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CabulosoCast #158 – Racismo na Literatura

Posted by Lucien o Bibliotecário - 02/02/2016 - CABULOSOCAST

CabulosoCast #158 – Racismo na Literatura

Olá Cabulosos do meu Brasil Varonil e Booklovers de todo mundo! Neste capítulo, Lucien o Bibliotecário convidada Luciana Bento, Fábio Kabral, Gabriel Réquiem e José Roberto Vieira para debaterem sobre o racismo na literatura. Existem preconceitos contra personagens negros? E os estereótipos, todo negro é visto do mesmo jeito nos livros? E o mercado como se comporta com autores negros? E os livros, será que combatem ou reforçam alguns estigmas sociais? O primeiro CabulosoCast de 2016 promete muito debate! Um bom episódio para vocês.

Atenção!!!

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Citados durante o episódio

Padrinhos Cabulosos

  • Francesca Abreu
  • Anderson Henrique
  • Marshal Rodrigues
  • Mizael Alves

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  • Renato Dantas

    Saudações cabulosos e cabulosas,

    Simplesmente FANTÁSTICO esse episódio.

    Eu pensei em um monte de coisas sobre racismo para escrever aqui enquanto ouvia esse episódio, mas acho que na verdade não tenho muito o que dizer. Posso falar com muita propriedade sobre ser deficiente, sobre ser gay, sobre ser nordestino vivendo no sudeste, mas sobre racismo e machismo, por exemplo, prefiro ouvir as opiniões de quem sofre isso na pele e refletir a respeito.

    Sobre Deuses de Dois Mundos, eu ganhei o livro em um amigo secreto, de um amigo que sabe que adoro literatura fantástica e que sempre busco conhecer mitologias além da grega e da nórdica, mas… Para ser bem sincero… Achei um porre de livro. O livro é dividido em duas continuidades, digamos assim, a história se passa no mundo moderno e ao mesmo tempo no mundo mitológico. O protagonista da história no mundo moderno é detestável, um escroto machista, e foi o principal motivo de eu não conseguir continuar a leitura. No mundo mitológico achei os personagens fracos e estereotipados, o que foi uma grande decepção. Admito que, fora os nomes e atribuições, não conheço nada sobre os Orixás e talvez estivesse esperando uma descrição como a de deuses e heróis gregos e nórdicos, que não sei se seria apropriado ou não. Ouvi o episódio do Drone Saltitante (TWR) sobre o livro e adorei, mas não conseguiu me estimular a voltar a lê-lo.

    Sobre super-heróis e representatividade, eu particularmente adoro que mulheres, negros, latinos, gays, lésbicas e trans assumam mantos heroicos. A Capitã Marvel para mim sempre vai ser a Mônica Rambeau, apesar de eu adorar a Carol Danvers também, e para quem vem com o papinho de que a Mônica não tem “direito” ao nome porque não tem nenhuma relação com o Capitão Mar-Vell, basta lembrar que a atual Miss Marvel, a muçulmana Kamala Khan, também não tem nenhuma relação com o Mar-Vell ou com a Carol Danvers e ninguém reclama, na verdade é uma das melhores coisas que já aconteceram na Marvel.

    Por fim, gostaria de pedir recomendações de livros, literários ou não, sobre mitologias africanas.

    Abraços e mais uma vez Parabéns pelo episódio.

  • Petrus Augusto

    Olá,

    Programa excelente, ótimo programa…

    Deixei de debater, de discutir com essas pessoas… Não tenho mais paciência, nenhuma paciência. As vezes que eu tento discutir,e, recebo uma reposta merda… Eu não pego leve, respondo o suposto “argumento”, e termino humilhando-a (talvez assim, ela ao menos, pare de falar publicamente na internet).

    Eu sei, podem dizer que é errado, que só afasto as pessoas, etc, etc… Sendo franco, não ligo… Cansei do brasileiro ‘merdio’ com o seu ridículo maniqueísmo.

  • Francisco das chagas

    o preconceito começa quando o negro chama o branco de branco,pq se ele pode fala a cor dos outros e pq eles não podem se chamados de preto?qual a logica?até aonde eu sei a cor negra não existe.então vamos ser congruentes.

    • Francisco, branco nunca foi usado como algo ofensivo, como algo ruim. Preto, assim como nigger nos Estados Unidos carrega uma carga ofensiva e preconceituosa absurda.
      Certas palavras carregam muito mais do que seu significado vernacular, é preciso analisar de modo mais profundo e empático. Eu prefiro usar negro, vejo muitos negros usando o termo preto, mas prefiro me abster enquanto branco por uma questão de respeito.
      Dizer que “o preconceito começa” com o uso que um convidado fez de certos termos no programa beira o ofensivo.

      Estou respondendo a você meramente para efeitos de moderação de comentários, acredito que os participantes do program seriam muito mais hábeis em te instruir sobre o que você colocou. Você é bem vindo para levantar questionamentos aqui, mas maneire no tom, por gentileza.

      Abraços.

      • Francisco das chagas

        isso ai vai sempre da forma q se vê,pq o meu tô foi normal,eu sou pardo e sempre chamei meus amigos de preto e eles tbm me chamam de preto e ninguém nunca ficou ofendido,agora hoje em dia os“negros´´falam brancos como se eles estivessem escravizando e tirando o direito deles,então hoje em dia sim os negros usam a palavra branco sim como ofensa,como se o meu pai ou outros brancos fossem os responsáveis pela situação deles,hoje eu faço faculdade e não precisei cota,simplesmente estudei pra passar.

        • Francisco, eu só não te bano dos comentários agora porque acho que os participantes e outros negros devem ter o direito de rebater os impropérios que vocês está falando.
          Segundo aviso: pense antes de falar e argumente de forma respeitosa. Da próxima vez nem vou te avisar mais nada, é ban.
          E se você acha que não tem nada de errado com sua fala, use a cabeça e faça um exame de consciência porque tá precisando.

        • Situação vai muito além do seu próprio umbigo ou do meu, meu caro kolega. Se você passou sem cota, honestamente, não fez mais que sua obrigação (essa é, em fato, obrigação de todos os estudantes, já que o sistema é assim e todo mundo tá cansado de saber). Antes todos tivessem a mesma oportunidade de estudos e realidade lindamente acomodada em utopia para que o sistema não utilizasse dessas manobras populistas para tentar sanar débitos enquanto tira proveito de todo mundo, prejudicando quem tem cota e quem não tem. Mas isso, veja bem, é outra coisa e as variáveis beiram o infinito.
          Entendo seu argumento quando diz que o preconceito é uma via de mão dupla, e que vem de brancos a negros e de negros a brancos. Na verdade, o preconceito começa quando qualquer ser humano precisa ridicularizar o outro de alguma forma só para se manter em uma posição que julga ser privilegiada. E nisso, infelizmente vai além do branco com negro, negro com branco. Isso implica o tal “judeu ladrão”, “muçulmano terrorista”, “argentino cheirador de pó”, “xing ling zóio puxado infeliz que rouba a minha vaga na universidade” e por aí vai. E veja bem que não estou entrou em afirmativa devido à etnia ou nacionalidade e sim ao “esse fulano tem cara de judeu, olha a cor dele” ou “nossa, q mulher amarela de olho fechado, deve ser chinesa”.
          Você pode chamar quem quiser de preto, cor de rosa, amarelo, pink, roxo com bolinhas douradas, brilhante no escuro ou o que for, desde que a pessoa não se ofenda com isso ou que você não assuma uma posição agressiva e que dissimule o ódio entre os demais presentes. O mesmo vale a você.
          Veja bem que isso envolve um princípio de liberdade pessoal para com todos.
          Porém, é inquestionável que os negros foram sim absurdamente discriminados na história desse país. E a culpa não é do seu avô, a culpa é mais pro lado de Portugal que dentro daquele período fez isso do que do seu pai ou do meu, ou de quem for.
          Mas o fato é que o racismo existe e a empatia é necessária, nossa obrigação enquanto seres que vivem dentro da mesma sociedade. E o respeito cabe em qualquer lugar. E por isso mesmo é preciso falar, questionar, abrir espaço para conhecer o argumento de cada um e, acima de tudo, rever nossas atitudes e aprender com os erros dos outros para sermos melhores e proporcionarmos melhoria no mundo de forma efetiva.

        • Cara, na boa.

          Eu sou branca, mas muito branca, pote de palmito mesmo. Na escola me chamavam de Fantasma, Albina, Doente, Cancerígena, Baleia Branca e Gasparzinho.

          Isso é racismo??? NÃO, NÃO É RACISMO. É uma coisa escrota que as pessoas dizem porque são escrotas. Mas eu nunca perdi emprego por ser branca, nunca me seguiram no shopping por ser branca, não tive parentes brancos assassinados na rua apenas por serem brancos.

          Para com esta MERDA. Ser chamado de branquelo nunca foi nem nunca será RACISMO. Você tá é fazendo um baita papelão aqui, isso sim.

          • Petrus Augusto

            Eu iria responder.. do modo que eu faço sempre quando quero me alimentar (do ódio das pessoas)…

            Mas, com o que a Do e com o que você escreveu.. Não vejo mais necessidade.

        • Não existe racismo reverso… Ninguém atravessa a calçada ao ver um branco só porque ele é branco, ninguém segue um branco numa loja por ele ser branco, nenhum branco não é empregado por ser branco ou ter um cabelo “não-profissional”, como acontece com muitos negros. Branco não sofre violência por ser branco. É bem simples, amigo.

          • Kkkkkk galera não sabe diferenciar racismo de preconceito.

        • Além do mais, sua experiência pessoal não define o total da sociedade brasileira.

      • Santa Paciência, Batman.

    • Racismo reverso não existe, porque o branco nunca sofreu pela cor de pele dele. Não existe histórico de repressão contra brancos por serem brancos.
      E, respondendo a sua pergunta, “preto” tem um histórico repressivo, por isso é ofensivo quando um branco chama um negro de “preto”. Várias palavras acabam tendo um significado coloquial diferente do significado do dicionário e essa carga de preconceito que faz o “preto” ser racismo e o “branco”, não. Espero que tenha entendido.

  • Cobalto

    Ah não Tio Gui (é assim que os alunos te chamam? hahaha). Cabulosocast tem a melhor escolha de trilha sonora da podosfera. Bem, na verdade só até onde eu conheço, hehehe. Quando eu terminar de escutar poderei acrescentar mais. Desde já, grato.

  • Marcos Lima

    Fiquei fã do Podcast em 3, 2, 1… Demais! Parabéns!

  • Nilda Alcarinquë

    Olás!

    Muito bom este episódio.

    Contei esta história no tuíter e vou recontar aqui:
    Fiquei muito feliz ao ver o tema do episódio ao abrir o e-mail com o link do episódio (exclusividade para madrinhas e padrinhos). Um pouco antes disso um funcionário novo foi apresentado no prédio do meu trabalho, e ele é negro. É um dos poucos funcionários negros entre os mais de 50 concursados que tem nível médio. Não há nenhum funcionário negro ou claramente descendente na minha sala. Mas são a maioria na limpeza e segurança.
    Então fiquei muito feliz com a coincidência entre este episódio e a vinda do novo funcionário.
    Então nem me venham falar que não há racismo num país em que 50% da população é negra ou descendente e não há 50% de negros em cargos de nível médio no serviço público. Nem vou mencionar os de nível superior!

    Já na área da literatura vou contar que li e ando recomendando muito O Senhor do Vento e não passou pela minha cabeça que o Gabriel Réquiem fosse negro.

    Estamos tão acostumados com autores brancos, entrevistas com autores brancos, ler autores brancos, que nem pensamos em ir atrás das fotos dos autores, pois ainda tenho o hábito de achar que todo autor é branco se não deixar isso claro com uma foto ou menção na introdução.
    Então sim, estamos muito pouco acostumados a ler autores negros e ainda não achamos natural que sejam escritores.
    É preciso muito trabalho ainda pra descontruir esta imagem de que negros não escrevem.
    Então fiquei muito feliz com este episódio e espero que venham mais. Temos que discutir e mostrar a diversidade existente neste país.

    Abraços
    Nilda – 47 anos
    Jandira-SP
    lendo A História Geral da África

  • Luiza

    Olá, Lucien, tudo bem, aqui é a Luiza, aquela que participou do Pqpcast sobre Educação com você. Então, uma coisa que me deixa muito, mas muito brava é o racismo, especialmente quando se trata do negro. Sou branca, até onde sei não tenho ascendência negra, porém, há algo dentro de mim que me deixa enfurecida quando vejo racismo. E fico puta da cara quando alguém fala, “ah, mas o negro também é racista”. Aí eu repito o que o Luis Fernando Verissimo disse certa vez: “caíram em cima de quem disse que racismo de negro contra branco é justificável. Nenhum racismo é justificável, mas o ressentimento dos negros é”. E não é só ressentimento, foi como disseram os convidados, é a representatividade, de você ver produtos e não se reconhecer neles. Esses dias, fiquei tão contente, minha sobrinha estava brincando com uma boneca negra. Aquilo me fez tão bem, mas sei que falta muuuuuuito para mudar. Faço minha parte em sala de aula, fazendo meus alunos se questionarem. Trabalho de formiguinha.

    Adorei o programa! Beijo!

  • Arrepiado com a abertura.

  • Quando baixou no meu leitor de podcasts, corri pra escutar! Excelente programa está excelente, pessoal!
    Muitas pessoas dizem que racismo é vitimismo, que só vê o racismo quem quer e essas coisas. Obviamente essa gente não procura se informar sobre nada, fala sobre racismo reverso e essas coisas. Eu fico chocada com o quanto ainda existe racismo velado ao ponto das pessoas acharem “normal” certas coisas. :/

    • Cobalto

      Assim, vejo que o racismo é uma ideia construída(como qualquer ideia…). Exemplificando, acho incrível ver como algumas crianças reproduzem, ou não, o racismo, e isso tudo é plenamente explicável pela visão de seus próprios pais. Sendo assim, a ideia de “ignorar” problemas sociais, culturais, étnicos e religiosos é, em minha perspectiva, propositalmente repassada entre determinados grupos socioeconômicos. Logo, penso que esta questão de se informar é muito mais complexa do que uma cegueira ativa, consciente e acima de tudo, conveniente. Agora, a respeito do racismo reverso, não me importa se existe ou não, e sim a possibilidade de acontecer. Se não pensarmos nas consequências de atitudes que, aparentemente, são justas, tais situações podem sim ser o nosso futuro.
      Particularmente, prefiro ver as pessoas como produtos de incontáveis situações e experiências do que demônios aos quais devo caçar e expurgar. Desde já, obrigado pelo seu comentário. 🙂

      • Sim, exatamente. Mas, as pessoas mascaram tanto no Brasil, que eu, que não sou negra, me espanto quando vejo certas coisas. Sou moderadora de um grupo de blogueiros no facebook e certo dia tive que banir cerca de 20 pessoas por racismo e ler tudo o que escreveram me deixou exaurida e extremamente chocada ao ver que certas coisas acontecem e nós não percebemos por vivermos, justamente, por fora dessa vida de preconceito desde criança. Mas, como uma pessoa que presencia certas visões racistas por ter parentes negros (não só negros, claro), eu tento sempre estudar e ler sobre, pra não ficar vivendo na minha “bolha” de branca, heterossexual, cisgênero e de classe média, sabe? Só que vejo que se fechar pra isso é mais cômodo pra maioria das pessoas simplesmente ignorar os problemas, pra nào serem afetadas pela verdade.

        • Cobalto

          Bem, é um tema complicado que precisa de mais conversas. Talvez, o ápice de minha opinião a respeito da igualdade de capacidade (note, capacidade e não condições, pois estas estão longe de serem iguais, principalmente no Brasil) me iniba de pensar que pessoas, por vontade própria escolham ser racistas, xenofóbicas, homofóbicas… Não vejo nem sequer o ato de pensar como habilidade inata. Tudo é ensinado. O que é considerado mal. E o que é considerado bom. Banir os racistas, ao meu ver é como cortar os galhos de uma árvore esperando que ela suma. O ideal, em minha interpretação, seria encontrar a raiz do problema e ver o que pode ser feito.

  • Klaus
    38 anos
    Sobradinho DF

    Formatei meu pc e o usuario do sistema de comentários foi perdido. Entrei com meu email profissional para poder comentar e ser avisado de eventuais respostas.

    então eu vou fazer em partes, pois o limite de palavras daqui é pequeno.

    Olá caros cabulosos, já faz algum tempinho que não deixo um comentário sobre um cast, e após escutar o 158 me senti na obrigação de deixar algumas linhas, tendo eu mesmo sofrido com o tema em questão. Trago a treta novamente entre nós, com todo o respeito porém…

    Alguns que não me conhecem, devem achar que sou de etnia negra. So que não. Sou mameluco, ou seja, mestiço de caucasiano com indio brasileiro, entre outras coisas. Vivi varios anos na Europa e sobretudo na Itália eu era o negro da turma. Ouvi muitas vezes me chamarem de macaco (o que não deveria ser xingamento, pois os humanos são mesmo biologicamente macacos), de negro, de carregador de bananas, de viados (sim no plural, pois os europeus acham que pra falar a nossa lingua, o espanhol… é só colocar um S no final das palavras em dialeto vêneto), e por aí vai. Claro que esta mini perseguição durou somente o tempo que eu estive lá, (pouco mais de uma década) e não tive os mesmos problemas que um negro teria no meu lugar. Logo eu não posso entender totalmente, mas tenho uma boa ideia do que é preconceito.

    Sim. Preconceito. Pois racismo não existe. E eu sou contra o preconceito praticado contra pessoas que nada fizeram para merecer este tratamento.

    É um mau uso de uma palavra que deveria servir para a discriminação entre especies diferentes. A partir do momento que qualquer negro, caucasiano, indio, ou aborigene de qualquer local, é de fato meu igual, honestamente não acho correto dizer que o problema chama-se racismo.

    Recoheço porém, um mar de problemas, insatisfações, irritações, injustiças, e comportamentos dignos de um debiloide, que a sociedade impõe de forma bem pesada sobre o suposto inferior da vez.

    Este inferior da vez, no momento é o negro. E por momento, nao falo deste ano, mas dos ultimos 400 anos. Quero lembrar porém que os problemas sociais, economicos, psicologicos, e o que mais desejarem inserir, que são advindos do periodo de escravidão do negro, diminuiram bastante ao longo dos anos. E que eles não são e não foram os unicos que sofreram com isso. Cada etnia, região e até mesmo grupo religioso, ao seu tempo teve seu momento de sofrimento. É inerente do ser humano infligir dor e desgraça no seu semelhante para beneficio proprio. Isso desculpa todos aqueles que escravizaram alguem? Obvio que não. Foi pessimo o que aconteceu, e isso não deve se repetir nunca mais. Mas os negros não foram os unicos a sofrerem isso, mas escuto uma boa parte de pessoas usando isso como muleta para justificar suas deficiencias economicas, sociais e até pessoais. Olha a treta ai…

    Acho que a questão é muito mais complexa do que falar de escravidão. Afinal de contas, desde que o mundo é mundo, quando dois povoados entravam em guerra, os perdedores que não eram assassinados, eram escravizados. E isso não dependia da cor da pele. Gregos, romanos, judeus, indios, civilizações pré-colombianas, neegros e até caucasianos na era moderna. Sim, meus queridos, todas as etnias tem em sua história de escravidão no papel de vitimas. Ainda hoje, milhares de mulheres caucasianas são mantidas como escravas sexuais.

    Mas vamos voltar à questão do negro que se lamenta da escravidão, e se acha inferior por causa disso. (lembrando que existe também o negro que não se lamenta e dá a volta por cima)

    Vamos entrar mais a fundo na questão de forma mais séria e menos informal.

  • parte 2

    O brasileiro médio jamais para para refletir a questão “por que negros foram escravizados no intervalo de tempo entre os séculos XV e XIX?” e a lacuna deixada pela inexistência dessa reflexão é ocupada na mente dessas pessoas por uma gosma disforme de significados extraídos de discursos que não fazem absolutamente nenhum sentido, mas são criados apenas para colocar seus receptores em um estado emocional específico. Esse simulacro de raciocínio é construído pela mídia impressa, pelas novelas da rede Globo, pelas instituições ditas “de ensino”, todas elas instâncias dominadas por esquerdistas (aqui cabe lembrar que a mente é como um pedaço de terra fértil, se não for jardinado todos os dias, se seu dono não fizer valer todos os dias seu direito de escolha do que pode e do que não pode crescer em seu pedaço de terra, rapidamente toda a extensão do terreno — e da mente — será ocupada por erva daninha).

    O pathos geral aceito pela sociedade é que pessoas oriundas do continente africano foram escravizadas no Brasil porque tinham a pele escura. O que é, obviamente, um disparate completo. É muito fácil desmontar essa mendacidade, basta se reportar à História anterior ao século XV. Durante milênios de registros históricos há várias ocorrências de nações inteiras que foram escravizadas e A GRANDE MAIORIA DELAS ERA COMPOSTA POR PESSOAS DE PELE BRANCA. Judeus brancos foram escravizados por egípcios, “ucranianos” bárbaros foram escravizados por romanos, gregos e persas escravizaram vários povos e todos eles eram compostos de indivíduos de pele BRANCA. A própria História da humanidade é a História de grupos humanos lutando para dominar ou se libertar do domínio de outros grupos.

    A ditadura do politicamente correto, ao repetir o mantra “os negros foram vítimas da escravidão”, sem deixar claro, por exemplo, que a maioria dos negros que foram tornados escravos foi escravizada por OUTROS NEGROS, trabalha para estabelecer um consenso social no qual a consequência lógica de que, SE “os negros” foram “vítimas”, ENTÃO “os brancos” foram os “algozes”. Ninguém nunca vai ouvir o movimento negro ou a mídia dizer “ALGUNS negros foram vítimas da escravidão, mas OUTROS TANTOS lucraram com ela”. Muito menos “se houve negros que foram escravizados, quão maior não foi o número de brancos que foram IGUALMENTE escravizados”. A ideia é repetir o enunciado “os negros foram vítimas da escravidão” até que as mentes se aprisionem em uma realidade paralela na qual “negros são vítimas dos brancos, porque o fato de alguém ter a pele negra o torna, automaticamente, inocente e bom, ao passo que possuir a pele branca é motivo para tornar alguém pervertido e mau”.

    Esse tipo de “raciocínio”, além de ser pernicioso em si mesmo, principalmente por se basear em falseamentos da realidade, induz a outros erros de raciocínio, ao tomar como pressuposto uma mentalidade COLETIVISTA. Para ficar mais claro o que estou afirmando nesse ponto, usarei um dos comentários que foram feitos ao lado da imagem publicada na página para abordar a questão da escravidão. Um cidadão, cuja massa encefálica foi visivelmente liquefeita pelo sócio construtivismo, se utilizando de ironia barata, escreveu: “Tão bonzinho o homem branco”. Percebam que tal comentário é exatamente a materialização de todos os processos que foram descritos até aqui. Uma colocação desse tipo, obviamente, não faz nenhum sentido (nem mesmo o sentido que seu autor imagina estar emitindo), uma vez que o coletivo “homem branco” não pode ser nem “bonzinho”

  • parte 3

    nem “mauzinho”, exatamente porque é composto de uma infinidade de INDIVÍDUOS, entre os quais alguns são bons e outros são maus.

    De uma forma ou de outra, não há nenhuma relação de continuidade entre a fibra moral de um individuo e a cor de sua pele. Essa relação é apenas uma mera falácia espertamente construída por intelectuais orgânicos, para fazer a massa ignorante aceitar a agenda esquerdista. Além disso, antes que alguém se permita fazer um julgamento moral tão infeliz, é preciso compreender que a ideia de “humanidade”, como a instância superior que abarca TODOS os grupos humanos é relativamente recente. Ideias como a de que um ser humano possui determinados direitos apenas por ser um ser humano são mais recentes ainda. Se nos livrarmos da mentalidade moderna e olharmos para a História entendendo as vicissitudes que assombravam os homens de épocas anteriores, poderemos compreender que, em um mundo primitivo, sem as instâncias sociais das quais gozamos hoje (e sem o desenvolvimentismo da política internacionalista moderna), o ato de escravizar chegava a ser uma necessidade de sobrevivência de cada grupo. Uma vez que se o grupo não fosse capaz de impor sua estrutura de poder ao grupo com que ele se relacionava, com certeza sofreria a imposição da estrutura de poder dele.

    Nesse contexto, ao longo do primeiro milênio de nossa época, o cristianismo estabeleceu uma espécie de “cimento cultural” que, de certa forma, pacificou a Europa. Como todos os grupos oriundos do continente europeu partilhavam o lastro de sua própria cultura (a religião cristã), a compreensão que esses grupos tinham por “nós” se expandiu para comportar os grupos imediatamente próximos a eles. Não que as guerras tivessem cessado de uma hora para outra, mas a criação de determinadas estruturas sociais fez com que não mais fizesse sentido que um cidadão de uma cultura cristã escravizasse o cidadão de outra cultura igualmente cristã. Dito de outra fora, em dado momento, o entendimento que os povos europeus tinha da ideia de “nós” que antes significava “nós que pertencemos a uma tribo de 1.000 indivíduos” se expandiu até alcançar o tamanho de “nós que somos europeus cristãos”. Os habitantes do resto do mundo ainda eram os “eles”, ainda não era reconhecidos pela cultura dominante como “semelhantes em humanidade”.

    Assim, desde o fim do Império Romano que a prática da escravidão havia entrado gradualmente em desuso na Europa. Mas, ao alcançar a África subsaariana, os europeus encontraram um continente no qual o cristianismo não havia penetrado, ou seja, no qual as tribos guerreavam entre si e se escravizavam umas às outras. No que diz respeito ao que hoje nós chamamos de “Direitos Humanos”, a África estava culturalmente atrasada milênios em relação à Europa. Como a concepção de “nós” do europeu não abarcava os povos não-cristãos e como esses povos se escravizavam uns aos outros, então pareceu perfeitamente cabível à maioria dos europeus que eles poderiam lançar mão da instância “escravidão humana” (que, de uma forma ou de outra, já estava sendo praticada no continente africano) para servir a seus próprios interesses. Isso foi errado e extremamente conveniente aos europeus? Claro que foi. Mas vamos continuar com o raciocinio.

    A compreensão dos processos acima descritos faz cair por terra a outra coluna de sustentação da mentalidade mantida pelo brasileiro médio sobre a questão da “negritude, escravidão e racismo”, que é a ideia de que o povos africanos foram escravizados porque

  • parte 4

    possuíam a pele negra. NÃO HÁ NENHUMA relação de continuidade entre o fato desses povos terem a pele negra como fato deles terem sido escravizados pelos povos de pele branca. É trivial e fortuita a condição de que povos de diferentes continentes tenham cores de pele diferentes. Os motivos que levaram os europeus a escravizarem os africanos foram:

    01) O estado de desenvolvimento da mentalidade dos povos europeus, na época, não os fazia reconhecer povos não cristãos como “nós” (e não há nenhum problema nisso, uma vez que se observarmos globalmente, podemos perceber que todos os outros grupos humanos tinham seu próprio conceito de “nós” e todos eles eram ainda mais restritos do que o conceito alcançado pelo europeu do século XV).

    02) Os povos asiáticos eram culturalmente e tecnologicamente tão desenvolvidos quanto os europeus, o que obrigou os europeus a respeitá-los em um grau que a primitividade tecnológica dos africanos e americanos não permitiu. Sobretudo no que diz respeito aos africanos (com a exceção do norte da África, que tinha sido aculturado pelos muçulmanos) as línguas ao redor das quais seus grupos humanos se organizavam eram ÁGRAFAS, ou seja, eram línguas sem escrita. A escrita é a condição necessária para que haja desenvolvimento tecnológico. É a escrita que permite que haja acumulo de conhecimento pelo processo do legado civilizacional. Embora houvesse na África subsaariana impérios capazes de gerar até mesmos concentrações populacionais relativamente volumosas (“cidades grandes” — como é o caso, por exemplo, do Mali e do Dahomé), a cultura desses impérios era primitiva, eles não possuíam literatura, nem filosofia, e tecnologia menos ainda. Eram impérios erguidos em cima de culturas tribais que vivam no “tempo circular da oralidade”. O europeu, de forma completamente compreensível, via o homem proveniente de tais culturas como inferior. Portanto, porque não se aproveitar do trabalho mecânico deles, da mesma forma como se aproveitavam da força mecânica do gado que gira o moinho? (lembre-se que as travas que nos impedem de fazer isso hoje simplesmente não existiam na mente dos europeus, portanto não se trata de uma discussão moral, já que os parâmetros morais com os quais atualmente julgamos a instância “escravidão” ainda não tinham sido desenvolvidos).

    Há casos de um ou outro japonês que, na época, tenha sido trazido, por europeus, para a América, como escravos, mas o próprio grau do desenvolvimento cultural e tecnológico desses povos impedia que o número de indivíduos escravizados oriundos dessas culturas fosse comparável ao número de africanos. Portanto, se os africanos foram escravizados, tal processo não foi induzido pela cor de sua pele. Se os africanos foram escravizados em massa por europeus o motivo pelo qual isso aconteceu foi o mesmo motivo que provocou a escravidão de TODOS os povos que foram escravizados na História da humanidade: o povo escravizado era culturalmente, tecnologicamente e/ou militarmente INFERIOR ao povo escravizador.

  • parte 5

    Uma nota adicional que acho relevante.

    O que é e como surge o racismo

    Feitos os esclarecimentos acima, finalmente podemos ter mais clareza sobre uma questão que é uma das mais deturpadas pela burrice que reina absoluta nas caixas cranianas dos brasileiros, o chamado “racismo”. Segundo a versão vendida a granel nas novelas da rede Globo o racismo é uma espécie de deformidade moral causada pela maldade subjacente ao ser humano de pele branca e da qual as únicas vítimas são os seres humanos de pele negra, os quais possuem uma bondade inerente que lhes impossibilita de praticar qualquer tipo de discriminação baseada na cor da pele, mas apenas estão sujeitos a sofrer esse tipo de discriminação. Afora o caráter maniqueista dessa falácia, trata-se de um raciocínio fruto de confusão e que causa mais confusão ainda. Para sermos capazes de desatar tal nó, precisamos antes entender o que é “discriminação” e o que é “preconceito”.

    01) Discriminação é a ação de diferenciar. A discriminação nasce da capacidade que o ser humano tem de fazer ESCOLHAS. Uma pessoa que, na hora do almoço, opte por não se servir de churrasco, mas coloque no prato um pedaço de tofu praticou a DISCRIMINAÇÃO contra o churrasco. Discriminar não é uma atitude imoral, pelo contrário, é uma atitude inerente ao ser humano. Durante o curso de nossas vidas, estamos constantemente discriminando, inclusive pessoas. Afinal, é humanamente impossível nos relacionar com TODAS as pessoas do planeta, então nós escolhemos algumas pessoas com as quais nos relacionaremos (as que ficaram de fora dessa escolha foram discriminadas) e mesmo dentro desse grupo, nossa atenção é repartida de forma desigual. Algumas pessoa pelas quais guardamos maior predileção recebem mais atenção e outras menos, na proporção direta dos nossos valores, daquilo que consideramos importante ou daquilo que nos agrada (isso também é discriminar). A palavra discriminação foi tão martelada pela mídia nos últimos anos que ganhou uma conotação pejorativa, mas conforme pode compreender quem entendeu a explicação acima não há nada de errado em discriminar.

    02) Preconceito é o conceito que temos sobre determinado objeto, fato ou situação de forma prévia ao momento em que experimentamos esse objeto, fato ou situação. Todos nós temos preconceitos e, sem eles, a vida seria simplesmente impossível. Alguém que nunca tenha experimentado comer peixe cru pode ter uma reação de ojeriza ao mero pensamento de fazê-lo, sem nem mesmo ser capaz de imaginar o gosto que tem a iguaria e, portanto, sem de fato saber se esse gosto agrada ou não ao seu paladar. Essa é uma reação de preconceito. Cada ser humano tem seu próprio limite em relação a experimentar o novo e esse limite tende a ser mais restrito à medida que envelhecemos. Aquilo que não experimentamos enquanto novos vai se tornando cada vez mais difícil que experimentemos enquanto vamos avançando nos anos. Os preconceitos são gerados a partir de experiências que nossa estrutura psicológica considera “semelhantes” à

  • parte 6

    experiência sobre a qual estabelecemos um conceito prévio ou por determinadas ideias com as quais entramos em contato e que as acatamos como justas, pertinentes ou verdadeiras. Sobre o preconceito gerado por experiência semelhante, podemos dar o exemplo da situação em que um indivíduo não queira viajar para o Mato Grosso. Em dado momento da vida dele, ele esteve em uma cidade desse estado, foi destratado e ele acredita que a situação vai se repetir se ele retornar lá. Assim, com base em uma experiência passada, ele diz “mato-grossenses são mal-educados”. Percebam que a experiência humana não é capaz de reagir de forma independente a cada uma dos elementos do conjunto “mato-grossenses”, até porque nenhum ser humano é capaz de conferir por si só o grau de educação de cada mato-grossense que existe. Assim, resta se reportar à experiência passada e extrair dela o pathos geral que será atribuído às possíveis ocorrências futuras da mesma experiência. Da mesma forma que a palavra “discriminar” a palavra “preconceito” sofreu todo tipo de deturpação semiótica, não há nada de errado com aquilo à qual ela se refere e, na verdade, a vida seria inviabilizada se só pudêssemos formular conceitos à posteriori.

    Os mecanismos envolvidos na ação de discriminar e os “conceitos prévios” (pré-conceitos) são a base do chamado “racismo”. Racismo é a ação de discriminar alguém com base no critério de raça. Embora a lei escrita afirme que o racismo é proibido, de fato o que é proibido é a “comunicação do racismo”. É simplesmente IMPOSSÍVEL impedir que as pessoas se baseiem no critério de raça para estabelecer suas escolhas pessoais, porque não somos capazes de saber em qual critério alguém se baseou para estabelecer uma repulsa a um objeto, fato, circunstância ou outra pessoa. Alguém pode considerar que pessoas negras são feias e passar a vida toda sem namorar com nenhum negro (o PT ainda não criou uma lei que obrigue que cada brasileiro destine uma percentagem do número de relacionamentos que ele teve na vida para ser preenchida por relacionamentos com pessoas negras, embora eu não devesse estar apontando essa lacuna aqui, para não dar a ideia). Alguém que não se sinta atraído por pessoas de uma determinada cor da pele e, por conta disso, não estabeleça enlaces amorosos com pessoas desse tipo está, de fato, praticando o racismo, mas é um tipo de prática de racismo que (sem a lei imaginada acima) simplesmente não pode ser punido. Contudo, se essa pessoa confessasse esse “movimento interno de sua alma” (que considera que pessoas de determinada cor de pele não são atraentes) em um texto impresso em um jornal de grande circulação, com certeza receberia algum tipo de punição do Estado. Da mesma forma, um gerente de R.H. poderia tranquilamente não contratar alguém com base na própria aversão por pessoas negras, desde que esse motivo não fosse comunicado e ficasse restrito ao seu mundo interno, ou compartilhado apenas com pessoas de sua confiança. Se esse gerente de R.H., no entanto, for responsável por uma equipe maior do que 10 pessoas, e não tiver nenhum negro na equipe, nesse caso correira o risco de ser acusado por algum movimento negro de “discriminação”, pois o movimento alegaria que o fato da composição étnica da equipe de trabalho não refletir a proporção da composição étnica da população brasileira não é fruto do acaso, mas sim fruto do racismo de quem realiza o processo de seleção.

    Aqui, entramos no cerne da questão do racismo: por que alguém haveria de não gostar de negros? De onde nasceria a “concepção prévia” (preconceito), existente na cabeça de um gerente de R.H., que o levasse a acreditar que uma pessoa negra não possua habilidades tão bem desenvolvidas quanto uma pessoa branca? Esse preconceito tem origem no mesmo ponto que origina TODOS os preconceitos que existem no mundo: as experiências

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    anteriores, mas no caso do preconceito contra negros há alguns pormenores. Vamos esclarecê-los:

    Em todos os lugares do mundo há preconceito contra imigrantes. Em geral, os grupos que já estavam em determinada localidade tendem a torcer o nariz para os grupos que chegam depois. Isso acontece porque uma pessoa não deixa a localidade na qual estão suas raízes, a não ser que esteja passando por dificuldades. A título de ilustração, vamos estudar o preconceito de sulistas contra nordestinos. A parcela da população nordestina que deixa o nordeste e migra para o sul é, por definição, aquela que está fragilizada, em situação de miséria. A elite da sociedade do nordeste está bem instalada e protegida, raramente deixará seu local de origem para morar no sul.

    Assim, toda vez que um sulista vê um imigrante nordestino, ele vê alguém que, necessariamente, pertence ao grupo dos menos instruídos, menos cultos, menos educados dos nordestinos. A repetição dessa experiência leva a mente dos sulistas (aqueles que sejam tacanhos o suficiente para desconhecer a vasta colaboração que muitos nordestinos deram para a cultura do país) a associar o próprio sotaque do nordeste à falta de cultura, de instrução e de escolaridade (esses sulistas, ignorantes a seu próprio modo, simplesmente desconhecem que há milhares de pessoas no nordeste que falam com o sotaque típico da região E concordam o número do artigo com o plural do substantivo). Esse é, em linhas gerais, o processo de onde nasce o preconceito contra imigrantes. Dependendo da situação inicial, esse tipo de preconceito pode sobreviver por décadas ou até mesmo séculos dentro de uma cultura. E é um processo tão poderoso que não respeita a condição econômica. Para ilustrar isso, podemos citar o preconceito que a família Kennedy, apesar de riquíssima, sofria dentro da sociedade americana, por conta de sua origem irlandesa. Como havia (embora tenha enfraquecido, ainda há) um forte preconceito na sociedade americana (em sua maioria protestante) contra os irlandeses (católicos), mesmo detendo o poder econômico, os integrantes da família Kennedy não conseguiam adentrar determinados grupos sociais. (Espero que o leitor já tenha se dado conta de que todos os sofrimentos vendidos pelo mimimi do movimento negro como fruto da perseguição de brancos contra negros, na verdade, acometem muito democraticamente a diversos grupos humanos e não respeitam nem cor de pele, nem situação econômica).

    No caso dos negros, eles não vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas foram obrigados por instâncias de poder superior. O mero fato de, na qualidade de imigrantes (forçados, que seja), não dominarem a língua local e outros aspectos culturais, é suficiente para gerar um processo de discriminação e preconceito nos moldes do que foi explicado acima. Mas havia o agravante de que a grande maioria dos negros que aqui aportavam eram oriundos (conforme já foi dito) de sociedades que, de fato, eram culturalmente e tecnologicamente muito inferiores à sociedade brasileira. Aqui cabe um parentese para abordar o preconceito que havia entre os próprios negros. Como o norte da África foi invadido pelos muçulmanos, as sociedades dessa localidade receberam uma injeção muito grande de cultura e tecnologia proveniente do legado civilizacional mouro. Muitos negros oriundos do norte da África detinham conhecimentos como por exemplo matemática, de agrimensura, técnicas avançadas de plantio etc. Além disso, tinham uma facilidade maior para aprender o português. Esses eram chamados de “negros malês” e costumavam custar mais de cinco vezes o preço de um escravo “normal”. Como custavam muito caro, eram tratados a pão-de-ló. Não dormiam na senzala, mas sim na casa grande

  • parte 8

    e, de uma maneira geral (até porque aprendiam português mais rápido do que os outros negros) tinham mais proximidade com a família do dono das terras (tomando as fazendas como unidades de produção, os negros malês ocupavam cargos que hoje seriam chamados de “gerentes”). Esses negros, cientes de sua superioridade cultural em relação aos negros ignorantes (a grande maioria saídos do subsolo das pirâmides sociais das tribos e reinos da África), costumavam praticar a discriminação contra os outros negros (isso mostra o quanto a prática da discriminação é natural do ser humano e não depende necessariamente de cor de pele). Ao mesmo tempo, era muito comum que os integrantes do topo das pirâmides sociais de certos reinos africanos viessem para o Brasil para estudar. Eram nobres e reis africanos que aqui eram tratados com toda reverência pela população local branca, a qual lhes atribuía o prestígio compatível com a posição social que eles ocupavam em sua terra natal.

    No entanto, o grau de alienação imposto pela repetição dos mantras do politicamente correto é tão grande, que as pessoas passam a se basear em situações que não existem em nenhum lugar fora da cabeça delas para fazer inferências sobre a realidade atual. Por exemplo, certa feita eu estava em uma palestra sobre “negritude”, cujo palestrantes era desses negros militontos (que usam camisa com motivos gráficos de uma cultura africana idealizada por brancos) e, com muita enfase e dispêndio de energia, ele bradava que a opção do Ministério da Educação de cobrar as línguas inglesa e espanhola como segunda língua do vestibular era fruto de um plano maquiavélico da elite branca para prejudicar os negros. Ele dizia ainda que os negros deveriam lutar para que tivessem a opção de serem cobrados, no lugar do inglês e espanhol, conhecimentos de iorubá (esse é o nome de um dos mais importantes dialetos que eram falados na África subsaariana quando do período da escravidão). Afora o evidente devaneio de que hoje há uma quantidade significativa de negros brasileiros capazes de se expressar em iorubá (situação que só existe na cabeça dele), eu tive que interromper a palestra para pedir que ele citasse somente UM ÚNICO livro de importância para a cultura mundial que tivesse sido escrito em iorubá, e do qual os negros seriam privados se não conhecessem tal idioma (dialeto). Diante da pergunta, o militonto gaguejou, balbuciou, fez cara de paisagem e mudou de assunto. Claro, nenhum livro (nem importante, nem desimportante) jamais foi escrito em iorubá, pelo simples motivo de que o iorubá era uma língua ÁGRAFA (mais tarde, o iorubá ganhou um sistema de notações gráficas baseado nos caracteres latinos herdado dos europeus. Mas o iorubá moderno, falado na Nigéria, no Tongo e no Benin é completamente diferente da língua falada pelos negros que vieram para o Brasil, que era a proposta defendida pelo militante). Esse episódio é muito ilustrativo do grau de devaneio da militância do movimento negro que coloca sua ideologia negrista acima da própria realdade factual.

    Para finalizar, acredito que o que foi dito até aqui é suficiente pelo menos para começar a quebrar o gelo da mentalidade idiotizada construída pela desinformação e pelos agentes da agenda politicamente correta. Como se vê, a realidade é um milhão de vezes mais complexa do que a simplificação repetida ad nauseam pelo movimento negro e outros braços da esquerda, com o objetivo de colocar o povão ignorante em um transe hipnótico o qual eles possam explorar para alcançar poder político. Quando se entende como funciona o mecanismo que gera o racismo fica fácil notar que a ÚNICA atitude que se pode ter para que ele diminua é IGNORÁ-LO. Pessoas inteligentes, independente de cor da pele, percebem isso muito rápido. Acontece que a proposta de ignorar o racismo não pode ser aproveitada para gerar dividendos políticos.

    • Que textão Klaus.
      Mas não acho que você queria levantar uma discussão produtiva em momento algum, infelizmente. Isso porque ao invés de propor reflexões você chama a todo mundo do episódio e grande parte de quem está comentando de esquerdinha/politicamente correto/e, em última instância, de burros que aceitam tudo que ouvem.
      Eu nem ia responder, dada sua condescendência.
      Todos resto do seu argumento é relativístico, usa exemplo históricos que se baseiam em realidades 100% diversas, usa de preciosismo semântico pra invalidar um termo que deve ser interpretado socialmente, não biologicamente, e, basicamente nos fala a todos para parar de mimimi e que o negro só tem que se esforçar um pouco mais e deixar de reclamar.
      Não estou com paciência pra rebater ponto a ponto, mas no fim seu cometário de 8 partes pode ser resumido nos maiores chavões de quem defende que não existe racismo. E eu jamais te diria isso numa discussão que você tivesse colocado de forma respeitosa, mas como você não teve pudores em ofender todo mundo que pensa diferente repetidas vezes, aqui vai: seu post foi um amontoado de senso comum mantenedor de status quo e idiota pra caralho.

      Não se propõe discussão assim
      Abraços.

    • Sidney Andrade

      miga, sua loka, para que tá feiooooooo

      Mas eu brinquei de bingo durante a leitura, vamos aos números:
      “RACISMO NÃO EXISTE”, “AGENDA ESQUERDISTA”, “DITADURA DO POLITICAMENTE CORRETO”, “CITAR O pT EM UMA DISCUSSÃO SEM VESTÍGIOS DE PARTIDARISMO, “MIMIMI” DO MOVIMENTO NEGRO, “MILITONTO”….
      Faltou algum pra gente completar a cartela?

    • Olá Klaus.

      Gostaria de argumentar alguns pontos de seu texto.

      No geral você fez um apanhado de praticas históricas, mas acho que você escorregou em alguns pontos. Uma porque se prendeu em alguns termos, o que deu a entender que desconsiderou como o termo é visto socialmente.

      Além de um certo menosprezo cultural. E por fim argumentos batidos quanto a acusações de posições politicas.

      Sim, isso acaba sendo uma critica, mas é porque tem vários pontos que discordo, que somados entre si, e de forma repetida fizeram-me refletir sobre o mesmo e considera-lo errôneo.

      Aqui vai alguns pontos e minhas considerações:

      “Ouvi muitas vezes me chamarem de macaco (o que não deveria ser xingamento, pois os humanos são mesmo biologicamente macacos),” — Não deveria, mas é, e não se pode ignorar isso por um fator biológico, quando quem profere a palavra, está usando com o intuito de insulto e rebaixar. Duvido que alguém que chame o outro de macaco com essa intenção aceite a ideia de que ele também seria um macaco.

      “Sim. Preconceito. Pois racismo não existe. E eu sou contra o preconceito praticado contra pessoas que nada fizeram para merecer este tratamento.

      “É um mau uso de uma palavra que deveria servir para a discriminação entre especies diferentes. A partir do momento que qualquer negro, caucasiano, indio, ou aborigene de qualquer local, é de fato meu igual, honestamente não acho correto dizer que o problema chama-se racismo.” —– Primeiramente é preciso deixar claro que o próprio conceito de raça (para seres humanos) é um tanto nebuloso, mas isso só mostra que em um debate desse não podemos nos prender ao conceito biológico, e sim social. Se por acaso racismo não existe, pelo menos do fato do problema não poder ser chamado de racismo, segundo o que você falou, isso mostra que o problema em si existe, seja la como você o queira chamar.

      “Mas vamos voltar à questão do negro que se lamenta da escravidão, e se acha inferior por causa disso. (lembrando que existe também o negro que não se lamenta e dá a volta por cima).” —– Olha, acredito que na verdade, não seja o negro que se ache inferior, e sim inferiorizado, pois quem o acha inferior é a pessoa preconceituosa que o julga. Aquele que se acha inferior, tende a aceitar ser visto como inferior por outros, o que não se acha inferior, não vai.

      “Esse simulacro de raciocínio é construído pela mídia impressa, pelas novelas da rede Globo, pelas instituições ditas “de ensino”, todas elas instâncias dominadas por esquerdistas” —– Aqui você colocou julgamentos pejorativos referentes a questões politicas beirando a paranoia, pessoalmente sou contrario a dualidade que isso gera, logo não discutirei isso, só digo que isso empobrece um argumento, pois da uma cara de agressão gratuita, e (olha ai) preconceituosa.

      “Nesse contexto, ao longo do primeiro milênio de nossa época, o cristianismo estabeleceu uma espécie de “cimento cultural” que, de certa forma, pacificou a Europa.” —– Cuidado com esse argumento, dessa forma passa uma ideia que o cristianismo tornou a Europa um lugar ótimo de se viver (pois quem não gostaria de viver em um local pacifico?). Mas quem conhece a história sabe como de fato foi. Não é porque era pacifico como você disse que não havia o menosprezo de grupos (étnicos, de gêneros, de renda, e até religiosos, pois nem todos eram cristãos).

      “No que diz respeito ao que hoje nós chamamos de “Direitos Humanos”, a África estava culturalmente atrasada milênios em relação à Europa.” —– Defina melhor “culturalmente atrasados”, aqui pelo menos da a entender uma relação com o conceito “Direitos Humanos”, mas no restante do texto você apresentou a cultura africana como um todo desvalorizado. Acredito que você esteja usando a cultura como algo que possa se mensurável e comparável no sentido de pior e melhor, mas em certos casos, como dizer que uma cultura é melhor que outra, se são diferentes? Ah, e como houve comparação com culturas asiáticas mais pra frente, devo-lhe dizer que ao analisarmos a religião (um forte influenciador cultural) de alguns povos africanos, é possível encontrar semelhanças culturais com povos orientais, quando consideramos suas visões de mundo e existência.

      “01) O estado de desenvolvimento da mentalidade dos povos europeus, na época, não os fazia reconhecer povos não cristãos como “nós” (e não há nenhum problema nisso,” —- Você foi infeliz nessa frase. Há sim um problema nisso, se todos nós somos humanos, dizer que “eles” não fazem parte do “nós” legitima boa parte das agressões.

      “a cultura desses impérios era primitiva, eles não possuíam literatura, nem filosofia,” —- Nesse caso você só pode considerar que não possuíam filosofia se você levar em conta que isso era de origem grega, mas havia sim algo que pode-se relacionar ao conceito de filosofia, caso contrario os asiáticos também não teriam. Alem de passar a ideia de primitivo ser ruim, e não de ser primeiro, que é a definição mais exata da palavra (já que você se prendeu as palavras, vou me prender aqui também).

      “Portanto, porque não se aproveitar do trabalho mecânico deles, da mesma forma como se aproveitavam da força mecânica do gado que gira o moinho? (lembre-se que as travas que nos impedem de fazer isso hoje simplesmente não existiam na mente dos europeus, portanto não se trata de uma discussão moral,” —– Na época poderia não ter uma discussão moral (acredito que ate teria, mas em menor escala), mas hoje possui, então discutir hoje conceitos do passado será uma discussão moral, e imagino que muito necessária.

      “Algumas pessoa pelas quais guardamos maior predileção recebem mais atenção e outras menos, na proporção direta dos nossos valores, daquilo que consideramos importante ou daquilo que nos agrada (isso também é discriminar).” —– Concordo com a explicação do termo, e seguindo isso podemos dizer que dar mais atenção a alguém e o considerarmos mais importante que outro é discriminação, em alguns campos, como afetivo e familiar, isso é plausível (dou mais atenção e importância para meu familiar do que a um desconhecido), mas em outros campos e movido a outros fatores já não pode ser, como por exemplo em um emprego, aula, atendimento, etc, isso se o fator para medir tal atenção for algo com uma relação ilógica como algum traço que remeta a uma etnia. Se tenho dois candidatos a uma vaga, e contrato o que possui melhores habilidades para a tarefa estou discriminando o outro, e dando mais atenção para o que escolhi, mas e se faço isso apenas pela etnia? Tambem sera uma discriminação.

      “Da mesma forma que a palavra “discriminar” a palavra “preconceito” sofreu todo tipo de deturpação semiótica, não há nada de errado com aquilo à qual ela se refere e, na verdade, a vida seria inviabilizada se só pudêssemos formular conceitos à posteriori.” —– Com esse exemplo dos mato-grossenses você esta mostrando que preconceito é danoso, o individuo em questão esta julgando todo um povo de um estado sem conhecer, e tal preconceito poderia sumir se: 1) ele pensar de forma lógica 2) se permitir a retornar ao local e ter uma prova empírica de que nem todos são mal-educados. Sendo assim não vejo deturpação na palavra.

      “Alguém que não se sinta atraído por pessoas de uma determinada cor da pele e, por conta disso, não estabeleça enlaces amorosos com pessoas desse tipo está, de fato, praticando o racismo, mas é um tipo de prática de racismo que (sem a lei imaginada acima) simplesmente não pode ser punido.” —– De fato, pelo que conheço de leis (admito ser pouco), algo pra ser proibido, ou então considerado crime não pode ser um estado da pessoa (ou seja, algo que a pessoa é), e sim uma ação, atitude, ou seja, algo que pessoa faça. Mas olha, desculpe se entendi errado, mas essa questão de não se sentir atraído, pra mim não configura racismo, no geral isso é uma questão de gosto/atração, e não uma ação, não ter laços amorosos com alguém, por qualquer que seja o motivo não causara precisamente um dano físico ou social na pessoa em questão. Porem destrata-lo, e agir com algum tipo de violência sim. E algo assim baseado em etnia sim será racismo.

      “Da mesma forma, um gerente de R.H. poderia tranquilamente não contratar alguém com base na própria aversão por pessoas negras,” —– Como disse, nesse caso sim seria racismo, pois por qual motivo ele não contrataria? Contratamos alguém pelas competências, não pela aparência, ou atração.

      “Esse preconceito tem origem no mesmo ponto que origina TODOS os preconceitos que existem no mundo: as experiências anteriores,” —– Lembrando que basear seu julgamento apenas em experiências pessoais é danoso, se o gerente do R.H faz isso, ele valida o negro que sofreu com o preconceito a achar que todo branco é mal, o que no seu argumento você mostrou ser errado.

      “(Espero que o leitor já tenha se dado conta de que todos os sofrimentos vendidos pelo mimimi do movimento negro como fruto da perseguição de brancos contra negros, na verdade, acometem muito democraticamente a diversos grupos humanos e não respeitam nem cor de pele, nem situação econômica).” —– Aqui você deu a entender que tudo que o movimento negro mostre de preconceito é mimimi. Das duas uma: ou foi mesmo sua intenção e com isso você produziu um argumento com generalização, portanto irreal, ou então não se expressou corretamente.

      “Esse episódio é muito ilustrativo do grau de devaneio da militância do movimento negro que coloca sua ideologia negrista acima da própria realdade factual.” —– Mas uma duvida, você usa esse exemplo que ocorreu com você como regra para definir todos os que defendem o movimento negro? Se usa, isso é generalização, logo é preconceito.

      “Quando se entende como funciona o mecanismo que gera o racismo fica fácil notar que a ÚNICA atitude que se pode ter para que ele diminua é IGNORÁ-LO.” —– Se aqui você quis dizer que para diminuir o racismo devemos ignora-lo, saiba que isso é danoso. Um negro pode ignorar o racismo, mas o racismo não vai ignorar o negro.

      • Léo, obrigado por esse comentário.
        Toma o Curinga aplaudindo.

        =D

      • Pena que é mais fácil deletar tudo e sumir do que engajar no debate que propôs quando interpelado, né?
        O silêncio diz muito.

      • Agora que vi que esqueci de deixar meus dados.
        Leonardo Henrique , 28 anos
        São Paulo
        Lendo: Mago – A Ascensão (RPG)

  • Então. Achei fantástico o episódio, e claro que ia dar treta. Concordo, claro, com a exposição de fatos – porque não eram meras opiniões – de todos os convidados. Só achei desnecessária o discurso agressivo do Fábio Kabral. Por eu ser branco? Talve, mas acho que não. Nunca me importei com cor de pele; na saga de literatura fantástica que escrevo os personagens principais são morenos ou negros ou indígenas. Por que? Porque é legal, uai. Só acho que quando o Kabral diz “só falo para as pessoas negras, e foda-se os outros”, ele está repetindo o discurso de ódio que ele tanto repudia. E aí não faz diferença quem diz e quem ouve – matar um assassino também te torna um. Sei que ele está cagando e andando pra minha opinião, mas mesmo assim eu vou comprar o livro dele porque ele deve ser foda kkkkk
    Um abraço aos cabulosos, e comecem a ver as PESSOAS dentro dos invólucros de pele colorida 😉

    • Valeu, bróder! Se quiser comprar o livro, é direto comigo, é só me contactar nas minhas redes sociais. Abraço!

  • Exumador e seus Paquitos

    Muito bom ouvir esse tipo de programa. Conscientizar quem ainda tem a doce ilusão de que não temos racismo. Principalmente quando ouvimos em certos casts que dizem gerar valor ficar batendo na tecla de que racismo é algo de sua cabeça, embora eu tenha um opinião bem particular do pq, esse Cabulosocast serviu para dar um tapa na cara desses tipinhos. Beijos Lucien, vc é mesmo um lindo.

  • Carlos Valcárcel Flores

    São Paulo, 34 anos, físico.
    Lendo: A maldição (Stephen King sob o pseudônimo de Richard Bachman)

    Como eu gosto de números, fiquei impressionado com os dados sobre a quantidade e o papel dos personagens negros nas obras literárias. Eu sempre me interessei mais pelos livros que pelos autores (sem importar se é homem, mulher ou sua etnia), e se o livro é muito bom, procuro por mais. Depois do episódio decidi dar uma olhada no meus livros, e percebi que não tenho muito fora do padrão branco norte americano ou europeu.Tenho alguns livros de autores japoneses e só identifiquei a Milton Santos como autor negro na minha biblioteca (e o livro é da minha esposa). Se bem somos nós quem decidimos que ler e que não, também somos “bombardeados” por obras de autores dentro do padrão. Admito que sou dos que procuram que ler pelo que vejo na livraria e escuto em recomendações, assim achei a S. King, G. R R. Martin, P. Rothfuss, B. Sanderson, J. K Rowling… e se nos escondem a outros bons autores, uma procura rápida me levou para Nnedi Okorafor, descendente nigeriana e ganhadora de prêmios de fantasia.

    Num momento do episódio se falou do racismo de Lovecraft. O tema de censura de livros ou autores me parece bem delicado. Eu já tinha lido alguns contos de Lovecraft ate ler um que tinha uns comentários racistas. Fiquei impressionado, devo ter lido essas linhas três vezes para ter certeza do que estava lendo. Agora, Lovecraft não é para crianças, eu já era maior e li de uma forma critica, pensando no tempo dele..um autor contemporâneo escrevendo algo assim seria terrível. Por outro lado, Hegé, o autor dos quadrinhos de Tintin também tinha uma visão estereotipada de todo o que não fosse Europa, mas os quadrinhos dele eram para crianças, então…É o Hegé um autor para crianças contemporâneas? eu acho que não. Orson Scott Card é odiado pela comunidade LGBT, eu conheci sobre ele por meio de uma controvérsia envolvendo a censura de um quadrinho de Superman que seria escrito por ele. Decidi ler a Saga de Ender com medo a achar um livro cheio de preconceitos, mas não tinha nada disso. Então nesse caso não entendo o porque da censura com suas obras.

    Finalmente, quero dizer que foi um ótimo episódio.
    Abraços

    • Olá Carlos! de fato o Hergé tem uma visão muito esteriotipada e racista. Eu sou fã de Tintim e fiz questão de ter um exemplar de Tintim no Congo pra saber exatamente o que ele fala e ele trata os africanos como se fossem primitivos, quase animais. É ofensivo pra mim, que não sou africana, ver pessoas que se parecem comigo serem retradadas como irracionais. Ele não é um autor pra crianças conteporãneas, concordo contigo, e os desenhos animados feitos a partir da sua obram não trazem essa passagem pelo Congo. A biblioteca de Nova York tirou esse material das prateleiras públicas, e agora é mais difícil ter acesso a ele. É isso que precisa ser feito com as obras racistas.

      O que falta é um pouco de empatia nas pessoas, imagine-se um congolês vendo uma obra que o desumaniza sendo endeusada por aí? Complicado né! È o mesmo quando nós negros vemos obras racistas, feitas por autores declaradamente racistas sendo consideradas grandes clássicos da literatura infantil brasileira e sendo reproduzidas sem nenhuma visão crítica sobre aquele conteúdo.

      • Carlos Valcárcel Flores

        Olá Luciana! Eu gosto de quadrinhos, mas não conheci Tintim até que saiu o filme, quando investiguei um pouco sobre o autor, li as críticas sobre Tintim no Congo e depois disso fiquei receoso de procurar mais sobre ele. Se eu tivesse escrito ontem sobre a censura, eu tivesse dito que sou contra, mas lembrei do Tintim e fiquei pensando mais no assunto. Os antigos desenhos da disney também retratavam ofensivamente a os negros, e já não são mais emitidos na tv.

    • Renato Dantas

      O problema do Orson Scott Card não é que ele use seus livros para disseminar a homofobia através do conteúdo da obra, mas ele doa dinheiro para organizações que fazem lobby contra os direitos LGBT, ou seja, se você compra algum livro, e-book ou o que seja dele, você tá dando dinheiro para esses grupos que ativamente tentam limitar ou mesmo tirar direitos de uma parte da população.

      Teve algum Cabulosocast, não lembro qual, em que se falou sobre o caso específico dele e algum dos participantes, não lembro quem (minha memória é péssima) sugeriu que se alguém quisesse ler os livros dele e não dar dinheiro para um homofóbico que fizesse download pirata. Eu acho uma ótima ideia, mas não consigo separar autor e obra, então prefiro nem encostar nos trabalhos desse senhor. E se descobrir que algum autor querido meu é homofóbico, racista, machista ou propagador/defensor de alguma merda similar, simplesmente paro de ler as obras dele ou dela, mesmo que com peso no coração.

      • Carlos Valcárcel Flores

        Olá Renato! Eu sei que é difícil separar autor e obra, como indiquei, eu fiquei muito receoso antes de ler Ender, porque já conhecia da fama do escritor, ainda assim o livro não tinha nenhuma das ideias loucas do autor. Eu já li autores com diferente visão políticas as minhas, ou que goste das corridas de touros (embora eu odeie essa prática). Um caso diferente é o de Frank Miller. O cara escreveu grandes obras como Sin City e Dark Knight Returns (e parece que o próximo filme de Batman vs Superman vai tomar alguns elementos desse comic), mas também escreveu Holy Terror, que tem sido considerada por muitos críticos como anti-islâmica. Nunca fiquei perto de Holy Terror, devido ao discurso de ódio, mas isso não tira seus logros em Sin City e DKR.

  • Excelente programa, to aqui nos comentários pelo bizarro mesmo. Saca acidente de carro? É mórbido eu sei. Mas tem comentários aqui que precisam ser indicados ao Ignobel.

  • Sidney Andrade

    Agora comentando a sério.
    Sidney Andrade, 29 anos, Campina Grande – PB.
    Quando o assunto é distinguir obra e autor, acho que é preciso haver uma ponderação sobre contextos. Quando e se eu digo que não leio um autor de postura controversa hoje, esta minha recusa é muito mais significativa do que quem disse isso em séculos passados, isso porque, atualmente, a presença do autor junto ao seu público é muito mais preponderante. Não há mais a torre de marfim do alto da qual os autores estavam intocáveis. Agora, eu sigo meu autor favorito no twitter, vejo as fotos dele no instagram, interajo não só com sua obra, mas com sua persona. Sendo assim, hoje, mais do que nunca, ler é um ato político. Endossar a obra de um autor racista, machista, homofóbico e etc é, a meu ver, sim, perpetuar uma mentalidade que vem junto com o pacote. Pode não estar na obra, mas Literatura não se trata mais só de livros, gente, são pessoas que as fazem, não há inocência no fazer literário, muito menos no fazer editorial. Acho ingênuo quem diz que nunca se importou com características físicas, étnicas ou sexuais dos personagens, sob a alegação de que “gosta do que é bom sem fazer distinções”, sendo que, ao checar sua estante, coincidentemente, só o que é bom está manifestado em personagens e autores brancos, heteros, homens. E o fato disso, na maioria das vezes, nem ser de propósito, é a marca maior dos preconceitos já tão enraizados que tornaram-se invisíveis. Então, enquanto seres políticos, na minha opinião, acho sim que os leitores, hoje mais do que nunca, precisam se posicionar quanto ao que leem,pois os editores e autores se posicionam sempre, estejam eles cientes da posição que tomara ou não.
    Foi um excelente episódio, adoro ouvir as palavras apaixonadas do Fábio kabral quando fala do que escreve, essa paixão talvez seja a diferença que vai distinguir, no futuro, os clássicos que estão sendo moldados neste forno revolucionário atual.
    Beijos a todos.

  • Programa muito massa, alguns participantes eu até conhecia, o Kabral por causa do Anticast e a Luciana Bento…tenho dúvida se ela é irmã ou esposa do Léo O’Bento da Iná Livros, que já troquei ideia em alguns eventos da negrada 🙂

    Além da discussão excelente, acho muito bom ver autores negros virem a tona com seus pontos de vista e história também com suas produções culturais, mostrando ao jovens negros que ouvem que existe sim uma galera que não quer se limitar ao esteriótipo imposto pela sociedade, provando que negro pode ser nerd, fazer quadrinhos, escrever livros e ser um influenciador de ideias.

    Sobre a discussão do cast, não tenho tanto a acrescentar. Só fico feliz de cada vez ouvir com mais frequência podcasts abordando tal tema. Eu “já tinha ouvido falar” do Leitor Cabuloso, e agora me sinto na obrigação de ver a opinião dessa trupe sobre outros assuntos.

    Abs

  • Julian Vargas

    O Podcast está cada vez melhor! É muito bom renovar as esperanças por ter estudado Letras :p

    Sobre o episódio: mais do que necessário. Kabral on fire!!!! 😀

    Espero mais casts temáticos a respeito de minorias sociais.

    Ah, aproveito para recomendar As Lendas de Dandara, da escritora Jarid Arraes.

    Julian, 27 anos
    Carapicuíba – SP
    Lendo: Ritos de Passagem, do Kabral

  • Bruno Trajano

    Olá,Lembram de mim né, 20 e poucos, leitor, escritor, poeta, universitário e funcionário publico, entre outras atribuições.
    Então, tenho alguns pontos a comentar, e ainda nem terminei de ouvir o programa! Preciso falar sobre o Monteiro, vocês não acham que os personagens foram além dele? e outra, os textos ainda são reproduzidos na integra? com todos os xingamentos apontados?. O que quero dizer é, também trabalho numa escola e o que tenho lá de Lobato são obras “derivadas”, tipo um dicionario com ilustrações dos personagens, ou coisas do tipo, e é a isso que me apego quando concordo com a não proibição das obras literárias, tipo, o texto pode ser adaptado e revisado, certo? e continuemos com as explicações sobre o mau caratismo de Monteiro. Não acho que “ninguém” se lembre das crianças do sitio como muleques racistas, pois isso não é perpetuado. Enfim, é mais um apontamento para ser pensado.
    E outra, preciso defender a DC comics, pois acho que ela cumpre sim o papel mencionado sobre trazer protagonistas negros, com suas próprias historias e etc., a exemplo da Vixen, Super Choque(não apenas o da animação),novo Lanterna Verde (é outro não o Jhon Stuart,) e até a propria própria Amanda Walller, que é meio vilã. ps: vejam como quieserem, que sou DCnauta e precisava defender “uma grande empresa que tá lucrando” independente do que eu falar, ou que o cenário dos quadrinhos tá mudando e não é tão “opressor”. ps²: não me entendam mal!!

  • Anne Carvalho

    Gostei bastante do episódio, ouvi no meu caminho pro estágio e balancei a cabeça concordando com várias coisas. Acho que uma coisa que você falaram sobre Lobato é verdade, já está na hora de sumir com ele, colocar coisas melhores no lugar.

    Uma única coisa que fiquei meio grilada foi quando falaram do Jim Anotsu, eu sigo ele no twitter e pelo blog dele, sou bem fã do trabalho e da pessoa dele.

    Eu até fiquei me perguntando por que não chamaram o Jim, um autor negro, que criou o Manifesto Irradiativo que gerou um evento (no qual eu fui em SP), vendeu mais de 20 mil livros do novo dele e que além de publicar por uma editora grande (e ser muito elogiado, é só ver a resenha que a carta capital fez do Rani dele), também trabalha como editor em uma e poderia dar um ponto de vista sobre o mercado editorial e o racismo dentro dele, alguém que enxerga a coisa por dentro do mecanismo e poderia explicar como/se o racismo opera, uma coisa embasada não só pelo ponto de vista de autor, queria saber mais do mercado.

    De resto, só parabéns cabuloso pra vocês!

  • Anderson Clark

    Olá Lucien e os queridíssimos participantes desse episódio fantástico!

    Aqui leitor ávido, Biomédico, Rugbier, 40 anos de Indaiatuba- SP

    Fiquei muito feliz com o episódio, cada tópico colocado no debate me fez ponderar tudo, e as vezes até falando com os convidados como se eu estivesse na mesa, rs.

    O Fábio me incomodou em várias partes, pelo seu discurso exaltado e entusiasta , e à isso eu agradeço, porque ele foi um espelho colocado na minha frente, me colocando na situação, teria muitas atitudes e palavras como as dele, tenho esse mesmo gênio quando se trata da comunidade LGBTT (cabe aqui a sua descrição quiçá esquecida), então para sair do meu silêncio (sim, eu sou esse ouvinte silencioso) quero agradecer imensamente pelo material desse e de muitos outros episódios!!

    Abraço!

  • Ops, estou meio atrasado!

    Tema complicado…
    Bom, minha opinião é…

    Racismo, preconceito… tudo isso existe sim e eu acho que dificilmente deixará de existir. Cabe a nós tentar esclarecer e mostrar o quão desnecessário e sem sentido isso é.

    Agora, existem exageros. E eu acho isso muito visível na Internet, onde está se criando uma cultura de um falso moralismo exacerbado, onde acabam por distorcer as coisas e criar um fuzuê onde não há necessidade.
    E assim, uma coisa inocente e ingênua é trucidada e hostilizada!

    Quanto às obras que exibem o racismo, e por sua vez podem acabar incitando-o, eu acho que não devem ser banidas ou algo do tipo. Faz parte da história. Voltando ao que falei, cabe a nós esclarecer e mostrar o quão desnecessário e sem sentido isso era.

    E sinceramente, pra que precisamos citar a cor de pele de um personagem!? Isso não deve influenciar na história.

    Bom, é isso.
    E volto a falar, temos que tomar cuidado com o falso moralismo, pois ele acaba, no final das contas, incitando ao invés de extinguir.

    Abraços, queridos cabulosos!

  • Muito bom o programa. Nunca tinha ouvido o Cabuloso, vim por causa do Fábio. ahsuahsa
    Mas parabéns, me fez ter vontade de ouvir outros programas,