, a Garota no Trem. Rachel é uma mulher depressiva, recém divorciada e com problemas de alcoolismo que todos os dias se senta no mesmo vagão do trem (metrô), fazendo o mesmo itinerário. Pelo caminho, em uma das paradas, ela sempre observa uma garota e sua vida privada pela janela. Ela fica fascinada pela vida perfeita que essa mulher loira possui: um marido carinhoso que a trata bem, que a ama, que a cuida, em uma casa bela. Eles parecem tão felizes!

Um dia, Rachel vê uma cena que envolve a misteriosa mulher loira e que coloca a sua estabilidade de vida perfeita em risco. É aí que ela se envolve e poucos dias depois descobre que a mulher desapareceu. Rachel não sabe o que fazer: não se lembra do que fez mas se lembra de uma coisa: em algum momento naquela noite, ela decidiu dar um chocalhão na loira de vida perfeita para fazer com que ela voltasse para a sua vida incrível. O que aconteceu depois?

Ao mesmo tempo em que tenta lidar com isso, Rachel também têm que lidar com Anna, a nova esposa de seu ex-marido e todos os conflitos que sente com relação a isso. Para piorar, Anna mora na casa que era de Rachel, que fica ao lado da casa de Megan, a loira de vida perfeita que desapareceu…

Suspense de grudar os olhos na tela e roer as unhas

Muito mais complexo do que é mostrado nos trailer, “A Garota no Trem” é um filme envolvente, cujo suspense faz com que nós, espectadores, fiquemos com os olhos grudados na tela o tempo todo e roendo as unhas em alguns momentos.

Toda a atmosfera do filme nos faz pensar em várias explicações sobre o que houve com Megan, qual o envolvimento de Rachel e Anna e outras dúvidas que surgem pela história, porém, ao ser desvendado o grande mistério é realmente de explodir a cabeça. Não bastante, as cenas seguintes são ainda mais impressionantes e apresentam uma reviravolta admirável e que tornam o filme realmente interessante e diferente dos outros do mesmo estilo.

O ritmo do filme é excelente! Bastante similar com “Garota Exemplar”, esse filme surpreende pelas reviravoltas, pelos diálogos simples, personagens complexos (em especial os que parecem bem rasos) e facilidade de envolvimento e entendimento. Ele parte de uma premissa simples, uma garota que pega o mesmo trem todos os dias e aparentemente pode estar envolvida com o desaparecimento de uma moça por quem ela costumava ser obcecada e nos leva para a intimidade da vida e passado de todos os personagens.

A fórmula de “A Garota no Trem” é simples: o mais óbvio às vezes é tão óbvio que não conseguimos ver, em especial se tivermos uma versão da nossa verdade e ela for o oposto do que realmente acontece. É aqui que nos surpreendemos.

Nota:
5-selos

  • Laine

    A Garota no Trem me levou à reflexão sobre a interpretação das coisas, unida aos nossos pré-julgamentos, modelos mentais psicológicos, uso de substâncias e ainda AS APARÊNCIAS.
    Vemos aquilo que queremos ver. Gostei da questão do óbvio colocada no post. Esse “óbvio” é visto por quem percebe além das aparências?
    A proposta da interpretação das coisas considerando a autoimagem e a desqualificação completa de si mesmo, gerando uma supervalorização. Tanto uma como a outra distorcem a realidade.
    Acho incrível o potencial de discussão do livro e filme. Achei estupenda a “realidade” que a Emily Blunt deu ao papel.
    Quanto ao livro, mesmo tendo um final inesperado, achei que a autora escolheu uma forma de escrever com muita explicação. Isso distorceu um pouco o suspense criado. Ainda assim, recomendo a leitura.
    Laine
    @bellsgabi