[Resenha] Pulp do Charles Bukowski

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Um dos últimos livros escritos por Bukowski, juntamente com “O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio”. O único livro que foge do padrão protagonizado por Henry Chinaski, colocando como herói do livro (melhor: anti-herói), o atrapalho, alcoólatra, misantropo e gordo, Nick Belane. Não muito diferente do querido Henry Chinaski.

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Belane é um detetive de segunda linha que opera nas ruas de Los Angeles, que entre os piores casos, pelos preços mais baratos, se depara com a morte. Ou melhor: a Dona Morte. Uma mulher alta, de voz sexy e longas pernas. “Um glorioso barato de carne”. O trabalho que ela propõe? Achar Louis-Ferdinand Céline, um médico e escritor francês morto desde 1961, que jura de pés juntos ter visto andando por aí, nas livrarias das cercanias.

Em meio a diversas referências à subliteratura, à literatura pulp e a filmes B — principalmente de romance policial, óbvio — somos envoltos numa série de subtramas, cada uma mais bizarra que a outra. Temos Jeannie Nitro, a alienígena de Zaros, Cindy Bass, a esposa traíra de Jack Bass, a própria Dona Morte e todas as trapalhadas na qual Nick Belane se envolve.

Bukowski tentou se reinventar nessa história. “Pulp” é provavelmente o romance mais atípico do Velho Safado. Para começo de conversa, não se trata aqui de uma história autobiográfica, como acontece nas histórias protagonizadas por Henry Chinaski, apesar de levar alguns elementos da vida do autor. O livro é uma grande sátira, com uma dose de acidez e crítica, que é característica do autor, entretanto — pasmem — sem tantas cenas de sexo explícito — há apenas duas cenas, que desaparecem com a mesma velocidade com que aparecessem.

Há quem diga que a insistência de Dona Morte está sempre cobrando Belane pelos serviços contratados, é uma referência, ou melhor, uma analogia para como o mesmo sentia-se no momento. Ele já estava com leucemia e sentia que a “Dona Morte” apareceria a qualquer hora, pois já estava lhe cercando. Não é a toa que dizem que “Pulp” é “último suspiro” do Velho Buk. E realmente o é.

Confesso que esperava bem mais. Foi o livro que menos gostei do autor. Depois de ter lido “O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio”, fui pra ele com uma fome insaciável por mais daquilo que havia lido, e encontrei bem pouco. Um livro bem pior que seus primeiros, se não estou sendo injusto.

“Ele desafia sua história com habilidade de mestre. Um Rabelais percorrendo o mundo noir? A divina sujeira? A maravilhosa sordidez? Um acerto de contas com a arte? Uma homenagem? Uma reflexão sobre o fim da vida? E tomara que a morte estivesse linda, gostosa e sexy – como está nesta história – quando encontrou o velho Buk poucos meses depois de ter posto o ponto final nesta pequena obra-prima.”

NOTA:

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Nome: Pulp
Autor: Charles Bukowski
Edição:

Editora:
L&PM
ISBN: 9788525418630
Ano: 2009
Páginas: 176
Skoob

  • Gostei das informações passadas no texto, mas senti falta dos argumentos. Queria saber os motivos para você não ter gostado tanto do livro. Mesmo assim, ótimo trabalho.

    • Jefferson Pessoa

      Primeiramente, obrigado pelo comentário, Matheus!

      Bom, como eu já disse na última resenha que fiz, também sobre o Bukowski, o que mais me chamou a atenção em sua escrita, foi a crueza e a sinceridade de tratar sobre temas tão marginais, sem floreios e “almofadismos”, sobre a realidade. “Eu vivi isso”. Ponto.
      Não que não tenha elementos autobiográficos em “Pulp”, e não que eu queira essencialmente um “livro autobiográfico”. Mas senti que “Pulp” faltava exatamente essa essência que eu senti em “Mulheres”, “Cartas Na Rua” e principalmente na preciosidade que é “O Capitão…”. “Pulp” foi escrito quase na mesma época que “O Capitão…”, e nesse último, aprendemos mais sobre Bukowski, sua escrita, método de escrita e perspectiva de mundo, do que imaginamos. Foi um livro escrito no fim de sua carreira, pouco antes de sua morte; por um Bukowski maduro. E se “Pulp” foi escrito nessa mesmíssima época, achei que trataria da mesma coisa. E trata, porém de uma forma diferente: aprendemos mais sobre Bukowski, entretanto, também vemos um autor tentando se reinventar pouco antes de falecer. E esse “reinventar-se” foi o que não gostei em “Pulp”. Tudo bem que o livro é uma grande sátira com as histórias pulp e de detetive, uma forma de homenagear a subliteratura, mas o achei demasiado fantasioso e uma história “bem sem sentido”, mesmo que entenda a metáfora nela embutida. Enfim, sei que muita gente discorda dessa minha opinião, mas para mim, “Pulp”, não parece muito Bukowski.

      Espero ter esclarecido bem meus argumentos por “não ter gostado tanto assim” do livro, Matheus. Mas não me entenda mal, não o odiei, apenas acho que há muitos livros (do próprio Buk, eu digo) melhores, por aí. E se não leu “O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio”, leia! Você não vai se arrepender.