[Coluna] A tal baixo autoestima

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O ser humano tem a incrível capacidade de expressar sem pudor o que pensa e nem todos, mas a maioria faz isso. Sabe aquela coisa de falar sem pensar?

Extremamente comum em (quase) todos. Ai, você vai me dizer: “Caramba, Priscila, que coisa chata. Não posso nem mais dizer o que eu penso?” Cara, poder você pode, está numa democracia e em terra de Facebook, quem soltar mais opiniões é rei.

Mas vamos falar hoje sobre algumas coisas batidas na internet ultimamente e que, espero eu, faça você refletir um pouquinho. Não precisa muito, de verdade, mas o mínimo, já me deixa feliz.

Baixa autoestima – uma realidade

Hoje em dia, temos uma forte (e feliz) tendência em cada um se aceitar do jeito que é. E também temos os críticos que reclamam disso. Esse texto tem um alto teor de desabafo, então, se não quiser ler, melhor parar por aqui. Não tem drama, não levanto nenhuma bandeira, não vou fazer apologia política. Vou escrever sobre algo que eu tenho e me incomoda e vai por mim, é (quase) uma luta diária. Temos vários meios que abordam isso: filmes, seriados, livros.

Eu não tenho nenhuma doença, mas eu tenho baixa autoestima, o que me leva a ter um desânimo maior para fazer algumas atividades, até as de cunho social. TODAS as coisas negativas me afetam, umas maiores que as outras. Eu sou ansiosa, pois baixa autoestima leva a ansiedade excessiva em muitos casos, então, sim, eu me desespero mais que muitas outras pessoas.

Mas, eu não preciso que você me diga sua opinião ou que ache que preciso (ou qualquer outra pessoa precise) ser salva.

Isso não é um manual, mas sério, precisamos falar sobre algumas coisas e muitas vezes, são desagradáveis. A vida tem períodos assim, então vamos lá. Quem nunca assistiu Bridget Jones e seu diário? Bridget tem sua autoestima altamente abalada por sua mãe e se sente inferior aos amigos/ex namoradas de Darcy. Lembra do ânimo dela pras festas de família? É assim mesmo quase que o tempo todo. Depois lembra das roupinhas super justas? Uma saída pra se sentir melhor consigo mesma.

"Eu realmente me sinto uma idiota a maior parte do tempo."
“Normalmente eu me sinto uma idiota a maior parte do tempo de qualquer forma.”

E se você acha que isso é só nos romances modernos, pode esperar aí, quem leu “Orgulho e Preconceito” da amada Jane Austen pode lembrar de Jane Bennet, aquela que casou com o (chato pra caramba) Bingley. Jane é insegura e se coloca pra baixo, aceitando o mínimo por não se achar boa o suficiente para ter mais do que aquilo.

E não tenho só exemplo feminino não, lembra de Rony Weasley?  Quando ele se olha no espelho de Ojesed se vê sozinho, segurando a taça das casas. Além de muitos irmãos e a relativa pobreza da família, Rony se vê sempre à sombra do seu famoso amigo Harry Potter. Em sua visão, Harry é melhor que ele, seus irmãos são melhores e até sua crush é a menina mais inteligente da turma! Como se sentir super bem??

rony-weasley

Se você já leu “Jogador Número 1” (de Ernest Cline e futuramente adaptado pelo sr. Spielberg!!), você vai se lembrar de Wade, o jovem caça ovo. (Se você não sabe, leia. É um livro e tanto sobre games: uma viagem maravilhosa sobre seriados, música, filmes e jogos, tem um enredo bem maneiro mesmo).

 Wade se refugia no OASIS (devido a milhões de outros fatores) e bem, quem leu sabe sobre seu avatar e o que isso tem a ver e muito com seu corpo, coisa que é algo comum em pessoas com auto estima baixa.  Mas então…

Grandes obstáculos, enormes vitórias

O que é a baixa autoestima? Ter baixa autoestima não é somente se desvalorizar, não é somente falta de amor próprio e muito menos falta de respeito por si mesmo.  São coisas que vão além disso, bem além.

Os textos que eu li na internet ligam esse tema ao fato de falta de atenção ou reconhecimento na infância (porém não é só por isso e somente isso). Sensação de inferioridade, percepção negativa de si mesmo, fobias, entre outros.

Mas gente, eu tive uma infância feliz, o que aconteceu? Muita coisa.

E o grande problema de pessoas com baixa autoestima é se comparar a outras pessoas. E isso, é uma das coisas que nós fazemos de melhor.

Só quem tem isso se compara com outros? Claro que não! Pessoas que se cobram também entram nesse item. Mas já parou pra pensar por que essas pessoas se cobram tanto?

Lembra da menina de “O Cisne Negro”? Completamente obcecada em ser a melhor, se comparando com outras bailarinas. Era a mente dela que a fazia surtar? Ou era tudo o que ela via? Medo de ser inferior? A mãe surtada também? Tantos fatores!!!

"Eu era perfeita."
“Eu era perfeita.”

 

Baixa autoestima também está ligada ao medo e isso não é uma coisa somente de mulher, homens também sentem. A pressão da mídia é um peso constante em ambos os sexos. Portanto, já podemos parar de achar que isso é só coisa de mulherzinha, né?

Legal! Indo em frente: o ser humano tem uma tendência a pensar o pior, algo muito comum, porém, em algumas pessoas isso ocorre em excesso, transformando em um ciclo vicioso, minando toda autoestima da pessoa.

Com a sociedade que lidamos, somos o tempo todo bombardeados por imagens de como devemos ser, pensar, agir. Ouvimos “dicas” do que fica melhor na gente, do que temos que fazer, mas… Será que isso é realmente o certo? Ou dá certo? A receita não é a mesma para todos.

Nesse ponto você está se perguntando se o que dissemos e o que pensamos tem a ver com baixa autoestima. Pensa comigo: Essas pessoas não sabem o valor que elas têm muitas vezes em nenhuma área e essa dificuldade é expressa em vários gestos.

“Agora você quer que eu sinta empatia por quem tem, ou seja, meio mundo?” Não. Mas a gente pode começar a pensar antes de falar. “Mas fulaninho precisa saber que ele pode fazer tal coisa.” Você sabe se a pessoa quer fazer isso? Você acha que isso é o melhor pra ela, mas me diz, alguém gosta quando outros dizem o que deveria ou não fazer, caso não tenha perguntado??

Não, amigues, ninguém gosta e é nesse ponto que devemos pensar. Se eu disser isso, estarei acrescentando algo positivo na vida do individuo? Se a resposta for sim, faça. Se ficar em dúvida, seja sábio, não exponha. Não vou nem comentar se você pensou em “não”.

A arte expressa

 Augusto Cury tem ótimos livros a respeito dessa temática entre tantos outros, incluindo até um sobre ansiedade.  Se tem uma coisa que eu li e tenho que ler sempre pra me lembrar nos livros dele e em muitos outros livros, é que tudo depende de tempo, calma e perseverança, apagar de vez os pensamentos negativos da sua mente.

“Isso também tem a ver com falta de força de vontade.” NÃO.

Nem vá por esse caminho: a pessoa quer, mas o psicológico complica tudo, imagina querer levantar da cama e vem algo batendo com força te fazendo deitar, não te deixando levantar de jeito nenhum. Cada momento vem de um lugar diferente. É quase isso. Exige tempo, estratégia, compreensão e muita muita força (não física), o que falta quando se trata de psicológico.

Uma música do Panic! At The Disco diz o seguinte: “Words are knives and often leave scars” (“Palavras são facas e geralmente deixam marcas”) e é esse o problema em expor o que você acha que é certo pro outro e o resultado. Sempre acabamos gravando o negativo em nós. Podemos acreditar que isso é bom, podemos acreditar que se fosse com a gente, é o que gostaríamos de ouvir, quando na verdade não suportamos de jeito nenhum a verdade. Afinal, você acha que as pessoas vivem repetindo que a verdade dói porquê a frase é bonitinha?

Não adianta dizer para a pessoa que ela é ótima, incrível, melhor pessoa do universo. Ela não acredita, pois ela não se sente assim. E infelizmente, isso é uma batalha para uma pessoa só. Pode ser sim compartilhada, entretanto isso é mais pessoal. Não há nada que os outros possam fazer.

Bem, há:

Não trate a como se ela tivesse uma doença terminal, não diga o que pode fazer pra se sentir melhor, não a compare com outras pessoas (não a compare com outros amigos, NUNCA), não menospreze vitórias sejam elas pequenas, médias, grandes ou insignificantes para você. Mas faça (você deve, na realidade) essa pessoa se sentir bem, melhor.  Isso é algo que podemos fazer e assim, duas pessoas ou mais sairão felizes. Inclusas.

Baixa autoestima não ocorre só em pessoas gordas, baixas, magras demais, altas demais. E são muitos os fatores que se torna praticamente impossível de listar, não há idade para isso e é diferente de não se sentir bem de vez em quando.

Acredite, eu luto quase que 24 por 7 para me sentir bem e em dias, é batalha perdida mesmo, nem minha melhor amiga dançando o tchan com pudim na mão me anima. Mas isso não a faz de desistir e é por isso que a amo.

Muitas vezes também, uma frase dita por alguém que eu me importe acaba trazendo tudo morro abaixo. Queria que todos fossem assim que nem ela e outros muitos amigos que tenho, mas não dá. A única coisa que dá é tentar fazer outros enxergarem o quanto isso é difícil para todos os envolvidos.

Todos os personagens têm um bom final. Existem muitos outros e cada um com seu tipo de problema, o importante é que com tempo, eles conseguiram se resolver e melhorar. Todos podem, mas observem só: quais deles conseguiram completamente sozinhos?

Gostar de si mesmo requer força do seu interior e acreditar nisso pode ser o que falta em boa parte do tempo. Nem sempre será um mar de rosas, não acontece de um dia pro outro, é gradual.

Como boa parte das coisas que requerem crescimento.

Cada um tem sua batalha interior e boa parte do dia, temos muitas batalhas internas acontecendo e não podemos esperar que todos entendam. A mudança é mais de dentro pra fora do que de fora pra dentro, acontecer primeiro de fora para dentro, acontece, mas será que adianta mudar o exterior e deixar a casa interna a confusão que está?

Boa reflexão daí que eu vou continuar pensando daqui. Até mês que vem!

P.s: os exemplos dados devem ser levados em consideração momento da história, fatores externos e internos. Não quer dizer que esse seja o único problema do personagem.

Pode ler ouvindo: Breath Me  Sia ~ Ghost Ella Henderson ~ Love Myself Hailee Steinfeld ~ Pain Three Days Grace ~ A place for my head Linkin Park ~

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Priscila. Vinte nove anos. Quase Trinta. Potterhead. 1.55 cm. Chocolate. Star Wars. Stardust. Starbucks. Los Hermanos. Senhor dos Anéis. História Sem Fim. twenty one pilots. Meg Cabot. Clã dos Magos. Maze Runner. Seriados. O Morro dos Ventos Uivantes. Doctor Who. Lilás. Princesa Jujuba. P!atd. Jane Eyre. Música. Livros. Lápis de cor. Nem tudo nessa ordem, falta mais coisa nessas coisas. Neil Gaiman me ensinou a maior lição de vida que poderia carregar: “Livros são mais confiáveis do que pessoas”.

  • Júlia Robadey

    O problema da baixa autoestima ainda é visto como algo bobo, algo a ser superado de uma hora pra outra. Ninguém entende o motivo de ser tão difícil sair de casa às vezes. Acho que é aquele problema de não querer entender o outro. O mesmo acontece com a depressão, mas acho que aí seria outro texto.
    Parabéns pelo texto, Priscila! Que muitas pessoas possam ler e entender um pouquinho dessa batalha diária.
    PS.: O Bingley não é chato pra cacete! Chatas são as irmãs pentelhas dele! haha #teamcharles

    • Priscila Godoy

      Obrigada pelo comentário, Júlia. Exatamente isso. Somos sempre obrigados a superar como se fosse fácil, mas tratar do psicológico é complexo, gradual e perseverante. Um dos sinais de depressão é exatamente esse e se tudo der certo, futuramente falo sobre isso também. Sobre o Bingley: vamos falar das irmãs Bennet hahahhaa

  • Aline Pereira

    Li exatamente o que vivo…e li ouvindp faint, linkim park…rs