CabulosoCast #112 – Black Rocket, Trasgo e a FC Hoje

38

Olá Cabulosos! Sejam bem-vindos a mais um CabulosoCast e neste capítulo, Lucien o Bibliotecário, Carlos Relva, Charles Dias e Paulo Elache recebem Igor Rodrigues e Rodrigo van Kampen para falar sobre as revistas de ficção científica Black Rocket e Trasgo e especular sobre o futuro da literatura de Ficção Científica. Embarque nessa jornada para uma galáxia muito, muito distante! Um bom episódio para vocês!

Atenção!!!

Para ouvir basta apertar o botão PLAY abaixo ou clique em DOWNLOAD (clique com o botão direito do mouse no link e escolha a opção Salvar Destino Como para salvar o episódio no seu pc). Obrigado por ouvir o CabulosoCast!

Quer baixar o episódio em arquivo rar?

Para baixar a versão em zipada clique aqui, em seguida cole o link de download e clique na opção convert file.

Para fazer o Download do episódio clique aqui.

Citados durante o programa

Mídias Sociais

Assine nosso Feed

Assine nosso feed http://feeds.feedburner.com/cabulosocast

Nossa Página no iTunes

https://itunes.apple.com/br/podcast/cabulosocast/id730234743?mt=2

Nossa Página do You Tuner

http://youtuner.co/index/results?s=cabulosocast&x=0&y=0

  • Janaina Muniz

    Esse comentário não é uma crítica, é só um complemento:

    Tem um livro do Roberto de Sousa Causo chamado “Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil” que aponta a possibilidade de que a existência incipiente de revistas tenha dificultado a difusão de ideias. Mas eu gostaria de pensar não só a questão cultural, mas uma questão político-histórica. A cultura letrada no país, de forma abrangente só começou a existir como “direito universal e gratuito” a partir da década de 30. O Brasil teve, em um período de 150 anos, 3 regimes políticos de censura pesada às manifestações artísticas e entravamento do progresso científico. O Brasil tem uma série de elementos específicos que não podem ser comparados com o panorama histórico dos EUA. No entanto, isso não que dizer que a Ficção Científica não é lida porque o brasileiro não entende de ciências. Não é só o brasileiro que coloca a Ficção Científica como gênero marginal. Se você pegar 5 grandes autores de Ficção Científica, a maioria dos escritores são ou americanos (radicados ou não) ou ingleses. A Ficção Científica é nicho no Brasil, na França, na Alemanha, na China, etc.

    • Ficção científica só é lido por quem entende de ciência, pois fantasia só é lida por quem entende de fadas e dragões, e terror só é lido por quem entende de monstros , e policial só…

      • Hehehe! É uma forma prática de ver a coisa! 🙂 Pena que não é tão simples assim…

    • Concordo, Janaina. E não adianta chorar sobre o leite derramado: se antes não tínhamos acesso à ciência, hoje temos, e só poderemos ver a Ficção Científica crescer no Brasil se pormos a mão na massa. E também seria interessante, se possível, desenvolvermos um estilo brasileiro de escrever Ficção Científica e Fantasia. Claro, tudo isso se o nicho desse gênero literário aceitar um crescimento.

      • Carlos,

        Acho que o crescimento ocorrerá de maneira natural. O escritor coloca elementos forçando o leitor a se esforçar mais e assim vai.

        Obrigado por participar dos comentários.

        Abraços.

    • Jana,

      Agradeço a recomendação do livro do Causo está mais que anotado.

      Sobre os pontos de históricos levantados, acho que o Igor conseguiu expor bem a ficção científica não explode apenas no Brasil, mas que isso ocorre até nos países em que há os grande nomes da FC.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Bom dia!

    Episódio fenomenal. Estava esperando por ele desde que Lucien postou a respeito no facebook há uns meses. Foi muito engradecedor ouvi-lo. Todo aspirante a escritor deveria ouvir esse episódio com muita atenção para aprender coisas muitos simples, que deveriam ser óbvias, mas para alguns não são, como mandar um texto revisado e polido o máximo que puder, não ficar enchendo o saco de editor perguntando sobre o que enviou, etc. Em resumo, ter certeza que enviou o melhor que poderia ter enviado e ter a postura adequada para aguardar uma resposta e tudo mais. Muito bom mesmo.
    Sobre FC, tenho me interessado mais e mais pelo estilo. Tenho lido bastante e estou me aprofundando com especial afinco desde que percebi que uma história grande que tenho planejada, que deveria ser medieval, simplesmente não funciona como fantasia, nasceu pra ser FC.

    Valeu a todos!

    Lucas Ferraz, 26 anos, consultor de TI, Sorocaba

    • Lucas Ferraz

      Em tempo: sobre o fanzine Megalon e como adquiri-lo digitalizado: http://storytelicos.com.br/megalon-fanzine-de-ficcao-cientifica-digitalizado/

      • Lucas Ferraz

        Ainda em tempo, a primeira revista Bang, a edição 0, eu não li.
        A edição 1, lançada no segundo semestre, tive a sorte de achar física, em distribuição gratuita, na Cultura.
        Gostei por demais. Revista grande, muito bonita, e o conteúdo bacana também, matérias, colunas, entrevistas, reviews de livros e tudo mais, gostei muito.
        Tem digital aqui: http://sdebrasil.com.br/files/editorials/RevistaBang_1_Brasil_final.pdf

    • Incrível como nossas histórias começam a ganhar vida própria. Não é mesmo, Lucas. 🙂

    • Lucas,

      Acho que no fundo essa foi a grande contribuição do programa: mostrar para os escritores um panorama de como a escrita deve ser vista e tratada. As dicas e puxões de orelha que o Rodrigo e o Charles deram, foram importantes para isso.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Duas coisas: achei muito legal os participantes e o próprio host dar altos toques sobre obra pronta, ideias e humildade. Lucien, seus toques foram muito bons, espero que muita gente escute e aprenda. A segunda coisa, é a questão de saber comentar sobre o que se leu, de revistas a sites, blogs, ou qualquer coisa que seja publicado ou exposto on line. O conteúdo é exposto, fruto de muto trabalho e quando tem um comentário é um simples “gostei”. Não existe o esforço de destilar um pensamento, expor uma ideia com principio, meio e fim. Fora a questão dos chiliques vários em achar que o produto final é de fato o que será exposto ou publicado.
    Gostei das verdades explicitamente citadas sobre o tema.

    • Klaus,

      É importante que o comentário seja com argumentação. Não importa se a pessoa gostou ou não o importante é que ele exponha seu ponto de vista sem ofender ou ser grosseira, mas apenas argumentando de modo sensato para o crescimento do autor ou podcast.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Daniel Monteiro, 27 anos, tentando voltar à rotina administrativa no difícil mercado aqui do sul de MG, lendo O Idiota de Dostoiévski.

    Sensacional o cast. Informativo, descontraído e realmente prazeroso.
    Já conheço a Trasgo de longa data, e pretendo continuar lendo as edições que saírem; a BR eu só ouvia por alto em um canto ou outro e nunca tive interesse suficiente para ir atrás. Agora, definitivamente vou buscar e ler as edições que já saíram. E já que pediram críticas, se preparem porque eu pretendo falar bem e mal de tudo (o Rodrigo já sabe que eu não fico acanhado após terminar uma revista). Foi muito bom aprender sobre esta dinâmica editorial da boca dos organizadores/editores, aprendi imensamente com essas 2 horas e pouquinho.

    Sobre o cenário nacional de FC, fico meio reticente, pois encontro muita coisa amadora que, segundo unicamente minha visão crítica, não se tornaria best seller nem se os erros fossem corrigidos. Cheguei até, esta semana ainda, a trocar umas palavras com o Eduardo Spohr num grupo de facebook, e que deixei claro que acredito no fator propaganda ser o principal caminho para sucesso. A qualidade textual entra com o peso devido, porém, mesmo quando ela não existe, ainda é possível chegar num patamar de reconhecimento se a propaganda for eficaz.

    Na ultima parte, sobre autopublicação, fiquei bem atento pois é o campo que estou atuando e concordo com as duas argumentações. Tem muito material amador de nível baixíssimo, mas também há a contrapartida do leitor poder chegar na página do livro e descer o pau na crítica. O complicador que ferra esse último termo da equação é a famigerada dificuldade em conseguir reviews. Cheguei a receber uma crítica maravilhosa por chat de facebook de um cara que comprou (PAGANDO, sem aguardar a promoção gratuita) meu livro, e que serviria de ótima propaganda, mas ele nunca chegou a publicar aquelas palavras em locais públicos. =T

    Para finalizar, fatos rápidos sobre minha experiência com FC BR: O último material que li de um brasileiro foi sobre ficção científica. Gostei do argumento e construção psicológica, mas critiquei o vocabulário do autor, e acho que ele ficou meio puto pq nunca deu uma resposta. Cheguei a ler uma coletânea da Draco – a segunda, acredito – e lembro que algum conto lá pela metade/final me fez abandonar o ebook e nunca retomei a leitura.

    • Daniel,

      Agora fiquei curioso que coletânea foi essa?

      Acho que o autor precisa querer crescer com suas críticas e não ser adorado apenas por ser autor. Acho a auto-publicação algo válido. Existe algo que só percebi quando estava editando o Charles falou muito sobre o retorno financeiro de uma auto-publicação, mas eu não estava me referindo a dinheiro e sim a o autor usa isso como vitrine. Ele publica lá esperando feedback, envia para blogueiros que tenham eReaders e vai coletando as críticas para depois revisar o material e enviar a uma editora. Por que não?

      Muito obrigado pelo seu comentário.

      Abraços.

  • Eu escrevi uma crítica enorme sobre o complexo de vira-latas do host e de alguns dos participantes, mas apaguei, afinal como vocês dizem brasileiro tem preguiça de ler, de escrever…

    • Lucas Ferraz

      Ivan,

      É natural que alguma posição sua conflite com uma apresentada pelos participantes do cast, mas seria muito mais proveitoso que você tivesse criticado pontos específicos e gerado uma discussão produtiva.
      Fiquei curioso por saber os pontos que lhe incomodaram, mas seu comentário, como foi feito, infelizmente não adiciona nada.

      • Talvez a crítica tenha sido muito sutil e você não percebeu, Lucas, mas, tudo bem, faz parte.

        • Lucas Rafael

          Entendi perfeitamente, só não acho que um comentário “sútil” como esse instigue uma conversa construtiva sobre a crítica realizada, e entente? Só minha opinião.

    • Janaina Muniz

      Ivan,

      Eu conheço gente que detrata muito a cultura brasileira, o FB tem um monte de gente assim, mas posso afirmar que mesmo os participantes derrapando em algumas coisas, eles foram bem moderados. E mais, Igor Rodrigues desmistificou muita coisa sobre a questão de “brasileiro não quer ler ou escrever” ou “escritor brasileiro é amador pois não vive do que escreve, diferente dos EUA”.

      • Concordo contigo, Janaina.
        Igor e Paulo Elache fizeram o contraponto, só apontei diretamente para Lucien, por não ser a primeira vez que ele usa esse tipo de expressão pra logo na sequência ser corrigido pelo convidado, no podcast de arcadismo houve o mesmo, lembro de podcasts anteriores onde também ocorreu, acho que ele nem percebe isso, então vim colocar o dedo na ferida, se ele achar que vale a pena rever esse discurso ótimo, se não ao menos saberei que não é por ninguém ter falado.
        Fico imaginando ele, como professor, repassando esse discurso em sala de aula, dá até tristeza, pois imagino que os moleques que escrevem no Facebook essas coisas que você disse aprenderam em algum lugar e só estão reproduzindo o que ouviram.
        Quanto aos outros dois convidados é como foi dito, eles querem público, cultivem o publico, o exemplo do JN foi o melhor possível para ser usado, se o Jovem Nerd tivesse ficado nesse mimimi ninguém ouve podcast ele ainda estaria trabalhando com Photoshop, ele usou carisma e trabalho duro, e o resultado está aí servindo de exemplo, e mesmo assim ainda há quem reclame que não consegue ganhar dinheiro com podcast, só não está disposto a investir energia, tempo e dinheiro nisso.
        Um exemplo simples, o sistema de comentário do Leitor Cabuloso, até hoje não avisa quando há uma resposta para um comentário que alguém tenha feito, isso aumentaria muito a interação entre os leitores do blog, isso poderia ser feito com um plugin de WordPress ou mudando para o Disqus, mas alonguei demais a minha crítica
        Além do mais acredito que Lucien é um cara bem intencionado e a qualidade de conteúdo e edição do podcast vem melhorando continuamente desde os primeiros tempos.

        • Lucas Ferraz

          Ivan, acho que seus comentários estão vindo muito forte.
          Não duvido que sua intenção seja fazer uma crítica construtiva, mas sinto sua abordagem um tanto quanto agressiva, você poderia colocar seus pontos de forma mais clara e gentil.

        • Ivan,

          Eu não sou especialista em literatura. Nenhuma das minhas especializações foram na área de literatura. O que eu sei, eu aprendi ao longo dos anos conduzindo e administrando o Leitor Cabuloso. Se eu erro, que bom, pois sou humano e falho e posso aprender com isso.

          O fato de ser professor não me deu a taça do conhecimento no qual bebi e me tornei dono de todas as respostas. Eu não quero ser o que cara que sabe. Eu estudo e me preparo, mas tudo isso tem um limite: de tempo (porque tenho que publicar um programa por semana), de dinheiro (por nem sempre poder comprar os livros que quero ou preciso), de cultura (pois como qualquer pessoa sou repleta de preconceitos e limitações). Eu criei o CabulosoCast/ Leitor Cabuloso porque queria falar sobre livros. No decorrer do processo fui aprendendo com meus erros e percebendo que havia muita coisa que eu não sabia (como sempre há, já que ninguém sabe tudo, ainda bem).

          Se o Igor expôs esse complexo de vira lata, então ponto para o CabulosoCast que mostrou para mim e para seus ouvintes isso. Ainda bem que não sabíamos pois foi através de um erro que o Igor pôde trazer o argumento tão discutido aqui.

          Sobre o fato de eu ser um professor com esse “erro triste”, não se preocupe não dou aula de literatura apenas trabalho redação e minha base de trabalho é sobre o texto. Eu não faço julgamento do caráter de autor nenhum apenas apresento estilos e motivo meus alunos a produzir os seus.

          Sobre os plugin cita, eu não instalei, porque quero colocar o sistema do Disqus, como não me sinto seguro para fazê-lo, preciso pagar alguém para executar essas e outras modificações, como no momento não disponho de dinheiro para isso então não o fiz.

          Obrigado pelo seu argumento pertinente. Já assisti ao vídeo e agradeço novamente pela oportunidade de aprender sempre, pois sou professor e além de ensinar gosto de aprender com meus próprios erros.

          Abraços.

          • Sem nenhuma ironia, respeito você e seu trabalho, Lucien, mas achei que devia apontar algo que ouvia como recorrente, e tinha a impressão que você não percebia.
            Defeitos todos temos, eu tenho aos montes, tento lidar com eles da melhor forma à medida que tomo consciência deles, ou me fazem ter, e o que me faz voltar aqui é justamente a oportunidade de aprender com vocês.
            Aliás, percebi que você não grita mais como antigamente, obrigado.

          • Ivan,

            Agradeço suas críticas. Recentemente encontrei de graça na Amazon um livro de crônicas do Nelson Rodrigues, acho que há a tal crônica citada. Como disse, se fazia evitarei fazê-lo, seja no CabulosoCast seja na sala de aula.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

      • Janaina e Ivan,

        Vocês podem parar de falar em código e dizer o que foi de tão grave e cruel que até como professor eu deveria me envergonhar e eu sempre faço e até o CabulosoCast sobre Arcadismo eu fiz e blá blá blá blá blá…

        Poderiam ser objetivos?

        Obrigado.

        Abraços.

        • Um comportamento que Nelson Rodrigues chamava de Complexo de vira-lata
          http://youtu.be/2_WD7dqGbzk
          Isso é o máximo de objetividade que consigo sem parecer agressivo, como diz Lucas, mas como ele entendeu a minha crítica ele pode acrescentar de forma mais gentil e suave, caso ache pertinente.
          Em complemento, não disse que deveria se envergonhar de ser professor, mas considero que esse discurso soa estranho de pessoas cultas, se passado adiante em classe é algo que me entristece, ou seja, não é você sou eu.
          Beijo no coração

          • Ivan,

            Agradeço o link. Sua crítica foi anotada. Esperamos melhorar.

            Obrigado pelo comentário.

            Abraços.

      • Jana,

        Concordo que em muitos casos sofremos de complexo de vira-lata, mas acho que (aqui falo por mim e pelo material que recebo de contos) existem erros mínimos e básicos que os autores não se dão ao luxo de corrigir ou de aceitar críticas. Percebo também que muitos autores/autoras quando perguntam o que achei da obra não aceitam muito bem o fato de eu não ter gostado do seu livro/conto.

        É verdade que muitas vezes temos uma visão preconceituosa quando se fala de produção nacional, contudo acho que o Igor funcionou muito bem explorando o outro lado da história.

        Obrigado pelo comentário.

  • Roman Schossig

    Ótimo episódio!

    Interessante observar como de fato a escrita da Fantasia é, em grande medida, mais fácil do que a ficção científica, isso porque o leitor desta é mais exigente. Se ao leitor de fantasia basta uma justificativa mínima para eventos sobrenaturais(duas pessoas podem respirar e conversar no vácuo com o auxílio de magia ou de forças divinas), o mesmo não ocorre com o leitor da ficção científica, que espera por explicações mais elaboradas, mesmo que seja uma “pseudo-ciência-Marvel”(raios gamas, aranha radioativa, evolução genética, etc).

    Isso não se aplica apenas às regras da física, pois também é esperado dele um conhecimento de geopolítica, economia e até História, principalmente na ficção especulativa(“então nessa realidade, no ano 2039 a potência mundial seria um país formado pela Grécia, Albânia e Macedônia? Como isso? Explique”, exigiria o leitor).

    Soma-se a isso ainda a herança mais crítica que muitas obras clássicas de ficção científica carregam, principalmente as que tratam de futuros distópicos. O leitor espera muitas vezes uma obra mais “cabeça”, que apresente uma sociedade futurista organizada de maneira tal que não só faça sentido, como também o ajude a refletir sobre o mundo de hoje… E isso tomando cuidado para a obra não ficar datada.

    Em síntese, a exigência dos dois públicos são diferentes. Ainda que a mesma pessoa leia tanto Fantasia quanto Ficção Científica(como é meu caso) é mais comum que a suspensão se descrença seja bem maior naquela do que nesta.

    • Pelo meu lado, semore achei brochante o tom dicionarizado que a grande maioria das obras de FC possui, de ficar explicando detalhadamente a engenharia dos reatores de impulso quântico, deixando a história parada meia duzia de páginas para isso, só para o autor mostrar como é foda seu conhecimento científico. Acho pedante, desnecessário, contraproducente. Mais atrapalha que ajuda. Enfia uma pausa na história que poderia muito bem passar sem essa. Se o autor tiver um mínimo de desconfiômetro e perceber isso, aí a FC se aproxima da fantasia, tornando-se mais palatável e dinâmica por quem quer simplesmente desfrutar literatura de gênero, e não um concorrente direto para o Manual do Usuário da minha nha nova cafeteira elétrica.

      • Albarus,

        Mas nem toda a ficção científica funciona assim. Vejamos por exemplo 1984 que é uma obra de FC distópica que não perde tempo com isso. Existem autores de FC focam realmente na história.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

    • Roman,

      Como o Igor elucidou esse conhecimento poderá ser adquirido posteriormente se o leitor assim o desejar. Quantas vezes não nos sentimos despreparados para determinada leitura e em seguida, tempos depois retomamos o livro e conseguimos digeri-lo com facilidade? E outra coisa isto pode ser uma defesa perigosa para os autores nacionais, se o leitor não gostou do meu livro é porque não possui conhecimento para compreendê-lo, entende?

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Roman Schossig

    Quanto à questão da crítica ao autor nacional, creio que vocês tenham razão. Precisamos muito criar uma cultura da crítica sem levar para o lado pessoal, e digo isso na posição de escritor mesmo. Por mais que nossa reação imediata à críticas seja de raiva, frustração e auto-engano(“O Lucien está criticando esse trecho de meu livro porque obviamente não entendeu sua complexidade”), devemos sempre usá-la à nosso favor para crescermos. Tapinha nas costas não faz um escritor.

    Roman Schossig. 33 anos. Professor e escritor. Curitiba

    • Hm, vou discordar aqui. Acompanhando ambos os fandoms eu vejo a mesma exigência tanto para Fantasia como para FC. Na fantasia em geral exige-se que a magia tenha regras claras (como é feita? por quem? como funciona? o que pode ser feito e o que não pode?), pelo menos entre os leitores pós-fantasia juvenil. Também discute-se muito o equilíbrio da magia em relação ao resto do mundo, do contrário fica a impresão que tudo pode ser resolvido com um Deus ex-machina o que tira a verossimilhança da história (JK Rowling e seu último livro que o diga). No worldbuiding atualmente é a mesma coisa, a sociedade precisa ser coesa, ainda que não supercomplexa ou realista (o que é impossível para a ficção).

      Da mesma forma a FC tem suas loucuras não-questionadas. A própria “pseudo ciência Marvel” é nada mais do que magia onipotente numa roupagem diferente, não há diferença entre o Arc Reactor do Homem de ferro pro Rubi de Cittorac do Fanático. No fim o foco da história é que define aonde devemos suspender a descrença, acho. Exemplo: numa Space Opera em geral pouco importa a fonte de energia usada pra fazer as naves se deslocarem por tanto tempo por longas distâncias e nem como conseguimos cruzar o espaço tão rápido inclusive desafiando a física clássica. Não é o foco, portanto não se questiona. Dá pra fazer e ponto.

      Geopolítica e outras coisas funcionam igual nas duas. Lembrando que a fantasia surgiu de uma tentativa de explicar a geopolítica do mundo e relações humanas em diferentes sociedades, tanto no Ocidente (Ilíada e Odisseia) quanto no Oriente (Mahabarata, Épico de Gilgamesh).

      No fim, acho os dois gêneros irmãos com gosto diferente para roupas. 🙂

      • Roman Schossig

        Não quis dizer que a Fantasia não tenha regras ou que o leitor não teria essas exigências, apenas que elas costumeiramente são menores do que entre os leitores de FC. De qualquer forma, você tem razão.

        • Roman,

          Comentamos isso em algum CabulosoCast do qual agora me foge da memória, mas mesmo o mundo da magia precisa da sua própria coerência e para o escritor criá-la não é fácil. Além do mais quantos autores de literatura fantástica elaboram descrições detalhadas de lugares (existentes ou não), de objetos forçando assim ao leitor recorrer a uma série de elementos para poder fazer a conexão com o que esta sendo lido.

          Nenhuma leitura é um ato pré-concebido. O autor depende muito do leitor para que a mensagem seja transmitida.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

  • Caio Borrillo

    Interessante notar que vocês não chamaram mulheres pra NENHUM destes programas sobre ficção científica. Elas foram extintas e eu não tô sabendo?