CabulosoCast #115 – Existe uma Literatura Fantástica Nacional?

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Olá Cabulosos! Olha só quem voltou? Sim, o CabulosoCast está de volta! E neste capítulo, Lucien o Bibliotecário e Igor Rodrigues, Rafael Franças e o convidado Sérgio Magalhães discutem uma questão contundente na nossa atualidade: já podemos dizer que temos uma literatura fantástica genuinamente nacional? É em busca desta resposta que o primeiro CabulosoCast de 2015 chega até você! Bom episódio!

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  • Vinicius

    Baixando agora mesmo! Só pelo título eu digo: que tema foda!

    • Lucien o Bibliotecário

      Vinícius,

      Espero que goste do episódio e que volte aqui para comentar.

      Abraços.

      • Vinicius

        Depois do episódio e de tantos comentários por aqui, fico até sem muito o que acrescentar.

        Admito que fiquei um pouco incomodado quando o Igor criticou o Spohr, então, em vez de vir xingá-lo e tudo mais, peguei o livro A Batalha do Apocalipse e o reli em alguns pontos depois de alguns anos de amadurecimento literário, e sou obrigado a concordar que realmente não era tão bom quanto eu havia pensado. Ok, é bem fraco, em certo ponto, mas para leitores iniciais eu acho que o livro dele é excelente, pois é uma história simples, que não tenta enganar o leitor e tudo mais.

        No entanto, vi uma grande evolução na narrativa do Spohr no último livro dele, o Anjos da Morte, e não sei se o Igor já o leu (gostaria de saber hahaha), e achei que este, sim, foi bem escrito, apesar dos abusos de situações icônicas que ele classificou como Cavaleiros do Zodíaco (fui obrigado a concordar também com a referência).

        Bom, agora partindo para a pergunta, como escritor, penso que realmente ainda não temos uma literatura fantástica brasileira consolidada, a maior parte é um enlatado que vem dos Estados Unidos, que por sua vez absorveu enlatados da Europa. Bom, não havia castelos nos EUA, e nem por isso George R. R. Martin deixou de escrever uma fantasia tão épica, então não há muitos deméritos nesta afirmação. O ponto é que parece, às vezes, que os autores nacionais (eu, até, de certa forma) tentam usar apenas os elementos que deram certo lá fora, esquecendo-se de inovar aqui dentro (um paralelo aqui para o fato de que o Brasil vem sofrendo quedas na inovação, agora vemos que esse ranking também pode se aplicar à literatura). Mesmo assim, não podemos nos esquecer de livros que tentam mudar essa figura, como citado pelo

        • Igor Rodrigues

          Vou responder sua dúvida: Anjos da Morte, abandonei. Achei bem melhor do que AbdA. Muita evolução como escritor em todos os sentidos, todos mesmo!

          O que me fez largar: a escrita do Spohr. E nesse livro não vou chamar de ruim, mas não funciona pra mim. Ele disse em algum lugar que busca dar esse ar de narrativa épica, atravessando os tempos, algo tipo Highlander. Acho legal e válido, mas a maneira como ele escreve não me pega. Questão de gosto. Ah, os diálogos melhoraram, mas ainda me parecem travados. Vou dar outra chance quando ele sair do universo dos anjos e escrever outra coisa, talvez eu goste mais.

          Já debati muito sobre porque essa safra de autores de sucesso gera essa repulsa e fiquei na teoria do exagero. Exemplo: Cassandra Claire faz sucesso pra cacete aqui, mas é fácil pra todo mundo sacar qual o nicho dos livros e com o que se compara.

          Esses autores tem um público que consome as mesmas coisas que a gente e estão presentes nas mesmas comunidades. Daí quando surge uma horda de fãs gritando “a melhor fantasia desde Tolkien” você tende a acreditar (por serem seus pares) que o livro está nessa qualidade e agrada o seu nicho. E aí a gente lê e é outro tipo de livro, pra um público mais jovem ou menos “experiente” ou talvez até pra gente, mas não esse tipo de livro, algo com menos estofo, mas bem divertido. Resultado: decepção e estranhamento, sobretudo quando a mídia comete um artigo comparando os citados com Tolkien, Lewis e Martin, três definidores de gênero, cuja relevância tem mais a ver com o que trouxeram pra literatura em termos de narrativa, uso da língua e resgate mitológico do que simplesmente sucesso comercial.

          Agora olha só o exemplo: eu li o Espadachim de Carvão no escuro, sem saber de opiniões, só tinha ouvido falar que era divertido.

          Li e achei divertidinho, não é lá muito bem escrito e tem problemas de narrativa, mas não se leva a sério nem quer ser épico. Quer entreter e faz piada com a própria história, sendo um personagem fã de livros pulp, dentro de um livro pulp. Dentro dessa perspectiva e com uma escrita marromeno, mas sem tentar ser maior do que realmente é, me diverti bastante e não peguei essa rixa.

          Por isso que acho que esses movimentos fanáticos são tão prejudiciais para a obra.

          Finalizando lembro um caso do Azaghal que sempre fala de um filme bem mediano que na capa tinha escrito “esqueça Matrix”. Taí, precisamos parar de soltar essas pérolas para não contaminar o livro com uma carga que ele não tem.

          Foi mal aí o textão. calma que vem mais.

          Quanto a escrever em diferentes cenários acho que qualquer um pode, mas a pesquisa precisa ser muito profunda para passar a devida credibilidade. Crônicas de Gelo e Fogo funciona porque é real, tem construção cultural de verdade ali dentro, não só dizer que o cara é um cavaleiro e pronto. Tem pesquisa profunda, coisa que ainda sinto falta no worldbuilding nacional. Sinto tudo muito superficial, muito “história baseada em RPG” e achismos.

          Meu toque pros autores nacionais: estudar muito. Quer fazer batalhas medievais? Ok, mas estude a história da guerra, leiam trabalhos acadêmicos, visitem museus, falem com especialistas, entendam como e porque um país movimentava suas tropas, como as relações funcionavam e daí criem sua própria cultura, sabendo como o mundo funciona e como a cultura se forma. E menos foco na fodacidade com linhas épicas e falas pra virar camiseta.

          Mas se quiser meter traços nacionalizados pode também, não reclamo. 🙂

          • Lucien o Bibliotecário

            Igor,

            Talvez seja aquele clima “épico” que a Priscilla comentou no livro do Draccon seja essa questão do estranhamento de leitores mais experientes. Contudo, fica o convite para a reflexão: de um lado temos os fãs gritando em tom fanático sobre a obra do autor referido; do outro temos o leitor experiente que olha com desdém e muitas vezes nem lê, mas já diz que é ruim. E ai?

            Por isso reforço que vejo ambos os movimentos como pontos positivos. Como o Vinícius, um dia esse leitor vai reler o livro dos seus sonhos e perceber que ele não é tão dos seus sonhos assim; da mesma forma que talvez esse mesmo escritor que hoje escreve em tom épico com frases de efeito consiga evoluir a ponto de chamar a atenção daquele leitor veterano.

            Estou a tergiversar.

            Obrigado como sempre pelo bom e saudável debate.

            Abraços.

          • Igor Rodrigues

            O que é tengiversar? o.O

            Bem lembrado. O cara que se julga experiente e critica sem ler ou vai ler já de cara torta só pra criticar (99% de chance dele odiar) também é tão danoso quanto para o debate.

          • Lucien o Bibliotecário

            Igor,

            Palavra bonita, né? 😀 Tergiversar significa fugir do assunto (no contexto da minha frase).

            Abraços.

        • Lucien o Bibliotecário

          Victor,

          Não tenho dúvidas que o Spohr – que é o autor que mais acompanho – seja o mais esforçado e o que mais evolui. #TamoJunto!

          Acho que o seu “transpor” para a nossa realidade seja algo bem interessante. O que faria um cavaleiro em meio ao cangaço? Isso é talvez explorar o sentimento regional que tanto o Sérgio falou.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

  • Victor Hugo Oliveira

    Nunca fiquei tão satisfeito pelo fim das férias xP, baixando!

    • Lucien o Bibliotecário

      Victor,

      Terminou sim! A temporada 2015 está só começando!

      Espero que curta o episódio.

      Abraços.

  • Roman Schossig

    Muito bom episódio. Parabéns a toda a equipe. Gostei mesmo da discussão e não imaginava que meu comentário de um ano atrás resultaria nesse debate. De minha parte, concordo quando se diz que uma Literatura nacional não se faz apenas com a inclusão de elementos dispersos da cultura e da história local, e sim de toda uma forma com que esse povo enxerga, percebe e trata esses elementos. Na Literatura Fantástica acho que isso ainda é tímido. Os clichês e a eterna necessidade de se fazer referência externas, principalmente à cultura nerd, acabam muitas vezes predominando.

    Esse é o caso do Draccon e do Spohr, que foram bem criticados, mas acredito que seja, em grande parte, pelo fato de nossa Literatura Fantástica estar ainda amadurecendo. Elementos como jornada do herói, luta do bem contra o mal, uso de arquétipos, etc, são partes desse estilo literário. É difícil fugir disso, principalmente numa literatura voltada para o grande público em editoras ávidas por lançarem seus best-sellers, mas podem ser usados com mais moderação.

    P.S – O Lucien ainda não acertou a pronuncia do meu nome. Vou continuar a mandar comentários e e-mails até acertar. Uahaha.

    P.P.S – Sobre o uso do termo “tributário”, foi uma maneira eufemística e algo cômica que escolhi para falar, naquele contexto, “paga-pau”.

    • Igor Rodrigues

      Olha, algo que tem em deixado nervoso são as referências à cultura pop esfregadas na cara do leitor a cada página. Não entendo qual o objetivo disso, em geral não acrescentam nada a história, estão ali só para dizer “esse livro é de nerd para nerd”.

      Acho mais honesto escrever um livro sobre isso logo, como o Jopgador Nº1 do Ernest Cline. Bem, por outro lado me pergunto se um livro assim feito por um brasileiro não seria drasticamente criticado. Olha o exemplo do Draccon que escreveu “Cemitério dos Dragões” baseado em tokusatsus e apesar do sucesso de público é amplamente criticado. O mesmo Ernest Cline está para publicar “Armada” sobre um menino que é recrutado através de videogames para enfrentar uma invasão espacial no melhor estilo “Armada Kodan”. E duvido que quando chegue aqui ele leve as pedradas que o Draccon leva (minhas inclusive).

      Claro, estou descontando o fato do Draccon escrever mal à beça, independente da temática.

      • ~le chegando para se intrometer com a turminha~
        O fato de serem escritos para o público juvenil não conta? :O

        • Igor Rodrigues

          Um pouco, mas a escrita de todo modo é hedionda. E tem livro dele cheio de violência e sacanagem, nem tão juvenis assim. 😛

          • Qual qual qual? ~le doida por fofocas quentes~ hahahahahaha

          • Igor Rodrigues

            Espíritos de Gelo se não me engano. Não é muuuuuito, mas tem umas paradas.

          • Legal. Futuramente, fu-tu-ra-men-te vou ler.

          • Igor Rodrigues

            Acho que o ano 2098 é uma boa época pra ler.

          • Albarus Andreos

            Igor, estou precisando de leitores críticos. Quer me ajudar? 😉

          • Igor Rodrigues

            Conversamos em privado. Onde dá pra falar? Twitter, face?

          • Albarus Andreos

            Te mandei uma solicitação pelo Face…

        • Daniel Monteiro

          Acho que nem é mirado no público juvenil. Como Igor falou, é “de nerd para nerd”, e como nerd não é classificação etária, os temas do livro caem numa área cinzenta, cheio de coisa infantilizada para o nerd adulto aturar, e alguns elementos mais adultos que os mais jovens acabam encontrando.

          • Entendi Daniel.
            Posso estar enganada, mas não acho que o Draccon se encaixe na definição nata de “nerd” e sim “geek”.
            Posso estar enganada, mas vou ler e direi o que achei! =D

        • Roman Schossig

          Concordo, Domenica. Conta sim. Não acho que ele escreva mal. O linguajar, a temática, os elementos e a forma de seus livros(estou falando dos Dragões de Éter, que foi o que li dele) são voltados para um público juvenil. Realmente, quem tem um pouco mais de carga literária nota que isso é uma colagem de clichês e referências. Mesmo assim, ele consegue dar algum corpo a essa maçaroca e cativa bem seu público. Isso não é talento dado a qualquer um, ele tem seus méritos. É igual fast-food: não dá para dizer que seja ruim, mas você sabe que não dá para ficar se alimentando disso.

          • Entendo Roman.
            Vou ler e aí fofoco a respeito. Tenho quatro livros dele em casa… estão na lista. Confesso que estou ansiosa para começar.
            Sem dúvida, é um cara que faz a diferença e tem peso no mercado de literatura nacional atual. Temos que reconhecer. =)

          • Vocês conhecem a página no Facebook “A Nova Literatura Fantástica Brasileira”? Mega recomendo, é uma página que satiriza vários autores nacionais, Draccon é presença constante por lá:

            https://www.facebook.com/NovaLiteraturaFantasticaBrasileira

          • Roman Schossig

            Acabei de conhecer, mas preferia não ter conhecido… Quer dizer que criaram uma comunidade no facebook para ficar catando piolho na obra do Draccon e falar mal dele? Aí já beira o doentio… Por favor.

          • Já foi mais “democrático” e zoavam trechos de diversos autores, mas sim, agora é quase só o Draccon. Acho que a dona da página só tem lido ele hahahaha. Mas o Spohr mesmo já foi zoado por lá e ele apareceu pra comentar e trocar ideia com o pessoal, o Ivan Mizanzuk teve uma resenha positiva publicada lá recentemente. Não é exatamente uma página de perseguição, não

          • Lucien o Bibliotecário

            Roman e Rafael,

            Mas cara, sendo bem franco, só pelo critério da página eu não iria lá (se fosse autor, coisa que não sou) nem f***. Me perdoe a sinceridade, mas faço o mesmo com a comunidade de podcasts.

            Tem um monte de gente legal e bem intencionada, mas também tem muito babaca que fica levando a conversa pra zueira de propósito.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

          • Igor Rodrigues

            Eu costumava gostar dessa página, já que ela fazia uma zoação engraçada, mas os comentários e o cata-piolhismo me incomodaram e eu parei de seguir. Um exemplo é não falar mal de livros, mas sim de estilo de vida, criticando os autores serem convidados pra eventos no exterior e no fim, quando alguém critica, levantar a bandeira da “zoeira”.

            Mas a ideia é engraçada, só que o potencial de atrair gente metida é grande. E a outra coisa é “pessoalizar” a crítca, ou seja, demonizar o autor como se ele fosse um crápula mal-intencionado, só porque o livro não é bom, ou porque o povo não gostou.

            O Draccon sofre mais porque é diva, vide o bafafa dele no twitter envolvendo o Izzy Nobre e potencialmente o Affonso Solano. Triste pra um cara que com esse sucesso deveria estar cagando pras essas palhaçadas da internet.

            Spoiler: um dia ainda vou fazer um programa com a criadora da página. Apesar dos defeitos parte da crítica é válida e engraçada. 😀

          • aliás, qual foi o bafafá no Twitter? Eu jurava que eles eram amigos, as vezes apareceram juntos em outros podcasts, perdi isso

          • Igor Rodrigues

            Entonces. Izzy tava falando c/ a Fabiane (a dona da página) sobre um trecho de um livro dele que ela criticou. O Izzy não sabia de quem era o livro, só viu o screen e foi lá comentar, falaram sobre essa “cena literário e pronto”.

            Draccon (quem tem mania de buscar o próprio nome caso alguém o critique sem colocar o arroba) não gostou e como era um cara influente ele soltou um email pra um amigo reclamando (presume-se que seja o Solano).

            Já foi tudo deletado, mas aqui o resumão. https://www.facebook.com/NovaLiteraturaFantasticaBrasileira/photos/a.707419315985859.1073741828.707416605986130/781787081882415/?type=1

            Isso contribui pra cacete. Mermão, tu é um profissional, caramba, deixa quem quiser falar e escrotizar o quanto quiser. Relaxa e vai escrever! (desde, claro, não haja abusos cabíveis de punição)

            Pra quem quer fazer trabalhos pro público (livro, blog, podcast, vídeo, etc. )

            Aqui vai um excelente texto. https://medium.com/brasil/uma-fabula-perturbadora-sobre-como-nao-ser-uma-autora-stalker-2e5b2569e854

          • Que texto maravilhoso da Alliah!

          • Lucien o Bibliotecário

            Igor,

            Valeu pelo link, vou ler e citar no Notas de Rodapé.

            Como disse, cara. Acho que temos que aprender nem todos reagem bem, nem sempre é fácil.

            Sei que ele deveria ter se comportado de outra forma, mas já passei por muita coisa aqui.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

          • Embora acho interessante a apresentação desses tweets, devo fazer duas colocações:
            1) Cadê os emails com as delatações sobre o caso, Com a reação do autor?
            2) Se realmente aconteceu isso, qual é realmente o motivo de tanto descontentamento?
            Penso o seguinte: o livro é o resultado final do trabalho do cara. Venhamos e convenhamos, é trabalho e ponto final. Qualquer (e isso inclui nós mesmos, eu e todo mundo aqui – tenho certeza!) trabalhador que for criticado sobre sua forma de trabalho ou resultado final vai questionar o porquê e poderá se sentir incomodado.
            E outro ponto: se de fato o Draccon fez isso não vejo o porquê de tanto bafafá e descontentamento com relação aos leitores em questão. Aliás, acho que isso incomoda pois temos, enquanto seres humanos, o hábito de vangloriar e endeusar outros humanos que admiramos ou que identificamos como algo que tem que ser perfeito. Isso acontece com todos os famosos. Se é artista de TV, ator, diretor, escritor, modelo não se pode viver tranquilamente pois todos esperam que você tenha as atitudes que são moralmente aceitas. Em t-o-d-o o tempo!
            Acredito que esse ponto de discussão pode nos abrir a mente para isso: porque eles tem sempre que fazer o que queremos? Isso incomoda né? Então também pode incomodar quando alguém falar algo mal colocado ou com intuição de humilhar ou importunar mesmo sobre eles. (E olha, isso vale para todos os artistas ou não – basta ser um humano para entender).
            Só passei para dar um piteco! =P
            E para ficar claro: não estou desmerecendo ou acusando ninguém de mentir ou qualquer coisa, mas honestamente a internet aceita qualquer coisa. Logo, sem provas reais eu não acredito em muita coisa. Enfim, deve ser mal de pesquisador….

            Abraços

          • Lucien o Bibliotecário

            Domenica,

            Concordo que sim, que nos sentimos incomodados, contudo existem maneiras e maneiras de reagir a isso. Essa é a questão.

            Você pode ser um ser humano e se sentir ofendido quando alguém critica seu trabalho, contudo devemos sempre trabalhar para evitar conflitos maiores principalmente quando a partir de certo momento a pessoa se torna “figura pública”.

            A internet tem todo o tipo de gente, daí o autor ficar se tirando com qualquer um que o critica é algo que deve tentar evitar.

            E acabei de ler o texto mencionado pelo Igor. Vale a leitura.

            Obrigado por enriquecer o debate.

            Abraços.

          • Sim sim pessoal!
            Só quis colocar o outro ponto da questão.
            Não estou dizendo que se o caso aconteceu o autor ou seja quem for que dizer algo similar esteja certo. Estou apenas dizendo que nos incomoda mais porque também não gostamos de ser criticados.
            E existe outro porém: figura pública, autor ou não, vale a regra simples: nunca procure saber o que as pessoas pensam sobre você – você não precisa disso e via de regra não vale a pena.
            Enfim, se agiu assim mandou mal e com certeza perdeu alguns fãs. Faz parte do jogo. Como vocês mesmos disseram: a vida segue.

          • Lucien o Bibliotecário

            Domenica,

            Concordo plenamente, somos seres humanos, odiamos ser criticados e se não gostamos então não devemos procurar (diferente do caso em questão, pois aparentemente o autor procurou).

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

          • Igor Rodrigues

            O problema é que rolou entre 2 pessoas públicas, fica mais fácil acreditar. E como não é nem a 1ª nem a 5ª vez que o o referido autor faz esse tipo de coisa…

            Pra não falar do caso dele e da Munhoz enchendo o saco do Edney Silvestre (que tem um programa literário na TV) que teve que ir no twitter falar o que estava rolando pra poder pararem.

            Sobre trabalho: Correto, é o trabalho do cara, mas um trabalho público em que ele se submete à avaliação pública. E sempre vai ter alguém odiando. Desde que não seja aquele cretino que passa o dia linkando ele (que se resolve com um botão) não tem porque se importar se um blogueiro foi lá esculachar o livro. Dói, claro, mas é só ser profissional, passa batido.

            Por isso se diz que autores/diretores/atores/músicos, naõ devem nem podem rebater críticas diretas, ou seja, ir na pessoa que criticou o trabalho e discutir. Primeiro porque se for um indie, como um blog ou podcast fica intimidador ver o autor ir debater sua opinião negativa. Aquele não é o espaço dele. O Mark Lawrence, autor de Prince of Thorns tem uma mania hedionda de dar print screen de reviews negativos dos livros dele e publicar no twitter escrotizando quem resenhou (na Amazon ou goodreads). Sobretudo se for por algo que ele discorda, como a misoginia presente nos livros dele. Fica a impressão que o autor é imaturo e só quer palmas. Vão rolar críticas descabidas, cheias de raiva e sem sentido? Sempre! Mas se ninguém estiver de fato fazendo bullying com o autor, deixa passar batido, dá mute no twitter e segue a vida.

            E nunca, JAMAIS, fique buscando pelo próprio nome pra ver o que as pessoas estão falando. Quem quiser que o cara leia vai botar o @.

            O texto da Aliah que eu linkei fala sobre isso. Aqui em outros 2 textos o autor Chuck Wendig também dá dicas pra autores quando sofrem críticas: http://terribleminds.com/ramble/2013/09/16/you-and-your-bad-reviews/

            http://terribleminds.com/ramble/2014/10/21/five-ways-to-respond-to-a-negative-review-a-helpful-guide/

            Algo que ele pode fazer e é bem razoável é no espaço dele (blog, Twitter) criar um texto sobre as coisas negativas mais comuns que ele ouve sobre os livros.

          • Lucien o Bibliotecário

            Igor,

            Qual foi o bafafá da Munhoz? Não tô sabendo!

            Achei interessante a sugestão do último autor. É importante ter discernimento. Eu não sou nenhuma figura pública, não sou importante para mídia nenhuma, mas já evitei falar certas coisas, pois sei que tem pessoas que talvez não gostassem (mesmo quando tenho 100% de certeza que estou correto).

            Acho bom evitar dar uma de maluco. Como disse, meu amigo, concordo: segue a vida.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

          • Lucien o Bibliotecário

            Igor,

            Eu acho que infelizmente acontece muito e em tempos de mídias sociais, não apenas os autores, mas todos nós devemos aprender a ler críticas com parcimônia.

            Já levei várias surras aqui no CabulosoCast e posso dizer que nem sempre reagi bem, contudo, com o tempo começamos a aprender.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

          • Lucien o Bibliotecário

            Domenica, Igor, Daniel e Roman,

            Será que não entraria naquilo que comentamos que o livro diverte, mas não seja indicado a um “Oscar Literário?” Observemos o Pacific Rim. Uma puta homenagem aos Tokusatsu, muitas gente adorou (incluso eu, claro), mas tem vários errinhos de roteiro. Não quero que chegue ao Oscar, mas quero um 2 pra ontem.

            Obrigado pelo excelente debate.

            Abraços.

          • Roman Schossig

            Exatamente, Lucien. É como falei. É igual fast-food. Não é feio comer e dizer que gosta, quem não curte jantar um belo x-tudo com batata frita e refrigerante? Mas dá para fazer isso o tempo todo? Não creio.

            Talvez a proposta da Literatura Fantástica seja como a da História Romanesca, segundo Northop Frye(acho que no Anatomia da Crítica). Para ele, esses contos de cavalaria medievalesco são simples, pautados em clichês, mas isso não constituiria em DEFEITO, porque sua proposta é justamente essa. Então, não precisamos realmente ficar apedrejando Draccon e Spohr por conta de clichês. Muitos autores, inclusive de fantasia fazem isso. Catam piolho e falam mal da tal “trindade fantástica brasileira”, pois acha que os livros deles ofuscam os seus próprios. Escondem suas frustrações atrás de uma postura pedante e pseudo-acadêmica. Pura infantilidade.

            Por outro lado, houve um episódio protagonizado pelo Draccon uns anos atrás e que nos serve de reflexão. Naquele ano o Brasil foi homenageado na feira de Frankfurth, e muitos escritores brasileiros foram convidados, mas nenhum de fantasia. Isso o deixou irritado, ele escreveu e se pronunciou abertamente contra isso. Até o Paulo Coelho acabou comprando as dores e fizeram um hang-out com o Vianco e outros mais. E aí vem a polêmica. Acho importante SIM a academia saber que existe Literatura Fantástica e dar a ela a devida atenção pelo menos como um fenômeno social. Agora esperar que autores de fantasia sejam homenageados numa feira literaria como a de Frankfurth(considerada a mais legítima do mundo) já é um evidente exagero. É como levar aquele x-tudo com fritas numa feira gastronômica. A César o que é de César.

          • Igor Rodrigues

            Concordo contigo nisso, sobretudo na metáfora do X-tudo. A ver, Paulo Coelho (que eu me divirto lendo, mas gosto mais das posições dele em relação ao mercado) sugeriu levar até o Felipe Neto pra Frankfurt. Forçou.

          • Lucien o Bibliotecário

            Igor,

            Felipe Neto? Sério? Putz! Pensei que tinha sido só Spohr, Vianco, Draccon…

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

          • Lucien o Bibliotecário

            Roman,

            Concordo. O Igor comentou isso muito bem. Gosto sim do Spohr, adoro seus livros, mas não quero que ele seja eleito para a academia brasileira de letras, pois existem outras honrarias para ele e demais autores de fantasia.

            Não tenho nada a acrescentar. É isso mesmo.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

      • Eu li Fios de Prata do Draccon e tentei ler Dragões de Éter, mas não deu. O que eu acho ruim nos livros dele é a quantidade de frases épicas e diálogos onde ele faz claramente para que seja uma citação mais tarde. É como se o livro tentasse me enganar, querendo que eu ache tudo muito épico, brilhante e fodástico, mas falha e me decepciona. Tenho Espíritos de Gelo aqui e vou dar uma última chance. Veremos.

        • Lucien o Bibliotecário

          Pri,

          A Nilda gosta muito dos livros do Draccon e elogia muito Espíritos de Gelo. Como ela é uma ávida leitora de Tolkien fico a dar crédito.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

      • Lucien o Bibliotecário

        Igor,

        Você levantou um ponto interessante. Será que um autor estrangeiro escrevendo as mesmas temáticas não seria mais bem aceito? Boa questão, hein?

        Obs.: Nunca li Draccon, logo me abstenho do seu estilo de escrita.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

        • Lucas Rafael Ferraz

          O tema não é problema.
          O problema que eu tenho é abordagem e qualidade do texto.

          Tema é algo que alguns utilizam de maneira risível e outros fazem obras primas. Vide vampiros, sem citar exemplos.

      • Ezequias Campos

        Tirou um peso da minha conciência.

        Não conseguir passar da centésima página do primeiro livro do draccon… não sei como fez trilogia, não sei como vendeu, pensei que o problema era eu!

    • Lucien o Bibliotecário

      Roman,

      resposta ao p.s.: Então vou continuar errando! 😀

      Eu comentei com você por e-mail que poderíamos vir a transforma sua pergunta em uma pauta, pois eu já imaginava geraria uma discussão tão interessante.

      Sim, temos um mercado que quer lançar seu próximo best-seller. Igual aconteceu com Harry Potter, Jogos Vorazes. Acredito que também tenha acontecido com o Tolkien quando Senhor dos Anéis estourou (talvez o Igor possa esclarecer isso), será que as outras editoras não ficaram a procura do seu próprio Tolkien?

      Quando Spohr explodiu realmente sendo lançado pela Verus e lotando sessões de autógrafo e bienais é óbvio que as demais gostariam de lançar seus próprios “Spohr”. Talvez cheguemos a um momento em que esses clichês se tornem tão saturados que obriguem, mesmo que involuntariamente aos outros autores, procurarem alternativas para subvertê-los.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Paulo Ricardo

    Aprecio muito essa discussões! Vamos lá…

    • Lucien o Bibliotecário

      Paulo,

      Espero que goste da discussão e que volte aqui para comentar.

      Abraços.

  • Rodrigo Rahmati, 28 anos, Escritor e funcionário público, Sorocaba, SP.

    Gostei muito do programa, da volta do CabulosoCast (olha que adequado, o 115 como primeiro de 2015), e das discussões. Contudo, discordo de uma coisa que foi dita, na primeira discussão, sobre o a diferença entre o realismo mágico e a fantasia. Foi uma simplificação terrível dizer que a diferença entre eles é a reação do personagem ao elemento fantástico. Não se pode usar um elemento de roteiro para definir um gênero!

    A principal diferença é a abordagem desse elemento fantástico na obra. Exemplos:

    Em O Senhor dos Anéis não há história sem o elemento fantástico. O mundo depende daquilo, sequer existiria sem ele, e o desenvolvimento da trama depende desses elementos. Também é assim em Harry Potter, A Batalha do Apocalipse e O Inimigo do Mundo. Isso é a fantasia.

    No realismo mágico, o foco NÃO É o elemento fantástico. Em Ensaio Sobre a Cegueira, acontece uma epidemia de uma doença que não existe – esse é o elemento fantástico. Só que a obra NÃO É SOBRE ISSO. É sobre as pessoas, sobre a humanidade que ainda resta em momentos de adversidade. O elemento fantástico é apenas auxiliar. Em A Menina que Roubava Livros, é a Morte quem conta a história, mas isso é o de menos ali. No citado Incidente em Antares, os “zumbis” de lá só existem para gerar a trama.

    Se fôssemos resumir, poderia se dizer que, na fantasia, o elemento fantástico é indispensável à trama, é indissociável dela; já no realismo fantástico, ele é um recurso para chegar à essa trama pretendida.

    • Igor Rodrigues

      Oi Rodrigo.

      Viu,só? O debate sobre a classificação do Realismo Mágico sendo ou não fantasia é infinito. Concordo com tudo o que você disse sobre a justaposição entre realidade e o fantástico na Fantasia e na não existência dela no RM e do papel terciário na história, porém será que isso é o suficiente para classificá-la como um gênero completamente isolado e não como um dos infinitos subgêneros da Fantasia? Lembrando que Fantasia não é só a Alta Fantasia de grandes épicos em mundos fictícios, há muitíssimo mais do que isso.

      Como você disse boa parte do estilo da Fantasia ocidental tem origens europeias, inclusive as narrativas folclóricas estão muito ligadas a elas, apesar de nem sempre (o folclore eslavo tem uma abordagem bem parecido com o nosso em narrativa e relação com o mundo real).

      O folclore nacional, porém, apresenta uma narrativa do fantástico como parte intrínseca do mundo, sem estranhamento e como metáfora para o próprio mundo real. Aliás em boa parte da América Latina o estilo é bem semelhante. É natural que escritores latinos deem origem a histórias em que o fantástico seja apresentado dessa forma. Pessoalmente, acho que o RM seminal, apesar de não ser exclusivamente latino, é uma vertente da Fantasia com caracterísicas da cultura latino-americana. Temos sempre que lembrar que academicamente ela é aceita como “alta iteratura” e existe aí um esforço em separá-la do resto, vide os acadêmicos que tentam colocar os livros do Cormac McCarthy em outro gênero separado da ficção científica.

      Vale lembrar também que nosso continente é “jovem” e as narrativas folclóricas interagem com um mundo contemporâneo, enquanto a maior parte do folclore europeu existe em um contexto histórico mais distante, medieval ou da antiguidade.

      Agora, vai surgir um movimento de literário com cenários nacionais? Talvez, já tem gente escrevendo nesse esquema, mas não sei dizer até onde temos bases para isso, pelo menos para gerar cenários de Alta Fantasia. A Índia, por exemplo passa por uma discussão semelhante, com a diferença que eles tem uma história muito mais longa e narrativas épicas locais inclusive mais épicas e antigas que a ocidental. Facilita bastante o surgimento desse cenário.

      Meu desejo mesmo é o nascimento de uma diferenciação em estilo e temáticas e nem tanto em cenários (apesar que isso seria bom também). Mas como você disse a globalização facilita mais que tudo se torne mais parecido. Uma pena, acho que perderemos em variedade.

      • Lucien o Bibliotecário

        Igor,

        Acho que precisamos gravar sobre o tema, hein?

        Essa discussão é bem interessante e sempre acabo por perceber que tenho muito a aprender. Já pedi ao Sérgio uma indicação de livros sobre Realismo Mágico. Também encontrei uns artigos científicos sobre o assunto.

        Sobre a completa diferença, acho apenas bobagem acadêmica no melhor estilo: “Não se junte com aquela gentalha”. Para mim, a literatura fantástica possui várias subdivisões e dentre elas está o Realismo Mágico.

        Obrigado por fomentar o debate.

        Abraços.

        • Igor Rodrigues

          Idem. Coisa de acadêmico.

          • Ezequias Campos

            Façam e falem sobre cem anos de solidão, pelamor de Deus.

          • Lucien o Bibliotecário

            Ezequias,

            Quem sabe. Quem sabe.

            Abraços.

    • Daniel Monteiro

      O problema da globalização, na minha visão, não reside na disseminação de estilo ou temas trabalhados, mas sim na adesão, do público brasileiro, dos padrões de qualidade técnicos utilizados (principalmente nos EUA). Os livros que saem enumerando as regras para construir personagem, worldbuilding, desenvolvimento de trama e etc. são disseminados como um padrão, e obviamente quem não o segue, não tem qualidade. Tenho vários exemplos de escritores que atuam como avaliadores/resenhistas que simplesmente não conseguem se desvencilhar da maldita regrinha, e mesmo gostando muito de livro X, se nega a admitir a obra como boa literatura, pois não seguiu as regras para ser uma boa literatura. ~só não posto aqui o link pq minha cota de tretas já expirou pra esse mês~

      Um post que trata disso e recomendo bastante: http://www.rodrigogurgel.blogspot.com.br/2015/01/o-bom-escritor-boceja-diante-das-teorias.html

      • Lucien o Bibliotecário

        Daniel,

        Percebo que sempre esta discussão volta ao mesmo ponto. Estamos em um mercado que amadurece. Existe um texto que o Sérgio publicou lá no blog dele que fala como as editoras operam num modus operandi baseado no mercado educacional.

        http://www.baiaodeletras.com.br/independencia-editorial-ou-morte/

        O que estou querendo dizer é que não podemos comprar o nosso mercado que ainda engatinha (mas, para mim, está engatinhando bem melhor do que antigamente) com o mercado americano ou europeu. Existem autores que desejam fugir dos cânones e acredito que a crítica vai perceber isso uma hora ou outra.

        Obrigado pelo comentário e pelo link!

        Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Rodrigo,

      Achei que só eu tinha percebido que o 15-15. 😀

      Achei bem esclarecedor esse seu exemplo sobre a relação entre o realismo mágico e a literatura fantástica.

      Sobre o “é muito difícil”. Tenho que discordar em númerom gênero e grau. Pelo motivos que falei acima do comentário do Ivan. E acho que muitos autores já começam a mostrar um pouco disso, como o citado Eric Novello. Se pensarmos que a menos de 12 ou 14 anos começamos a ter um país com mais leitores… acho que teremos um longo e promissor caminha a trilhar.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Lucas Rafael Ferraz

    Bom dia pessoal!

    Grande programa!

    Meu pitaco: sobre o que o @Lucien o Bibliotecário:disqus disse do leitor experiente não se surpreender e tudo mais, primeiro, todo livro de fantasia tem jornada do herói. É impossível fugir disso. E eu tenho cá comigo que toda premissa de história pode ser interessante se bem desenvolvida e bem escrita. Muitas vezes a forma é mais importante que o conteúdo. Não todas as vezes, mas muitas.
    Eu realmente não acho que um autor que se dispõe a escrever fantasia deveria mirar apenas um público inexperiente e fazer um livro mal escrito e cheio de furos e falhas. Porque é isso que vejo muito mais do que gostaria, livros mal escritos e simplesmente ruins.
    O que eu entendo perfeitamente bem é um livro de trama simples, de jornada do herói clássica, que poderia não chamar minha atenção pelo conteúdo, mas acredito que mesmo esses deveriam ser bem feitos. Interessaria outro tipo de leitor e seria muito mais construtivo.
    O que eu acho muito ruim, mas que acontece muito, é autor que escreve mal, simples assim, não se esforça por escrever melhor, e vende zilhares de exemplares. É esse tipo de gente que um acadêmico pega, lê, e, erroneamente, acha que toda fantasia nacional deve ser igual. Ai não dá.
    Fico conjecturando o que seria isso, se seria deslumbramento pelas zilhares de críticas super positivas de leitores com pouca bagagem que vão na hype, ou se é simplesmente preguiça.
    Quanto a se surpreender, temos sempre que nos surpreender? Existem livros com nada de surpreendente, que são até previsíveis, e entendo que possam não gerar interesse, mas quando são bem feitos, para mim é uma diversão descompromissada, enquanto que pra um leitor mais novo pode ser uma coisa de outro mundo e sua introdução na literatura. Todo mundo ganha.

    Sobre “não funcionar pra mim”, olha cara, vou ser sincero, já que todos foram sinceros na gravação: sim, isso acontece. Tem livros bem feitos que não funcionam pra mim.
    Mas eu não posso colocar todos nessa categoria. Também não faço ideia se estou sendo muito prepotente mas, em termos técnicos de escrita e condução de narrativa, diálogos, descrições, clichês, eu classifico sim alguns livros como ruins, pura e simplesmente. Mal executados. Eu não consigo simplesmente dizer que não funcionou pra mim se na verdade me fica claro que o livro é ruim. Não acontece com frequência de eu achar ruim, a maioria simplesmente realmente não funciona, mas tem alguns que são ruins.
    Eu concordaria em gênero, número e grau com o @disqus_qV04ACSHMp:disqus, não fosse pela atribuição de culpa ao público. Falta senso crítico? Falta uma Cantareira (cheia) de senso crítico. Mas de novo, o autor tem que buscar melhorar, não se vislumbrar com milhões de elogios de adolescentes que não leram mais nada na vida além dos livros dele. Ai que reside o problema.
    Não consigo atribuir culpa ao público.

    Sobre a utilização de elementos nacionais soar galhofa: óbvio que pode soar. Se for feito errado. Como disseram muito bem, tem que desenvolver o local, as pessoas, o comportamento. Tem que ir além do que traçar um plot e escrever o que acontece, tem que escrever mais do que isso. Criar o clima, desenvolver psicológico de personagem, criar situações verossimilhantes para quele local e aquele personagem. Vamos pensar em Gaiman, ele usa personagens míticos a torto e a direito, fica galhofa? De modo algum. Jamais.
    Porque ele desconstrói e remonta de forma interessante, instigante, e os personagens são tão pertencentes ao local onde a história se passa que essa identificação regional do livro é algo surreal de tão grande. Você quase acredita que o que ele escreve é plausível. Óbvio que se você colocar um saci com gorrinho vermelho e cachimbo na boca num livro de fantasia que não seja infantil, vai ficar uma bosta. E não basta apenas mudar o personagem, atualizá-lo, traze-lo para o hoje e o aqui. É preciso desenvolve-lo, dar profundidade. É uma missão nada fácil.

    Enfim, ótimo programa!

    Grande abraço a todos!

    • Igor Rodrigues

      Esclarecendo: não acho que o público eufórico tenha culpa na qualidade do livro, acho que o problema da falta de critério é ajudar a construir essa “aura” que faz com que livros merdas sejam altamente elogiados e transformem os os referidos escritores um legal, um mediano esforçado e um muito ruim na “santíssima trindade da fantasia nacional”. E o público ajuda no hype, a mídia também escrevendo matérias irresponsáveis e sem nenhum critério.

      Agora se o cara vai evoluir ou não é outra coisa, culpa só dele.

      • Lucas Rafael Ferraz

        Agora tô 100% contigo. =D

      • Lucien o Bibliotecário

        Igor,

        Mas continua valendo o bom senso do autor em reconhecer que sua obra tem um limite, que há autores que estão – sei lá – além deles? E que talvez, se ele quiser alcançá-los deva se esforçar.

        Ou o próprio autor reconheça abertamente e diga: “Galera, estou feliz escrevendo esse livros. Sei que não sou o Machado ou o Joyce, mas aqui é onde quero ficar”. Beleza, não acha?

        Obrigado pelo intenso debate.

        Abraços.

        Obs.: Sim, sou educado mesmo! 😀

        • Lucas Rafael Ferraz

          Lucien, o cara pode continuar escrevendo seu décimo livro do mesmo jeito que escreveu o primeiro, mas se a prosa for fraca eu pessoalmente fico com a impressão que ele não tá nem ai pra sua escrita e não procura melhorar.
          O Spohr aprendeu muito e cresceu, pelo que todo mundo fala, a partir das críticas. Tem gente que nem liga. Isso que me incomoda.

          • Lucien o Bibliotecário

            Lucas,

            Mas você há de convir que existem vários autores assim – e não falo dos nacionais – que por venderem milhões de exemplares não estão nem ai. (Dan Brown manda um abraço).

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

          • Lucas Rafael Ferraz

            Dan Brown escreve bem, apesar dos plots repetitivos e esquemão básico reutilizável.

          • Lucien o Bibliotecário

            Lucas,

            Sim, ele escreve bem, mas não deixa de usar uma fórmula para compor suas histórias. Mas como disse, a questão é tem que goste e compre? Então beleza, vai do autor querer fazer mais que isso.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Lucas,

      O Spohr disse isso inúmeras vezes sobre os clichês. Qualquer autor pode utilizar os clichês clássicos da fantasia, mas o como você utiliza é que é o detalhe.

      Hum… sobre essa questão do surpreender, fico a me perguntar: surpresa para quem? Para o novo leitor (mas já que para ele tudo acabará sendo uma surpresa). Para os leitores “experientes”? (que te tanto já lerem, não serão surpreendidos tão fácil). Acho que nesse ponto vale duas coisas, o objetivo da obra e a que público ela se destina – ressalto que ambos os autores podem incorporar na sua obra, isso está nas mãos dele (ou da editora). Como assim? Ele deseja subverter os clichês e Jornada do Herói? Ou só quer contar uma história bacana para seu público? Vejamos o Dan Brown que apesar de tudo sabe, como ninguém contar uma boa história. Surpreende? Não! Mas é o que o público dele quer e é o que ele faz. E uma prova que isso não funciona para todos são suas adaptações para o cinema que nem de longe fazem o sucesso dos livros.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Lucas Rafael Ferraz

        Concordo com tudo que você disse.
        Como coloquei, o autor pode escrevera ficção mais simples e linear possível, se for bem feito, é totalmente válido.

        =D

        • Lucien o Bibliotecário

          Lucas,

          Pois é. Se partirmos do pressuposto de que “isso é fórmula”, “aquilo é fórmula”… dá impressão que é necessário reinventar a roda. E simplesmente não é assim!

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

    • Albarus Andreos

      Lucien, não tem como colocar a opção “curtir” nesses comentários? Estou sinceramente deslumbrado por todos vocês. Clareza e perspicácia saindo pelo ladrão. #deslumbradamentecabuloso

  • Olá, pessoal! Excelente programa, parabéns! =)

    Estou ainda ouvindo aqui, mas gostaria de falar algumas impressões minhas como autor recém-lançado pela Draco (obrigado Domenica pela menção no post dos melhores de Janeiro!).

    Como leitor, eu sempre achei muito chato capa e espada e alta fantasia (desculpa!). Então eu entro naquele grupo “chato” de gente que não gosta do Tolkien e afins.

    Sempre gostei mais de fantasia urbana e horror cósmico (Borges, Gaiman, Miéville, Lovecraft). Mesmo em ficção científica sou mais chato também, pois não sou muito fã dos clássicos Clarke e Asimov, preferindo mais autores que fazem críticas sociais na FC (Huxley, Le Guin e, de novo, o Miéville).

    No fim, meus autores prediletos são de gêneros mais clássicos. Gosto muito de Dostoiévski, Dalton Trevisan, Philip Roth, Mutarelli (que às vezes toca no horror ou no fantástico), Daniel Galera, Joca Terron, Daniel Pellizzari, Ernesto Sabato, Camus e outros. Atualmente, estou num vício frenético com Palahniuk (li uns 6 livros dele em 1 mês, tamanha está minha obsessão).

    Levantando esse background, segue minha opinião sobre literatura fantástica brasileira: para mim, é óbvio que ela existe. Entendo que talvez fosse melhor dizer que é uma “literatura fantástica produzida no Brasil”, mas o que me incomoda nessa afirmação é dizer que existe “um” Brasil. Mesmo “sem querer”, cada autor não é perfeitamente mimético do estilo estrangeiro que está se baseando. Cada um coloca um pouco de si. E mesmo se a gente quiser exigir obras com elementos brasileiros, elas existem: “Deuses de Dois Mundos” (PJ Pereira); a HQ “Um Outro Pastoreio” (Dmart e Indio San), que possui alto nível literário; a citada obra do Eric Novello; os trabalhos de caras como o Fábio Fernandes e o Carlos Orsi (mais ficção científica, mas acho que ajuda no debate); e tantos outros. Concordo que tais autores não constituem ainda um “corpus” relevante no mercado, mas existem.

    (e não esqueçamos do Paulo Coelho, que vive num limbo estranho entre fantasia e auto-ajuda. Querendo ou não, os aspectos fantásticos dos livro do Coelho são bem brasileiros na minha opinião)

    Sobre Spohr, Draccon, Vianco, Solano e outros: respeito-os profundamente, mas, particularmente, eu não sou muito fã do estilo pelos mesmos motivos que não gosto de fantasia “clássica”. Como vocês podem perceber pelos autores que citei que gosto, eu não consigo avançar em leituras muito descritivas que tentam se guiar mais pelo “plot” do que pelos potenciais narrativos que a literatura podem oferecer. Eu gosto de pensar na literatura como uma experiência estética específica que oferece inúmeras possibilidades. Coisas como Jornada do Herói, maniqueísmos de “Mocinho x Vilão”, descrições desnecessárias (olá, Tchekhov!), adjetivos e advérbios para todos os lados – tudo isso me cansa profundamente. Mas eu (e pelo jeito não estou sozinho) sou excessão no mercado nacional.

    Eu quero mais é que essa galera continue vendendo muito. Quem sabe assim eu posso continuar nutrindo as esperanças de que um público leitor de peso vai se formando e um dia vão querer coisas diferentes, dando maior oportunidade para coisas mais experimentais na sua estrutura (que é o que pretendo fazer e já ensaiei alguma coisa no “Até o Fim da Queda”).

    Mais uma vez, parabéns pelo programa! É ótimo ver discussões em alto nível sobre Fantasia Nacional. Forte abraço!

    • Lucien o Bibliotecário

      Ivan,

      É uma honra tê-lo nos comentários do CabulosoCast e tê-lo como ouvinte!

      Concordo plenamente quando você diz que os autores nacionais mais comerciais podem criar no futuro grupo de leitores mais conscientes e criteriosos. Que além de dar espaço para autores mais experimentais, como também forçar os atuais a evoluir.

      Acho importante reconhecermos que o autor nacional mesmo sem um corpus literário genuinamente brasileiro, não deixa de ser um brasileiro escrevendo em sua própria língua, o que faz, acredito eu, que inevitavelmente ocorra incorporação de traços do tão falada “sentimento nacional” em maior ou menor grau.

      Posso até falar uma tremenda de uma besteira agora, mas penso isso desde que o mangá chegou com força no Brasil e muitos desenhista começaram a tentar produzir o mangá nacional. Considero isso uma tremenda bobagem, pois, novamente, a meu ver, o mangá não é apenas um estilo de desenho, mas a própria cultura japonesa.

      Logo, em maior ou menor grau, há literatura nacional sendo produzida sim, pois são escritores brasileiro escrevendo para leitores brasileiros.

      Muito obrigado pelo comentário.

      Obs.: O Charles comprou o seu livro que passou para a Domenica que me deu de presente. Pretendo lê-lo muito em breve e tenho uma pauta do CabulosoCast que gostaria de saber se está interessando. Mas isto é outro assunto e conversaremos em outra ocasião.

      Abraços.

    • Roger França

      Poxa, sempre que me bato com um autor brasileiro expondo suas opiniões, já coloco o cara na lista. É bom demais ir descobrindo o que há por esse país que eu já não tenha visto. E sem ficar babando ovo feito idiota, curti bastante a sinopse de Até o Fim da Queda que vi aqui. Parece uma obra sincera e com a cara de quem a fez.

      Meu asco pelo maniqueísmo já foi crescendo desde que eu via Digimon quando era moleque, imagine. E até hoje, mesmo quando estou assistindo a alguma coisa da Marvel, persiste aquela pontinha de crítica interna quando o vilão aparece.

      Mas como escritor iniciante, sempre fico rolando na vala imbecil de “devo ser comercial e chamar a atenção? Ou devo ser reflexivo e filosófico, correndo o risco de ser ignorado?”. Uma ansiedade irracional, já que existe o meio-termo e ele funciona como produto e como arte. Vou me sentir bastante inútil se não conseguir criar um livro que divirta e que faça pensar, porque na verdade, isso não é tão difícil quanto eu pinto.

      Pessoalmente, mesmo curtindo fantasias urbanas no geral, me sinto bem mais atraído quando a construção da mitologia exclui o nosso mundo da trama. Misturas de fantasia com a nossa Terra de todo dia são legais, mas o escape total me faz dar mais respeito ao trabalho que o cara teve. Sou obrigado a citar aqui o Affonso Solano, que apesar de (declaradamente) não querer compromisso em fazer nada filosófico demais, trouxe uma aventura interessante e bem escrita, em um mundo próprio que levou anos esculpindo. Apesar de Draccon ter feito um mundo solo também, Solano inventou suas próprias raças, animais, deuses e cultura, escapando da receita fácil: elfos, anões, fadas, trolls etc. Não que eu ache Draccon ruim por isso, mas dou valor quando um sujeito faz algo inédito em ambientação.

      Não me cativei muito pelos personagens de Vianco que vi. Exceto um ou outro, todos são bem massa-de-bolo esperando desempenhar um papel pronto. Assim como pode ser na vida real. Mas a ideia é que a vida é chata mesmo, por isso escrever (ou não?). A magia pra mim está em personagens imprevisíveis, mesmo que eu acabe me apoiando em recursos de estrutura já conhecidos para “desbloquear” a produção. Como numa certa obra, é legal tentar usar um Gerador de Improbabilidade Infinita no destino e nas ações de cada personagem. Mas não acho um pecado usar um ou outro arquétipo ou até mesmo clichê, desde que a história diga “eu sei que isso é clichê, mas olha no que eu transformo ele”.

      Porra, algum dia eu vou parar de fazer comentários gigantes?

      • Lucien o Bibliotecário

        Roger,

        Acho que a sua questão: “devo ser comercial e chamar a atenção? Ou devo ser reflexivo e filosófico, correndo o risco de ser ignorado?”, é resolvida da seguinte forma: qual o estilo de escrita que você se sente mais à vontade de fazer? Não adiante ser um autor comercial péssimo que tem que “pagar (sem demérito algum para quem já fez/faz isso” para ser publicado. E quando você fala em “desconhecido”, em que sentido? Ser super-famoso ou ter uma obra da qual se orgulha?

        Como eu já tinha dito aqui, é sim possível trabalhar com clichês e reinventá-los – primeiro é necessário conhecê-los, claro – não existe história 100% original que não não use nada do que já tenha sido feito, o escritor que pensa nisso está fadado ao fracasso. Acho muito mais simples, como já disse, conhecer as fórmulas e subvertê-las.

        OBS.: Não fique acanhado quanto aos comentários longos, pois sou extremamente a favor de ouvintes que escrevem muito.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

        • Roger França

          (OK, agora irei fazer um TCC por comentário)

          Concordo. Como eu disse, essa minha paranoia é irracional. É triste quando esquecemos da vontade de simplesmente contar uma boa história e colocamos outros valores acima disso.

          Algo que talvez tire o sono é o fato de que leitores já têm o instinto de buscar uma fórmula conhecida. E eu não sou exceção. Gosto do diferente e do estranho, mas nutro carinho por ideias já reusadas, quando postas de forma interessante. Ser “original” é uma batalha constante, e eu estou sempre questionando a mim mesmo quando crio.

          Exemplo: brinquei com a chatice da Jornada do Herói, já tão batida, ao construir um personagem que tem como missão resgatar uma moça capturada. Na tediosa linha clichê que eu não suporto, o sujeito morre de amores por ela, que é uma inútil com rostinho bonito presa numa torre onde não faz porra nenhuma e só serve como alavanca de trama. No fim eles se casam, tudo dá certo, o vilão malvado cai no fosso de lava e eles têm dois filhos.Tudo é uma grande história de amor linda, pelo poder dos sentimentos tudo se resolve, e o mal absoluto (maniqueísta) é derrotado. O heroi se torna um cavaleiro de armadura brilhante que luta pela justiça contra as forças do mal. *vomitando*

          Já no roteiro do meu personagem, existe uma pequena mágoa do rapaz para com ela, mas ao invés de se transformar num melodrama mexicano, ele amadurece na trama e percebe como seus problemas são ridículos comparados à guerra imensa em que o resgate da moça é apenas uma engrenagem, uma grande peça onde os dois são fantoches ignorantes. E quanto mais ele viaja para salvar ela, não por paixão mas sim pela sobrevivência de sua família, mais ele percebe a quantidade de mulheres interessantes no mundo, e o quão independente sua vida pode se tornar ao abandonar amorecos de infância.

          E a moça também não é uma figurante boba igual nos filmes de super-herói. Ela consegue treinar suas habilidades únicas em segredo e decide desempenhar um papel crucial na mesma guerra que deu origem a seu rapto para começo de conversa. Nesse cenário, ela acaba se tornando bem mais poderosa do que o protagonista e dá uma ajuda a outros personagens. Minha intenção é que o rapaz “protagonista” não seja o salvador da pátria, o fodão de Ferrari, mas que ele também não seja um merda que só apanha. Ele é mais fraco que muita gente, mas sem o papel dele no resgate, muita catástrofe aconteceria. O “final feliz” acaba sendo algo mais realista e maduro.

          O que gosto é disso: situações a princípio clássicas que acabam viradas ao contrário. Mas nem todo mundo que compra livros pensa dessa maneira. Imagino que eles sintam que a receita de bolo, a história que você já sabe o final, é algo mais “seguro” e divertido. Talvez seja para um leitor de 15 anos, mas para um adulto, não passe do medíocre. Isso quer dizer que eu gosto de fugir totalmente dos arquétipos e criar algo bizarro diferente de tudo? Talvez, mas não sinto necessidade. Os padrões clássicos são chatos e previsíveis, mas também são excelentes fórmulas a serem desconstruídas e deformadas pelo bem de uma história crível e personagens vivos. Aquela que surpreende e prende, mas também é familiar.

          Quem sabe no futuro eu escreva algo que não se encaixe em padrão nenhum. Um brainstorm louco sem nenhuma referência. Mas é difícil dizer, porque todo mundo é influenciado diariamente pelo que assiste, lê e vê outros vivenciarem. Não sei dizer se o famigerado original “absoluto” existe, ou se um dia existiu.

          Agora, estimular essa onda de “literatura fantástica brasileira” que às vezes cai em clichês é positivo? Apesar de incentivar a leitura dos jovens e mostrar que não é chato ler, não seria um desserviço glorificar o reuso de tramas com finais previsíveis? Acho que é delicado responder a isso. Se cada autor que já é famoso começasse a investir em histórias mais “alternativas”, que contrastassem com suas obras de estreia, será que perderiam o apoio do público que deseja mais do mesmo? Ou conseguiriam fazer os fãs entenderem que um tempero é legal? No caso dos leitores mais jovens, acredito que o sucesso seria pequeno, mas valeria a pena tentar.

          O objetivo é sempre escrever algo com sinceridade. Mas também é preciso ficar de olho no fato de que nosso próprio gosto pessoal é parcial. No futuro eu talvez leia isso aqui e lembre como era ingênuo. É preciso não apenas reinventar os gêneros de acordo com nosso gosto, mas também reinventar nosso gosto. E isso é o mais complicado, sempre. É necessário tornar a crítica, a transformação e a procura por algo além uma reação orgânica e não forçada.

          Estou achando um deleite estas discussões por aqui, e espero que isso só cresça. Abraço.

          Roger França, 20 anos, S. Antônio de Jesus – BA, aluno de Letras – Português

          • Roger França

            Só um adendo, já que hoje não pareço ser capaz de soltar a porra do teclado.

            Aviso: analogia clichê abaixo.

            Penso que tramas são como músicas: as melhores trabalham com algo identificável, mas inovam e até chocam porque trazem algo de diferencial. É legal se prender àquilo que soa igual ao que está acostumado? Claro. Mas passar décadas dando apoio a “músicos” que só fazem regurgitar o que uma população ignorante e desprovida de senso crítico aplaude é chato, para não usar uma palavra um pouco mais sincera/forte.

            Do mesmo modo, um músico genial que crie algo de qualidade e revolucionário, mas sem uma espécie de “âncora” na melodia que familiarize os ouvidos alheios, acaba soando como um alienígena. Principalmente se a plateia consistir em tradicionalistas em seus casulos. No caso, esses são os leitores que só conhecem um tipo de história (ou pior: os leitores que só conhecem livros de autoajuda).

            Dá pra apreciar a arte de uma história/música que traga algo inédito de forma inimaginável, mas essa mesma melodia poderia atingir um público mais “ignorante” (não no sentido ofensivo) caso tivesse uma ou outra referência a algo reconhecível.

            Mas sem dúvida: ouvir/ler a mesma porra a vida inteira é ser uma ovelha condicionada. Digo isso porque o contato que tenho com “música” que é a mesma merda repetida de décadas atrás é até maior que o contato com literatura redundante. Nada mais maravilhoso que escutar aquela música que soa parecida com uma do passado, mas que ao mesmo tempo tem coisa nova pra caralho. É de arrepiar. O tipo de arte que marca uma vida.

  • MELHOR EPISÓDIO (dando uma de fanboy de literatura nacional rsrrs)
    Muito bom, e o melhor é o Disqus aqui no site o/

    • o/ #CabulososamamoDisqus

    • Lucien o Bibliotecário

      Jonas,

      Obrigado. Fico feliz que tenha apreciado o episódio.

      Sobre o Disqus: honras ao Lucas, o nosso garotinho da informática.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • jedimdk

    Klaus
    37 anos
    Sobradinho DF
    Proprietário da Frutta Mesmo Picolés Naturais
    Lendo o quarto livro da saga de GOT , O Festim dos Corvos (Martin)
    Estou decido a dar mais duas chances ao Gaiman, apesar de Deuses Americanos não ter sido aos meus olhos, algo legal. Ainda Tenho Terra dos Sonhos e Vidas Breves para entender se era ele ou eu.
    Estou de olho em Vidas Secase pretendo ler este também.

    Vamos combinar uma coisa: gosto é gosto. Os convidados desceram o sarrafo nos novos autores brasileiros de fantasia. E é o gosto deles. Eu gosto bastante do Vianco, Spohr. e toda essa geração de novos escritores. Concordo que o título de “santíssima trindade” foi exagerado, mas daí pra falar que o livro é uma merda…
    Também cnocordo que numero de livros vendidos não significa qualidade, afinal eu nao gosto de Paulo Coelho, mas não digo que é uma merda. Simplesmente não gosto, não consigo digerir um livro dele. Tentei ler o Alquimista e quando cheguei na metade, eu tava rezando pra acabar. No final eu abandonei para nunca mais pegar. Mas nsão falei que era uma merda.
    E qual o problema em comparar estes escritores aos grandes escritores passados, reconhecidos como tais?
    Li Machado de Assis, e honestamente… Não me lembro de nada dele que eu tenha lido. Li Garcia Marquez e não terminei, pois era muito chato. O cara ganhou premios, nobel e etc? Otimo pra ele. Eu não gostei.
    Não li Saramago AINDA. Lerei. (Calma Lucien, eu sei que eu to errado em não ter lido ainda) Vi o filme Ensaio sobre a cegueira, não achei la essas coisas, mas pelo menos me lembro dos personagens claramente, gostei de alguns, acompanhei o drama de cada um. Gostei dos personagens, embora o que acontece com eles, não me prendeu o suficiente no enredo.
    E não acho que são escritores ruins. Simplesmente encaro de duas formas: ou eu não estou preparado para ler esta obra, ou não é o meu tipo, meu gosto, meu gênero. É que nem suspiro. Eu não gosto de comer suspiro, mas tenho certeza que tem gente por ai que faz um suspiro maravilhoso, e eu não vou dar o valor que merece. Mas a culpa é de quem? Minha ou do profissional que faz o suspiro?
    Eu não separo Vianco, Paulo Coelho, Omero, Spohr, Dante, etc. São escritores, e temos de respeitar o trabalho das pessoas.
    Fui educado na Itália, e achei um saco ter de ler Dante em dialeto florentino da época. Foi um saco. É o pai da língua italiana, Falar mal dele na Italia é pedir pra apanhar. Mas não conheço um que tenha gostado. Já Bocaccio, tem uns contos super legais, e não é reconhecido ao par de Dante. E são quase da mesma época.
    Tolkien PARA MIM é um escritor maravilhoso que infelizmente não sabe contar nada sem deixar furos enormes de roteiro. To errado? É a minha opinião. E olha que eu ensinei língua italiana usando o Hobbit durante dez anos. Acho sua obra fraca, mas reconheço que ele é super importante pelo o que fez, as línguas que criou, todo o trabalho que está por trás de sua obra.
    Mas os meus escritores preferidos não são perfeitos. Reconheço isso. Vianco adora cagar os finais de qualquer livro que escreva. Ele faz um inicio fodastico, um desenvolvimento que te segura no livro, e um final que da pena.
    Conclusão: valorizem mais o que temos por aqui, e parem de puxar o saco dos estrangeiroes. Não foi isso que queriam passar? Foi o que chegou aqui.
    Parabéns a TODOS pelo cast, achei super rico de informações, opiniões, pareceres e etc.

    • Lucien o Bibliotecário

      Klaus,

      A pegada é exatamente essa: estamos expressando nossa opinião (ou os convidados, pois gosto muito do Spohr!), em nenhuma momento estamos afirmando que nossas opiniões são canônicas, JAMAIS!

      Sobre comparar antigos com atuais são autores diferentes escrevendo coisas diferentes, com propostas diferentes. (Só acho!)

      E sim, você precisa ler Saramago para ontem!

      No fundo, meu amigo, estamos sim divulgando os autores nacionais. Mesmo promovendo um debate desse onde os criticamos é uma forma de incentivar, por quê? Por que as pessoas que valorizam suas obras, como você, ganham um espaço para expressar essa opinião.

      Concordo com você, no fundo estamos todos expressando nossas opiniões e é como o Igor disse: “Jamais criticamos o direito de alguém gostar do que quiser”.

      Obrigado pelo riquíssimo comentário.

      Abraços.

    • Igor Rodrigues

      Então Klaus, se o que chegou foi um puxa-saquismo aos gringos então é bom explicar melhor, pelo menos o que eu quis dizer.

      Não avaliei os autores citados comparados aos gringos, avaliei comprados a eles mesmos. E mesmo assim não todos, somente os 3 citados foram criticados justamente por serem levados pela mídia e público como os grandes representantes da literatura fantástica nacional.

      Existe uma leva de bons autores brasileiros: Eric Novello (citado), PJ Pereira (que apesar d’eu não ter gostado do livro dele, o material é muito bom e bem feito), Orsi, Marcus Achiles e outros.

      E mesmo a santíssima trindade não é “uma merda”. Vianco é competente, Spohr é esforçado apesar das limitações e Draccon… bom esse sim acho uma merda.

      Só que entenda que pelo menos eu deixo meus gostos de lado para fazer as afirmações. Por mais que não goste de um estilo, temática ou qualquer outro elemento, por mais que um livro seja aborrecidíssimo para mim, eu gosto de comunicar e reconhecer o valor dele e deixar claro: isso é bom, mas não funciona para mim. Você citou Dante e eu vou de Machado: é de um valor literário incrível e de qualidade, mas acho terrivelmente chato para o meu gosto.

      Você citou Tolkien, meu escritor favorito. Adoro, mas ele escreve de maneira modorrenta. Sabe-se lá Deus como isso funcionou, mas funcionou. Bom, até porque o foco do Tolkien não é no desenvolvimento da história, mas no mundo. Mas ainda assim, dava pra ser menos chato.

      O caso do Draccon não tem nada a ver com meu gosto ou com a história que ele conta, mas com a escrita paupérrima. A construção de sentenças é pobre e mal-feita, e parece que não importa a editora, nunca tem revisão nos livros dele. Os mundos e personagens são mal acabados, cheios de falas articifiais, eu poderia até pegar alguns exemplos e colocar aqui. A incompetência dele é na habilidade para escrever mesmo. E livro após livro, nada muda, parece que não há esforço em aprimorar-se.

      O único valor desse autor talvez seja provar que sucesso comercial do gênero feito por brasileiros é possível. Só. Porque até dentro da literatura de entretenimento raso não precisa escrever dessa forma. E a mídia (e leitores) tem lá sua culpa na classificação. De novo, nada contra adorar Transformers (eu gosto, mas sei que é ruim), mas não vamos iniciar uma campanha pelo Oscar, nem fazer matérias colocando-o ao lado d’O Poderoso Chefão.

      Só isso. Nada a ver com o fato dele ser ou não brasileiro ou meu gosto pessoal por um ou outro livro. Como você mesmo diz, que adora Vianco, mas odeia os finais. Ter essa consciência da qualidade do que se gosta é importante para dimensionar a obra.

      • Lucien o Bibliotecário

        Igor,

        E outro ponto importe as críticas que você levantou não deixam de ser opiniões suas, correto? Em nenhum momento da discussão ouvi você dizendo: “E quem discordar de mim está errado!”.

        Eu fico feliz em gravar episódios assim, pois percebemos como cada pessoa vê o mercado nacional e seus respectivos escritores.

        Todos – no fundo – estamos engrandecendo a literatura nacional, seja em maior ou menor grau.

        Obrigado pelo comentário, amigo, sempre mandando muito bem.

        Abraços.

    • Sérgio Magalhães

      Bacana seus comentários jedimdk, embora não concorde com muitos deles, mas como você mesmo disse, questão de opinião.

      A única coisa que me incomodou muito foi sua crítica final sobre os argumentos do programa terem sido em favorecimento de um “puxa-saquismo” em relação à autores estrangeiros. Na boa, acho que isso se deu bem mais de sua avaliação ao ouvir o programa, do que de nossa parte ao expor as ideia, pois não ouve isso em momento algum. Aliás, eu mesmo elogiei pra caramba diversos autores, e disse que achava os livros dos citados de bons para médios, como isso pode ser detrimento em favor do “de fora”?

      Bom, é isso, obrigado pelos elogios também e por enriquecer o debate 🙂

      • Lucien o Bibliotecário

        Sérgio,

        Concordo com você. Não vi nenhuma glorificação ao autor estrangeiro.

        Eu entendo o Klaus quando ele diz que devemos evitar as comparações, mas acho que foi isso que fizemos. Falamos do mercado nacional para ele.

        Obrigado por engrandecer o debate.

        Abraços.

  • Eriton

    Eriton Araujo, Recife -PE, estudante desesperado de física, 17 anos.
    Tretas, tretas, tretas! Quem não adora tretas? Já entrando na discussão do tema principal, na minha opinião essa literatura fantástica nacional não existe, mas está nascendo, quebrando a casca do ovo. Um bom exemplo que tenho para mim é o livro “Rio: Zona de Guerra”, que tem elementos de ficção (ou distopia, admito que não consigo classificar muito claramente) bem clichês e, no entanto, trabalha com eles de forma muito nacionalizada. Sabe, não tinha como não dizer que aqueles personagens não estavam aqui no país e nem como substitui-los por aqueles velhos esteriótipos clássicos. O ponto aqui é o seguinte, se é possível um livro ser construído dessa maneira, então é, sim, muito plausível dizer que em algum momento (num futuro próximo, talvez) venha a surgir essa literatura brasileira com o “toque nacional” na qual os problemas abordados sejam provindos da nossa cultura e que os conflitos colocados na trama sejam mais abrasileirados.
    Então, falando agora dos temas secundários do cast. Primeiramente, começar 2015 em clima de mamilos polêmicos deu uma ótima ideia de que o que está por vir vai ser sensacional. Sobre aquela parte da conversa envolvendo literatura fantástica e realismo mágico, eu tenho um ponto de vista próprio e me abstenho agora de dizê-lo, pois o tema principal aqui é o da literatura no Brasil e isso desfocaria as discussões. Para finalizar, gostaria de acrescentar um “Putaquepariu,parabéns veio!” ao Lucien, pela edição desse cast que aumentou exponencialmente de nível. Repetindo o que eu disse acima, 2015 parece promissor. 😀

    • Lucien o Bibliotecário

      Eriton,

      Muito obrigado pelo elogio a edição.

      Concordo com você que temos um mercado em processo de amadurecimento. Sem puxar-saco para ninguém, existe diversos autores escrevendo e experimentando novas narrativas. O futuro para a literatura fantástica nacional é promissor sim!

      Agradeço pela indicação do livro, não conhecia, vou procurar.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

    • Ezequias Campos

      Cara eu li esse livro, antes dele ser publicado. Apesar dos clichês ele entrega o que promete. É divertido. Provoca aqui e acolá nos temas BEM brasileiros.

      Tomara que o autor volte a escrever e melhorar.

      • Eriton

        Man, eu também achei bem clichêzinho, aqueles roteiros sessão da tarde e pah, mas ele desenvolveu de uma maneira bem legal, foi tanto que eu terminei o livro em pouquíssimo tempo. Também espero que o autor volte a publicar, ele parece bem promissor

        • Lucien o Bibliotecário

          Eriton,

          Este livro não é mais publicado? Vish! Só em sebo agora?

          Abraços.

  • Lucien, após anos pegando no seu pé para habilitar algum plugin de respostas de comentários nada mais justo do que elogiar a implementação do Disqus.
    Certamente a maior facilidade de interação trará benefícios tanto para os leitores quanto para o Leitor Cabuloso.
    À parte isso, mais uma vez você merece palmas por mais um excelente episódio, se continuar assim vou ter que subir meu padrão, e me tornar mais exigente, já que excelente está virando rotina em meus comentários, onde ficará minha fama de cri-cri (vulgo chato) desse jeito?

    • Lucien o Bibliotecário

      Ivan,

      Olha que eu posso ficar mal-acostumado!

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

    • Lucas Rafael Ferraz

      Ivan, isso era algo que, como ouvinte, eu sentia muita falta no LC, cheguei a sugerir para o Lucien, e quando enfim consegui completar meu plano maligno para me infiltrar no ranks cabulosos, pude por em prática.
      Esse já está sendo um ano diferente por aqui, estamos fazendo várias coisas, fique ligado!
      =D

  • Francesca Abreu – Manu e Nelle

    Excelente programa, mas, tenho que confessar que é um saco certos comentários destrutivos de pessoas que ficam cagando regras como se fosse o maior conhecedor de livros do mundo. Enfim!!! Se estou com birra, acho que outras pessoas também tem birra.

    • Lucien o Bibliotecário

      Francesca,

      Lembre-se de que somos apenas leitores expressando nossas opiniões. Não somos “formadores de opinião”, querendo impor nossa visão, mas querendo fomentar o debate. Sei que você talvez nem esteja falando de mim, mas é importante dizer sempre que queremos propor uma discussão que começa no programa e termina nos comentários (ou não, hein?) 😀

      Muitíssimo obrigado pelo seu comentário.

      Abraços.

  • Ezequias Campos

    Ezequias Campos, 29 anos, advogado, Maceió, Alagoas

    Excelente tema, um debate muito saudável sobre uma coisa que precisa ser pensada e estimulada que é a escrita nacional! Quem sabe, um dia, os estudantes não terão um destes autores para estudar na literatura brasileira! Chega de sofrimento, chega de forçar a leitura de a moreninha para nossos estudantes (brincadeira, é importante também)

    Meus pensamento é bastante incisivo (e polêmico) sobre o tema e confesso que um tanto amargo: eu não vejo tangibilidade na identidade nacional brasileira, ela é uma invenção recente.

    Vamos considerar que a vinda de Don João VI em 1808 é que finalmente houve uma preocupação em se criar uma identidade única do Oiapoque ao Chui (sem considerar a até então perdida província cisplatina). Pouco mais de duzentos anos, portanto.

    Não foi fácil a manutenção da extensão territorial continental do país até porque, paralelamente, o regionalismo é sim muito forte. Que se diga a rebelde província de Pernambuco (penalizada com a perda de Pernambuco do Sul, conhecida como Alagoas), com a sua revolução Pernambucana (e outras), Farroupinha, no Rio Grande do Sul, e até mesmo São Paulo com a revolução constitucionalista.

    Na minha opinião o Brasil ainda é uma grande cocha de retalhos de vários e interessantes regionalismos. Eu acredito no discurso que a nossa diversidade pode fazer a nossa força, mas há de se ter uma cola, algo em comum na cultura. Ela está se formando, mas ainda não consigo tocar-la.

    Nisto, o país ao meu ver teria uma identidade ainda adolescente que se descobre e se trabalha diante de suas idiossincrasias.

    Mas não sou antropólogo, nem escritor, apenas um leitor (muito leigo) aproveitando aqui para dar minha opinião.

    • *Clapclapclap*
      Ótimo ponto Ezequias!
      Nosso lindo regionalismo nunca deve acabar. O ponto “cricricri” dele é o mesmo ponto positivo, ou seja, ele levanta opiniões divergentes.
      Nossa identidade existe. Se somos vira-latas, qual o problema nisso afinal?
      O problema não está aí, creio eu, mas sim em não aceitarmos isso.
      Como sempre frizo, um beijo pra Malinche e sua maldição! =*

      E obrigada por ter tocado nesse ponto, eu estava ávida por ver alguém falar sobre isso.

      • Lucien o Bibliotecário

        Domenica,

        Você colocou uma questão interessante. Será que não estamos tão preocupados em superar nossos defeitos que não percebemos que eles nos constituem também?

        Obrigado pela reflexão.

        Abraços.

    • Igor Rodrigues

      Concordo plenamente. Não advogo jamais que exista uma identidade formada e coesa (apesar que acredito que o futebol é o único aspecto universalmente brasileiro). Só espero que até essa vira-latice (isse?) seja explorada. Olha o cinema e seus nordestinos, seus quatrilhos, suas favelas e Ipanemas. Tem que ter mais de tudo.

      • Ezequias Campos

        Exatamente, tem que ter tudo, e MAIS.

    • Janaina Muniz

      Concordo com você Ezequias até a parte da globalização.

      Acredito que o conceito de globalização ainda é idealizada por muito de nós. Podemos falar de escritores de lugar x e y porque nós quando atribuímos valor dos objetos que consumimos, estamos não só definindo o preço mas agregando valor simbólico.

      Por exemplo: duas calças jeans são produzida em Mossoró, uma recebe a etiqueta da GAP e vai pros EUA e outra recebe etiqueta da C&A. As calças são as mesma, e com os devidas adaptações cambiais os custos podem ser até equivalentes. Mas o que faz um turista sair daqui pra ir NY e ir comprar numa loja como a GAP (que é uma C&A americana) e não na própria C&A? Porque a marca “agrega valor simbólico”.

      Esse ato de dar valor simbólico vai mudar de acordo com a cadeia de produção dos símbolos, digamos assim. Uma diferença de percepção. Se você está próximo do núcleo de produção simbólica o valor vai ser X (e quando eu digo valor quero dizer: preço + símbolo), mas quando mais você se afasta do núcleo de produção para a periferia da cadeia e as bordas o valor vai ser diferente devido a questões culturais e histórica. É como se você tivesse testemunhado na sua frente um acidente de carro, você vai relatar os fatos de um jeito, quem tava a 10 metros de distância vai relatar de outro, e quem ouviu a gritaria e veio correndo pra ver o acidente vai ver de outro. Ou seja, um mesmo produto pode ter valores X, Y ou Z dependendo de quem produz e quem consome.

      • Lucien o Bibliotecário

        Jana,

        Daí a importância do que o Spohr disse: que hoje temos pessoas escrevendo e tirando suas ideias do papel. Pois só assim será possível, através de erros e acertos, iniciar um literatura que tenha uma cara genuinamente nacional.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

      • Ezequias Campos

        Ótimo ponto, Janaina, mas acho que as perspectivas se aproximam cada dia mais. Um exemplo bobo e impreciso: de dez anos para cá qual foi a referência de “elfos” que tivemos? SdA e HP (em menor escala)?

        É só um pensamento, não acho que vamos todos escrever de uma maneira só, o que seria muito chato… mas tendemos as nos aproximar, é o que eu acho, ao menos.

    • Lucien o Bibliotecário

      Ezequias,

      Existe outra questão ai que não coloquei na discussão, pois não tenho muitos conceito pré-definidos. Mas acredito que o próprio conceito de pátria e de Brasil seja confuso para nós. Já assisti a várias debates sobre esse tema e sempre me pego a pensar. Se nós não conseguimos no definir bem, o que dizer de nossa arte? (Não sei se me fiz entender, pois caminho em ovos quando quero abordar tal assunto).

      Adorei o seu ponto de vista.

      Obrigado por alargar a discussão para outros patamares.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Ezequias Campos

        No trabalho eu tenho sempre uma sensação…quando se dá muito trabalho para explicar uma coisa… tem algo errado ai!

        Digo, se é tão difícil definir uma cultura brasileira, pela navalha de occam, temos que ela simplesmente não existe! Ou simplesmente não podemos estudar-la por estarmos bem dentro dela!

        Enfim, temaço, muito bom ouvir os autores nacionais dando sua opinião no cast, tá ai o cabuloso sendo referência mesmo.

        • Lucien o Bibliotecário

          Ezequias,

          Obrigado por achar que o CabulosoCast é referência.

          Voltando a questão: é um ponto a ser bem estudando e com cautela.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

  • Olá, Lucien e leitores cabulosos. Saudações e parabéns pelo cast, extremamente divertido e instrutivo. Tenho algumas opiniões sobre o assunto. Vamos lá.

    Primeiro, sobre a pergunta central, se existe uma produção nacional de fantasia. Minha resposta é: não sei. Honestamente, nunca pensei sobre isso. Não que a discussão seja irrelevante, mas tenho certeza que tanto para os leitores quanto para os autores, não faz muita diferença. Os romancistas (os que conheço, pelo menos) estão quase sempre focados em escrever, unicamente, em colocar para fora a história que está no coração. Já para os leitores, só o que interessa é ler um texto que os emocione (de uma forma ou de outra), não importa se o cenário é brasileiro, estrangeiro, se é alta fantasia, baixa fantasia, terror, steampunk, cyberpunk ou qualquer outro gênero. No entanto, concordo que meditar sobre a questão é no mínimo interessante, sobretudo para os críticos e acadêmicos, que, por sinal, têm todo o meu respeito.

    Bom, agora vamos às polêmicas (AhHAAH). Em relação ao título de “santíssima trindade”, rejeito veementemente, e acho até bisonho. Só posso supor que o termo tenha sido criado (ou que esteja sendo usado) por meia dúzia de mimizentos com o intuito de nos colocar em um pedestal, enquanto eu SEMPRE me esforcei para mostrar o contrário, para mostrar que eu, bem como os meus colegas, somos iguais a todo mundo. Vianco, Solano, Caldela, todos nós começamos do nada – portanto, o que nós conquistamos, qualquer um pode conquistar, basta ter persistência e (com licença, vou usar um clichê agora) acreditar no seu sonho.

    Para fins de ilustração, a trajetória do André é emblemática. Ele usou todo o seu fundo de garantia para investir, por conta própria, no projeto do livro “Os Sete”. Depois, percorreu as livrarias, sozinho, tentando vender e posicionar os exemplares. No meu caso, o concurso da Fábrica de Livros, que eu ganhei em 2007, e que deu início às minhas publicações, só veio a acontecer após eu submeter os meus escritos a mais de 20 outros concursos, sem sucesso. Com o NerdCast, ocorreu algo parecido. O primeiro programa que eu participei (o número 13), teve, na época, menos de 200 downloads, muito menos do que qualquer podcast que estreie hoje em dia (naquele tempo, vale lembrar, não tínhamos os recursos do iTunes, do Twitter e nem do Facebook). Por isso, digo e repito: tudo o que eu e os outros autores nacionais de projeção alcançamos, qualquer um pode alcançar.

    Em relação à crítica do Igor, respeito profundamente, e não tenho dúvidas de que eu ainda tenho MUITO a aprender. Não almejo e nem nunca almejei escrever um livro perfeito – na verdade, eu sinceramente espero que isso jamais aconteça, porque são justamente as falhas, e a vontade de melhorar, que nos movem a cada dia. Comigo, sempre foi assim: quanto mais difícil o capítulo, quanto mais complicado o desafio, mais gratificante é a sensação ao completá-lo. Imagino que um profissional que já saiba de tudo, que tenha atingido um grau máximo de perfeição, não tenha muito estímulo para continuar caminhando. Definitivamente, não é isso o que quero para mim, pois pretendo, ainda, escrever muitos livros, procurando, claro, me aprimorar um pouquinho a cada título lançado.

    Do mesmo modo que os participantes, há também várias obras na minha estante que eu li e não curti. Por exemplo, não gostei de “A Torre Negra”, embora seja fã do Stephen King, e desisti de acompanhar a série. Em nenhum momento, porém, eu vejo essas peças como “um lixo”, tampouco como “ridículas”. Na minha visão, ridículo é se acovardar, ridículo é ter uma ideia e não escrever, ridículo é ter um livro e não publicar, por medo de se expor, por receio do que os outros vão dizer, por medo do que fulando ou ciclano vai pensar. De que adianta ter uma coleção de ideias geniais, escrever extremamente bem, construir frases matematicamente perfeitas e deixar o texto na gaveta?

    Dentro dessa ótica, discordo do que foi dito, em alguns pontos. Não acho que nenhuma obra escrita ou publicada seja de fato “ridícula”, mesmo que eu não aprecie o enredo ou o estilo. Respeito e valorizo absolutamente TODOS os autores que tiveram a “audácia” (o termo é provocativo mesmo) de pôr a cara a tapa. Na minha opinião, isso é ser escritor, no final das contas, é ter a coragem de encarar os seus medos apesar das imperfeições, até porque ninguém é perfeito.

    Antes de terminar, só uma correção ao que disse o Rafael (acho que foi ele), que pode soar estranha para muitos. Embora os jovens constituam a parcela mais participativa do meu público, comparecendo aos eventos e debatendo na internet, hoje, após meus livros serem comercializados pela Avon, 60% de quem me lê, acreditem, são mulheres acima dos 40 anos. Outra curiosidade, um tanto bizarra: enquanto aqui no Brasil meus romances são vistos como populares (ou “blockbusters”, como citou o Lucien), na Alemanha eles encontraram seu nicho entre a turma mais intelectual, que gosta de explorar textos alternativos de autores latino-americanos. Não estou dizendo isso para entrar na defensiva, nem para contestar o que foi falado no ar, e sim para frisar minha tese de que os rótulos, indubitavelmente, são pouco relevantes ao público em geral.

    Para encerrar, queria agradecer ao Lucien por nos trazer esse tema e aos demais participantes por desenvolvê-lo. Aguardo pelas próximas edições, sempre de olho 🙂

    abraço forte a todos,
    Eduardo

    • Sérgio Magalhães

      Obrigado por ser sempre tão cordial e esclarecedor Eduardo. Não quero dizer com isso que você esteja inteiramente certo, ou o Igor, pelo menos em todos os pontos dentro do tema. No entanto, manter o debate neste nível é algo que somente pode engrandecer a questão, afinal, são pontos de vista e, como tal, devem ser respeitados, desde que mantenham uma linha de coerência.

      No próprio episodio, as opiniões foram conflitantes, por exemplo, em relação ao seu livro, no caso. Eu disse que achava uma literatura “blockbuster”, sem depreciação, sendo com isso constituído de enredo rápido, divertido, empolgante. O Lucien enalteceu a experiência de leitura dele, enquanto o Igor não curtiu tanto. Assim, acho que está nesta diferença a riqueza do diálogo. E como dissemos no final, cada leitor deve ler e tirar sua conclusões. Caso não concordo com elogios ou críticas à obra, pelo menos ele terá um parâmetro para estabelecer suas própria opinião.

      Abraço

      • Com certeza, Sérgio. Não entendi como depreciação, não, muito pelo contrário!

        Sendo absolutamente sincero, sem falsidades ou meias palavras, acredite quando eu digo que considero um IMENSO privilégio ser citado e comentado. Adorei o programa, de verdade. A riqueza todas está, sem dúvida, na divergência do diálogo – como seria chato o mundo se todo mundo pensasse do meio jeito, né? 🙂

        Está aí um cast q vou escutar muitas vezes, abração.

        • Lucien o Bibliotecário

          Eduardo,

          Agradeço por tê-lo como ouvinte.

          Obrigado pela amizade.

          Abraços.

      • Lucien o Bibliotecário

        Sérgio,

        esse ponto é importante. Não podemos menosprezar o leitor por sua obra. Como disse o próprio Igor, cada um te o direito de gostar do que quiser.

        Como temos um mercado principiando, temos muito o que caminhar. Mas volto a dizer – e as palavras do Spohr enaltecem isso – temos pessoas escrevendo e sendo lidas, logo possuímos um panorama perfeito para mudança e evolução.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

    • “Em relação ao título de “santíssima trindade”, rejeito veementemente, e acho até bisonho. Só posso supor que o termo tenha sido criado (ou que esteja sendo usado) por meia dúzia de mimizentos com o intuito de nos colocar em um pedestal, enquanto eu SEMPRE me esforcei para mostrar o contrário” foi o que sempre senti sobre você. já li muitas críticas positivas, negativas, apaixonadas, sarcásticas. ainda não li nenhum livro pra tirar minhas conclusões, mas admiro muito você estar sempre aberto ao que o público acha da sua obra, agradecendo “as pedradas e as flores” com um carinho quase búdico hahahaha

      Abs!.

      • AhHA. Gostei do termo, Rafael (“carinho quase búdico” AHAhA).

        Bom, na realidade eu penso assim: se a pessoa está criticando, supõe-se q ela leu o livro, e tudo o que um autor quer é ser lido. Portanto cada crítica (negativa, positiva, apaixonada ou sarcástica) é, ao meu ver, uma grande conquista. nesses casos, o mínimo que posso fazer é comentar e agradecer 🙂

        • Lucien o Bibliotecário

          Eduardo,

          Concordo. Sem mais!

          Abraços.

      • Lucien o Bibliotecário

        Rafael,

        No fundo, sempre que recebemos uma crítica, seja o Spohr, eu ou você como editor da Trasgo, deveríamos no mínimo nos esforçar para fazer isso.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

        • Não, editor da Trasgo é o Kampen hahaha eu trabalhei com ele em agência, não na revista. Por enquanto, meu envolvimento com literatura é com minha loja e blog Coisas Horrorosas <3

          E sobre lidar com crítica, a gente tem que agradecer mesmo e seguir em frente. E nem é porque podemos melhorar o texto, é porque às vezes quem leu não é o público. Eu com leitura crítica uma vez recebi uma crítica bem dura sobre uma história infantil que havia escrito, mas a pessoa que o leu não tinha nenhum contato com literatura infantil, conforme descobri depois. Quando mandei para um editor ele se interessou em publicar na hora, a mesma obra, dizendo que tinha adorado ela.

          E espero que a história seja publicada nesse ano o/

          • Lucien o Bibliotecário

            Rafael,

            Foi mal! Confundi tudo! Isso é o que dá responder ao comentários de madrugada! 😀

            Esse é um bom exemplo, meu amigo, às vezes o blogueiro lê o livro não gosta. Mas a pessoa é aficionada por ficção científica e quando lê fantasia diz que achou um lixo. Esse tipo de crítica o autor deve passar por cima.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Eduardo,

      É por isso que falei que estamos iniciando algo e isso deve sim ser levando em conta quando falamos de literatura fantástica nacional. Mesmo que digamos que existia o autor fulano de tal que já escreve a tantos anos nunca ouvíamos falar dele. Hoje, com o destaque como o seu, diversos autores que estavam no anonimato apareceram para o público. É bom? É ruim? Não é fácil precisar, pois à medida que se escreve e, como bem você frisa, pelo menos existem autores escrevendo e isso é que é importante.

      Pior seria se todos estivessem com seus projetos engavetados esperando atingir o suprassumo da perfeição.

      Muito obrigado pelo seu comentário corajoso.

      Sempre terá o meu respeito.

      Abraços.

      • Com certeza, Lucien. Concordo com todas as suas palavras no post acima e com os seus comentários no programa, que foram realmente brilhantes 🙂

        Em relação aos diversos autores que estão aparecendo, eu tenho uma opinião formada: acho ÓTIMO. Se o trabalho dos caras é bom ou ruim, importa pouco. É o público que fará essa seleção, sem falar que o conceito de bom ou ruim é relativo. Cada um tem o seu gosto e é preciso respeitá-lo, sem tratar a obra com deboche ou desprezo. Sei que às vezes é “cool” em rodas de amigos emitir comentários pejorativos sobre “Crepúsculo” ou sobre “50 Tons de Cinza”, até para parecer mais culto, mostrar sapiência e erudição. Nada mais patético, e só entrega o quanto a pessoa é insegura. De minha parte, não li nem “Crepúsculo” e nem “50 Tons”, mas já gostei pelo simples fato de estimular a leitura e (em alguns casos) a escrita. Escutei o programa sobre os clássicos e, ao que me lembre, você concorda comigo nesse ponto.

        Isso nos leva diretamente a outra questão que foi abordada no cast, sobre a supervalorização de certos autores, nacionais e / ou estrangeiros. Bom, como escritor, não seria ético eu apontar romancistas específicos e nem avaliá-los (quem sou eu?). Direi apenas que gostei da maioria das coisas que li. MAAAS, suponhamos que a obras deles sejam fracas mesmo, e que esses títulos sejam realmente supervalorizados. E daí? O mundo é um lugar cheio de injustiças, de qualquer maneira. Que mal isso pode causar? E – já propondo uma reflexão final – por que, às vezes, isso nos incomoda tanto?

        Só uma cutucada para incitar debates futuros 😉

        Espero ter acrescentado mais um pouquinho. abração,
        Eduardo

        • Lucien o Bibliotecário

          Eduardo,

          Isso é verdade. Sempre venho a dizer isso. Lá na minha escola vieram perguntar se eu ia assistir ao filme de 50 Tons, disse que não e falei que não era o meu gênero. Imediatamente começaram a falar que eu tinha preconceito e que só gostava da “boa” literatura. Foi ai que falei que acho ótimo o sucesso desses livros por trazerem mais leitores para o mundo da leitura. O mesmo aconteceu com Harry Potter e Crepúsculo, gostem os puristas ou não!

          Sem sombra de dúvida, autores ruins estão ai para até mesmo mostrar a outros autores que é possível escrever um livro bom e chegar a ser publicado. Eu disse isso quando falo de professores ruins que tive: “eles me mostraram como não ser como eles”.

          Obrigado pelo comentário, meu amigo e por engrandecer o debate.

          Abraços.

    • Ezequias Campos

      Eduardo, dá uma chance para a Torre Negra, ela melhora.

      O primeiro livro é um saco mesmo, o SK mesmo admite. Mas a série melhora absurdamente depois (assim como a sua escrita no Filhos do Éden), dá uma chance, eu mesmo acho que ela é a opus magnum dele.

      • Valeu pela dica, Ezequias. De repente faço isso sim 🙂

      • Lucien o Bibliotecário

        Ezequias,

        É bom saber que terei que passar pelo primeiro livro para ler o restante dá série. 😀

        Obrigado pelo dica.

        Abraços.

    • Jonas Daggadol

      Muito bom seu comentário, Eduardo.
      E, apenas para colocar na sua “conta”: Tenho 38 anos, não sou leitor de fantasia, leio um ou outro esporadicamente. Gosto dos clássicos.
      Li “A Batalha do Apocalipse” entre algum “Machado” e “Victor Hugo” alguns anos atrás. Fiquei muito satisfeito com o produto que chegou em minhas mãos. Me diverti, comprei a história e os personagens. Valeu cada minuto e centavo. Agora está na minha estante, ao lado de outros livros ótimos e imperfeitos como ele.
      Abraço!
      Jonas.

  • Alex Fonseca Silva

    Alguém ai ja leu Olam?

    • Lucien o Bibliotecário

      Alex,

      Pode citar o autor? E por que a pergunta?

      Abraços.

      • Alex Fonseca Silva

        Olam – Crônicas de Luz e Sombras Wurlitzer, L. L.

        Que apesar do nome é brasileiro, e escreveu um capa espada com base na mitologia Hebraica.
        Porquê é um livro que tem haver com o tema, mas que eu cheguei a conclusão, depois do pod, de que no brasil o que mais temos a feito no Brasil, e não Brasileiro, mas que no fundo isso pode ser o jeito brasileiro, antropofágico, de fazer as coisas… [http://www.skoob.com.br/livro/205197ED229376-olam—cronicas-de-luz-e-sombras]

        • Lucien o Bibliotecário

          Alex,

          Obrigado por responder. Não conhecia a obra e fiquei curioso para lê-la. Valeu pelo link, vai para o Notas de Rodapé!

          Abraços.

          • Alex Fonseca Silva

            Voltando aqui pra perguntar se leu e o que achou?

  • jedimdk

    Klaus
    37 anos
    Sobradinho DF
    Proprietário da Frutta Mesmo Picolés Naturais

    Aos meus caros Lucien, Igor e Sergio

    Obrigado por comentarem sobre o que eu escrevi. Esta foi uma semana interessante. Primeiro participo deste dialogo construtivo e depois descubro um bug na divulgação do cast do Luciano Pires e ainda troco idéia com a Ciça do Café Brasil. Nada mal para um perfeito anônimo.
    De todo modo, eu respeito a opinião dos três, acho que a riqueza do que foi falado é exatamente termos opiniões diferentes e ainda assim conseguirmos manter o nível.
    Volto a reiterar dois pontos que afirmei antes: senti um certo movimento de puxar o saco dos autores estraangeiros sim. Admito que a minha compreensão é falha, como a de qualquer um. Mas ao ouvir novamente o cast, senti a mesma coisa. Assim como senti umas pedradas da direção de certos autores brasileiros pelos quais eu tenho um xodó enorme. Me deu vontade de expor uma defesa em favor deles.
    No caso do Spohr, gosto bastante dos livros dele, e cheguei até a fazer a versão em italiano para a minha irmã, que não sabe ler em português.
    Para o Sérgio: se o que eu falei incomodou tanto, é por causa do fundo de verdade. Afinal de contas se me falarem que eu sou um péssimo cozinheiro, não vai me incomodar, pois passa longe da verdade. Só lembrando que é a minha opinião e não pretendo em momento algum ter razão. Só dialogar mesmo, pois quando concordamos em tudo, é aí que não aprendemos nada um com o outro.
    Para o Igor: acho que eles são representantes brasileiros da literatura fantástica sim. Pelo o que ouvi e li, me parece que você não tem a mesma opinião. E é um total direito seu.
    Para o Lucien: que programa fenomenal. Fantástico em todos os espectros possíveis. Polemico e bem “temperado”. Que venham mais como este. Admito minha falta novamente em não ter lido ainda Saramago. Ta na minha fila de livros para ler. Faltam dois do Martin, um do Spohr, e vou procurar o Vidas Secas que você ja recomendou em outro cast. Só então que o Saramago vai ter a vez.
    Quanto a importância dos autores, eu volto a lembrar que autor bom é o autor que é lembrado, que cria personagens que ficam em nossa imaginação. Por isso para mim, vale mais um Vianco do que um Machado de Assis. Mesmo reconhecendo o valor literário do Machado. Um que eu nunca esqueci os personagens e nestes dias foi criticado, é o Lobato. Que grande autor.

    Sem mais para acrescentar, agradeço a todos pelo ótimo cast, os convidados mostraram que podem acrescentar muito para o dialogo. No dia que o cast a ser gravado for sobre culinária, bebidas ou literatura italiana, é só me chamar que tenho muito a contribuir.

    • Albarus Andreos

      Albarus Andreos, 47, paulista, escritor. Lendo atualmente As mentiras de Locke Lamora (um dos melhores livro de fantasia que li, depois de Jonathan Strange e Mr. Norrell, de Susanna Clarke).
      Klaus, uma curiosidade aqui. De que forma Licia Troisi é vista na literatura fantástica italiana? Seria interessante você poder fazer essa transposição para nós. Temos nesse podcast uma visão do brasileiro com relação a sua literatura fantástica, tendo sempre como comparação a norte-americana, que logicamente é a referência de todos nós. Mas, como os outros países enxergam as literaturas fantásticas próprias? Igor, talvez possa perguntar a Diana (que não é espanhola, mas vamos tentar…), como é a perspectiva sobre Rafael Ábalos, por exemplo, feita pelos espanhóis (para quem não leu Grimpow, que nem é novo, recomendo…)?

      • jedimdk

        A literatura fantástica na italia na época que eu ainda morava lá era basicamente uma pereba que se tem na pele. Você a tem, mas não a mostra pra ninguém, a não ser para um profissional do ramo. Na escola, eu tinha de ler os clássicos, do século 12 ao 20, acompanhar o perfil artístico da época e fazer paralelos com os fatos daquele período. Tanto na escola como fora dela, jamais pude ler outro tipo de literatura. Bem, não é exatamente verdadeira esta minha afirmação. Tínhamos livros para jovens e adolescentes, cômicos que aqui não sei se existem em forma de livros, suponho em forma de gibis. Eram os seguintes:

        (coloco a tradução logo pra não encher o saco de ninguém)

        Até as formigas em suas pequenas vidas se emputecem

        Como se tornar rica e babaca

        A princesa sobre a ervilha (sendo que ervilha pode ser uma brincadeira com o órgão genital masculino)

        Diário (livro musical)

        Aquela vaca da vovó Donalda

        E por ai vai. Eram livros engraçadíssimos que falavam um pouco de tudo. Dos problemas dos adolescentes, ao primeiro amor, sobre as conspirações da Disney, sacaneavam os personagens dos filmes e dos desenhos, e outras coisas mais.

        A literatura fantástica mesmo, não existia. Hoje ela deve estar no mesmo patamar que a literatura fantástica brasileira estava quando o Vianco sacou seu FGTS e publicou com a cara e a coragem o seu livro de vampiros , Os Sete.

  • Fala galerinha do Mau,

    Puta que pariu! Só ouvi verdades.

    A parte final sobre a trindade brasileira foi muito boa, leram meus pensamentos 😉

    Só achei que faltou mencionar o Macunaíma no comecinho quando vcs estavam discutindo a fantasia brasileira. Óbvio que não pra comparar ele com Harry Potter, mas pra ajudar na história que o Brasil tem contado da fantasia.

    Enfim, foi um xuxuzinho

    Sucesso

    Mau

    • Lucien o Bibliotecário

      Mau,

      Agradeço o comentário e sim, faltou o Macunaíma, mas para mim já está decidido que no 2º semestre devemos falar de Realismo Fantástico.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Victor Burgos

    Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar a equipe pelo podcast. Essa edição foi excelente, e o tema proposto éextremamente relevante ao momento atual do mercado editorial – ainda que eu não tenha concordado com alguns pontos.

    Inclusive, eu gostaria de levantar um pequeno questionamento.

    Vocês acham que é possível dizer que algum país possui uma tradição de literatura fantástica – e por literatura fantasia, entenda-se a fantasia moderna – realmente divergente da “tradição anglicana”?

    E, em resposta a pergunta levantada Pelo podcast, eu não queiro que o Brasil
    possua uma corrente própria de literatura fantástica. E, francamente, eu não creio que vamos consegui uma tradição própria transplantando – ou deixando de transplantar – elementos locais em modelos externos.

    O que precisamos de verdade – em minha singela, insignificante e muito provavelmente errada opinião – é de um subgênero novo, algo como o Steampunk ou o New-Weird, made in Brazil. Trocar a mobilha da casa – seja colocar índios no lugar de Paladinos no Castelo da High-Fantasy ou colocar Sacis no lugar de vampiros no hotel da fantasia urbana não resolve o problema. Precisamos de uma planta nova.

    • Igor Rodrigues

      Bom, a Índia possui uma corrente literária forte interna já que ela tem uma civilização antiga e mitos muito presnetes a serem explorados. Recentemente surgiu uma leva de novos autores tentando resgatar isso em novas obras que trazem esses mitos. Lembrando que o subcontinente indiano já tinha civilizões grandes quando es gregos tavam ordenhando cabras no mediterrâneo. Mas ainda está em formação, é um movimento de Alta Fantasia que ressurgiu. Mas olha que engraçado, a comunidade SFF lá tá meio de saco cheio do Mahabarata. Amish Tripahti fez sucesso nos últimos anos com a trilogia de Shiva.

      A China tem visto alguns autores trazerem o Steampunk pra lá já que eles passaram por fortes transformações nesse período. A Alta Fantasia também tem alguns representantes.

      A Rússia tem um mercado interessante de autores que escrevem basedos em mitologia eslava. Começou a bombar do fim dos anos 80 pra cá. Maria Semenova é talvez a mais famosa, mas só tem em russo. Ainda no lado eslavo do mundo, Andrej Sapkowski é o cara. E tem tradução BR nas livrarias (e o jogo The Witcher). Tem o americano Bradley P. Beaulieu que gosta de escrever fantasia com cara de Rússia.

      Agora, nada é tão popular e internacionalmente conhecido como a fantasia medieval com cara de europeia. Inclusive porque todo mundo escreve nesse cenário, não só eles. Virou uma commodity global.

      Muitos autores anglófonos estão começando a escrever em outros cenários justamente pra variar e trazer representatividade além do heroi branco europeu. Mas ainda estamos começando. O engraçado é que quase não ouço um clamor global pela nacionalização da coisa, mas de variação de cenário seja que autor for.

      E entre espanhois muita gente discute a mesma coisa que a gente: orque diabos não explorar o universo local na fantasia (e olha que a herança de narrativas épicas lá é grande, eles tem a Reconquista e até uma espada lendária DE VERDADE feita de metal lendário DE VERDADE http://www.wikiwand.com/en/Tizona ) XD

      Enfim, acho que é isso.

      • Lucien o Bibliotecário

        Igor,

        Muito obrigado por este magnífico panorama. Agora você compreende porque nesses temas sempre chamo você.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Victor,

      Isso entra muito naquela critério de reinventar a roda. Se já temos toda uma cultura sobre trabalha fora sobre fantasia é necessário fazer isso novamente só para chamar de nosso?

      E venho aqui resgatar a expressão do Sérgio quando diz que deve existir um “sentimento nacional”. Mesmo sendo um capa-espada, que nós possamos perceber que ali a algo que possamos chamar de nosso.

      Sobre a sua proposta, acho que funcionaria sim, mas volto ao ponto acima, não precisamos reinventar nada. Mesmo o Steampunk pode ter a nossa cara.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Lucas Rodrigues

        Prezado Lucien,

        Perdoe a demora em responder – minha conta deu um probleminha. Tanto que eu estou usando outra.

        Concordo com você. É possível, sim, escrever uma história capa-espada com sentimento nacional.

        Mas… Não seria um questão de rejeitar a cultura fantástica ou reinventar a roda. Subgêneros, afinal, não vem do nada. O low fantasy surgiu em resposta ao High Fantasy, e o steampunk nasceu como um questionamento do Cyberpunk para depois ganhar vida própria.

        • Lucien o Bibliotecário

          Lucas,

          Concordo, mas acho que isto são consequências que nem mesmo o autor pode controlar ou planejar. Ele pega aquele determinado gênero que gosta e compreende e acrescenta um elemento até então inesperado.

          Não quero necessariamente dizer que pra isso é necessário pagar todas as referências. É como você disse, um gênero deu origem a outro. Talvez isso possa acontecer e vejo que caminhamos para isso.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

  • Victor Hugo Oliveira

    Victor Hugo Oliveira, 24 anos, Engenheiro
    Metalúrgico, Rio de Janeiro, lendo a HQ Retalhos

    Dado ao volume dos comentários, se torna um
    pouco difícil acrescentar algo ou não se perfazer em um texto enorme, mas vamos
    tentar.

    Acho um pouco inocente esperar uma identidade
    nítida e absoluta na literatura fantástica nacional dado seu momento de “explosão”.
    As pressões (e também vantagens) atribuídas à globalização são um forte fator
    com já dito, mas a pressão exercida pelo ritmo de vida, questões mercadológicas
    e pelas outras mídias (sobretudo as visuais) talvez pesem até mais sobre o
    estilo literário em geral.

    Para ser franco, nem acho que seja
    necessário haver tal tipo de identidade. Vejo mais valor em ler uma obra e não
    identificar a origem do autor do que ao contrário. Acredito que é mais
    importante que o autor consiga individualmente criar sua identidade, quer seja
    por estrutura, tema, elucubrações, do que se englobar em uma tendência
    literária ou nacional. Até considero que a questão do “sentimento da realidade
    brasileira” transparecer na escrita posa ser um meio de um autor se destacar em
    algum nível, mas a mim não haveria um atrativo muito forte em uma obra só por
    ela tratar de corrupção, malandragem, filas e outras coisas comuns a nossa
    realidade. Por exemplo, de outra mídia, apontaria o filme Tropa de Elite, que carrega
    fortemente uma identidade brasileira, mas isso não é de fato o que o fez se
    destacar, mas sim a forma crua e sincera que trata da violência e o subtexto que
    discute de paz e justiça e classes sociais.

    A pergunta: Há literatura fantástica
    dignamente nacional? Em quantidade produzida – Acho que sim; em tradição –
    obviamente não; em qualidade – em boa parte sim; baseada fortemente nos mitos e
    marcos culturais brasileiros – parcamente. De toda forma, acabo não acreditando
    muito na importância da discussão: é brasileiro ou é apenas feito aqui?… O
    que não quer dizer que não veja que realmente muitos autores nacionais do gênero
    realmente acabam copiando formas e temáticas descaradamente e que não têm
    maturidade para se distinguir da “massa” apenas por seu texto.

    Sobre a tal “santíssima trindade”: Não há
    dúvida que é uma hipérbole, um exagero, mas não deixa de conter certa verdade.
    A mim, é indiscutível que os três nomes tiveram um peso muito relevante na
    evolução e notoriedade do gênero, abrindo direta e indiretamente muitas portas,
    independente do julgo que se faça da qualidade dos textos ou se de fato se
    tornarão clássicos no futuro. Respeito muito os três; Vianco por sua história e
    vontade de fazer, o Sphor por sua postura e o Dracon pela força que deu a
    outros autores através da Fantasy (apesar de que aqui existem burburinhos de
    panelinhas). Dos três só não li ainda o Dracon, na escrita prefiro Vianco, mas
    acho o sphorverso mais interessante, funciona mais comigo. De toda forma, melhor autores ruins como popstares do que esses atorzinhos de malhaçao e ex-BBBs.

    E pronto, não consegui não me alongar no
    texto.

    • Lucien o Bibliotecário

      Victor,

      Mas foi isso que nos referimos sobre o sentimento regional. Não é algo palpável, mas algo que você sentirá durante a leitura. Uma sensação de “Putz! Que livro foda!”. Não precisa está marcado na linha, ou descrito na nota de rodapé, mas é algo implícito que quando ler você saberá, mesmo que não possua palavras para definir.

      Reconhecemos a importância dos autores citados. À questão levantada com a “santíssima…” é o fato da comparação, pois os outros autores são pilares por motivos diferentes.

      Sem sombra de dúvida os três são muito importantes para nosso panorama nacional.

      E sim, concordo muito quando diz que, prefiro que os três continuem a escrever e divulgar suas obras, do que ficarmos com um ou dois amados pela academia, mas detestados pelo público. Por que eles alargam o mercado e permitem que outros grandes autores cheguem lá.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

    • jedimdk

      Muito boa colocação. Concordo plenamente.

  • Ezequias Campos

    Postando aqui só para elogiar o DISQUIS. Li TUDO desta excelente discussão.

    • =P (Pode falar que não fez mais do que sua obrigação?) hahahaha =D
      Ficou bão né?!
      Abraços Ezequias! =D

    • Lucien o Bibliotecário

      Ezequias,

      É importante saber que os leitores/ouvintes aprovaram.

      Abraços.

  • Marcela Uchôa

    Marcela Uchôa, 21 anos. Curitiba – PR. Lendo Os Miseráveis Victor Hugo.

    Olá, cabulosos. Excelente episódio! Um dos melhores casts. 😉

    O debate foi muito bem trabalhado. É legal ver um tema desses dando tanto assunto sem que fique dando voltas ou que caia em um debate inútil do tipo “o sexo dos anjos”.

    Como foi comentado no programa (não me lembro por quem), não creio que exista uma literatura fantástica nacional, por faltar justamente uma identidade nacional. Acabam sendo histórias que têm o Brasil como cenário do plot. Contudo isso não é algo que se crie da noite para o dia. Demorou para que tenhamos uma literatura “genuinamente” nacional, creio que o mesmo possa acontecer com a fantasia. Até porque viemos em um país onde há vários “países” dentro. Porém, não penso que seja impossível, muito pelo contrário, acho que é algo que vai acontecer sim.

    Confesso eu não tenho cacife para falar a respeito pois só li A Batalha do Apocalipse, mas a Anne Rice, por exemplo, tem um livro que se passa no Rio de Janeiro e dá para ver que é uma obra escrita por uma norte-americana (inclusive visão da Rice do Rio é bem legal e respeitosa, não é nada preconceituosa, como a de muitos gringos).

    Quanto ao livro do Sphor eu achei divertido, mas é longe de ser um clássico. É um livro que serve para divertir e que pouco fica na memória, em minha opinião. O que me incomodou foi o excesso de “purple prose”, algo que eu achei bem desnecessário.

    Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Marcela,

      Fico feliz que tenha gostado do episódio. Sim, concordo com você, e acho que estamos no caminho certo. Li poucas obras de autores nacionais, como você, e acredito que quanto mais escrevermos mais teremos títulos que nos farão pensar e repensar nosso país.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Alguns comentários nesta discussão falam de nacionalidade como se isso fosse uma característica única e uniforme, e que até seriamos vira-latas por sermos formados pela integração de povos de diversas origens.
    Acho esse pensamento equivocado, qual é a identidade nacional do reino unido, a dos galeses, a dos ingleses ou a dos escoceses? França onde os moradores da Alsácia já fizeram parte da Alemanha, e muitos falam o alsaciano, ou da Aquitânia onde eles tem outro idioma próprio, o occitano? Na Espanha o mesmo, com regiões em conflito pedindo separação do território? Mesmo o Japão, o norte e o sul do Japão tem a mesma identidade?
    Ou essa construção é dada por elementos regionais que são vendidos para exportação, como a cultura brasileira representada pelo futebol, carnaval e samba e a cultura escandinava representada pelo viking.
    Na literatura russa, tão famosa, qual é realmente a identidade desse país continental? Será que compramos a literatura da Rússia europeia como sendo a do país todo? Mesmo os EUA, eles tem uma cultura nacional? Qual seria ela? A do Executivo de Nova York ou a do Gay de São Francisco? A do conquistador do Oeste ou a de polícia do mundo?
    São várias questões que tenho feito a mim mesmo, e, no que percebo, esperar UMA identidade nacional é um tanto romântico, todos os países tem essa combinação de vários elementos regionais, os mais fortes, ou de interesse, são escolhidos para exportação, mas qual a real representatividade dentro do país daquele traço cultural, principalmente em países imensos, como Brasil, EUA, Rússia, Índia.
    Não acho que utilizar esses elementos regionais como construção de identidade nacional seja impedimento para termos uma fantasia mais próxima de como nós entendemos o Brasil, o carioca usando elementos próximos a ele, ou que ele reconhece em outras regiões, assim como o paranaense, o baiano, o Paraense, o brasiliense…
    Mas outro ponto que me intriga, pelos comentários, é a impressão que fiquei de que muitos associam fantasia diretamente com época medieval, dragões e elfos, é a isso que se resume a literatura de fantasia?
    Por último nesse longo comentário, uma animação que assisti e faz excelente uso da cultura brasileira para produzir uma ótima fantasia é “Uma História de Amor e Fúria”, que também tem elementos de Sci-Fi
    http://youtu.be/e8pzqnvV4AY

    • Igor Rodrigues

      “a impressão que fiquei de que muitos associam fantasia diretamente com época medieval, dragões e elfos, é a isso que se resume a literatura de fantasia?”

      Acontece. Esse gênero cimentou a fantasia (que nasceu com narrativas épicas mitológicas e encontrou uma casa própria no resgate do medievalismo) e por toda a produção do século XX ficou no imaginário coletivo. Mas não precisa ser. Acho que com a exploração criativa do gênero podemos chegar a um cenário bastante interessante sem nem precisar se preocupar com elementos sendo nacionais ou importados.

      • Ainda bem que Literatura Fantástica é bem mais ampla que apenas Fantasia.
        De qualquer forma quando eu penso em fantasia, é em Gulliver, Alice, Aladin e afins, que penso.

        • Lucien o Bibliotecário

          Ivan,

          Mas não deixam de ser fantasia, certo?

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

          • Na verdade são, mas pontuei isso por ter ficado com a impressão de que insistiram muito na fantasia medieval com dragões, achei que valia questionar e apontar opções.

      • Lucien o Bibliotecário

        Igor,

        Excelente ponto. Mas, vou abordar um assunto que coloquei em outro comentário, acho importante que o escritor conheça bem o gênero que pretende trabalhar até mesmo para poder fugir e inovar.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

    • Lucien o Bibliotecário

      Ivan,

      Concordo com sua afirmação. E acho que realmente devemos repensar a questão da nacionalidade não como uma definição (ou não) da literatura fantástica nacional, mas algo como uma questão narrativa. Cabendo ao autor escrever sobre aquilo que queira escrever.

      Sobre a animação, baixei-a recentemente e prentendo assisti-la em breve.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Não tenho certeza com qual afirmação minha você concordou, Lucien, mas para complementar minha intenção no comentário anterior vou ilustrar com dois vídeos de Villa Lobos, como ele usa algo de uma cultura exterior, música clássica europeia, coloca nossos elementos e cria algo com a identidade daqui.
        Dados esses exemplos, eu diria que a fantasia brasileira, se houver autores interessados, poderia até usar medievalismos dentro do Brasil, por exemplo pegando a lenda de D. Sebastião e jogando-o no interior do nordeste no período do cangaço, de Canudos, ou entre os farroupilhas, ainda que ele tenha nascido em 1554, mas acho que deu pra pegar a ideia, que nem é original.
        Heitor Villa Lobos – O Trenzinho do Caipira:
        ://youtu.be/DC8oFe5bkeY

        Heitor Villa-Lobos – Uirapuru:
        h
        youtu.be/Wgh8CzHPKok

  • Roger França

    Roger França, 20 anos, Santo Antônio de Jesus – BA, aluno de Letras – Português

    Terminei de escutar e cara, desculpa o trocadilho imbecil meu, mas que podcast… fantástico.

    De saída já fiquei um tanto confuso a respeito das classificações do gênero de fantasia. Tento não dar tanta atenção aos rótulos e cápsulas usados para nomear onde cada obra está, mas quando o nerd que há em mim resolve querer tirar os detalhes a limpo… Fudeu. Pra sempre ficarei tentando encontrar a verdade final sobre qual definição é mais apropriada.

    Mas a parte que interessa: cacete, essa segunda metade do cast foi – gíria de velho – pauleira. No meu caso, li 3 livros do Vianco, todos do Draccon e 2 da Munhóz. E achei dignos os comentários feitos no cast. Assim como alguém falou em certo momento (desculpa, sou ouvinte recente e não conheço os nomes – convidados ou não), sou um leitor “verde” na alta escala. Assim como ele, sou aquele que ainda está lendo o que para leitores “velhos” é algo já conhecido. E admito que como escritor, o mais lógico é que eu seja igualmente imaturo também, apesar de minha megalomania recorrente.

    O que quero dizer é que gosto dos autores pop nacionais. Reconheço seus erros, inclusive também os das editoras, que já vi deixarem passar falhas de revisão trágicas (um dos motivos que me seduz a tornar-me revisor e estar em contato direto com o processo). Quando li Draccon, não caí de joelhos, mas me impressionei. Achei Vianco um pouco arrastado, mas considerei interessante. E cara, ao ouvir falarem tão mal do Batalha do Apocalipse, não passou nem uma agulha aqui: acabei de comprar uns livros e o do Spohr foi um deles, sendo que nunca li nada do cara. Conheço ele dos podcasts e inclusive ouvi trechos pelos audiodramas que os gordos fizeram, e fiquei num tesão bom pela história dos anjos, mesmo que esperasse clichês. Quando começaram a rasgar a história no podcast, gelei de medo. De qualquer maneira, imagino que os outros livros que comprei sejam melhor vistos por vocês (2 volumes de A Crônica do Matador do Rei, e 2 volumes de A Primeira Lei).

    De qualquer jeito, bati palmas pela excelente imparcialidade de vocês, e acredito que o blockbuster tem seu lugar. Não deve ser glorificado como o novo Tolkien, mas deve ser apreciado como um Guardiões da Galáxia. Sou apaixonado por arte, mas também sei aproveitar um pipocão da vida. E como escritor iniciante, compactuo com o que foi dito sobre a possibilidade de fazer uma merda bem melhor que as merdas que ganham milhões, e escolher não sujar as mãos. Todos aqui poderíamos escrever o novo 50 Tons de Cocô e ficar internacionalmente conhecidos, mas decidimos escrever algo que combine nosso cérebro e coração, algo que fale ao leitor não como se fala a um imbecil adolescente ou a uma coroa frígida, mas sim como a um receptáculo de nós mesmos.

    Sinceramente (e aqui já decidi chutar o balde e escrever pra caralho, desculpem), invejo os autores pop nacionais e vejo valor em suas narrativas. Não sou cego; sei criticar, e aliás gosto de procurar possíveis furos de roteiro deles, não para me sentir foda, mas para evitar bater no mesmo muro quando for a minha vez. Não planejo (por enquanto) escrever algo super cult e filosófico, daqueles livros que aspiram dar 180° na sua alma, mas irei colocar profundidade e transformar (leia-se, estuprar) clichês como se jogasse Duck Hunt. Quero dar a meu livro um lado comercial, sim, com dinamismo e acessibilidade, mas sem perder a essência daquilo que quero passar. No momento, o caminho do meio entre a Hollywood pueril e o significado sério me parece o habitát perfeito.

    E sobre o que o colega Ivan Alexander falou por aqui, artifícios como jornada do herói me deixam numa encruzilhada. Por um lado, não tenho saco para histórias que seguem uma receita de bolo e personagens previsíveis. Por outro, espiar essas estruturas aqui e ali podem ajudar a trazer aquilo com que o leitor em geral se identifica, e me ajudar a entender onde cada clímax, desastre, elevação, resolução pode se encaixar. E como amador, preciso estudar esse tipo de muleta literária. Entender essas receitas de jornadas e atos me ajudam a organizar bagunças mentais, por mais que hajam clichês e mais do mesmo nisso tudo. Irônico é eu gostar bastante de Harry Potter, mas não ter saco para histórias onde o herói jovem e seus amigos enfrentam o vilão mau-porque-sim. Vai me entender. Deve ser algo emocional, na mesma vibe que religião.

    Quem escreve sabe como é foda a tentação de cair de cabeça no blockbuster, seja ele raso ou nem tanto, e deixar o comercial dominar o enredo. Sei é que em minhas procuras por obras nacionais estreantes, já me encheu o saco encontrar historiazinhas de nível fanfic, sempre com as mesmas descrições e premissas. E pior: feitas por adultos. Perto desses “livros”, Spohr, Draccon e Vianco realmente são bons porque ao menos têm experiência e desviam da reta em comparação.

    Quem leu esse puta comentário até aqui é porque vai ler meu livro, sem dúvida. Desculpa aí e até mais.

    • Lucien o Bibliotecário

      Roger,

      piada com o trocadilho aceita! 😀

      Fui eu que falei não se sentir à vontade para criticar obras de outros autores, pois fico maravilhado com o que leio e percebo que há pessoas que percebem haver erros, incoerências ou plágios de forma mais competente que a minha.

      Cara, é como eu falei e o Igor também falou e ninguém parece que notou. Ninguém recrimina o leitor que lê/leu/lerá A Batalha do Apocalipse. Se você lê e gostar que bom. Eu li, me diverti e gostei muito. Depois li os demais livros do Spohr e percebi que A Batalha tinha alguns pontos francas, mas não deixei de gostar do livro por causa disso ou vou jogar fora. O mesmo ocorre com qualquer outro autor.

      Acho que no término do seu comentário você confundiu seu prazer em ler determinadas histórias com a sua própria leitura crítica que o prepara para ser escritor. Veja bem, o que Igor, comentou isso quando falou sobre Jogador N.º 1. Ele gostou do livro, se empolgou com a obra, surtou com as referências, mas reconhece que a mesma apresenta defeitos. Você pode amar Harry Potter por diversos motivos que nem sempre sabe explicar e detestar Percy Jackson, contudo quando lê um e outro reconhece erros e defeitos que espera não repeti-los quando estiver escrevendo seu livro, não é?

      Não precisa achar ruim escrever comentários longos, nós gostamos.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Roger França

        Palmas por ter lido tudo! Acho que a ideia é essa afinal: saber o momento de aproveitar a história dentro do que ela se propõe a fazer, e o momento de criticar internamente sem pena as fraquezas. Lugar de idolatria é na adolescência mesmo.

    • Oi, Roger.

      Primeiramente, brigadão pela força. Valeu por incentivar os jovens autores (embora eu não seja tão jovem assim hehehehe) e obrigado por ter adquirido “A Batalha do Apocalipse”. Fico na torcida para que curta. Qualquer dúvida, crítica ou comentário, pode sempre entrar em contato comigo pelas minhas redes sociais 🙂

      Só uma palavra sobre a Jornada do Herói: de minha parte, nunca as uso em minhas histórias, mas eu acho que um escritor deve estar sempre procurando conhecer sobre vários métodos de escrita, afinal, conhecimento nunca é demais. No final das contas, é o seu instinto, o seu coração que comanda (ou, pelo menos, deveria ser assim). Todavia, repito, é sempre bom investigar técnicas de roteiro e saber como os outros escritores trabalham. Creio que só tem a acrescentar – em suma, concordo com tudo o que vc falou!

      No mais, te desejo a maior sorte na sua carreira literária. Se tiver tempo, depois dá uma olhada no podcast que gravamos sobre o assunto, quem sabe ajuda: http://filosofianerd.blogspot.com.br/2014/08/desconstruindo-12-escrita-criativa-com.html

      Grande abraço,
      Eduardo

      • Roger França

        Paladino, tu está fodido agora. Ficou sujeito a receber um email quilométrico meu a partir do momento em que eu terminar seu livro e vai ter que se virar pra ler tudo! Digo isso porque quando me dão carta branca pra lançar feedback, acabo sendo detalhista e estendido. Mas imagino que vai ser divertido discutir sobre o enredo d’A Batalha contigo.

        Sobre a Jornada do Herói, é bem o que falei em outros comentários desse post aqui: não sou fã dos clichês, mas adoro pegar a fórmula base e deformá-la. Serve como um ponto de partida e pra amadores como eu não ficarem perdidos no roteiro.

        Vi até que você comentou naquela página de FB que desce a vara nos autores pop. Me impressionei com tua humildade. Já devo ter escutado uns dois casts em teu blog, e vou checar esse aí. E antes que eu comece a ficar puxando saco demais, obrigado pelos peixes, digo, votos. E nunca deixe os gordos tirarem suas piadas sem graça na edição, eu curto! Abraço e fique com Ozob.

        • Roger, por favor, faça isso. Sem querer cair no clichê, mas já caindo (AhAHaH) são as críticas que nos ajudam a melhorar 🙂

          vc falou a palavra mágica: email! Sim, eu funciono mesmo melhor por email do que pelas redes sociais. meus contatos estão aqui: http://filosofianerd.blogspot.com.br/p/contatos.html

          Obrigado pelo elogio, mas não acho que eu seja exatamente humilde. Para mim (fui educado assim, pelo menos), vc agradecer às pessoas que leem e comentam o seu trabalho é o mínimo. Não é humildade, é educação básica. Mas te agradeço pelas palavras, anyway.

          Forte abraço, estamos na área!

          • Roger França

            Opa, fui escutar o Desconstruindo 12, mas infelizmente (ou não), já tinha escutado ele antes num dos surtos de procura por esse conteúdo. Mas valeu a pena, escutei inteiro de novo. Muito legal a troca de experiências; o cast deveria ter sido bem maior, garanto que não ficaria entediante.

            Talvez eu tenha usado a palavra errada quando falei de humildade, mas pra responder às críticas ácidas daquela página como adulto, sem ficar mandando indiretas nem tretando, foi algo que deixou uma impressão positiva de maturidade.

            A propósito, a tal página bem que “abriu” meus olhos pra alguns autores, mas às vezes ela quer fazer piada com trechos que estão até razoáveis. Claro, já postaram ali partes de livros que são de fato bem toscas, mas sempre tem horas que começam a querer ridicularizar tudo, até sem motivo. Zoaram com o livro do Solano, mas eu continuo achando uma obra de boa qualidade, com defeitos que não foram citados pela página por serem mais de enredo que de narrativa.

            De qualquer forma, serve como uma boa visão crítica. Planejo até checar o livro do Mizanzuk, como foi o único autor elogiado por eles, além de Rubião. É nessas que se conhece estilos diferentes e interessantes. E como estou em formação de estilo, tenho mais é que ler de tudo.

            Se não tomar teu tempo, posso puxar conversa por inbox no FB alguma hora? Até mais.

  • Fábio M. Barreto

    Só passando pra dar um oi, assim, despretensioso, afinal, né Lucien? oi! =D hihihi

    • Lucien o Bibliotecário

      Barreto,

      É bom saber que ouviu o episódio. É uma honra tê-lo como nosso ouvinte.

      Saiba disso.

      Abraços.

  • Jonas Daggadol

    Quanto comentário e quanta gente bacana!
    É pra ficar orgulhoso, hein Lucien?!
    Parabéns pelo cast. Muito bom!
    Abs.

    • Lucien o Bibliotecário

      Jonas,

      Mais que orgulhoso, meu amigo, isto tem uma palavra e se chama realização.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • marcus

    Vocês nem mensionaram a serie Caverna de Cristais da Helena Gomes, uma serie de cinco livros sobre a aventura do arqueiro Thomas, no seu mundo medieval recheado de magias e tecnologias

    • Lucien o Bibliotecário

      Marcus,

      Não conheço a obra e a autora, por isso não citei.

      Abraços.

  • Vanessa Straioto

    ola, pessoal
    esse foi primeiro podcast e simplesmente adorei…fiquei sabendo de vcs no lançamento do ultimo livro doTiago Toy…
    parabens! vou acompanhar sempre…

    • Lucien o Bibliotecário

      Vanessa,

      Então esse foi a porta de entrada para o mundo Cabuloso! Fico feliz que tenha gostado e que esteja curtindo os episódios.

      Obrigado por ouvir o CabulosoCast e por ser nossa ouvinte.

      Abraços.

  • Muito bom esse podcast, ele tocou diversos assuntos relativos a literatura fantástica, coisas que são interessantes de debater. Realçou a importância de autores blockbusters para lançar outros autores, mas nao deixou de criticar o quanto eles podem ser clichês, superficiais e que há um nicho disso na literatura infanto juvenil. Essas informações sobre editoras, autores e os fãs também foram bem úteis, principalmente para mim, que não tenho um foco literário apenas nessa categoria fantástica. É sempre bom ver vocês assumindo suas opiniões durante o podcast e depois, sabiamente, esclarecendo que opinião é opinião, e não verdades universais. Parabéns pelo trabalho!