[Coluna] Assado abençoado

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O nosso passeio continua nas terras brasileiras. Acabamos de sair do Sítio do Pica Pau Amarelo, e vamos para o interior desse nosso Brasil. Hoje teremos dois hóspedes ilustres: o primeiro se chama Lucas e o segundo Cantarzo, respectivamente um Bento caçador de vampiros e o outro, um vampiro caçador de humanos.

Considerando que não há algo compatível com a alimentação de ambos, desta vez fornecerei duas receitas, para que possa satisfazer ambos, caso receba a visita de algum em sua residência.

Começarei com o Bento, até por ser noite o momento no qual escrevo, e é super conveniente ter um Bento em casa quando se recebe um vampiro numa visita social. Já fiz o seguro da mobília da casa e o imóvel é alugado, então é problema do dono.

Que comece a caça

Meu nome é Lucas e eu sou um Bento. Meu trabalho é bem simples, eu mato vampiros. Mas não um ou outro, geralmente eu fico na casa das centenas por dia de serviço. No meu primeiro dia no exercício da minha função, matei 430 vampiros aproximadamente. E isso deu uma fome dos infernos! É uma função extremamente muscular e logo o desgaste é enorme.

Lá na muralha, o pessoal me traz uma travessa de um assado com verduras, muito gostoso, que obviamente eu divido com a rapaziada que tá de guarda naquele período. Eu sei a receita, mas tem uma moça, que é a pessoa quem me traz a comida, muito bonita por sinal, prefiro que seja ela a fazer. Vou explicar como se faz, mas não vaza a noticia de que sei cozinhar, senão eu não a vejo com a frequência que eu gostaria.

Assado Abençoado

coelho assado

Uma receita composta por dois ingredientes básicos: uma base de vegetais e uma carne. É para assar no forno e por isso é um dos pratos mais fáceis de se fazer em absoluto.

A carne pode ser qualquer tipo que gostem: frango, cordeiro, peru, porco, boi (embora seja raro por esses lados), peixe, jacaré, literalmente o que desejarem. Algumas pessoas gostam de assar a carne num único pedaço, ou seja, sem cortar. Tem suas vantagens e suas desvantagens. Assar inteiro é mais fácil, assar em pedaços precisa cortar o pedaço de carne e dependendo da carne escolhida é chato pra cortar corretamente. Claro que nem todos tem uma espada de prata como eu, afiadíssima por sinal, mas fazer o que?

Só pra constar, eu lavo direitinho a espada depois de matar geral.

A base de verduras pode ser composta por qualquer coisa que você tiver em casa: abobrinha, abóbora, chuchu, batata, batata doce, inhame, quiabo, beterraba, tomate, cenoura, cebola, mandioca, ervilha (sim fica muito bom), cogumelos (fica campeão), alcachofra (não gosto, mas dizem que fica bom também), brócolis (sem preconceito), mandioquinha, pimentão e vagem. Citei as que eu me lembro e acredite quando digo que a minha memória é um queijo esburacado. Quem me conhece sabe do que estou falando.

Vou pegar então um exemplo, mas que pode ser qualquer combinação dos ingredientes acima. Vou ensinar um assado de coelho à caçadora.

Equipamentos necessários

  • Uma faca de lamina lisa ou de chef
  • Uma assadeira, geralmente retangular de bom tamanho, mas que caiba no seu forno (não ri não que já houve casos de gente comprando a fôrma e depois ela não entrou).
  • Uma tábua de corte
  • Um descascador

Ingredientes

  • Um coelho inteiro ou partes
  • 500 gramas de Batata
  • 200 gramas de Ervilha
  • 200 gramas de Cogumelo (shimeji escuro de preferência)
  • Uma Cenoura
  • Um Alho poró
  • 2 Tomates
  • Meio Pimentão
  • Uma Batata doce
  • 100 gramas de Quiabo (opcional)
  • Olio d’oliva ou azeite de boa qualidade (significa Grego, Italiano, ou Chileno)

Procedimento

A carne descongelada pode passar por um processo chamado marinar. Em poucas palavras, é colocar a carne de molho num líquido para que o mesmo passe um gosto especial para a carne antes de cozinhá-la. Para economizar tempo, vamos fazer o método fácil: um saco desses que se usa pra freezer, se põe a carne lá dentro, se adiciona vinho geralmente tinto com um pouco de tempero, que pode ser uma erva ou alguma especiaria como páprica. Fecha-se o saco, se deixa descansando por pelo menos uma hora, apesar do certo ser de um dia para o outro, e depois se tira o conteúdo e se despeja na assadeira. Se tiver a chance de fazer isto ótimo! Senão, eu me sinto tranquilo de pedir que ignore este passo.

A batata deve ser lavada, descascada e cortada em rodelas grossas de um dedo.

A ervilha deveria ser a fresca, mas em geral não se acha. O comum é usar a de lata. Drene o líquido antes de usar.

O cogumelo precisa ser fatiado bem fininho.

A cenoura precisa ser lavada, descascada e cortada em rodelas.

O alho poró precisa ser lavado e fatiado bem fininho. Use somente a parte clara.

O tomate precisa ser lavado e cortado. A forma em si não importa.

O pimentão deve ser lavado e fatiado.

A batata doce a mesma coisa. Lavada e cortada. Pedaços pequenos, porém.

O quiabo precisa ser lavado e fatiado em pedaços médios.

Pegue as batatas e componha uma cama no fundo da assadeira. Passe um fio d’olio levemente abundante sobre elas. Adicione o pimentão e o quiabo.

Agora vamos para a carne. Calma que eu sei que faltam ainda muitas verduras. To ciente disso.

A carne precisa ser selada. Mas o que é isso e pra que serve? É bem simples: para que o sabor fique dentro da carne, precisamos passar um óleo de leve na sua superfície e dar uma tostadinha de leve na frigideira. É um processo obrigatório para os pedaços grandes de carne, e interessante para os pequenos. Mas quero lembrar que é de leve. Isso significa que são três ou quatro segundos por lado.

Uma vez selada, a carne vai parar em cima das batatas. Coloque todas as verduras que sobraram por cima da carne. Sal e pimenta do reino a gosto. Regue com um bom fio de olio d’oliva e asse em 180 graus Celsius por uma hora mais ou menos.

Como saber se está pronto? Bem simples, olhe as batatas, se estiverem bem cozidas, macias e crocantinhas, tá pronto.

Tem gente que gosta de comer com arroz. Considerando que já tem batata em abundância, eu mesmo não apoio essa decisão. Pra mim é um prato perfeito da forma que está.

Bom, é isso. Agora vamos ver se esse chupa cabra tem algo pra acrescentar.

O outro lado da receita

Chupa cabra é o cacete! Vem cá, por qual motivo que todo Bento é babaca? Tem resposta pra isso, lata de sardinha?

A minha receita é moleza. Vou ensinar o meu café da manhã, que é na realidade na hora do jantar.

Não deixa de ser um prato de carne, e carne fresca. Afinal de contas, eu também gosto de qualidade.

Ingredientes

  • Uma presa fácil
  • Uma boa dose de terror (dá mais sabor)
  • Um copo (opcional)

Procedimento

É muito importante fazer com que a presa saiba que você está atrás dela. Afinal de contas, o terror precisa ser criado e precisa de tempo pra circular na corrente sanguínea. Em seguida, é necessário fazer pequenas aparições, ser visto olhando para a presa, mas sem atacar. Enquanto o terror cresce, derruba-se a presa. Depois brinca-se com ela. Eu sei que a sua mãe pediu que não brincasse com a comida. Mas nessa situação é obrigatório. Se desejar quebrar os tornozelos ou um braço da presa é interessante. Por último, dá-se um golpe forte na cabeça para que a presa fique tonta, porém consciente. Uma vez que tá tudo no esquema, use uma unha para causar um corte pequeno e profundo numa artéria do pescoço. Depois é só chupar com muita vontade.

Onde estão os meus modos? Vou colocar um pouco no copo.

E aí? Alguém tá servido?

Nota: Este texto é obviamente uma brincadeira, e em momento algum desejo estimular qualquer pessoa/desequilibrado (a) a fazer isso na vida real. Se achar que tirar sangue de pessoas é bom, procure urgentemente um psiquiatra.

Essa coluna é baseada na obra “Bento“, o primeiro volume da Saga do Vampiro do escritor brasileiro André Vianco. (nota da revisão)

 

 

 

  • Salve salve Klaus!!!!
    Que demais essa coluna em ritmo de Halloween! 😀

    Sobre a receita do assado abençoado: parece deliciosa! Adoro batata! ♥
    E essa é uma receita que ninguém pode falar que é difícil hein!

    Sobre a caça para a noite de amanhã… bem… acho que já passamos dessa fase. Mas, nunca se sabe! #boo

    Ah, sim! Esses dias achei o livro “Bento” numa feira do livro aqui na cidade. Me lembrei imediatamente dessa coluna incrível e fiquei com vontade de comprar! Nunca li André Vianco, mas já flertei com os livros dele desde sempre. Alguns anos atrás eu ia à uma extinta livraria do shopping só para ficar enamorando essas obras. Um dia me aventuro!

    Parabéns pelo excelente trabalho! É um prazer trabalhar com você!

    Abraços,
    Do

    • jedimdk

      Olá querida. A comida realmente é muito gostosa, e o livro do Bento é bem legal também. Em geral os livros do Vianco são bem criativos, fantasiosos. Eu gostaria que os Sete pudessem estrear no cinema, ou até mesmo o Bento, com algumas modificações é claro. Obrigado por comentar.

  • Já fiz e já comi!
    Receita simples e boa de ler e comer. =D

    • jedimdk

      Sim, é muito boa. Espero ter entretido com o texto. Obrigado por seu comentário.