[Notícia] Martin defende cena de estupro em Game of Thrones

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Atenção: essa notícia contém spoilers da quinta temporada de Game of Thrones.

Game of Thrones, a série da HBO que adapta para a TV as Crônicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin sempre foi rodeada por polêmica com relação a cenas de violência sexual, incomuns no gênero de fantasia. O último caso aconteceu em um episódio recente da série, em que Sansa Stark, interpretada pela atriz Sophie Turner, uma das personagens principais da série é vítima de um estupro.

Ao longo da história, tanto da série como dos livros, várias personagens, como Cersei e Daenerys já passaram por tal violência. O caso de Sansa foi o que chamou mais atenção até agora porque a cena não acontece nos livros, o que pegou todos os fãs de surpresa.

Depois de receber pesadas críticas pela internet, Martin veio se defender em entrevista para o site Entertainment Weekly:

Meus livros refletem uma sociedade patriarcal baseada na idade média. A idade média não era um tempo de igualdade sexual. Disse o autor.

Irão aparecer pessoas que vão dizer: ‘bem, ele não está escrevendo algo histórico, ele está escrevendo fantasia – ele colocou dragões, ele poderia ter feito uma sociedade igualitária’. Só porque você usa dragões, não quer dizer que você possa colocar qualquer coisa que você queira… Eu queria que meus livros fossem fortemente fundamentados em história, e que eles mostrassem a sociedade medieval como ela era. E eu também estava reagindo a muito do que é feito em ficção de fantasia. A maioria das histórias de fantasia retratam o que eu chamo de ‘Disneylândia medieval’, há príncipes, princesas e cavaleiros em armaduras brilhantes, mas elas não mostram como essas sociedades realmente eram e como funcionavam.

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O autor completa dizendo: Eu estou escrevendo sobre a guerra, o que é a respeito do que quase todos os épicos de fantasia fala. Mas se você vai falar sobre a guerra e só quer incluir todas as batalhas legais e heróis matando um monte de orcs, e coisas assim, e não retrata [violência sexual], então existe algo fundamentalmente desonesto a respeito disso.

Via EW

  • Alan Machado de Almeida

    É a porcaria do revisionismo histórico, o mau hábito de se mudar um evento do nosso passado que é incomodo para que nossa história fique mais bonitinha. Os livros de história que nossas crianças estudam na escola são cheios deles. George Martin está ceticismo. Ademais, duvido que ficção ou até mesmo pornô estimule estupro.

    • Não digo que chegue a tanto, o próprio revisionismo histórico deve ser analisado como tal, enquadrando-se dentro de sua própria estrutura. Os livros de história eram cheios de histórias bonitinhas na época ditatorial brasileira, por exemplo, contudo atualmente existe a cultura de se olhar para a vítima e não apenas para o vencedor. Esse processo também faz parte da construção histórica.
      As Crônicas de Gelo e Fogo não são uma obra histórica. São literatura que bebem sim de um pouco de fatos, mas todos os livros, sem exceção são produtos de seu próprio tempo e baseados em fatos reais, seja de qual gênero for.
      Não vejo também que Martin “defendeu a cena”. O que ele disse é simples: o que hoje é estupro, há centenas de anos atrás (e olha que não indo muito longe, na época de vovó mesmo) era considerado como obrigação de macho para fêmea: o homem deve provar sua virilidade e a mulher deve ser obediente, submissa, deve servir ao seu marido (afinal, se ela não fizer isso, outra faz!).
      De certa forma é bom saber que causa indignação, mostra que as pessoas estão se tornando mais conscientes e respeitosas, lutando pela igualdade sexual, fundamental para o bom funcionamento da sociedade atual.
      Por fim… entendo contigo Alan que não deveria estimular, contudo, para uma mente desviada tudo pode ser usado para o lado errado. É complicado….

      • Altemar Gavião

        Concordo plenamente com tudo. principalmente quando você fala que ficar revoltado é bom, é sinal que as pessoas não tem mais tolerância a esse tipo de violência e isso é um bom sinal. um sinal de mudança.