[Coluna] Frankenstein: a criatura sob os refletores

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Em 1818 um monstruoso livro foi publicado anonimamente em Londres, assim como anônimo era seu protagonista e tema central. A criatura trazida a vida pelo Dr. Victor Frankenstein na ficção capturou corações e mentes se tornando um sucesso de público e vendas rapidamente, ainda que sendo criticada pelos analistas da época. O Moderno Prometeu (título também utilizado no lançamento do livro) possui uma interessante história a respeito de sua origem.

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Mary Shelley

Depois da erupção de um vulcão em 1815, o hemisfério norte não teve verão devido a nuvem de cinzas vulcânicas que se formou. Durante uma temporada à beira do Lago Léman a autora, Mary Shelley, seu futuro marido Percy Shelley, o poeta Lord Byron e John Polidori (autor de The Vampyre, assumidamente uma inspiração para o Drácula), sob circunstâncias adversas para uma temporada de verão, surgiu a ideia de uma disputa entre eles, envolvendo histórias de fantasmas.  Dessa disputa nasceu o primeiro tratamento do que seria publicado 2 anos depois.

A história publicada é apresentada de maneira epistolar e truncada, sendo começada e encerrada pelo ponto de vista do Capitão Walton, um personagem que avista a criatura e que resgata o Professor Frankenstein, contando essa experiência a sua irmã na forma de cartas. No meio do romance a história é contada pelo ponto de vista do Doutor Frankenstein como este o conta ao Capitão.

O livro ainda é considerado um dos precursores da ficção científica mundial, sendo defendido por Brian Aldiss como a primeira ficção científica real, visto que não apresentava elementos fantásticos e buscava a explicação através do método científico para todos os fatos apresentados (por mais surpreendentes e incomuns que fossem). O autor Brian Aldiss é mais conhecido pela série de contos dos Super Brinquedos que originaram o filme Inteligência Artificial (A.I.) do Spielberg e pelo seu livro Frankenstein Unbound (filmado por Roger Corman) onde os fatos relacionados ao livro, e sua criação, são apresentados misturados a elementos da ficção científica contemporânea.

Nesta quinta-feira (26 de novembro de 2015) uma longa tradição se manterá com relação a criatura. Estréia o filme Victor Frankenstein referenciando essa rica mitologia mais uma vez.  Antes de me dedicar a essa obra, permitam-me apresentar os pontos mais relevantes da jornada até aqui.

Em 1910 a Edison Studios, pertencente a Thomas Edison, produz a primeira adaptação cinematográfica da obra conforme apresentada aqui.

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Christopher Lee como Frankenstein

Ainda em 1915 uma nova adaptação chamada Life Without a Soul é produzida, mas nenhuma cópia sobrevive. A partir de 1931, diversos filmes apresentando a criatura são produzidos pelo Estúdio Universal apresentando Boris Karloff no papel da criatura, nos apresentando sua forma que habita o inconsciente coletivo do enorme monstro verde (apesar do filme ser preto e branco), lento e inexorável, contrariando a forma apresentada no livro originalmente.

De 1957 a 1974 entra ainda uma relevante coleção de filmes feitos pela produtora inglesa Hammer que possui grande prestígio no mundo cinematográfico. Apresentando Peter Cushing como Victor Frankenstein e Christopher Lee como a Criatura.

FrankenweenieDiversas menções e homenagens a obra tem sido apresentadas na arte tendo como exemplos, além da obra de Aldiss mencionada anteriormente, algumas obras que me divertem muito. Abbott & Costello Meet Frankenstein de 1948 apresentando o Gordo e o Magro ao Prometeu Pós-Moderno do Arquivo X de 1997, misturando referências de Frankentein e o filme Marcas do Destino estrelando a atriz e cantora Cher. Mais recentemente temos obras como Frankenweenie de Tim Burton, que já havia referenciado a obra antes em Edward Mãos de Tesouro. Participações na série Penny Dreadful e no desenho infantil Hotel Transilvânia, ainda que não como protagonista.

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Episódio de Arquivos X que homenageia o clássico Frankenstein

Essa quinta-feira, como dito acima, se junta a esse rol de obras, e muitas outras que não couberam aqui, o filme Victor Frankenstein apresentando dois atores de grande visibilidade sendo: James McAvoy (o Professor X dos filmes recentes dos X-men) e Daniel Radcliffe (o eterno Harry Potter). A história é contada dessa vez de uma maneira, pelo menos para mim, inédita.  A tragédia será contada pela ótica de Igor, o assistente do Dr. Frankenstein, interpretado aqui por Daniel Radcliffe.

Apesar de diversas críticas negativas que vem sendo feitas ao filme, a visão original com relação ao ponto de vista (que já pode ser percebido no trailer), a presença de dois atores talentosos e o diretor de alguns episódios da série de Sherlock Holmes produzida pela BBC da qual sou fã. Por tudo isso pretendo assistir ao filme assim que puder, apesar das críticas, ironicamente negativas, como as do livro original.

PS: atenção à música do trailer que é um cover inusitado de uma música do Doors.

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  • Alvaro Rodrigues

    Devo ser muito “debouas” para as adaptações. Se fico na hype ou não, se mudam completamente a história ou não, acabo vendo, acabo gostando.

    Acredito (e posso estar falando besteira, mas é o que penso) que essas adaptações sirvam para repaginar a história, sair do “mais do mesmo”, atrair novos fãs, manter viva a alma da criação de Mary Shelley.

    Sempre penso isso, por exemplo em relação a quadrinhos. Aprendi a ler com quadrinhos antes mesmo de ir a escolinha e eles fazem parte da minha vida. Tenho e já tive inúmeros quadrinhos, de várias editoras. Li uma, duas e até mais um mesmo quadrinho, e ainda leio… E quando estreia um filme como Os Vingadores, por exemplo, meus amigos nunca leram um quadrinho sequer, mas discutem comigo sobre a adaptação cinematográfica e opinam sobre os próprios quadrinhos (não discuto pra não dar briga kkk, mas acho o maior barato) e isso é legal, ter essas discussões, pontos de vistas, etc.

    Quando a adaptação fica emblemática, como bem citada nos filmes da Hammer (e outros), nos faz agradecer eternamente a nomes como Peter Cuhsing, Christopher Lee, Bela Lugosi, Vincent Price, dentre tantos outros…

    Parabéns pela matéria e aguardemos o filme.
    Forte abraço!