CabulosoCast #149 – Realismo Mágico

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Olá Cabulosos do meu Brasil varonil e Booklovers de todo o mundo! Neste capítulo, Lucien o Bibliotecário convida Sérgio Magalhães, Anderson Henrique e Rodrigo Rahmati para elucidarem a seguinte questão: o que é o realismo mágico? E muito mais do que respondê-la, vocês perceberam que defini-la já gera uma grande discussão. Além disso também há indicações de livros neste temática para você abastecer sua estante (ou eReader). Um bom episódio para vocês!

Atenção!!!

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  • Tudo o que tenho a dizer sobre este CabulosoCast é… BOIEI! o.O

    Isto tá muito além da minha humilde capacidade literária… tô fora, viu… hahah! Agradeço a discussão, foi muito bom de ouvir… mas me abstenho de qualquer comentário!!

    E ETs existem sim, tem que existir, não tem sentido um universo gigantesco pra só ter este planetinha mequetrefe habitado!!

    Abraços!

    • Lucien o Bibliotecário

      Ricardo,

      sobre os ET’s estou contigo e não abro! I WANT TO BELIEVE!

      Sobre a discussão de você não se sentiu incluído no debate então preciso tomar cuidado com pautas futuras onde falarmos de assuntos mais teórico.

      Obrigado pela dica, meu amigo.

      Abraços.

      • Lucien,

        Depois de ler o seu comentário eu resolvi ouvir o episódio de novo!
        Eu acho que o problema mesmo é o Realismo Mágico. Ficou muito claro no episódio o quão difícil é definí-lo. E como também nunca li nada do que foi citado, acho que complica mais ainda heheh!

        Mas acho legal ter casts sobre assuntos mais teóricos sim! Pode fazer pautas sem medo.
        E quando for teórico, lembre de mim e faça discussões bem didáticas! Eu agradeço! Heheheh!

        Abraço!

        • Muitas das indicações são de contos, textos que dá pra ler em um curtíssimo tempo. Pegue alguns desses pra ler, nem que seja apenas como experiência, só para “sacar” qual é a desse tal de realismo mágico. O site releituras publicou o conto “O ex-mágico da taberna minhota” na íntegra. Em 5 minutos você faz a leitura. Forte abraço.
          http://www.releituras.com/mrubiao_magico.asp

  • Tyrone

    Muito boa discussão. Encontrei no youtube uma interpretação/leitura do conto do ex-mágico do Murilo Rubião. Se tiverem interesse.
    https://www.youtube.com/watch?v=YUZkTCg8nfQ

    • Sensacional essa interpretação do conto. Não conhecia. Está à altura do texto. Bela indicação Tyrone. Muito bom mesmo.

    • Lucien o Bibliotecário

      Tyrone,

      obrigado pelo link, será acrescentado no post do próximo episódio.

      Abraços.

  • Carlos Valcárcel Flores

    – Eis uma cidade colonial com uma forte influência católica. Na periferia, um escravo negro, o Pedro, encontraria na religião uma forma de escapar da sua cruda realidade, e pintaria a imagem de Cristo crucificado numa parede de adobe. Essa cidade logo iria sofrer um dos maiores terremotos da sua história,
    onde muitos de seus prédios foram destruídos. Milagre! Gritariam os outros escravos quando percebem que entre todas as ruínas da cidade, a imagem do Cristo permaneceu intacta. A história poderia terminar neste ponto se não fosse pela escrava Julia. Quando ela percebeu que as dores do patrão não tinham fim, e as medicinas dos médicos não ajudavam, ela falou para ele rezar frente a imagem do Cristo. “Ele é o Cristo Moreno, e faz milagres” – falou. Quando as dores do patrão desapareceram, a história do Cristo milagroso correu por toda a cidade. Trezentos anos depois, essa imagem do Cristo ainda
    segue sendo venerada. Ela é carregada por alguns fieis e é passeada pelo centro da cidade, enquanto miles de pessoas a seguem e rezam cada outubro de cada ano.

    A história é real? Tirando os nomes como Pedro e Julia, essa história poderia acontecer? Você tem duvidas se pode ser real ou não?

    Resposta: a imagem do Cristo é real, é chamada do Senhor dos Milagres, a cidade é real, é Lima-Perú. O Senhor dos Milagres é venerado ate agora, não só em Lima, existem muitas réplicas que são passeadas ao redor do mundo. Inclusive existe uma aqui em São Paulo e é venerada por uma parte da
    comunidade peruana.

    Durante sua permanência em Haiti, o escritor Alejo Carpenter disse que percebeu no cotidiano, o “real maravilhoso”. Não se pode negar, nesse pais, o rebelde Mackandal era considerado praticamente um homem-lobo por seus seguidores e existem varios mitos ao redor da sua morte.

    América Latina foi colonizada, e se nos foi imposta uma religião e outra cultura. Mas ela não chegou num estado puro. Para serem aceitas, elas foram misturando-se com nossos mitos regionais. Se estabeleceu uma mitologia contemporânea popular que permite de alguma forma essa “mágica” em nosso
    cotidiano e que logo seria explorada por nossos grandiosos escritores.

    “¿Pero qué es la historia de América toda sino una crónica de lo real-maravilloso?” – Alejo Carpenter.

    • Carlos Valcárcel Flores

      Realismo fantástico?

      Quando era criança-adolescente era bem nerd, eu lia livros que não eram para minha turma, então, a uma curta idade eu já conhecia vários
      escritores da América latina que geralmente não são estudados em
      alguns anos na escola. Eu curtia dos contos, os relatos, os fragmentos dos livros, mas nunca lia a “teoria” literária. Uma coisa que ainda lembro era que, a primeira vez que li o primeiro capítulo de Cem anos de Solidão, estava ele dentro de uma seção chamado: “El Realismo Mágico y lo Real Maravilloso” (Realismo Mágico e o Real Maravilhoso), e eu sempre chamei simplesmente de Realismo Mágico como uma forma curta. Quando escutei no episódio o termo “Realismo fantástico” achei que seria uma tradução do “real maravilhoso”, mas pesquisando em internet, percebi que o termo real maravilhoso sim existe em português.

      Depois do episódio de Cem anos de Solidão, foi a pesquisar um pouco mais sobre o realismo mágico. Isso me levou a pergunta: Qual é a diferencia entre realismo mágico e real maravilhoso? A resposta não é simples. Segundo muitas fontes, o real maravilhoso foi definido no prólogo do livro “El reino de este mundo” de Alejo Carpentier. Aqui, ele
      tenta diferenciar o real maravilhoso da literatura latinoamericana da
      chamada literatura fantástica surrealista. Para ele, o real maravilhoso seria um gênero puramente latino, regional e que ganha força devido a os mitos indígenas e das culturas africanas que chegaram à America colonial: “Y es que, por la virginidad del paisaje, por la formación, por la ontología, por la presencia fáustica del indio y del negro, por la Revelación que constituyó su reciente descubrimiento, por los fecundos mestizajes que propició, América está muy lejos de haber agotado su caudal de mitologías.” Os que seguem a definição dada por Carpentier, tentendem o realismo mágico como um gênero mais universal. Por outro lado, a definição do Gabo do Realismo Mágico (Segundo Plínio Apuyelo, em “Cheiro de Goiaba”) é muito parecida à dada por Carpentier ao Real Maravilhoso. Quando se perguntam se os leitores europeus entendem do realismo mágico as palavras do Gabo foram: “…A realidade não termina no preço dos tomates ou dos ovos…Basta abrir os jornais para saber que entre nós acontecem coisas extraordinárias todos os dias. Conheço gente inculta que leu Cem anos de Solidão com muito prazer..mas sem surpresa alguma, pôs
      afinal não lhes conto nada que não pareça com a vida que eles vivem”

      Meu voto vai para Carpenter, eu acho que o real maravilhoso é da América Latina, e o realismo mágico seria mais universal. Ainda que, muitas vezes eu misture as duas coisas. Mas, meu é o que eu acho, estão os livros indicados para que os interessados podam discutir sobre eles. Procurando em internet também achei uma dissertação titulada: “O real maravilhoso americano: Conflitos e contradições na proposta de Carpentier”, da Luciane da Silva Alves (UF de Rio Grande do Sul), para os interessados em aprofundar no tema.

      Outro livro no qual dei uma rápida revisão foi “De Gabo a Mário: El boom Latinoamericano a través de sus premios Nobel” um dos acontecimentos históricos que marcaram o chamado Boom Latino americano foi a revolução cubana. Sendo o mérito da revolução dar a ideia que existem um projeto comum em latino América e tentar diferencia-nos do resto do mundo. Entre as figuras que apoiaram Cuba nessa época foram Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa, Ernesto Sábato, Mario Benedetti, e Alejo Carpentier. Por outro lado, também temos que entender que manifestações artísticas contrarias à revolução foram
      censuradas.

      Finalmente, foi um ótimo episódio, acho difícil definir realismo mágico, mas a discussão foi interessante e gostei das recomendações, além de me levar a procurar mais informação sobre o assunto.
      Abraços

      • Lucien o Bibliotecário

        Carlos,

        belíssima explanação a cerca da diferença entre realismo mágico e realismo fantástico. Acredito que de certa forma enquanto aquele posso ser considerado algo mais universal, este é mais local (como você explicitou).

        Mas é interessante perceber que em ambas as definições não existem limites estéticos, como por exemplos, os escritores de realismo mágico escrevem diante de tais características e se fugir a tais características textuais é realismo fantástico”. Compreende, não há uma teoria que prove que esteticamente os textos são diferentes, pelo menos é o que eu noto.

        Muito obrigado por este comentário riquíssimo.

        Abraços.

  • Alan Machado de Almeida

    Parabéns pelo podcast. Tenho a mesma duvida. O mundo é real ou mágico?

    • Lucien o Bibliotecário

      Alan,

      para alguns é um pesadelo, mas para José Simão (um cronista), no caso do Brasil, “é o país da piada pronta”.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Adriana Rodrigues

    Já mandei um email, mas esqueci da recomendação!

    Marina, do Carlos Ruiz Zafón. Depois desse podcast, cheguei a conclusão de que este livro se encaixa em realismo mágico, recomendo fortemente!

    • Lucien o Bibliotecário

      Adriana,

      excelente dica. Não conhecia, mas acho relevante você ter mencionado o autor aqui.

      Obrigado pelo comentário.

  • Jean Correa

    Ouvindo esse ótimo episódio, me ocorreu uma questão: filmes como O Mentiroso (Jim Carrey), Mil Palavras (Eddie Murphy), O Todo Poderoso (Jim Carrey) e outros em que um cara escroto muda seu jeito de ser depois que lhe acontece um fato fantástico seriam obras de realismo mágico?

    • Talvez ‘O mentiroso’ possa sim o ser… Um evento fantástico, que poderia ter sido substituído, sem prejuízo para a história, por um evento realista – como uma simples decisão do protagonista de não mentir mais. Já ‘O todo poderoso’ não; é uma obra de fantasia mesmo. O filme não existe sem os elementos fantásticos. O outro eu não vi 🙂

      • Lucien o Bibliotecário

        Rodrigo,

        belíssima explanação. Não tenho mais nada a acrescentar.

        Abraços.

      • Também acho que O Mentiroso faz todo sentido. O do Eddie eu não vi. E o Todo Poderoso também me parece se enquadrar mais no Fantástico. Estamos alinhados. 🙂

    • Lucien o Bibliotecário

      Jean,

      acho que o Rodrigo elucidou a questão. Estou com ele.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • É uma discussão muito boa e pertinente. Não é a toa que é algo já vem de episódios anteriores. Acho interessante termos como esse do realismo mágico ou literatura fantástica apesar de encontrar estes elementos em outros gêneros como no terror/horror. Lembrei do livro ” O Príncipe da Névoa” de Carlos Ruiz Záfon, autor de “Marina” (citado aqui nos comentários) entre outros livros voltados mais para mistério e suspense. Em “O Príncipe..” temos o elemento sobrenatural mais como um reforço de todo o mistério e suspense característicos das obras do autor.

    • Lucien o Bibliotecário

      Marcus,

      isso mostra que a literatura não tem amarras. O que é bom, pois a arte da escrita é uma livre extensão do autor.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • A evocação do Igor foi uma grande sacada, mas eu acho que vocês mexendo com coisa séria. Eu não brincaria com essas coisas ocultas. 🙂

    • Igor Rodrigues

      Opa, ouvi meu nome? >:D

      • Lucien o Bibliotecário

        Olha ele ai! 😀

      • Ouviu, mas eu falei baixinho, pra não atrair. Rs.

    • Lucien o Bibliotecário

      Anderson,

      o CabulosoCast “ri da cara do perigo”. 😀

      Obrigado pela incrível participação.

      Abraços.

  • Vinicius

    Olá, meus amigos!

    Lucien, Novamente, vou começar com um disclaimer: eu gostei do episódio passado sim, só achei o formato escolhido um tanto inusitado para contos, o que causou certo estranhamento, mas entendo perfeitamente que foi a primeira vez suas tentando fazê-lo! Ficou bom, mas acho que poderia ser tentado algo diferente na próxima vez! =)

    Bom, prosseguindo, estou impressionado com as escolhas de Casts do pessoal que investiu no Cabuloso. Sério mesmo, todos de parabéns. Os temas escolhidos estão sempre me surpreendendo positivamente e têm sido os episódios mais proveitosos ultimamente!

    Por fim, tenho que dizer que não entendo muito (na verdade, quase nada) de Realismo Mágico e Realismo Fantástico e, como disseram os participantes, vocês conseguiram me trazer mais questionamentos do que propriamente uma resposta. O que é muito bom, pois agora posso pesquisar mais sobre o tema. Muito obrigado, pessoal!

    Grande abraço.

    • Lucien o Bibliotecário

      Vinícius,

      por isso mesmo, se você achou estranho, meu amigo, merecia sim uma resposta e saber que vou pensar e repensar para atingir um nível aceitável para o amado ouvinte.

      Eu espero que este episódio tenha surtido este efeito nos cabulosos perceber que no meio literário/acadêmico não existem certezas, mas pesquisa.

      Obrigado por ouvir e pelo comentário.

      Abraços.

  • Bruno Trajano

    Eita!
    ]Acabei de acabar de ouvir e…
    Então… Acho que tenho que ouvir de novo pra ver se dessa vez eu entendo! rskkk
    ps:
    A “minha” definição de realismo magico é: O texto que contenha ao longo da narrativa algum elemento que é considerado “fantástico/mágico”, para o leitor, mas dentro da história é tido como natural/comum e não causa qualquer estranheza.
    Flw Vlw, é o máximo que consigo hoje! rskkk
    òtimo programa by the way!

    • Lucien o Bibliotecário

      Bruno,

      você não foi o único que se queixou de não compreender a fundo este episódio, logo acho que preciso tomar mais cuidado quando trabalharmos temas mais teóricos.

      Erro do host, ou seja, meu, pois não soube deixar o programa às claras.

      Obrigado pela dica e pela honestidade.

      Abraços.

  • Alan Machado de Almeida

    Tenho esse negócio aqui para quem quiser ler. Me custou um bom pedaço da minha vida, então, sem chorumelas, vocês não vão gastar nem meia hora lendo. https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-originais-yorubba-4804898

    • Lucien o Bibliotecário

      Alan,

      Gostaria que me explicasse esse link. Não vejo nenhuma referência com o tema do episódio, logo sem uma explicação prévia irei apagá-lo.

      Abraços.

  • Patricia Souza

    Amigos Cabulosos… o que foi esse episódio?
    Não sei se foi teórico demais, ou se meu intelecto não conseguiu acompanhar, mas continuei sem entender esse negócio de realismo fantástico.

  • Olha só – comprados por culpa desse episódio 🙂

  • CG Lopes

    Lucien, foi um episódio excelente. Já falamos de new weird e realismo mágico, temos previsão para falar de José Luís Borges?

  • Que podcast maravilhoso! Passei o cast inteiro pensando em milhões de coisas, mas se tem uma pergunta que preciso fazer é: Matilda é Realismo Mágico? AHAHAHA