[Coluna] Crowdfunding, quem topa pagar essa?

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Fala galera,

hoje em dia é muito comum falarmos de crowdfunding e sites como kickante, catarse, pledgemusic e afins. Nós aqui no Leitor Cabuloso já fizemos, e apoiamos, algumas campanhas no passado. Mas será que todos sabem exatamente o que é e de onde veio essa ideia? Qual é o processo de crowdfunding mais antigo que você conhece na Internet?

Em 1997 uma das minhas bandas favoritas recebeu a notícia de que não poderia seguir para a turnê americana (eles são da Inglaterra). Os cachês aos quais o Marillion, que já teve Tirando da Letra, estava acostumado e custos de produção e logística inviabilizavam a turnê. Eles teriam que pensar no que fazer pelos próximos 6 meses. Com uma base de emails de 6000 membros do fã clube a banda perguntou se eles estavam interessados em comprar o próximo disco em avançado. Eles iriam gravar o disco com o dinheiro levantado dessa forma. A resposta da maioria foi sim e com isso 12000 pré vendas do disco (antes do início da sua produção) foram feitas. Estavam lançadas as fundações para a produção independente financiada diretamente pelos interessados naquela produção.

Nesses quase 20 anos, tiveram muitos avanços nos meios para se lidar com a campanha de financiamento de um projeto independente. Plataformas dedicadas ao crowdfunding, como as mencionadas acima, entre outras, foram lançadas tanto com a finalidade de bancar um projeto específico como a fim de garantir um aporte periódico a pessoas dedicadas a gerar conteúdo. Esse modelo tem sido muito utilizado por podcasters atualmente, como nós do Leitor Cabuloso que temos o Padim.

Novos modelos de recompensas por esse financiamento prévio foram desenvolvidos e uma dessas categorias é muito frequente e sempre chama a atenção. Existe, com frequência, uma contribuição de valor baixo para pessoas que não estão interessadas em nenhuma das recompensas, mas mesmo assim gostariam de contribuir para aquele fim.

Por outro lado, as recompensas podem ser muito interessantes e absurdamente divertidas. Essa semana o CabulosoCast foi de um livro escolhido por mim na campanha do kickante de 2015. Não poderia ter sido mais divertido nem que eu tivesse escolhido toda a trilogia dos 50 tons…

Vantagens do sistema

Mas quais as principais vantagens de se fazer um crowdfunding para o artista (músico, autor, desenhista) em se propor a fazer a gestão do projeto, divulgação, logística, frequentemente procurar ajuda para capa, revisão, edição diagramação e afins com a finalidade de ter um produto independente, mas com qualidade igual ou superior a de um produto profissional?

Certamente a maior parte dos que escolheram esse caminho devem dizer em uníssono Liberdade Criativa. Imposições de produtores já levaram a coisas como os Ewoks em Star Wars (que originalmente deveriam ser wookies, mas esses não venderiam pelúcias o suficiente). Quem está financiando o projeto é quem basicamente que acredita nele e o grande risco sobre esses projetos não é o cancelamento. Também não é o fracasso, já que a tiragem mínima para garantir o projeto já foi vendida e o dinheiro necessário levantado.

O grande risco que a galera que parte para o crowdfunding encontra, é a realidade onde as pessoas não estão mais dispostas a investirem em seu próximo projeto. Isso pode acontecer com qualquer um, então use sabiamente a sua liberdade criativa se decidir trilhar esse caminho.

Um caso de sucesso entre nossos amigos

imagesEssa semana recebi a recompensa de um dos crowdfundings mais recentes que apoiei, a coletânea de contos “Sentimentos à Flor da Pele”. O bem sucedido crowdfunding pode ser encontrado na página do projeto que se encontra no site utilizado pela equipe para pedir o apoio, o Catarse. O projeto é simples: são contos escritos por podcasters literários que fazem a transição do microfone para o outro lado se expondo e apresentando seus textos nessa coletânea organizada por Vilto Reis (Literário Cast) e Anna Schermak (Pausa para um Café).

Na obra, cada conto apresenta um sentimento e desde o início tentei divulgar o projeto, e acabei participando no LiterárioCast a respeito de O Velho e o Mar.  Do Leitor Cabuloso encontramos lá a minha revisora favorita, Domenica Mendes e Lucas “Realista” Ferraz.  O chefe, Lucien o Bibliotecário, faz uma ponta escrevendo o texto de apresentação do livro que deve ser colocado na orelha da versão física.

No caso de diversos autores essa parece ser a primeira incursão na ficção e alguns deles não param de tentar nos convencer de que tudo que escreveram está ruim através das mídias sociais. Não acreditem neles, nós os ouvimos toda semana e vai ser interessante ver tudo aquilo que comentam semanalmente refletido por aí nas páginas do livro.

Mas, e agora? A campanha acabou, as recompensas estão sendo distribuídas, um pessoal já leu o livro todo no primeiro dia e como eu que não fiquei sabendo ou comi bola e não participei faço. Conversei com o Vilto para saber como ele pretendia fazer com a logística daqui para frente. O que posso dizer é que para quem gosta do livro físico, recomendo correr. Foram impressos duas vezes mais que os necessários para as recompensas e serão distribuídos pelos próprios autores… até acabarem. Para quem já abraçou o meio digital boas notícias, ele deve ser disponibilizado na Amazon eventualmente. Não existe a expectativa de se oferecer os contos individualmente por terem sido concebidos como uma obra única falando dos diversos sentimentos.

Por hoje é isso, apoie sempre projetos promissores e seus geradores de conteúdo favoritos. Se você tem uma ideia e decidir encarar essa jornada, tenha em mente que será muito trabalho, você deve primar pelos seus apoiadores e pela qualidade do seu projeto, mas contará com liberdade total para se expressar (use sabiamente essa prerrogativa).

Abraços,

Rodrigo Ferrnandes

  • Muito bacana, Rodrigo!

    Sou um dos fundadores do Catarse e é muito empolgante ver mais gente discutindo e falando sobre crowdfunding.

    Aqui tem uma pesquisa que fizemos pra quem quiser saber mais sobre o modelo: pesquisa.catarse.me

    Um abraço,