[Crítica] A Quinta Onda – O Filme

1

Chloë Grace Mo…, ops! Cassie Sullivan é uma adolescente comum que vive uma vida pacata quando o planeta Terra é invadido por alienígenas. Os invasores atacam nosso planeta em ondas. Na primeira onda, é lançado um pulso eletromagnético que não só acaba com a energia, mas com todo e qualquer equipamento que dependa da energia elétrica para funcionar; na segunda onda, ondas gigantes são lançadas contra as cidades; na terceira onda, um vírus letal é espalhado através de aves e mata 90% da população do planeta; na quarta onda, os alienígenas estão entre nós, ocupando hospedeiros humanos e agora os sobreviventes se perguntam se estaria vindo uma quinta onda…

Os primeiros 10 minutos de filme são bastante promissores. As quatro primeiras ondas são impactantes e transmitem para quem assiste a sensação de como seria uma invasão alienígena. Não apenas na superioridade de uma civilização que consegue viajar pelo espaço além da fronteira final como a nossa reação diante de uma suposta visita de seres extraterrenos, a Cassie, por exemplo vai normalmente a escola no dias após a chegada da nave. Apesar de não gostar das atuações da Chloë Moretz (com exceção da Hit-Girl, em Kick Ass), atriz está bem no papel. Mesmo não possuindo muito com o que trabalhar, ela está se esforçando e é possível ver a transição da Cassie adolescente despreocupada para a Cassie que luta pela própria vida.

chloe-moretz

Porém a partir deste ponto o filme se transforma numa sucessão de clichês e faz escolhas terríveis que tornam o restante da película maçante. Cassie precisa salvar o seu irmão (seu único parente vivo) que vou levado para uma base militar. Nesse trajeto até a base, ela é baleada e o filme se divide em dois arcos. No primeiro arco, passamos a acompanhar o casal – sem nenhuma química – Cassie e Evan Walker (Alex Roe) que aparentemente a salvou e está cuidando dos seus ferimentos; no segundo arco, vemos Ben Parish (Nick Robinson) e seu equipe (todas formadas com por adolescentes e crianças) que são treinados pelo Coronel Vosch (Liev Schreiber) formarem uma força capaz de aniquilar com os invasores e assim virar o jogo a favor dos humanos.

T5W-ARoe_CGMoretz_02
Cassie e Evan, romance piegas e frases clichês.

Como já foi dito acima, perde-se um tempo gigantesco com o casal tentando construir um clima de romance que não funciona em momento algum. Esse tempo poderia ter sido gasto mostrando a Cassie aprendendo a manejar armas ou apresentando melhor o Parish que por sinal fica amigo do irmão da Cassie. O seu treinamento é rápido demais, em nenhum momento você é convencido de que aquele grupo conseguiria derrotar os aliens. Porém, essa queda no ritmo do filme também é uma queda no uso dos efeitos especiais. Há uma cena de luta entre o Evan e um grupo de alienígenas que é simplesmente de fazer vergonha ao cromaqui do Chaves.

O desfecho do filme é desastroso, extremamente conveniente e a trama fica inconsistente diante dos elementos apresentados no início. Sem relevar spoiler, o decréscimo de inteligência dos aliens é o ponto mais irritante nos minutos finais. Por isso o filme ganha:

01-e-meio-selos-cabulosos
1 e meio selos Cabulosos.

Agora entramos em uma momento delicado, já que para justificar a nota se faz necessário revelar vários SPOILERS da trama. Se você não assistiu ao filme e ainda gostaria de ter essa experiência não aconselho a ler o que escreverei a baixo.

chloe-moretz-2

O que mais incomoda no filme é a inconsistência do ataque alienígena. Como uma força tão poderosa, capaz de aniquilar 90% de raça humana decide que usar adolescentes e crianças para exterminar os sobreviventes das primeiras ondas? Outra falha é quanto ao próprio papel desempenhado pelo Evan. Ele é um alien vivendo em um hospedeiro humano que decide – através do amor – que está do nosso lado? Fora que sua função anterior a “grande revelação” era usando drones para localizar humanos e matá-los como snipers… E ai temos a maior falácia do longa: se os invasores estão entre nós e podem usar drones para nos matar na surdina, porque criar uma força militar pré-escolar para fazer o mesmo?

O segundo livro da trilogia escrita por Rick Yancey que inspirou o filme já foi lançado, logo porque não usar elementos do segundo livro para esclarecer essas pontas soltas? A película segue quase a risca os eventos do primeiro livro e cria no telespectador uma sensação desagradável de um roteiro falho e mal elaborado.

Como disse, A Quinta Onda é adaptação do livro escrito por Rick Yancey. Se quiser saber o que achamos do livro você pode ler a resenha escrita pela Domenica Mendes ou ouvir o episódio que gravamos do CabulosoCast.

  • Adriana Rodrigues

    Ficou tão clichê essa parte do Evan como “o amor cura tudo”. Eu adorei o filme, mas achei desnecessária a parte do romance entre os dois. Quer dizer, o romance dela com o Evan e o Ben (o famigerado triângulo amoroso).
    A Cassie tem muito potencial. Parece que não conseguem desenvolver uma personagem mulher sem coloca-la em um romance, isso me incomoda muito. É como se toda personagem feminina precisasse de um companheiro para se destacar, caso contrário ela não terá nenhum brilho. Isso não acontece com personagens masculinos. Um exemplo disso é aquele personagem (escroto), o Montag, de Fahrenheit 451. Há dois romances na trama, dele com a menina que some (ele se apaixona por ela) e com a sua mulher. Em nenhum momento o romance se torna algo primordial da trama, pelo contrário, o Montag maltrata a esposa o tempo todo. E isso faz muita gente gostar ainda mais da história, rs.

    “Há uma cena de luta entre o Evan e um grupo de alienígenas que é simplesmente de fazer vergonha ao cromaqui do Chaves.”
    O cromaqui do Chaves é melhor que aquilo HAHAHAHAHA.

    Ficaram muitas pontas soltas no filme. Eu espero que tenha uma continuação digna.