[Coluna] Deu branco, e agora ?

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Há quem diga que é apenas mais uma frescura. Existe até mesmo uma linha de pensamento que apregoa que este negócio de “bloqueio de escritor” não passa de mito.

O assunto está longe de se esgotar e mesmo que você também não acredite saiba que ele já foi descrito inclusive por vários escritores famosos.
Edgar Allan Poe chamava o problema de “O mal da meia noite”. Ele descrevia períodos de abundante inspiração intercalados de períodos de aridez de ideias. Charles Shultz, autor das tirinhas do Snoopy, também já sofreu sua parcela de bloqueios. Certa vez ele resolveu a falta de ideias transformando o problema em solução e repassando-o para a própria tirinha. Ele escreveu uma pequena série colocando o Snoopy na pele de um escritor que ficava tentando datilografar numa velha máquina de escrever colocada em cima de sua casinha. Snoopy estava passando por um bloqueio de escrita e as piadas derivadas de seu próprio problema fluíram naturalmente.

Snoopy-escritorQuando o feitiço vira contra o feiticeiro

Sabemos que para escrever algo que valha a pena é necessário que exista prazer. O prazer é o combustível fundamental para nos motivar a realizar qualquer trabalho, intelectual ou não. O córtex cerebral possui uma estrutura responsável pela regulagem do prazer e que está diretamente ligada com nossas emoções: O sistema límbico. Acontece que mesmo as emoções positivas e desencadeadoras dos hormônios do prazer e da euforia, como a dopamina e a adrenalina, também precisam ser “descarregadas” em uma faze de descanso. É aí que entra o processo de inversão que ocorre nos bloqueis criativos.
Ou seja, inundar o cérebro de adrenalina e dopamina com grandes projetos e sem períodos de descanso vai fazer, cedo ou tarde, com que a “balança química”, fique pendendo para o lado exatamente oposto. O próprio cérebro vai sabotar o esquema todo e em busca de um equilíbrio hormonal vai dar uma de mãe chata que desliga o videogame e manda o filho sair pra tomar Sol. Então a auto recompensa que antes estava presente vai cabisbaixa embora e você não vai achar nenhuma de suas ideias boas ou “prazerosas” o suficiente. Depressão ou períodos simplesmente áridos de ideias podem vir logo após um grande trabalho mesmo que este tenha sido um sucesso. Inclusive este tipo de coisa acontece com a cabeça das pessoas todos os dias e são verdadeiras “depressões pós parto literárias”.
Além desse efeito da “mãe chata que desliga o videogame por hoje” os desequilíbrios que causam bloqueios de escrita podem ocorrer por outros processos. O cérebro, basicamente funciona com uma química que deve estar muito bem balanceada. Muitos outros fatores podem desencadear um período de aridez e desequilíbrio. Alguns medicamentos, fumo, café, álcool e falta de descanso.

Quando a mãe chata tem razão

Dormir pode ser tudo que você precisa para conseguir escrever aquelas 500 palavras! Desilusões amorosas então, nem se fala! Azar no amor ganha disparado entre os fatores desencadeadores desse problema. O interessante é que em algumas pessoas pode inclusive ocorrer um efeito contrário. Pessoas deprimidas podem, a partir da escrita terem uma experiência de terapia e voltar ao equilíbrio. A escritora Lycia Barros, comenta em seu site e em algumas entrevistas que começou a escrever como uma terapia para um período de perda que estava passando.
Tolkien teve vários momentos de depressão. Ele lidava com isso escrevendo rascunhos em quase qualquer papel que tinha à mão. Não é nenhuma surpresa que a escrita foi uma das coisas que mais lhe davam satisfação e prazer. Ele escrevia como quem come um chocolate.
Aliás, comer um pouco de chocolate é uma boa dica para alterar a química do cérebro. Mas não em excesso. Chocolates podem conter cafeína que acaba bagunçando ainda mais as coisas. As atividade físicas também ajuda a descarregar as emoções e a suar o excesso de hormônios conflitantes. A exemplo da mãe chata que desliga o videogame e põe o filho pra tomar Sol, tomar um pouco de Sol é mesmo uma ótima dica para ajudar a sair de um período de bloqueio. E a minha última dica, não é nenhum segredo: Amar é um ótimo remédio para um bloqueio literário.
E vocês, o que acham? Comentem.

  • Gabriel Mendes

    Amar é remédio pra tudo.

  • Eriton

    Muito boa a coluna, eu já sabia desses conselhos ai e mesmo assim passei por um período inevitável de seca criativa depois de terminar uma parte do meu livro, mais postagens como essa seriam legais 😀

  • Quem nunca sofreu de bloqueio criativo, principalmente perto de deadline (oh! aprendi Rick!) que escreva o melhor título. (Sou péssima pra títulos!)

  • Estou passando por isso xD