CabulosoCast #170 – A Cultura do Estupro na Literatura

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Olá Cabulosos do meu Brasil Varonil e Booklovers de todo mundo! Neste capítulo, nossa host, Domenica Mendes convida Lady Sybylla, Julianna Costa, Rebecca Agra e Rebeca Puig para juntas discutirem a cultura do estupro e como ele é proliferada na literatura sem que saibamos. Além de discutirem sobre o próprio conceito do que é a cultura do estupro, vão abordar alguns temas polêmicos como: todo homem é um estuprador em potencial? O estupro, em filmes e livros, é um clichê que reforça essa cultura? Para saber as respostas para estas e outras perguntas basta clicar no “play”. Um bom episódio para vocês!

Edição Luís Beber

Um agradecimento especial a Arita Sousa, a Cecília Garcia Marcon, a Kell Bonassoli, a Priscilla Rúbia, Roberta Rampini e a Talita Weh.

Atenção!

Para ouvir basta apertar o botão PLAY abaixo ou clique em DOWNLOAD (clique com o botão direito do mouse no link e escolha a opção Salvar Destino Como para salvar o episódio no seu pc). Obrigado por ouvir o CabulosoCast!

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Citados durante o episódio

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  • Gurias, excelente episódio! Fiquei pensando um pouco na maneira com que o estupro é tratado dentro de obras de ficção, principalmente comparado a outros atos de violência. Por alguma razão eu penso que há mais imoralidade em um autor desenvolver uma cena de estupro do que uma de assassinato, por exemplo. Não sei se vocês concordam, mas isso me parece ser verdadeiro porque o assassinato (falando genericamente) é um ato de violência que se desdobra a partir de uma história individual e bem delimitada. É algo relacional e restrito a dois personagens (claro, há exceções), sendo que há pouca aceitação ou naturalização daquele ato por partes dos leitores. Ele é claramente visto como algo alienígena por 99,9999% da população. O estupro, por outro lado, está inserido na sociedade e denota uma postura e uma relação de poder entre dois grupos sociais: homens e mulheres. Ver uma cena de estupro numa obra pode contribuir para a naturalização e reprodução desse modo de pensamento das relações entre homens e mulheres. Se um autor escreve uma cena de estupro para a sociedade em que vivemos, a não ser que isso seja feito em claro caráter de denúncia, existe o grande risco da cena ser tratada com naturalidade, e isso me parece ser um dos piores resultados possíveis. Gostaria de ver mais opiniões sobre isso! Valeu!

  • Pessoal, excelente episódio! Fiquei pensando um pouco na maneira com
    que o estupro é tratado dentro de obras de ficção, principalmente
    comparado a outros atos de violência. Por alguma razão eu penso que há
    mais imoralidade em um autor desenvolver uma cena de estupro do que uma
    de assassinato, por exemplo. Não sei se vocês concordam, mas isso me
    parece ser verdadeiro porque o assassinato (falando genericamente) é um
    ato de violência que se desdobra a partir de uma história individual e
    bem delimitada. É algo relacional e restrito a dois personagens (claro,
    há exceções), sendo que há pouca aceitação ou naturalização daquele ato
    por partes dos leitores. Ele é claramente visto como algo alienígena por
    99,9999% da população. O estupro, por outro lado, está inserido na
    sociedade e denota uma postura e uma relação de poder entre dois grupos
    sociais: homens e mulheres. Ver uma cena de estupro numa obra pode
    contribuir para a naturalização e reprodução desse modo de pensamento
    das relações entre homens e mulheres. Se um autor escreve uma cena de
    estupro para a sociedade em que vivemos, a não ser que isso seja feito
    em claro caráter de denúncia, existe o grande risco da cena ser tratada
    com naturalidade, e isso me parece ser um dos piores resultados
    possíveis. Gostaria de ver mais opiniões sobre isso! Valeu!

  • Renato Santos

    porque não chamaram homens para discutir o assunto também? ou algum representante da policia? com certeza daria mais parcialidade no cast e deixaria bem mais rico.

    • Nem o host do programa estava presente pra não dar margem a interpretações errôneas a respeito de um assunto que não o atinge. E você queria homens no programa?

      Tá sertinho.

      • Renato Santos

        é né , até pq só mulheres podem falar do assunto…

        • A cultura do estupro atinge às mulheres em sua vasta maioria. É a nós que você tem que ouvir. Não é delegado de polícia.

          • Renato Santos

            aham…

          • Davi Cavalcante

            Até porque só negros podem falar de racismo, só gays podem falar de homofobia e só mulheres podem falar de estupro. Tudo bem ne.
            eu acabei de ouvir todo o podcast e ouvi muitas coisas que concordo e muitos absurdos.
            Os homens são estupradores em potencial? E se eu disser que todas mulheres são vadias promíscuas em potencial? Aliás.. Biologicamente e socialmente estão propensas a isso.

            Você esquecem o quanto qualquer abuso sexual é igualmente revoltante para homens e para mulheres.

          • Vamos definir promiscuidade, Davi? Vamos.
            É aquela coisa que nos homens todo mundo acha legal porque o cara é pegador e que nas mulheres fica feio porque é vadia. Percebe como o termo tem dois pesos?

            Tendo isso em vista, você está comparando liberdade sexual com abuso sexual. Percebe o absurdo que foi sua comparação?

            Outra coisa, foque no “em potencial” da frase estuprador em potencial. Foque bem no “em potencial”. Se você realmente tentar entender o que isso significa, garanto que não se sentirá mais ofendido.

            Abraços

          • Stefan Plinio Costa

            Se o cara se diz “pegador” eu tenho é pena desse cara que é um babaca fútil, da mesma forma que eu repudio igualmente este comportamento nas moças pq, na minha opinião, elas estão fazendo tão mal para elas quanto esse aí que se diz “pegador”

          • Oi, Davi!
            De forma alguma: todos podem, devem e precisam falar sobre tudo isso.
            Se eu passei a impressão de que apenas as mulheres se revoltam o abuso sexual, peço desculpas. A intenção não foi essa.
            Por outro lado, utilizamos o programa para dar vozes às vítimas em potencial. Julgamos necessário e interessante.
            Com certeza, como em qualquer discussão, existem coisas que as pessoas vão concordar e outras que não vão concordar ou até mesmo identificar como absurdos, como você mesmo definiu. Isso nos traz um objetivo alcançado: promover a reflexão e a discussão saudável sobre isso.

            Sobre a questão “todos os homens são estupradores em potencial”, acho que a discussão foi bem clara. As próprias meninas apresentaram argumentos do por quê essa frase é apresentada e faz sentido para muitas mulheres e muitos homens. Entendo e respeito que isso deve te incomodar bastante, acredite: incomoda a mim também. Por outro lado, vamos à sua contra argumentação: “todas as mulheres são vadias promíscuas em potencial, aliás, biologicamente e socialmente são propensas a isso.” Hum…. argumento? Biologicamente envolve várias questões e temos a ciência para isso. Socialmente, acredito que apenas a sua visão de que o oposto de “estuprador em potencial é vadia promíscua em potencial” mostra que isso tudo é um problema maior.
            O oposto de “estuprador em potencial” é “vítima em potencial”. Encarar que só existem estupradores porque existem vadias promíscuas é no mínimo sustentar e alimentar, fortalecer e replicar a cultura do estupro que determina que mulheres são estupradas pois se permitem a isso, seja com atitudes, com roupas, com palavras ou com o que for.

            Dentro da discussão nesse ponto, foi falado várias coisas, mas definitivamente não foi falado que “homens são estupradores em potencial pois a biologia masculina leva a isso”, muito pelo contrário. O tempo todo batemos na tecla que isso tem uma carga muito maior na própria construção social e cultural. Óbvio que existem exceções: assim como psicopatas às vezes são psicopatas pois o cérebro deles funciona assim.

            Vou te apresentar outro ponto dentro disso: lutar pela extinção da cultura do estupro é lutar também contra essa visão de que vocês, homens, são animalescos, só pensam e vivem por sexo, são levados a isso. Honestamente, eu acho isso ridículo e altamente desrespeitoso. O problema real é a questão cultural mesmo – isso de falar que homens têm que fazer sexo com todas as mulheres que aparecerem em sua frente é pura questão machista e fortifica a cultura do estupro. É ruim ser chamado de “estuprador em potencial?” É ruim também ser chamada de “puta em potencial”, de “vítima em potencial”, de “culpada em potencial”. É ruim ter cinco anos de idade e ser educada a não falar com ninguém, andar de cabeça baixa, correr se ver gente estranha. É ruim ter medo de usar uma roupa qualquer por medo de ser cantada ou ter o corpo violado com mãos, objetos ou o próprio corpo de outra pessoa. É ruim se sentir um objeto público quando se sai na rua. É ruim ser educada a ter sempre medo dos homens e quando algo acontece, qualquer situação de violação, ter que ouvir “Mas, também, o que você estava fazendo lá?”. É ruim ter que se justificar do porque ter medo, de ter que trabalhar pra não ter medo de tudo e de todos. É ruim batalhar todos os dias e ter que se comportar de forma diferente pra se proteger todos os dias porque a qualquer momento tudo pode ser perdido, simplesmente por eu ser mulher.

            Lutar com a cultura do estupro, explicar o que é, como funciona, como nos sentimos, como lidamos com isso todo dia é lutar pelo fim disso tudo. É promover o respeito para todo mundo. É fazer uma sociedade melhor.

          • Stefan Plinio Costa

            Senhorita Domenica quanto a sua frase: “…lutar pela extinção da cultura do estupro é lutar também contra essa visão de que vocês, homens, são animalescos, só pensam e vivem por sexo, são levados a isso. Honestamente, eu acho isso ridículo e altamente desrespeitoso.” Só posso dizer que concordo com ela em GÊNERO, NÚMERO e GRAU. Não foi fácil pra mim crescer sem fazer parte dessa cultura aí, mas graças a Deus eu tive pais muito atenciosos e amigos que rejeitaram essa cultura também. Só queria deixar claro o meu repúdio a cultura do estupro e hipersexualização das mulheres e de qualquer um que seja vitimado por isso. Essa é uma forma de pensamento bárbara e que ofende ao coração de Deus.

          • Renato Santos

            engraçado que quando fiz meu comentário, a maioria das respostas foi nesse sentido “homem não tem q falar quando o assunto é estupro” e ponto.

          • Stefan Plinio Costa

            Concordo em partes

          • Petrus Augusto

            -> Até porque só negros podem falar de racismo, só gays podem falar de homofobia e só mulheres podem falar de estupro. Tudo bem ne.

            Não. mas,
            1 -. Só negros podem fala com propriedade sobre racismo.
            2 -> Só gays podem falar com conhecimento de causa, sobre homofobia.
            3 -> Só mulheres podem (infelizmente) falar sobre estupro, com real conhecimento/vivencia.

            É difícil entender isso?

          • Stefan Plinio Costa

            Concordo com muita coisa senhorita Sybylla, mas respeitosamente não concordo com o fato de que “todo o homem é um estuprador em potencial”. Mais do que uma questão social, esse comportamento é uma questão de caráter. Fui muito bem educado pelos meus pais e NUNCA fiz nenhuma dessas “coisas de menino” (apenas para resumir) as quais vocês citaram, sempre fui ensinado a tratar e até como ter contato físico com as meninas de um modo respeitoso. Tenho muitas amigas e nenhuma dessas amizades foi motivada por atração sexual o que me gerou muitos problemas quando eu era mais novo por ter minha masculinidade e sexualidade constantemente questionadas por colegas de escola, não preciso aderir a essa cultura maldita para ser homem e hétero. Todas as formas de violência, a sexual nesse caso, me são ofensivas e bárbaras. Sou muito fã do seu blog e apenas queria contribuir para a discussão , abraços e que Deus te abençoe

          • Stefan, entenda de uma vez por todas o EM POTENCIAL. Melhor ainda, o Pirula fez um vídeo explicando a questão do aparto biológico e social do homem. Quem sabe ouvindo de um outro homem você entenda, né?

            Você foi bem educado? Poxa, que maneiro. Roger Abdelmassih também foi bem educado, estudado, formado em Medicina, rico e é um estuprador.

            Portanto, se vc foi bem educado e nunca fez “nada dessas coisas que vocês falaram”, por que tá se doendo? Não deveria, né?

          • Stefan Plinio Costa

            Senhorita Sybylla, eu não me fiz entender corretamente, meu comentário não visa criticar suas colocações, pelo contrário eu ESTOU DE ACORDO com você, tentei ser… Genérico para tornar o comentário mais curto. Eu tentei expressar como essa cultura de estupro reflete negativamente até mesmo para outros homens que se recusam a se “encaixar” nessa cultura. Perdão se eu a ofendi de alguma forma, mas minhas intenções eram justamente o contrário. Perdão.

          • Petrus Augusto

            Mas entenda Stefan,

            Você pode não se sentir dentro dessa ‘cultura’, nem eu!! Já passei pelos problemas que você citou!

            Mas, não dá para se sentir ofendido.. Se você não concorda com nenhum ato (ou pensamento) assim (da cultura), ótimo, estamos juntos nessa.

            Mas, não fique pedindo para elas deixarem de usar quando não tem como. A nossa sociedade é assim,

            As pessoas tem um entendimento raso sobre o termo ‘cultura do estupro’.. Não é necessariamente sair estuprando, mas, no momento que outro ‘macho’ chega de modo invasivo em um mulher, exigindo que ela o atenda.. Ele está agredindo ela, um tipo de ‘estupro’ por assim dizer. E é isso que as pessoas não entendem e fazem questão de dar tilt para não entender.

            Exemplo: Não gosto de futebol, para mim, é uma puta perco de tempo, para mim, assistir faustão é melhor que que ver futebol, mas mesmo assim, a cultura do brasil é: ‘Futebol’… O que vou fazer? exigir que falam: ‘Exceto para Petrus’?

            Não dá.. Tá na sociedade, não tem muito o que fazer, a não ser, criamos nossos filhos para não ser um nojento, e nossas filhas para repudiarem esse tipo de gente.

          • Também podemos mudar nossas ações e fazer nossa parte. Que é o que vocês (e nós) estão (mos) fazendo, então, continuem com o trabalho! =)

          • Renato Santos

            vc não tem q pedir tanto perdão, vc não fez nada de mais só colocou seu ponto, é q quando a idéia é contrária, a mulher é q se sente ofendida, mesmo não havendo ofensa.

          • Renato Santos

            rapaz, esse “em potencial” só pode ser usado em alguns casos, ou seja , quando convém… tipo, te falaram pra não se doer caso vc não se encaixe no perfil “abusador” mas se vc solta um “toda mulher é uma puta em potencial” será que as que não são putas não vão se doer? ou todas as mulheres ficarão ofendidas? no mais, não dá pra ter certa opinião contrária mesmo com argumentos diretos e inteligentes. falou de estupro o homem sempre vai tá errado.

        • AJ Oliveira

          Eu até penso que alguns homens poderiam contribuir com esse assunto, mas toda vez que vejo esse tamanho número de reclamações masculinas percebo que estou totalmente errado.

          A suma maioria dos homens não está preparada pra falar sobre isso.

          • Renato Santos

            alguns estão, só que não tem vez, olha só o q deu no simples fato de eu questionar isso? teve até texto psicografado do que um homem nesse debate falaria. Se fosse um cast só com homens falando de algo que só homem entende, talvez algumas mulheres fizessem esse mesmo questionamento meu.

    • Elisa Rovai

      A cultura do estupro é responsável também por CALAR as mulheres, pra que elas não falem dos próprios abusos que sofreram, pra que não denunciem o abusador. A iniciativa do podcast é DAR VOZ às mulheres que são caladas por isso. Um homem discutindo o assunto teria pouco a acrescentar, ainda menos (muito menos) um representante da polícia. Policial não é super-herói, meu querido, não é requerido deles o conhecimento deste assunto ainda.

      • Renato Santos

        aham….

    • Sinceramente, entre ouvir da boca de quem entende e ouvir da boca de alguém quem “acha”, eu prefiro um cast só de mulheres mesmo…

      • Renato Santos

        shame

    • Ana

      Cara, os homens são ouvidos o tempo todo, o “outro lado” é ouvido o tempo todo.

      • Renato Santos

        aham

        • É sim, Renato. Vocês têm voz o tempo todo, todo o tempo. Nossa opinião importa menos, tanto que você queria homens no programa, pra deixá-lo ~~imparcial~~.

          Se fosse um programa sobre estatísticas de estupro no Brasil, sobre condenações do crime de estupro, sobre a dificuldade de se fazer denúncias, um delegado ou um policial poderiam vir para a discussão.

          Mas cultura do estupro não é só o crime do estupro em si. É tudo o que foi falado no programa. É tudo o que a gente sofre diariamente.

          A carapuça não tinha número, mas se lhe serviu, então tá na hora de você rever seus conceitos.

          • Renato Santos

            aham…..

    • Oi, Renato! Tudo bem?
      Achei a sua pergunta bem interessante. E vou falar por mim: não foram chamados homens para discutir o assunto, pois a proposta desse episódio era dar oportunidade para nós, mulheres, falarmos sobre o que vemos, vivemos e sentimos. Sobre como é lidar no dia a dia, desde o momento que nos identificamos ou somos identificadas como mulheres, sobre essa sombra que assola e ameaça – a possibilidade de ser violentada. E afinal – porque é sempre nossa culpa?
      De forma alguma desmerecemos as opiniões masculinas, tanto que a própria pauta e temas selecionados para discussão foram feitos em conjunto. Ao falar de “cultura do estupro” achamos justo ouvir e focar na opinião da vítima, nós mesmas, mulheres.
      Sobre a sua sugestão de trazer um representante da polícia, acredito que ele apenas poderia contribuir trazendo estatísticas. Com relação à opinião pessoal dele, seria apenas pessoal, já que a própria Polícia Militar é uma instituição e assim sendo tem suas regras. O problema ali, como em qualquer outro lugar, não são as regras da instituição e sim as opiniões e “regras” pessoais. No dia a dia são elas que movem a nossa sociedade.
      Trazer homens para o cast poderia deixá-lo mais rico? Talvez. Mas dentro da proposta do episódio, acredito que está absurdamente rico. Particularmente, tenho grande orgulho de ter trabalhado nele.
      A parte de acrescentar as opiniões masculinas vem de vocês nos próprios comentários e discussões saudáveis. Para nós do cast isso é extremamente válido.

      Só pra finalizar, apesar de você usar o termo “parcialidade”, imagino que quis dizer “imparcialidade”. Assim, vejo que essa imparcialidade seria impossível ao trazer homens para a discussão. Vou explicar o por quê: quando falamos de “cultura do estupro” falamos de minoria. Naturalmente o assunto importa a todos, pois é um assunto que importa para a sociedade e dentro da sociedade, todos são necessários. Contudo, para que haja imparcialidade é preciso que haja igualdade. Infelizmente, ainda não temos igualdade como queremos. A própria ideia de casts como esse é justamente promover reflexões para ajudar a proporcionar a oportunidade de igualizar a sociedade e equilibrar as relações.

      Obrigada por ouvir e por comentar de maneira educada. Se quiser falar mais sobre o assunto, estou à disposição.

      Abraço,
      Domenica

      • Renato Santos

        Eu que agradeço sua atenção e educação.

    • Cara, pra que você quer ter voz num assunto que diz respeito apenas à parte oprimida?
      Qual sentido de algum que faz parte do grupo social opressor estar no programa pra ficar relativizando os problemas e dizendo “ah mas eu nao sou estrupador”.
      Você já tem voz em qualquer outro assunto, esse tipo de programa é pra ficar de boa e ouvir o que elas tem a dizer.

      • Renato Santos

        Aham

      • Roman Schossig

        Que agressividade, Lucas. Um programa tão bom e tão rico não precisa ser seguido por um comentário tão ríspido. Claro que a parte oprimida deve ter maior preferência numa discussão sobre esse assunto, mas isso não diz respeito APENAS à elas. O opressor não seria opressor(ou pelo menos o seria bem menos) se entendesse a dimensão de sua opressão. Como falei, para mim o programa foi excelente, mas pergunte à si mesmo quantos homens não deixaram de ouvir e perderam (mais) uma oportunidade de se esclarecer por não ter ali uma voz masculina que os representasse.

        • Mas ESSE é o Lucas Ferraz, grosseria é apelido 😛

      • Renato Santos

        tais todo errado.

  • Norberto Silva

    Excelente cast meninas.
    Me ajudaram a repensar os rumos de uma personagem do livro que estou escrevendo e, acima disso, como pai de uma linda menina, que estou criando para ser o mais independente possível, confesso que essa cultura do estupro é deveras preocupante.
    Lembro de um incidente quando ela era bem menor, devia ter lá pelos seus dois anos, dois e meio, e um menino a mordeu na pois ele queria abraçá-la e ela o estava empurrando pois não queria abraços… Será que os pais o puniram devidamente, ou como foi citado no programa, falaram que é normal, que são crianças e tals?
    Não fomos atrás dos pais para evitar problemas, mas desde antes disso sempre deixo claro para minha filha: “Você nunca comece uma briga, mas terminar, isso você pode sim senhora”…
    E faço coro quanto ao fato acertado de não chamarem algum homem para participar, o cast acabaria descambando para alguma discussão que não enriqueceria em nada o assunto e ainda poderia causar mal estar entre os participantes.
    Espero que tenhamos mais programas como esse.

    Em tempo, li os livros da Julianna e adorei!
    Erotismo na dose certa para deixar qualquer leitor, homem ou mulher, excitado, mas sem precisar apelar para péssimos clichês!

    Mais uma vez parabéns meninas!

    • Oi, Norberto!

      Que bom que gostou do episódio.
      Fico feliz, também, em saber que você como pai de uma menina percebe nitidamente como esse mecanismo funciona. Espero que isso sirva para que você a ajude a ser forte e também mude as atitudes que precisam ser mudadas para podermos acabar com essa cultura opressora. Todos precisamos acabar com isso, afinal.

      Os livros da Ju são mesmo excelentes, também sou fã!

      Obrigada por seu download e comentário.
      Abraço,
      Domenica

  • Dany palavras

    Ola
    É assunto que pelo menos dessa vez está sendo melhor discutido e combatido. Nós como sociedade estamos engatiando ainda no combate deste absurdo, desta violência. Eu fico ainda abismada como as pessoas ficam perguntando o passado da vítima, quando ela é a vítima não é pra investigar é para combater e prender o culpado por este absurdo.
    Na nossa literatura sim tem muito isentivo para a continuidade desta violência, eu gosto de romance de banca, mas realmente tem muitos que são tão machista que chega nos agredir durante a leitura do abuso de homens(super idealizados e extremamente machistas e abusivos) e tê-lo como homens perfeitos. Eu odeio este 50 tons de cinza, não entendo como uma mulher goste deste Cristian Grey, pq eu mesma tenho medo que possa existir um homem deste jeito e que ele nunca cruze meu caminho. Ju sou fã sua e amo suas protagonistas, mesmo não gostando muito do seu primeiro livro( pq confesso amo um casalzinho romântico), mas sua escrita e construção de personagens são maravilhosas e mesmo assim valeu a leitura, e vc já sabe o quanto amo a Dominique!!!!!
    Meninas amei o episódio, espero uma continuação, pq este assunto precisa sim de mais combate.
    Bjos

    • Oi, Dany!

      Que bom que você gostou do episódio.
      Sobre 50 tons de cinza… aaaargh! Isso nunca vai acabar!

      Fico feliz que tenha trazido sua opinião!

      Obrigada por seu download e comentário.
      Abraço,
      Domenica

  • Stefan Plinio Costa

    Vou primeiramente dizer que este foi um excelente programa e queria dizer que está MALDITA cultura do estupro e quero dizer que a questão da “sociedade” estimular a violência sexual desde a infância eu gostaria de declarar que isso é uma desculpa furada além de uma grande estupidez por parte destes babacas de mente pequena que querem justificar o que não tem justificativa. Por toda a minha vida eu tive pais muito atenciosos que me ensinaram como tratar com respeito as mulheres, como e onde tocar uma moça de modo respeitoso e os limites que se deve ter ao lidar com elas, por conta disso, é revoltante ouvir a frase de que “homens e mulheres não podem ser só amigos”, tenho ótimas amizades tanto com homens quanto mulheres e nenhuma delas foi motivada por interesse sexual, foi muito traumatizante ter minha sexualidade questionada (para efeito de registro sou hétero) simplesmente por que eu “não passava a mão na bunda das meninas, por que eu não tinha namorada, por que eu não falava de sexo e era muito amigo das meninas”, nada contra os homossexuais, mas isso só prova que esta retrograda cultura de estupro e hipersexualização é algo que reverbera negativamente até mesmo para o homem hétero que escolhe não seguir este molde bárbaro de pensamento. Quer dizer que eu não posso ser hétero e não fazer parte dessa forma de pensar (vão a merda!!!!), não sou obrigado ir tentar conquistar a mulherada ou ter sei lá quantas mil relações sexuais por aí, da mesma foram que as moças também não, dar um tratamento diferenciado é algo ridículo, Tenho valores com os quais fui criado e não vai ser a merda da sociedade que vai me fazer joga-los no lixo é uma pena que a maioria dos pais estão tão mergulhados nessa barbaridade toda que os meninos vão crescer dessa mesma forma que essas meninas descreveram no programa. Apenas deixando um desabafo.

  • AJ Oliveira

    Acabei de ouvir o programa! Gostei demais de ouvir as histórias das vítimas de assédio, pois isso nos coloca um espelho de que o mundo é um pouco mais escuro do que pensamos, principalmente se você estiver num gênero não privilegiado.

    Eu tenho uma pergunta pras meninas:

    É certo que eu inclua a cultura do estupro no mesmo saco em que está o machismo? Ou acham que os dois assuntos devem ser tratados separadamente devido a pontualidade do tema?

    Digo isso, pois mesmo achando o programa incrível, talvez seria interessante falar sobre a democratização dessa cultura, já que ela não envolve apenas homens, mas também mulheres, crianças, idosos, etc… (sei que se o cast fosse abordar o machismo em si, teria 15 horas de gravação ou mais, só que talvez seja um assunto interessante pra um futuro próximo) #FikDik 😉

    Desde já, parabéns pra Domenica! O programa foi conduzido com maestria, e com ótimas convidadas! PS: É um prazer ouvir Ela e a Sybylla opinarem, quando sai o próximo? hahaha.

    Um forte abraço pras envolvidas, e obrigado por ajudaram na minha desconstrução como cidadão!

    • Oi, AJ!

      Respondendo à sua pergunta: tem relação, nitidamente. Contudo, vejo a cultura do estupro como o gatilho que culmina no máximo da fortificação do machismo. Claramente estão interligados, mas é preciso discutir a parte, pois cada um tem seus próprios mecanismos e situações. Ao falar de cultura do estupro, estamos apenas falando de ações de violência que se relacionam ao abuso sexual e inferiorizarão da mulher como indivíduo através da submissão sexual, seja através da fala, ações, restrições, toques ou a violência sexual em si. Falar sobre machismo envolve muito mais que isso.

      Mas, com certeza, as meninas sabem muito mais do que eu sobre isso. 😉

      Agradeço pelo apoio e pela paciência em me aguentar como host. (haha) Esse trabalho foi muito especial e tenho muito orgulho dele.

      Espero mesmo gravar novamente com as meninas, é maravilhoso ouvi-las e aprender com elas.

      Abraços e feliz por te ajudar na construção como cidadão/ser humano melhor 😉

      Domenica

      • AJ Oliveira

        Show!

        Entendi perfeitamente! Saio sem dúvidas 😉

        Valeu Domenica!

  • Alyson Monteiro

    Ah, deixem elas falarem. Os homens já falam tanto. O programa ficou excêlente.
    Só pra constar: Host Domenica Mendes<<<<<<<<<<<<< Lucien O Bibliotecário. (Ui)

    • Aaaaalyson! <3

      A gente fala mesmo!
      Agora, por favor, não compare o host. Isso é desleal! hahahaha

      Abraço,
      Domenica

  • Juliana Fajardini

    Eu também não entendo a afirmação de que todo homem é um estuprador em potencial. E sou mulher. E sou contra a cultura do estupro. Sinceramente, acredito que afirmações assim condenam aprioristicamente os homens. É muito próximo, para mim, que dizer que todo morador de periferia é um criminoso em potencial.

    • Olá, Juliana!

      Respeito sua opinião e entendo, pois eu mesma penso muito sobre isso. Contudo, eu faço a comparação de que “todo ser humano é psicopata em potencial.” Sim, somos.

      Contudo, acredito que as meninas debateram bem o assunto e justificaram muito bem o porquê do uso do termo.

      Obrigada por seu download e seu comentário.

      Abraço,
      Domenica

      • Juliana Fajardini

        Gracias pela resposta, Domenica!

        Parece-me que traz um estigma menor dizermos que todo ser humano é um psicopata em potencial. Talvez porque haja menos preconceitos associados.

        Concordo que o embasamento delas foi muito bom, até me balançou, mas não consigo ver como “justo” olhar para as pessoas desse modo. Não consigo ver que possa ter um reflexo positivo para a formação dos homens ele ouvirem que são estupradores em potencial.

        Por incrível que pareça, acho que Zootopia dá uma visão boa sobre isso.

        (:
        Juliana

        • Oi, Juliana!
          Sim, traz. Mas traz pois socialmente somos educados sabendo que os psicopatas são bichos papões que moram bem longe ou só atacam pessoas que se colocam em situações de riscos. Aí, bons como somos, nos protegemos e estamos a salvo. Oh, wait! Na verdade, acho que o estigma é menor e o preconceito é diferente pois não convivemos com muito deles. É como falar de narcóticos ou sociopatas. Somente conhecendo no dia a dia e vendo como eles agem é que a gente percebe que são pessoas normais, comuns e aí #bang, merda feita. (Falo por experiência própria e isso normalmente dá tilt mesmo).

          Agora, é como eu digo: o conceito de justiça é bem pessoal e construído, também, socialmente. Pode até não ser justo chamar um homem de “estuprador em potencial”, mas igualmente não é justo falar em “puta em potencial” só por sermos mulheres. Percebe?

          De certa forma, o que me anima é perceber que tudo isso é construção social. Como historiadora bem sei que a Mentalidade é algo que se demora milhões de anos para se quebrar (se é que quebra). Mas é um começo! Sabendo que tudo isso é cultural, está inserido em sociedade, é passível de entendimento e desconstrução.

          É isso que tentamos fazer, inclusivo explicando no programa o que é o tão potencial. Potencial é considerado hoje como algo bom, quase que não dá pra fugir, né? “Noooossa, use o seu potencial e conquiste a melhor vaga”. Mas aqui falamos em “potencial” no sentido nato – que tem potência para.

          Temos que aprender que definir não é julgar. Igualmente vale para combater a própria cultura do estupro, acho que faz parte do processo.

          Sobre o Zootopia, perfeita colocação! Mas, ali mesmo percebe como eles têm o tempo todo de enfrentar os desafios do julgamento e se mostrar quem são? Mulheres fazem isso há séculos, bem como os homens que não aceitam que são “os super machões”. Agora, não dá pra generalizar – o sistema foi feito há séculos para sufocar essas tentativas e priorizar os abusos. Esperamos mesmo que tudo isso, muito em breve – pra ontem, se torne algo superado e todos fiquem bem. É pra isso que lutamos, para todos.

          (:

          Domenica

          • Juliana Fajardini

            agradeço a paciência.

            Acho que conversas assim têm mais potencial (haha) pessoalmente.

            Ainda vejo problemas no uso da expressão, principalmente quando não é feita acompanhada de toda a reflexão (muito boa) feita pelas mulheres no cast. Continuo considerando que tem potencial de não ser muito construtiva.

            Mas, sigamos. Há outras pessoas a convencer, de pontos mais graves. rs.

  • Toda degeneração sexual é a base da destruição da psiquê humana e da destruição das civilizações, todo historiador e antropólogo sério sabe disso.Isso esta escondido nas simbologias mitológicas e religiosas, porque os sábios antigos ja sabiam e as profecias de fim do mundo nada mais são que os cálculos e resultados disso, levando ao que chamam “Fim do Mundo” (mundo são os sistemas e não o planeta).O homem sempre foi o causador do abuso das mulheres em todas as épocas e por consequência civilizações inteiras se perderam a longo prazo, todo médico e estudioso da fisiologia humana sabe que a força sexual é a energia mais potente que existe no homem, capaz de criar vida e destruir ao mesmo tempo, depende da consciência humana, essa consciência que é a primeira a se perder pelo abuso do sexo e as primeiras vítimas infelizmente são aquelas que são a expressão viva do amor “as mulheres”.

    • Olá Valdo,

      Só vou fazer uma correção: o abuso e a violência sexual são utilizados como forma de destruição de identidade e imposição de submissão para qualquer indivíduo colocado dentro de um sistema autoritário. Não necessariamente as mulheres. Basta, como você mesmo disse, estudar um pouco e entender.

      A questão é que a cultura do estupro é sim um assunto que tem como vítimas apenas as mulheres.

      Obrigada por seu download e seu comentário.

      Abraço,
      Domenica

  • Petrus Augusto

    Petrus A. 29, Hellcife, lendo: A Sombra do Vento e Os Miseráveis (sim, ainda)
    [Texto Longo abaixo]

    Bem, eu ouvi no dia que saiu, mas, resolvi esperar para comentar… Pois, tinha ideia do teor dos comentários que viria (e não me surpreendi).

    1:
    Sobre o termo: ‘Cultura do estupro’, olha… Vou parecer arrogante, mas não é é isso, é apenas constatar a realidade… Usar esse turmo é meio que problemático, pois, a esmagadora maioria das pessoas não conseguem entender o termo ‘cultura’… Acho melhor usar o termo subcultura, por incrível que pareça, fica mais claro para o pessoal.

    Tipo, para vocês terem uma ideia da dificuldade das pessoas, vou dar um exemplo:
    -> Se você falar: Existe uma cultura Nerd, as pessoas vão entender e vão saber que não está dizendo que todos são Nerds, e sim, que existem muita gente que “segue a ideia”, o “nerd way of life”.

    -> Se você falar: Existe uma cultura do estupro, incrivelmente, a cabeça das pessoas da tilt e elas não entendem que não estamos dizendo que todo mundo faz isso e sai estuprando por ai, e sim que, existe um pensamento a favor do estupro (tanto de homens quanto de mulheres), bem sutil as vezes, e outras vezes escrachado, mas existe.

    Por isso que, para evitar estresse, eu uso o termo ‘subcultura do estupro’, assim, a cabeça das pessoas não dá tilt (não vou me abster ao motivo do tilt, mas que dá, isso dá).

    2:
    Estuprador em potencial…
    Incrível como a ‘macharada’ fica louco com isso… É uma necessidade patológica tão grande de se auto-afirmar que não é estuprador, que, ao ouvir essa frase, é como se fosse uma ofensa (e eu queria saber o pq, tenho ideias, mas, não vou externar para não “ofender” ninguém).

    As repostas dadas à quem ficou chorando com isso, foram ótimas, apesar que, tenho certeza que “entrou por um ouvido e saiu pelo outro”.

    Sobre o cast em si, não há oq dizer, foi um ótimo cast, e sim, vocês fizeram certo em não chamar homens para depor… Porra, vocês focaram em um assunto referente a vocês, para que diabos chamar um homem? E mais… Vou além e vou dizer o que aconteceria:

    1 -> Chamaria uma pessoa inteligente e sansata, e ele, iria concordo com vocês, dai, nos comentários, iria teer gente criticando pq o cara não ficou chorando os termos (que eles não entendem) e etc etc.. E o chamaria de ‘feministo’ ¬¬
    2 -> Chamaria um ignorante, e passaria 3/4 do programa em cima do termo: ‘Cultura’, e não desenvolveria o cast… E no final, o ‘macho’ diria que: Ah, mas, estuprador vira mulherzinha na cadeia, tem a lição dele, sem entender que, porra, ele esta dizendo que estupro é aceitavel como castigo(isso, é cultura do estupro, animal) e de quebra, diz que mulher pode ter tal castigo (o termo: Virar mulherzinha está implícito, não?).

    Então.. Fizeram certo em não chamar.

    • Oi, Petrus!

      Sobre o termo “cultura do estupro”, nunca vai ser “Subcultura do estupro”. Em minha opinião, se eu falo “cultura nerd” e alguém entende que nem todos são nerds, mas existe um conjunto de fatores que se encaixam ali e são, por isso, relacionados ao universo nerd, ao utilizar o termo “cultura do estupro” deveria ser associado que nem tudo ali é estupro, mas existe um conjunto de fatores que se encaixam ali e são, por isso, relacionados ao universo do estupro.

      Particularmente, sendo mulher, ainda acho que colocar como “subcultura” acabaria subjulgando e inferiorizando a questão, que deve sim ser trabalhada. Como é algo ruim, causa incômodo. Mas tudo que é ruim causa incômodo.

      Obrigada por seu download e por seu comentário,

      Abraço,
      Domenica

  • Adriana Rodrigues

    Adriana, 21 anos, São Paulo, formada em Tradutor e Interprete, trabalho como Revisora de Textos.
    Estou lendo: Meio Sol Amarelo, da Chimamanda Ngozi Adichie

    Olá, caros cabulosos!

    Bom, primeiramente, gostaria de parabeniza-las pelo excelente cast, que mesmo tendo eu algumas ressalvas sobre ele, senti-me contemplada! Maravilhoso!

    Em segundo lugar, gostaria de dizer que a maioria dos casts possuem apenas homens, ou apenas uma mulher. Porque é tão ofensivo um cast só com mulheres? Trata-se de um assunto que afeta MAJORITARIAMENTE mulheres, é estrutural, dá-se devido à cultura do estupro que se dá devido à misoginia originada do patriarcado no qual estamos inseridas. Ou seja, ninguém melhor do que nós, mulheres, para falarmos sobre o assunto. É necessário que ouçam nós, mulheres, pois nós somos vítimas dessa cultura. O patriarcado beneficia os homens, o homem é o estuprador, logo, porque colocar um homem numa discussão sobre cultura do estupro? Isso, além de ser incoerente, pois um homem não tem como falar sobre isso pois ele não é vítima dessa cultura, ele é o autor do estupro, afasta muitas mulheres. Já pensou numa vítima de estupro ouvindo o cast e do nada surge um homem falando sobre cultura do estupro? O quanto isso pode ser gatilho para ela? Não tem que ter homem em discussão de estupro, onde possivelmente vítimas ouvirão e participarão.

    E, sim, todo homem é um estuprador em potencial, porque todo homem tem o poder de estuprar uma mulher.

    Em terceiro lugar: a cultura do estupro está presente na literatura porque a literatura foi moldada por homens, e porque o estupro é naturalizado em nossa sociedade. Além disso, ele é usado como um meio de promover a obra. Afinal, uma obra que tem um estupro detalhado vai vender muito mais. Isso é vendável porque exitem homens que acham excitante uma cena de estupro, porque mulheres são criadas para romantizarem estupro (vide estupro marital, que é naturalizado). Um exemplo disso é 50 Tons de Cinza. Há diversos tipos de abuso no livro, e existem mulheres que o romantizam, mas isso não é culpa delas. Mulheres são criadas para romantizarem e naturalizarem o próprio sofrimento e acreditarem que não são vítimas, que na verdade estão loucas e exagerando.

    E outra coisa, isso tudo não faz com que a mulher contribua pra a perpetuação da cultura do estupro. Quem contribui é o opressor, o homem, que continua a educar mulheres para acreditarem que aquilo que as machuca, na verdade, é o para o bem delas, ou foi causado por elas, ou é algo prazeroso. Qualquer tipo de erotização de agressão à mulher é problemática, pois ela gera a ideia de em algum nível isso é tolerável e aceitável. Nada que coloca a mulher em posição inferior e vitimizada é positivo. A ideia não é que as mulheres erotizem isso, e sim que as mulheres desnaturalizem a ideia naturalizada de que agressão, submissão e abuso são bons para ela, seja da forma que for.

    Ah, e um comentário final: mulheres são capazes de falarem por si mesmas sem precisar da presença de um homem. Nós somos capazes de falarmos sobre as nossas questões sem ter um homem presente para afirmar ou comentar sobre. Então, vai ter cast só com mulher sim! o/

    Uma coisa que eu gostaria de falar um pouco sobre: o estupro corretivo de lésbicas.
    Lésbicas são alvo de estupro corretivo, porque acreditam que precisamos (sim, eu sou lésbica) de um “pinto” para irmos para o “caminho certo”. E esse tipo de estupro acontece muitas vezes por pessoas próximas, tios, primos, amigos, pai… Porque não é aceitável na nossa sociedade que uma mulher se relacione com outra mulher, e não com um homem. Porque lésbica só serve quando é para o prazer masculino, vide a pornografia “lésbica”, que na verdade só serve ao homem, assim como toda a pornografia. “Mas tem mulher que assiste pornografia”. Sim, tem muita mulher que acha prazeroso, e infelizmente isso é consequência da naturalização da agressão e submissão da mulher.

    Bom, era isso! Abraços cabulosos!

    • Oi, Adriana.
      Bons pontos!!!

      Realmente, não chegamos ao ponto de falar sobre o estupro como maneira corretiva, mas a própria cultura do estupro vai nessa demanda, para “consertar as pessoas”. Isso tem que mudar. Urgentemente. É por isso que estamos trabalhando.

      Obrigada por seu download e por seu comentário,
      Abraço

      Domenica

  • Vanessa Straioto

    pqp..que cast fabuloso!
    estao de parabens meninas…
    adorei a Dom como host…
    temos que lutar no dia a dia com essas questoes..vivo corrigindo o meu marido qdo ele xinga alguma mulher ( episodio da Dilma)…
    é muito ruim sair na rua e ter medo..
    mas cada uma fazendo seu pouquinho, um dia conseguiremos mudar a todos!

    ju, sou sua fã!

    parabens meninas!

    • Oi, Nessa! =D
      Obrigada por ter baixado e ouvido!
      Sim, lutaremos dia a dia, pois é assim que as coisas vão mudar.

      Abraços

  • Nicole Ayres

    Discussão muito pertinente e produtiva!
    Parabéns, meninas, curti muito!
    Fico feliz que esse tipo de assunto esteja sendo problematizado hoje em dia, e a literatura, por ser aberta à interpretação, permite isso.

    Abs!

  • Renato Dantas

    Renato, 35 anos, Revisor de Texto, São Paulo-SP. Lendo Star Wars Um Novo Amanhecer (larguei Os Senhores dos Dinossauros)

    Episódio fantástico meninas. Domênica, parabéns pela atuação como host. Acho que não tenho nada a acrescentar, nesse tipo de situação prefiro ouvir quem tem propriedade para falar e então refletir a respeito.

    Abraços

    • Oi, Renato!
      Obrigada por ter baixado e ouvido o programa! =)

      Abraços

  • Adriana Rodrigues

    Adriana, 21 anos, São Paulo, formada em Tradutor e Interprete, trabalho como Revisora de Textos.
    Estou lendo: Meio Sol Amarelo, da Chimamanda Ngozi Adichie

    Só passando mais uma vez para deixar esse texto importantíssimo que fala sobre bdsm e a erotização de torturas antigas:

    https://nosotraslasbrujas.wordpress.com/2014/01/01/traducao-de-onde-vem-a-sua-mordaca-bdsm-e-a-erotizacao-de-torturas-antigas/

  • Ertha que programa legal! Foi muito bom ouvir toda essa galera junta. Sou fã de todo mundo, apareçam mais vezes.

  • Marcus, 32, Minas Gerais, jornalista por formação e apresentador do Leituracast.

    Falar sobre a cultura do estupro é um assunto muito pertinente por vários motivos. Acredito que vocês fizeram uma escolha acertada e até, de certo modo, inusitada ao abordar a forma como a literatura incentiva isso. É muito importante pois é uma ampliação necessária para o debate. Inclusive, achei muito interessante vocês terem utilizado neste episódio um formato diferente como esses depoimentos. Percebe-se em cada fala a sensação que cada mulher passou e como isso afeta o dia delas de modo muito pessoal.

    Esse momento que estamos vivendo é necessário para uma conscientização maior e transformadora da sociedade. É gradativo e, infelizmente, lento o processo pois sempre haverá algo a se refletir sobre a cultura do estupro. No entanto, o mais importante é sempre reconhecermos essa necessidade de reflexão e mudança de comportamento. Também é importante que essa mudança se reflita nas artes, seja ela em livro, filme, história em quadrinho, entre outras. Curiosamente, hoje, li as noticias da nova personagem que ficará no lugar do Homem de Ferro. O mais estranho é que tanto a Marvel como a imprensa chamam ele de “A Nova Homem de Ferro”. Oi? Perai?

    Outro ponto que eu queria destacar é sobre o que vocês acham da ficção utilizar dessas questões para criar algum processo de empatia? Pergunto isso pois acho que a partir dessa empatia seria possível começar a mudar algo. Por exemplo, li um livro chamado “Sangue na lua e outros contos” que, apesar da temática de terror em sua coletânea ele procura mostrar que não se é preciso ir muito longe, se utilizando de elementos sobrenaturais, para causa medo no leitor. A própria natureza humana e seu potencial violento provam isso. Enfim, encerro aqui meu comentário com esse dica e parabenizo vocês pelo cast. Ficou muito bom e a Domenica mandou muito bem de host.

    Abraço

  • Tomaz Civatti

    Muito bom o podcast, parabéns a todas as participantes! Muito bacana um podcast assim só com mulheres, arrasaram pra valer, aprendi muito sobre literatura e feminismo 🙂 Acompanho Game of Thrones e até pouco tempo tinha sido bem acrítico em relação às bizarrices que os roteiristas fazem as personagens femininas passarem. Depois de ter recebido alguns puxões de orelha da minha namorada e de algumas amigas, passei a problematizar bem mais e não reproduzir mais o discurso de “ahh, faz parte de como as coisas eram na época medieval”. Muito massa a reflexão que vocês propuseram falando do quão irrelevante e forçado são essas cenas no contexto da narrativa e o quão degradante pras mulheres deve ser ver repetidas narrativas que colocam que é só diante de um caso de estupro que uma mulher pode juntar forças para se superar. Muito bacana mesmo. Que venham mais desses.

    • Olá Tomaz,
      Que bom que gostou da discussão. Buscamos fazer o melhor e trazer pontos para ajudar no processo de desconstrução e entendimento do que é a cultura do estupro e como ela funciona.
      Obrigada por ouvir e por seu comentário!
      Abraço,
      Domenica

  • Eli Ramos

    43 anos, Policial, criminólogo e guitarrista do Submarino Voador. Eu quis ouvir esse episódio agora, depois que todos os detalhes sórdidos do episódio do RJ foram esclarecidos.
    Foi revelador obeservar a sanha imoral pelo sangue da desgraça alheia e o oportunismo das mídias ao explorar o caso numa polarização absurda entre os que QUERIAM o estupro de fato (gente do bem que quer a paz mundial) e os que simplesmente queriam mais detalhes e esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso (capetalistas infiéis estupradores opressores da direita maligna).
    E assim, de repente, como que para resolver a falta de novas pautas dos movimentos de defesa dos direitos humanos, caiu do limbo etéreo das ciências antropológicas a expressão “Cultura do Estupro” e fomos novamente confrontados com a afirmação, repetida aqui no CabulosoCast, mesmo que com todas as ressalvas, de que “todo homem é um estuprador em potencial”. Incliundo os pais, irmãos e amigos de vocês, meninas? Nem tentem me impetrar a ideia de que eu não entendi nada. Entendi sim, o combate a esse tipo de violência faz parte do meu dia a dia, o crime de estupro é terrível, deplorável, injustificável sob quaisquer aspectos.Ponto, eu sou do bem, estamos do mesmo lado e buscamos o mesmo objetivo, o fim utópico, ou a diminuição -mais realista- da incidência dos crimes de violência contra a mulher.
    Em se tratando de apuração de um crime, por mais que vocês não concordem -e para o trabalho policial a opinião de vocês é indiferente já que seguimos o procedural, passos lógicos e validados pela comunidade internacional- a vida pregressa, da vítima E do agressor, são extremamente importantes para analisar padrões de comportamento e a Criminologia se ocupa de apontar caminhos para a diminuição dos delitos.
    Sim, a culpa sempre é do estuprador mas, será mesmo errado, sugerir que as meninas sejam mais cuidadosas com as companhias, horários e locais que frequentam? Uma das frequentadoras é de Campinas, uma das cidades em que trabalho. Em nome do feminismo libertário vocês sugerem que ela deve frequentar o Vila Rica ou o Itatinga durante a madrugada, dois locais reconhecidos na cidade por serem zonas de tráfico de drogas e prostituição? Estuprador não tem de ser ensinado a não estuprar, ele tem de ser preso e responder por seus crimes!
    Deixemos de ser hipócritas, o comportamento da vítima influencia sim a incidência de crime e não se trata de culpabilizar, mas de informar e auxiliar as mulheres a não ser a próxima vítima, o que chamamos em Criminologia de vitimologia, isso não é opinião machista patriarcal, é doutrina acadêmica.
    Sobre a expressão “estuprador em potencial”, o que vocês diriam se alguém dissese que toda mulher é uma “vadia em potencial”? E não me venham com essa de que vadia é uma construção social, não falo da marcha das vadias em que as participantes se sentem revolucionárias e no fim do dia voltam para suas vidinhas ordinárias e, vejam só, conservadora. Percebem como sangram os ouvidos ouvir vocês nos chamando de estuprador em potencial? E vejam, eu entendo muito bem o “potencial”.
    Enfim, prefiro me considerar um Escritor em Potencial e procuro me afastar de comportamentos que diminuem o papel da mulher na nosas sociedade e sempre procuro ouvir mídias que veiculam opiniões que divergem da minha.
    Um beijo no coração de vocês.

    • Sharon Caleffi

      Estupradores não nascem em ovos, eles são pais, irmãos, filhos, primos, namorados de alguma mulher. É sempre bom colocar em perspectiva que um homem só precisa de uma vítima para se tornar estuprador, e as mulheres da família desse homem não tem responsabilidade ou conhecimento de tudo o que ele já fez na vida.

      • Eli Ramos

        Obrigado por interagir comigo. Vc falou em não peesonalizar o debate mas sua observação de uma vítima do próprio pai é a essência da personalização a qual você adverte, não deveria ser usada.
        Eu atendo mulheres vítimas de estupro na delegacia da mulher, é um crime terrível e sua apuração é de alta complexidade e, juridicamente, há de se tomar todas as precauções para que inocentes não sejam apenados injustamente e para que a vítima receba a atenção adequada.
        Sendo um crime com tamanho grau de envolvimento, é impossível não personalizar e é ese exercício de empatia que nos faz sentir indignação suficiente pra desenvolver ações que diminuam a incidência.
        Você acredita, MESMO, que vivemos em uma sociedade onde os homens tem o aval para estuprar quando quiser? Difícl, pra mim, que lido com esse tipo de crime no meu trabalho e na Academia, entender seu posicionamento. O estupro é um crime repudiado até pelo mais vil criminoso e não vejo nenhum segmento da sociedade civil organizada aplaudir estupradores.
        Parece-me que a narrativa feminista, a despeito de todas as evidências em contrário, PRECISA disseminar a sensação de que estupro é tolerado no Brasil. Recentemente vimos o doc “India´s Daughter” e ficamos chocados com a situação daquelas mulheres que desde cruanças são tratadas como pessoas de uma classe inferior, independente da sau casta. É uma situação bem diferente a que vivemos em nosso país.
        Por que não se discute com seriedade a erotização infantil na cultura popular? A prática de sexo entre meninas de dez, doze anos de idade nos bailes funk das periferias onde após abusar de drogas e álcool, elas se sodomizam em plena via pública? Minssaias FACILITAM o estupro, mas não podemos falar sobre isso sem falso moralismo ou ser acusado de misógino/machista.
        A antropoligia já definiu que a humanidade é guiada por signos e foi isso que nos trouxe até aqui, para o bem e para o mal. Você pode se vestir como vadia, e pode reclamar sim, se for tratada como vadia mas, na madrugada, no corredor escuro saindo da balada, quem vai te salvar, veja só, não é o discurso feminista, é o homem correto, o policial, a sociedade patriarcal que vocês tanto combatem, porque esses valores preservam vidas.
        Meu convite para as feministas é que parem de repetir chavões da moda (como tirar foto seminua com a hashtag “não mereceo ser estuprada” para protestar contra uma pesquisa equivoada do IPEA e recentemente uma absurdamente tendenciosa do DataFolha) e discutam com outros setores medidas efetivas que poderiam ajudar todas as mulheres a não ser a próxima vítima.

        • Sharon Caleffi

          Eli, se você trabalha com vítimas de estupro na delegacia da mulher eu não preciso falar muito. Você acompanha os processos e sabe quantos criminosos são punidos e quantos cumprem pena.

          Se uma pessoa que comete um crime não é efetivamente punida por ele, alguém no meio desse caminho está dizendo que esse crime não é tão “crime” assim, não é?

          Alguém no meio do caminho entre a acusão e a condenação está dando aval para que esse crime seja praticado sem a punição.

          • Eli Ramos

            Eu entendi o seu ponto e não tem como discordar.Da mesma maneira que existe a flsa acusação (no RS um jovem ficou mais de um ano preso antes de ser inocentado pela confissão da suposta vítima) também existe o acobertamento, a má vontade dos agentes públicos, a culpabilização da vítima.
            É realmente complexo e para nós, homens, é impossível sentir a dor e a alegria de ser mulher em um mundo machista que muitas vezes as relega um papel de objeto do desejo masculino.
            Seja feliz e fique segura!

          • Sharon Caleffi

            Obrigada pela atenção, Eli, desejo as mesmas coisas boas a você!

  • Pingback: Precisamos falar sobre o estupro da Caska | Leitor Cabuloso()

  • Édipo | 29 anos | Redator
    Parabéns pela qualidade na condução do episódio, ficou muito bom até para quem visitou o tema várias vezes na época onde só se falava na cultura do estupro (seja para denunciar ou até mesmo negar). Sendo assim, o episódio vale ser ouvido mesmo após meses do seu lançamento