CabulosoCast #172 – Muito Além da Jornada do Herói

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Olá Cabulosos e Cabulosas do meu Brasil e Booklovers de todo mundo! Neste capítulo, eu (Lucien o Bibliotecário) convidei Ana Lúcia Merege, Pablo de Assis e Ivan Mizazuk para explorarmos outros modos de narrar uma história que fujam da conhecida da Jornada do Herói. Mas porque explorar outras formas? E qual o problema com a própria Jornada do Herói? Afinal de contas existem métodos diferentes para desenvolver um romance, noveleta, conto…? A resposta para esta e mais perguntas nesta edição do CabulosoCast! Um bom episódio para você!

Atenção!

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  • Ricardo Rodrigues de Araujo

    Excelente assunto e trilha sonora, parabéns.

  • Davi Paiva

    Davi Paiva, 29 anos, escritor. Lendo: O Apanhador no Campo de Centeio.

    Olá, pessoal do Cabulosocast. Tudo bem? Espero que sim.

    O Lucien tem os meus contatos nas redes sociais assim como alguns outros cabeças do Cabulosocast. E quem me conhece, sabe que eu não gosto da Jornada do Herói: eu amo a Jornada. Eu sigo a Jornada. Eu vivo a Jornada!

    Brincadeiras a parte, sabem que raramente comento um podcast (apesar de indicá-los). Mas esse eu me senti motivado a incrementar. Nunca se sabe quantas pessoas ouviram e ainda vão ouvir, bem como quem vai ler o meu textão até o fim…

    Vou começar abordando as perguntas feitas pelo Lucien e depois comentando algumas coisas ditas:

    – Qual é o problema no uso da JdH? Nenhum. O problema é que a falta de experiência do escritor iniciante tanto na parte de interpretação quanto no aspecto de pensar sobre aquilo que se tem (como dar um pé-de-cabra a uma pessoa sem explicar que ele serve para algo além de defesa pessoal, por exemplo) faz com que apareçam muitas obras “capa e espada”, com o herói montado em seu cavalo branco salvando a donzela das garras do senhor do mal. É difícil ver um sujeito que na primeira tacada faráa um anti-herói lidando com um vilão tão bem vestido e cortês quanto um Martin Luther King Jr. Entendem o que quero dizer?

    – A JdH só se encaixa nas narrativas orientais? Discordo. Ela é um produto inconsciente e perpétuo. De Musashi ao Naruto, todos eles seguem a sua jornada. O principal problema em analisá-la é que o termo “herói” fica melhor entendido quando o chamam de “protagonista”. E toda narrativa fala de alguém que não será o mesmo no fim dela: ele pode ficar rico, com um item cobiçado, morando em um bom lugar, com um bom cargo, com uma mulher… ou nada disso! O protagonista de 1984 é a prova disso: o que ele consegue no fim de sua Jornada? Um conceito: ele não vai salvar o mundo. Recomendo a todos(as) que lerem isso que não pensem em seu herói como salvador e sim como alguém que não será o mesmo no fim de uma experiência.

    – A JdH é só para homens? Em uma cultura conservadora, sim. Mas quando você coloca uma mulher como personagem principal, ela não precisa virar uma guerreira combatente como um homem para provar o seu valor como foi dito no programa. Vejam Cersei Lannister ou Anna e Elsa: fizeram suas jornadas sem precisarem erguer punhos e serem brutalmente agredidas ao contrário de muitos espartanos por aí.

    – O herói luta e sempre tem que vencer? Nem sempre. Além do caso que já mencionei com 1984, cito também Indiana Jones, que consegue o Santo Graal e abdica dele em prol de outra coisa: o respeito do pai. Às vezes, vencer de forma suja e desleal sacrificando pessoas ou abandonando amigos é algo que uma boa pessoa não vai querer. Ou pode ser que o protagonista não vença, como vimos em Death Note.

    – sobre o uso de estereótipos e textos amadores no Wattpad: volta ao que eu disse a respeito da falta de discernimento da população. É muito mais fácil fazer um romance de homem maduro e mocinha virgem do que um romance em que um casal já formado e super bem resolvido resolve se aventurar pelo mundo do BDSM para apimentar a relação. No primeiro caso. é mais comum e mais aceito. O segundo exige mais planejamento e trabalho dos backgrounds.

    Em minha humilde opinião, não podemos escapar da JdH: o medo do escuro, o susto com o brilho de um relâmpago, o prazer ao comer e outras reações são coisas que já estão nas características dos seres vivos. E a forma de pensamento de Campbell/Vogler está no DNA. Tanto que eu vejo todas as etapas em muitas narrativas que foram mencionadas (Memórias Póstumas, O Clube da Luta, etc.).
    O que podemos fazer é incrementá-la.
    Possíveis soluções com exemplos:
    – JdH com dois ou mais personagens, cada um com seus objetivos e suas etapas (Toy Story, Frozen, Game of Thrones, etc.);
    – Narrativa de abismo (personagem contando história de outro personagem, tal qual Clarice Lispector em “A Hora da Estrela” ou os contos de Guy de Maupassant. Fonte: http://bookwormscientist.com/narrativa-em-abismo-as-historias-feitas-de-historias/);
    – Histórias que já comecem com o personagem já treinado e sem mestre ou até um mestre-aliado sendo obrigado a lidar com o que não é tão inesperado (trilogia de filmes Bourne);
    – Desvirtuação dos arquétipos (um anti-herói/vilão treinado por um mestre que não passa credibilidade, tendo um aliado camaleão e o senso de humor do pícaro soa um pouco sádico… é quase o que ocorre com a trilogia de filmes do Batman, do Nolan).
    – Da mesma forma como Vogler pula ou sintetiza algumas etapas do Campbell, editar as formas como são feitas as etapas (a Recusa só ocorre no final de Harry Potter e As Relíquias da Morte, onde Harry ganha todas as Relíquias e fica com a Capa, conserta a própria varinha e abdica do resto).

    É isso.

    Peço desculpas pela extensão e sabem que respeito a opinião de todos(as). Só queria dizer o que penso.

    Parabéns por mais um excelente podcast.

    Abraços.

  • Magdiel, 21 anos (eu acho), Recife, Lendo artigos na internet.

    Eita que programa bom! Ivan no Cabuloso foi um presente.
    E esse assunto mereceria mais outro cast. É importante de ser abordado. A Jornada do Herói pode servir como modelo pra quem tá começando. O que ajuda bastante, mas é sempre bom frisar isso de não se prender a ela.

    Um adendo, o avatar do Lucien tá desatualizado. Tem cabelo ali.

  • Haniel Lucas

    Haniel Lucas, 17 anos, Campina Grande, Lendo conversas marotas do skype :v

    Esse programa foi deveras bom, eu como um calouro nesse mundo de escritores já li a Jornada do Escritor e ouvi críticas bastante construtivas aqui que servirão para revisar conceitos da jornada do herói que achei que eram como “A bíblia dos escritores.”

    A noção do herói é a mais importante, pois como dito no programa, muitas vezes é o estilo do herói clássico e ocidental, tal modelo não se encaixa com vários modelos existentes e ainda em ascenção hoje em dia, além disso, os passos da jornada do herói variam de acordo com o protagonista e muitas coisas precisam ser consideradas.

    Muito bom esse CabulosoCast, sou novo por aqui e com certeza cheguei pra ficar e ouvir 😉

  • Juliana Santos

    Juliana Santos, 21 anos, Rio de Janeiro – RJ, (re)Lendo : Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

    1.Vcs sempre tem as melhores músicas nos episódios.
    2. AMEI o episódio, como leitora, comecei q lembrar de várias estruturas narrativas diferentes. Muito legal mesmo !

  • Yuuke Ayrton

    Ayrton Paulo, 21 anos,Gerente de T.I e Rabiscador nas horas vagas ,
    Nova Iguaçu – RJ,
    Lendo : Um Cântico para Leibowitz e Battle Royale

    Excelente cast! Realmente a jornada do herói pode ser um pouco “machista” e banalizada, mas ainda consumo muito de jornada do herói até por que ainda me atrai por causa da fraqueza dos personagens heroicos com o padrão :aprende, enfraquece, aprende mais e ai completa o objetivo, o que também lembra que esse tipo de herói tem um coisa cítrica que de 10 em 10 anos um altor lembra que 10 anos atras uma coisa bacana aconteceu.Quanto minhas dicas aqui vão:

    Outros cantos, da Maria Valeria rezende ,quando li achei que não ia acontecer nada ,mas acredite apesar de triste e um ótimo, livro pouco a se dizer por que realmente é preciso ler.

    Black Butler, da Yana Toboso, é um ótimo mangá ,uma edição belíssima da Panini comics e é claro o maravilhoso traço da yana , a ambientação na Inglaterra e o cuidado em cada cena é lindo.

    mas Cabulosocast como sempre Muito CABULOSO.

  • Seitan

    Muito bom o cast; a participação dos convidados, o tema e tudo mais.
    Fique curioso sobre a musica usada no final do programa. Não consegui identificar de qual se trata.

  • Renato Dantas

    Renato, 35 anos, Revisor de Texto, São Paulo, lendo Star Wars – Um Novo Amanhecer, de John Jackson Miller

    Salve Cabulosas e Cabulosos,

    Episódio maravilhoso, eu já admirava o Mizanzuk, agora sabendo que ele também não aguenta mais Tolkien e as Tolkienetes passei a admirar anda mais.

    Brincadeiras à parte, eu não aguento mais a jornada do homem branco europeu heterossexual cristão de classe média. Quero jornadas de mulheres, de negros, de árabes, de gays, de lésbicas, de pessoas trans etc.

  • Joe de Lima, 34 anos, autor independente. Itumbiara-GO. Lendo: “Réquiem para Liberdade”, de Thiago Lee.

    Interessante o debate. Depois de ouvir o programa, dei uma pesquisada pela internet e achei esse texto em inglês com 4 alternativas à Jornada do Herói. Tem um método chamado Narrativa Escandinava, que eu acredito seja o estilo usado pelo George R. R. Martin:

    http://www.steveseager.com/heros-journey-four-innovative-narrative-models-digital-story-design/

  • Olá amigos Cabulosos. Como sempre, o Leitor Cabuloso traz assuntos Cabulosos.

    (O Bibliomante, 31 anos terrestres, profissional de T.I. – Tudo Incluso – e um Bibliomante por natureza. Cidade de Oz – SP. Lendo o “Livro das Mil e Uma Noites” traduzido do árabe por Mamede Mustafa Jarouche.)

    Volta e meia o tópico da jornada volta à tona. Eu lembro de ter comentado no cabulosocast sobre “jornada do herói” que não gosto da ideia de escrever usando este método. Na verdade o problema não é o método em si e sim o fato de escrever usando qualquer formula ou método pelo simples fato de querer utilizar ou por achar que ela é garantia de alcançar algum objetivo comercial ou ainda por achar que para ser profissional da escrita deve-se seguir métodos. Eu, particularmente, quando escrevo não penso em termos de estrutura literária. Enfim, acredito que o processo criativo de cada um flui e funciona segundo as particularidades da própria pessoa.

    Acho que a jornada do herói aplicada em roteiros serve justamente para o que foi desenvolvida: permitir a produção de roteiros em escala “industrial”.

    Com a “fórmula” é possível criar mais histórias e mais rápido e com a certeza de possuir nos roteiros os elementos que historicamente agradam a uma determinada cultura. Em suma, a “Jornada do Herói” é ótima para a industria. É por causa de métodos como esse que não vemos por aí carros com menos ou mais de quatro rodas, que não usem gasolina ou álcool, e que não possuam uma carroceria segundo certos padrões históricos, etc. Mas, se a industria do automóvel não possuísse um método (Uma Jornada do Automóvel Popular) poderíamos ter nossas ruas invadidas por veículos bizarros e que fogem completamente aos padrões a que estamos habituados. Por um lado, no caso da industria do automóvel, isso é bom, pois é preciso um certo padrão para que os veículos funcionem na infraestrutura das cidades. Por outro lado estamos presos a uma “monotonia” e estagnados criativamente, sem visualizar novas e melhores formas de transitar dentro de nossas cidades. O mesmo principio se aplica aos roteiros. Mas, neste caso, pensemos: quem mais ganha com uma industrialização dos roteiros é a industria que vende obras e não quem as consome. Até mesmo porque, ao contrário do exemplo dos automóveis, não há “infraestrutura” que limite a criação de histórias. Somos limitados tão e somente pelo nosso paladar cultural, habituado sempre a consumir mais do mesmo e a fugir do diferente (mas isso também por uma pressão da industria em oferecer sempre mais do mesmo).

    A verdade é que tudo o que atinge a escala de produção “industrial” perde originalidade. Claro que é possível usar a fórmula e ser original, mas neste caso essa originalidade estará fadada e limitada pelas paredes da fórmula. Será sempre uma originalidade impossibilitada de ir além do que as paredes permitem. E, quando insisti-se em romper os limites impostos pelas paredes da fórmula (neste caso da jornada do herói) a mesma é quebrada e o autor está usando qualquer coisa, menos a fórmula tal e qual foi padronizada para a industria do roteiro.

    Eu sempre defendo escrever sem preocupar-se com fórmulas, padrões e métodos. Isso porque aumenta as possibilidades de se criar algo original, fora do que se está acostumado e porque, de certo modo, quem cria acaba aplicando as estruturas que já conhece das obras que consome.

    Mas claro que, quando houver necessidade e quando estiver difícil “desempacar” a sua própria obra, pode-se e deve-se recorrer a alguma estrutura que facilite o processo de criação. Com o tempo o autor pode até criar o seu próprio método, com suas próprias características.

    Acho que o melhor conselho sobre “Jornada do Herói” e qualquer outro método de escrita é “Use com moderação e em doses homeopáticas”.

    E gostaria de encerrar meu comentário com uma frase do anime Bakuman “na criação de mangás não há limites” – ou algo assim. O mesmo pode-se dizer sobre qualquer profissão que envolva criatividade, incluindo a produção de livros: na escrita não há limites para o que e como se fazer. Somos limitados tão e somente por nós mesmos.

    Um grande abraço à equipe Cabulosa.

  • Bruno Araujo

    passando só pra dizer que tá muito bom o cast, vou virar ouvinte assíduo de vocês agora 😉 abraço e continuem nesse nível de qualidade pra melhor

  • Vitor Sandrini de Assis

    Olá, Cabulosos. Sou o Vitor Assis do LocusPsiCast, tenho 33 anos, moro em Vitória ES e estou lendo Perdido em Marte, A Garota no Trem (recomendado pela minha esposa), Contos Reunidos, do Rubem Fonseca, e Os Desafios da Terapia, do Irwin Yalom.

    Só passando para registrar: que episódio fantástico! Adorei as colocações do Pablo sobre as outras possibilidades de ser. Acho que é a mesma discussão dos esteriótipos e das dominâncias literárias de que tanto reclamamos e brigamos pela representatividade. Gosto da jornada do herói, mas compreendo que há muito além dela que ainda pode ser explorado.

    Ah, por favor, façam um episódio do Jogador Número 1! Adoraria ouvir a discussão de vcs.

    Grande abraço a todos.

  • Edinara Censi Boff

    Edinara, 27 anos, Engenheira Civil e aspirante a escritora nas horas vagas, lendo “Dragões de Éter – corações de neve” de Raphel Draccon e “Urupês” de Monteiro Lobato.

    Este é o primeiro cast do Cabuloso que escuto. Depois de “Googlear” em busca de casts sobre literatura a fim de me aprofundar mais neste mundo incrível da literatura. Este podcast me caiu como um luva, pois estou escrevendo um romance medieval, e utilizando a jornada do herói. Através deste cast pude observar coisas que posso melhorar na minha estrutura e fugir um pouco do previsível. Com certeza continuarei por aqui! Beijos.

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