CabulosoCast #127 – Desmistificando o Mercado Internacional

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Olá Cabulosos do meu Brasil Baronil e Booklovers de todo o mundo! Neste capítulo, Lucien o Bibliotecário recebe Igor Rodrigues, Fábio Barreto e Fábio Fernandes para desmistificarem vários mitos criados em torno do mercado literário internacional. Será que lá fora existem mais leitores? E quanto aos escritores, será que a grande maioria consegue viver apenas de literatura? E como fica a distribuição, as livrarias, as bibliotecas? Os cabulosos responderão a estas e outros questionamentos. Um bom episódio para vocês!

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  • jedimdk

    Klaus
    38 anos
    Sobradinho DF
    Lendo- Exorcismos, amores e uma dose de blues do Erik Novello(ainda não to empolgado com o livro, to com medo de acordar de madrugada e ver a cara do Lucien no escuro me perguntando as minhas razoes)

    Ótimo cast, como de costume. Concordo plenamente com o conteúdo e gostaria de adicionar alguns dados.

    Não tenho vivencia nos EUA, logo falo pelo o que pude realmente notar.
    Na Holanda as pessoas leem bem, As bibliotecas são bem frequentadas e rola bastante o consumo dos livros de polpa, aqueles de baixo custo.
    Na Alemanha, apesar de ter morado numa cidade universitária, e no leste do país, o que agrava um pouco a situação, não vi muitos leitores, tirando é claro alguns universitários. Nunca vi livros à venda fora das livrarias clássicas, o que eu via mesmo vender bastante são essas revistas de baixo calibre, tipo fofoca e conteúdo mais boboca mesmo.
    Na Áustria vi mais livros à venda mas nem tantos leitores assim, parece que o pessoal gosta mais de passear de bicicleta pelas montanhas. Talvez no inverno leiam mais, no entanto eu estive la no verão e posso falar somente por aquele período do ano.
    Na Suíça a mesma coisa que na Áustria. Nada muda.
    Na França e na Itália é que a coisa vira zona mesmo. Vi algumas livrarias, mas não vi com frequência livros e seus leitores nas ruas ou nos parques ou lugares públicos. As bibliotecas na Itália pelo menos são pouco frequentadas e os livros são ultrapassados. As pessoas em geral falam quase sempre dialeto, pelo menos no norte, e mal falam a língua oficial, por isso ler mesmo é um sonho ainda distante. Os livros são razoavelmente caros e não tao variados. Copiam ou traduzem muito do que vem dos EUA, e a produção nacional fica por conta das comédias, livros para adolescentes e o famoso livro para o verão. (media de leitura de um livro por ano)
    O que sacaneia bastante a situação no Brasil é o baixo poder aquisitivo médio. Se tá difícil manter a dispensa de alimentos mediamente cheia para saciar o corpo, pior ainda saciar a mente.
    Pra muita gente, pagar trinta reais (preço médio) num livro, é ainda algo impensável. Ainda mais num país onde o tomate chega a custar oito reais o kg. Onde um kg de gengibre já chegou a ser exposto no Extra Supermercados por 82 reais.
    Para os autores já consagrados e os novos, acho que para criar o habito de leitura no povo, tem de arrumar maneiras de abaixar o preço para o consumidor final. Não tem outra forma.
    Livro hoje no Brasil ta que nem aquela verdura cara e boa, mas por ser verdura acaba sofrendo de vários preconceitos e não vai parar onde mais é necessária.
    Talvez se existisse um marcado de áudio livros mais presente, facilitaria muitíssimo a divulgação do habito de ouvir e ler um bom livro. Pois para um povo que trabalha tanto como o brasileiro, ganhar tempo é importante. Se os livros que desejo existissem em áudio, eu passaria o meu dia inteiro só ouvindo essas historias maravilhosas. Da mesma forma que faço com os podcasts. Ja tem mais de um ano que eu não sei o que é ouvir musica no iphone. Se eu saio de casa sem meu fone de ouvido, eu volto pra buscar. Simples assim. Vou na padaria, vou para 500 metros de distancia, levo o fone de ouvido e sempre escutando. Absorvendo, aprendendo, abrindo meus horizontes. Agora, imaginem se fosse mais fácil achar áudio livros…
    Em um cenário assim, se alguém me perguntasse se eu leio livros, a resposta seria: quer os títulos em ordem alfabética ou cronológica?
    Bom, é isso. Obrigado pelo cast e vida longa e prospera.
    Deixo explicita aqui e agora a vontade de um cast sobre GOT.

    • Igor Rodrigues

      Tô contigo Klaus. Preço baixo, variação de formatos (áudio, capadura, brochura, pulp e ebook), melhor marketing, cross media e mais o que for necessário para disseminar o livro como forma de entretenimento, afinal ele compete com outras coisas que tem muito atrativo pra geração atual.

      • Lucien o Bibliotecário

        Igor,

        Tá me soando um tal episódio que gravamos que vai dar o que falar, hein?

        Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Klaus,

      De antemão já disparo: MUITO OBRIGADO POR ESSE PANORAMA ATRAVÉS DE PAÍSES QUE NÃO CONTEMPLAMOS NO EPISÓDIO. MUITO BOM MESMO!

      Acho que você tocou no ponto vital da conversa. Poder aquisitivo e preço. Não apenas para ebooks como falou o Vinícius mais acima, mas também para o livro físico.

      Acredito que o autor precise trabalhar isso mesmo. Trabalhar o livro a ficar economicamente viável para o leitor.

      E sobre áudio livros, ainda é escasso no Brasil e os poucos que achei consumo de forma quase visceral.

      Obrigado pelo comentário (e que comentário, nobre amigo).

      Abraços.

  • Vinicius

    Olá, pessoal do Cabuloso Cast!

    Meu nome é Vinícius Gomes, tenho 23 anos, sou estudante e estou lendo Flush, da Virginia Woolf.

    Primeiramente tenho que dizer que gostei muito desse episódio “mamilos” (nas palavras do Igor), com toda a sua polêmica e debate acerca desses mitos que observamos em relação ao mercado editorial estrangeiro. Embora seja ouvinte assíduo do programa, e muito fã também, confesso que tive a mesma impressão que o outro ouvinte que comentou com vocês na leitura de e-mails neste programa a repetição no contexto de tentar definir um tipo de literatura específica no Brasil. Não me entendam mal, os episódios foram muito bons, mas, num contexto geral, parecem que tinham um objetivo, mas que foi perdido e tornou o debate e a discussão genéricos demais.

    Bom, agora falando deste CabulosoCast. A verdade é que o que vemos aqui no Brasil, ou melhor, o que chega até nós vindo de terras gringas é só o que já deu certo, e, embora haja um caminhão de sucessos literários, devemos observar que não são de um mercado específico, tampouco de uma época única, ou seja, somos levados a crer que os autores estrangeiros são fatalmente bem sucedidos pelo simples motivo de escreverem em mercados mais prósperos. E, como o Igor bem mencionou, isso não acontece. Há muito autor merda, há muito autor simplório, há muito autor bom que nunca iremos ter contato, e por aí vai. E eu nem irei entrar na questão de diferença cultural e a facilidade de autopromoção e marketing pessoal que está incutido no cidadão americano, por exemplo.

    Os comentários inflamados e bem pontuados pelos Fábios (confesso que me confundi quem era quem nas falas) explicitando que no Brasil não temos um mercado para autores nacionais foi muito bem aplicada, porém genérica, embora eu concorde (confuso, não?). Acho realmente que não valorizamos (coloco aqui o consumidor, principalmente) a produção literária nacional, tampouco temos um filtro decente (bom, podemos dizer que estamos caminhando nesse sentido) e nos deparamos com preços altíssimos e descasos absurdos. E, apenas para pontuar, devo dizer que concordo com o Lucien, com esse complexo que nós temos em achar que o que é mais caro é melhor. Já debati como o Ezequias e o Igor no grupo do Cabuloso Cast do Facebook a respeito dos valores descabidos dos e-books no Brasil, e como a prática afasta os leitores digitais E TAMBÉM os leitores de livros físicos.

    Mas, bom, não vou acrescentar mais. O episódio foi muito longo, complexo e bem completo. Parabéns por todos os participantes e seus comentários bem elaborados, o debate e o episódio foram muito gratificantes e contou ainda com ótimas dicas!

    Grande abraço!

    • Roman Schossig

      Bem colocado, Vinícius. Como o que temos acesso da Literatura euro-americana é o que já deu certo lá, acabamos com a impressão de que existe um Dante Alighieri em cada esquina na Europa, e achamos que escritor ruim só existe por aqui.

      • Lucien o Bibliotecário

        Roman,

        Pois é. Sem falar que nosso filtro com relação ao que vem de fora já existe, né? (Um pouco defeituosos às vezes.) Pois nenhuma editora pagaria rios de dinheiro por um fracasso editoral só porque é literatura estrangeira.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Vinícius,

      Excelente toque. Prometo que as pautas futuras serão sem sombra de dúvida passarão por cima dessa temática. Não quero ficar martelando uma mesma ideia só porque dá comentário ou downloads não quero cair nessa armadilha e agradeço muito pela dica.

      Nos acostumamos a pagar caro pelo que consumimos devido ao absurdo de impostos que pagamos e, acredito piamente, que criamos esse hábito de que o que é caro é melhor. “Se você quer algo bom, precisa pagar caro”. Já escutei isso muito de pessoas próxima a mim.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Albarus Andreos

        Além disso, Lúcien, lembre-se que quando quiseram baixar os preços do livros digitais, as comissões executivas do Ministério da Educação até concordaram, mas os leitores de livros digitais não tiveram redução de preço por isenções pertinentes ao objeto livro, por pura pressão do lobby livreiro. Com isso, livro digital tem status de software e não de livro! Livro deveria ser livro não importando sua forma, concorda?

  • Renato Dantas

    Renato, 34 anos, São Paulo, lendo Mistborn: o Império Final do Brandon Sanderson

    Muito legal esse episódio. Acho que não tenho muito a acrescentar, visto que meu conhecimento de mercado literário, seja nacional ou internacional, é quase nulo. Mas percebo que em tudo, seja literatura ou não, rola meio que esse “mimimi” e “coitadismo” de “lá fora é melhor”. Acho que no fundo a questão é que “não tá fácil pra ninguém”, lá fora o mercado pode ser mais forte e tal, mas mesmo assim você ainda tem que ralar muito, ser bom e ser profissional para conseguir alguma coisa.

    Ah, e queremos Crônicas de Gelo e Fogo!

    • Igor Rodrigues

      Cara, como eu disse, o mercado lá fora é mais desenvolvido? Muito. E pela mesma razão muito mais concorrido. Eu por exemplo prefiro a ideia de desenvolver nosso mercado – que ainda é anão, mas tem potencial pelo tamanho da população – do que me aventurar a publicar em inglês competindo com nativos. Acho válido quem queira, só que não acho mais fácil ter sucesso e pode ser até mais difícil para falar a verdade.

      E fora que mesmo para os escritores bem-sucedidos não rola essa grana toda.

      • Lucien o Bibliotecário

        Igor,

        Tá ai, um ponto de vista que não fico explícito ao longo do programa. Você pode até publicar lá fora, mas não significa que será mais fácil ou que seja garantia de sucesso.

        Muito obrigado por enriquecer o nosso debate nos comentários, meu amigo.

        Abraços.

      • Albarus Andreos

        Igor, na minha opinião, acho bem plausível um “E por que não?”. É claro que tentar entrar no mercado de língua inglesa pode ser complicado, há mais concorrência, mas fala-se muito mais inglês no mundo que português, também. E quando você é um escritor e já mandou seu livro para 20 editoras, três ou quatro vezes, então não tem muito mais que esperar. Você acaba fazendo coisas que não seriam uma opção caso tivesse sido publicado com mais facilidade. É uma paranoia terrível! Começa a pensar em traduzir seu texto, fazer a ilustração de capa de seu livro, criar um RPG com a história, criar um idioma para os esqueletoides (mama mia!) e por fim se enforca. Seria legal o escritor saber que pode aproveitar melhor esse tempo lendo, lendo mais e lendo mais um pouco! Então, esquecendo um pouco o texto já terminado e escrevendo outro. Depois, revisando o texto anterior e o outro e o outro e o outro e o outro… E lendo, lendo mais e mais…

        • Igor Rodrigues

          Sim, concordo que não há mal em tentar, só coloco uma visão pragmática da coisa baseada na análise de mercado. Não é impossível dar certo, só mais difícil até por razões de técnica de escrita, domínio do idioma, etc. A ideia é varrer alguns mitos que cercam a conversa, coisas como “ah, mas aqui o escritor não vive do seu livro, lá fora sim ele é valorizado e recebe bem” e “o mercado é mais receptivo”. Essas afirmações passam longe da realidade, o mercado paga proporcionalmente mal e é agressivíssimo. Inclusive as maiores editoras não aceitam manuscritos diretamente do autor, tem que ser por agente literário, olha que coisa!

          Há vantagens (tamanho do público nativo e ESL, mais de um bilhão), mas é sempre bom ter um retrato realista. Mas pra quem tá na tempestade qualquer porto serve.

    • Lucien o Bibliotecário

      Renato,

      Em suma, esse foi o objetivo do CabulosoCast reduzir o “mimimi”. Eu também não compreendia nada, por isso chamei gente gabaritada.

      Eu pensei agora, além do não tá fácil para ninguém acho que conta o “a grama do vizinho não é tão verde assim”.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Francesca Abreu – Manu e Nelle

    parabéns pelo cast. parabéns pela escolha dos participantes, gosto muito do Barreto desde a época do rapaduracast. estranhei não estar citado, enfim. o pagando teve uma cortes na edição que foram bem gritantes. deu para perceber. mas o conteúdo abordado deve ser interessante para quem quer ser escritor e quer publicar também.. não acho que ficou com a pauta bagunçada.

    • Lucien o Bibliotecário

      Francesca,

      Teve uns cortes gritantes? 😀 Cê achou? Não sei se está se referindo ao fato do Barreto e o Fernandes estarem em momentos diferentes do programa.

      Agradeço como sempre o carinho que tens para com o Cabuloso e não precisa se preocupar o Barretão voltará mais vezes, já que também sou fanzaço dele.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Roman Schossig

    Roman Schossig
    34 anos
    Professor(há uma semana com gosto de spray pimenta na garganta)
    Curitiba
    Lendo “O Inverno de Nossas Desesperanças” de Steinbeck.

    Excelente episódio. Soltaram o verbo e é isso que precisamos ouvir. Como digo, tapinha nas costas não faz um escritor. Mas para isso, a crítica precisa fazer sua parte. As pessoas precisam ler e comentar com embasamento.

    Foi bom também desmitificar várias das lendas sobre a Literatura e mercado no exterior.

    Quanto a questão dos traumas literários, tantas vezes martelados por convidados e comentadores, vamos com calma. Do jeito que falam, parece que ficaram amarrados numa cela úmida com uma 12 apontada para a cabeça deles e sendo obrigados a ler Machado de Assis sem pausa e na base na chicotada. ISSO geraria trauma. Curioso, nos mesmos anos da escola em que nos empurram Machado de Assis também temos aula sobre sexualidade: ninguém fica com trauma de sexo por causa disso. O sujeito que reclama dos traumas literários não costuma ter traumas dos ritos de passagem e aceitação a que foi imposto na adolescência(e vocês sabem aos quais me refiro). Pelo contrário, enche a cara todo o sábado, passa o domingo na ressaca e nunca pega trauma de cerveja por conta disso. Outros ficam grudados em jogos eletrônicos até passarem mal, mas também nunca ficam com trauma deles assim que melhoram.

    • jedimdk

      errou feio

    • Fábio M. Barreto

      Não é questão de ter uma 12 apontada para a cabeça ou não, mas sim ser exposto a um sistema feito para pressionar a leitura das mesmas coisas, com professores (na minha época) preconceituosos contra qualquer coisa que não fosse clássica e provas que só pediam isso. Mesmo assim, escapei por conta própria e já lia Dickens na sétima série. acho que meu primeiro gringo foi Alice no País das Maravilhas na quinta série, ou algo assim.
      Traumas vem de outras fontes e formas. Do que adianta ler 15 livros num mês se a prova, que é o que vale, só vai pedir a história que você menos gostou ou teve interesse de ler, pois só ela é considerada relevante?
      Não entendi seu paralelo em relação a encher a cara e tal.
      Cada um passa pelos ritos de passagem relativos à própria vida e escolhas, é difícil querer qualificar o rito em si, afinal, algo bobo para mim pode ser a pior das provações para você. Como não tive aula de sexualidade, nunca enchi a cara em bar e jogo videogame até hoje (será que não seria reflexo do trauma de nunca ter podido jogar quando era garoto, afinal, eu precisava ler e estudar?!), realmente me perdi no seu paralelo.
      Traumas e ritos de passagens são inerentes a cada pessoa e, inevitavelmente, todo mundo passa por isso. Conheço gente que reage de forma oposta a ter que ler literatura estrangeira. Uma amiga minha é apaixonada pela literatura brasileira ao ponto de rejeitar tudo que vem de fora. São os dois lados da mesma moeda. Quais serão os traumas dela? Alguém a obrigou a ler C.S. Lewis e ela ficou assustada com o Aslan? 😉

      • Roman Schossig

        Você está certo, Fábio Barreto. O sistema é complicado… Mas é o sistema. O professor pode quebrá-lo mas dependendo da escola será cobrado por isso.

        Concordo também em como uma solicitação mal formulada de livros pode dar maus resultados. Tem colégio por aqui que dá o “São Bernardo” de Graciliano Ramos para alunos de 8ºe 9º ano. Acho absurdo. Se eles lerem, não vão entender, e realmente vão tomar a Literatura, principalmente a brasileira, por algo chato e enfadonho e por um bom tempo não vão mais querer saber disso.

        A questão que eu levantei é como as pessoas expressam isso. O termo “trauma” e toda a encenação algo bombástica que muitos fazem soa exagerado. Uma coisa é você comentar que demorou para gostar de Literatura por conta das imposições feitas na escola, outra é fazer estardalhaço ruidoso pelos quatro cantos do mundo sobre o como você sofreu por causa disso, utilizando-se de toda a sorte de adjetivos e superlativos. Parece depoimento de quem sofreu tortura em regime totalitário. Entende? Falo de dosagem apenas. (de repente trocar “trauma” por “aversão” já soasse mais adequado)

        Aliás, acho que você realmente perdeu o paralelo dos “traumas” e ritos, mas o mais provável mesmo é que eu não tenha me feito entender.

        De qualquer maneira você tem razão. Cada um é cada um e reage de maneira diferente. Eu mesmo frisei lá em cima: “O sujeito que reclama dos traumas literários não costuma ter traumas dos ritos de passagem…” não costuma.

        • jedimdk

          que bom que percebeu a bobeira que escreveu antes. cada pessoa é diferente, e não sabendo o que ocorreu na vida de cada uma delas, não se fala assim a ao acaso.

          • Lucien o Bibliotecário

            Klaus,

            Mesmo tendo se expressado mal, ele não ofendeu ninguém e como disse acima acredito que o paralelo seja outro.

            Abraços.

        • Lucien o Bibliotecário

          Roman,

          Assisti a uma palestra onde o professor falou uma coisa verdadeira que ninguém nunca chegou a porta da minha sala para questionar meu método de ensino. E é verdade. O professor pode subverter as regras, pois se pararmos para pensar ninguém está olhando.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

          • Roman Schossig

            Acho que depende muito da escola, Lucien. Realmente no estado temos bastante liberdade. Gosto muito disso. Em muitas particulares também… Mas há daquelas grandes redes que atuam mais como uma fábrica do que como uma escola. Nesses casos a história é outra. Os livros são já solicitados no começo do ano e para todas as escolas daquela rede de ensino. Se o professor não trabalhar o livro que muitas vezes não foi nem ele que propôs, chovem pais histéricos vindo reclamar que gastaram seu dinheiro à toa.

      • Lucien o Bibliotecário

        Barreto,

        Acho que o que o Roman está falando sobre a bebida é sobre o desperdício de tempo. Acredito eu que houve uma confusão.

        Eu já falei isso, mas em outro sentido. Quanto ao valor do livro. O cara consome uma boa parte do salário em bebida, mas quando falamos em comprar livros o mesmo diz que é muito caro.

        Sei que não foi o que ele disse, mas acredito que ele tenha se confundido.

        OBS.: Muito obrigado por participar dos comentários, eu sempre aprecio quando o convidado vem e interage com os leitores do site.

        Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Roman,

      Em primeiro lugar, meu amigo, todo o nosso apoio a luta dos professores ai no Paraná. Sabemos que vocês estão lutando por todos.

      Sobre os “traumas” não é quando a forma como é feito, mas o que é passado para os alunos. Como o Barretão falou durante o episódio não se produziu nada depois de Machado de Assis, Lima Barreto e Clarice Lispector?

      Fora que o Enéias Tavares no episódio sobre Steampunk também falou de um ponto importante. Ao ensinar “história da literatura” não estaríamos tirando o foco do que realmente importa que é fazer de nossos estudantes leitores?

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Roman Schossig

        Essa é uma questão importante. Realmente, o que se produziu depois desses clássicos? Essa aversão ao cenário literário atual em certa medida é culpa da academia, como foi comentada mesmo no cast. Nós temos na universidade algumas cadeiras sobre Literatura Contemporânea(fiz uma cadeira de Literatura Marginal na UFPR, por exemplo). Mas gêneros como fantasia ou steampunk são simplesmente ignorados. Eu mesmo, quando fiz o curso de Letras, propus uma monografia sobre a Literatura de “High Fantasy” no Brasil no início do século XXI.. Ao que meu orientador respondeu “Nem sabia que existia disso no Brasil”. Tenso!

        Ah, obrigado pelo apoio!

        • Albarus Andreos

          Roman, é triste quando vemos nossos professores desvalorizando o que deveria ser a sua própria função. Quando fiz minha pós-graduação em Língua Portuguesa Voltada a Formação de Leitores, um dos meus colegas disse que não lia um livro há sete ou oito meses! Como que um professor de português não lê um livro há sete ou oito meses?????? Como vai ensinar a ler se não lê??? Por que estaria fazendo uma pós-graduação em Língua Portuguesa Voltada a Formação de Leitores se o desgraçado não sente falta de ler???? A resposta é que tinha que corrigir muitas provas, que tinha que dar aulas em três escolas ao mesmo tempo, que tinha de se preparar para cursinhos online que aumentariam seu salário, etc. Então… Não surpreende que um professor orientador nem saiba que tem high fantasy no Brasil. Alguma vez procurou saber? Teve curiosidade que fosse? Aliás, não me surpreenderia se ele nem soubesse o que é isso. Lamentável (chorando aqui).

          • Fábio M. Barreto

            Quando levei o primeiro livro de Fantasia pra casa, minha mãe achou que eu estava cultuando o demônio! (sério!)

          • Albarus Andreos

            Quase o mesmo comigo, Fábio… conhece um livro chamado A Rebelião de Lúcifer, de J. J. Benítez (aliás, uma bosta)? Pois é. Imagina esse livro em cima de minha mesa no trabalho. Teve gente que parou de falar comigo!

  • Bruno Lins

    Bruno Lins, 26, Recife, Analista de Sistemas
    Lendo “Viva o Povo Brasileiro” e “A lição de anatomia do temível Dr. Louison”

    Lucien, como você mesmo falou no final do episódio, mais uma aula!!!

    Mas também que equipe hein? Os hosts dos meus podcasts preferidos, o Fábio Fernandes que eu ja escutei no sensacional episódio sobre ficção científica do Anticast e autor de Os Dias da Peste, que li depois de um episódio do Drone Saltitante (na época ainda era o The White Robot), e o Fábio Barreto que nunca canso de escutar suas participações no RapaduraCast e com Filhos do Fim do Mundo já minha estante só aguardando sua vez chegar. Ou seja, só referências boas!!

    Gostei demais do episódio e que venham mais aulas!!!

    • Lucien o Bibliotecário

      Bruno,

      Foi uma aula para mim também. Saiba que a sua admiração pelos convidados é recíproca.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • adorei o tema =D

    Se tá ruim para os livros, imagina nosso mercado cinematográfico em relação ao internacional? fiquei comparando os dois temas o programa inteiro, e muito dos problemas são parecidos.

    • Lucien o Bibliotecário

      Jonas,

      Pouco entendo sobre cinema, mas acredito que as dificuldades possam se assemelhar mesmo.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

    • Fábio M. Barreto

      É a mesma meleca. O Brasil tem tantos editores quanto produtores covardes. Não que o idealismo deva prevalecer, mas correr riscos nessas duas áreas parece tabu e as falhas de quem tenta são maximizadas ao extremo para evitar novas tentativas. Eu mesmo desisti do cinema aí.

  • Gabriel Réquiem

    Meu saci é assassino, pô. HAHAHAHA.

    • Lucien o Bibliotecário

      Gabriel,

      Pegou a piada no ar, hein?

      Abraços.

  • Mas um cast maravilhoso, o tema é polemico sim, mas as explicações são maravilhosas. Parabéns.

  • Augusto Tenório

    Pra variar, ótimo. E respondendo à pergunta de Lucien, eu estou motivado para voltar a escrever, principalmente pelo que um dos Fábios (primeiro dos agradecimentos) disse nesse CC.