[Resenha] Todo dia – David Levithan | Editora Galera Record

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O que você faria se a cada novo dia você acordasse em um novo corpo, em uma família e realidade diferente, destinado a lidar por 24 horas com uma vida nova, porém findada à virada da página do calendário?

A é um adolescente como outro qualquer, único e está tentando descobrir quem é no mundo. A grande diferença na vida dele é sua própria realidade e condição, sua própria forma de existir, pois ele não está preso a um corpo como todos nós. Desde que se entende por gente, A percebe que a cada novo dia ele acorda em um novo lugar e aos poucos ele começou a notar que ele acordava também em um novo corpo.

Sabe como é o ditado: novo dia, nova vida.

Conforme foi crescendo, A começou a entender melhor a situação e a dominar os segredos de sua forma de existir. Não há o que se fazer –   a cada amanhecer ele acorda em um novo corpo de uma pessoa de sua idade, que pode estar em qualquer cidade e pode ser de qualquer sexo.

A tem apenas uma regra: não interferir na vida do hospedeiro, então resta curtir a nova família, os novos amigos, a nova namorada ou namorado, a nova escola, o novo ciclo social e as novas lembranças.

Enquanto constrói sua própria história, A pode acessar as lembranças e conhecimentos do corpo no qual se encontra. É utilizando desse mecanismo que ele consegue passar um dia comum, entre estranhos que lhe são tão familiares no passar de algumas horas.

O grande segredo de sua vida é aproveitar o presente. O passado já foi construído, o futuro naquele espaço e naquela situação não lhe pertence. Então, porque se preocupar? O que resta é aproveitar o dia, as horas, os minutos, o hoje.

Mas e quando você não quer apenas o presente e começa a sonhar com o futuro?

Um belíssimo dia, A acorda no corpo de um jovem rebelde, meio mal humorado e um tanto grosseiro que tem uma namorada comum. Tudo aconteceria de uma forma normal, se A não fosse uma pessoa com capacidade de olhar.

E é isso que acontece: em poucas horas, A enxerga Rhiannon, a namorada de Justin – cujo corpo A está no comando, nesse dia.

Apesar de saber que tem apenas um dia a seu lado, A segue como de costume. O problema está quando ele amanhece no outro dia, lembrando-se ainda de Rhiannon, logo percebe que não consegue ficar tão longe assim dela e que uma vida sem sua presença seria por demais dolorosa. A percebe que a garota já faz parte de sua própria história.

E agora? O que fazer quando você só tem o presente e quer o futuro?

Análise

David Levithan foi corajoso, muito corajoso ao apostar suas ficha nessa história. A princípio parece um livro comum, meio bobinho, destinado a pré adolescentes e que será cheio de coraçõezinhos alados e muitas beijocas. Mas é aí que o dia vira e você logo percebe que no próximo dia, na vida de Justin (assim como em sua vida), tudo pode mudar.

Esse foi o primeiro livro que li do autor. E é com um sorriso no rosto que me alegro por ter feito essa escolha! A escrita de David Levithan é leve, prazerosa e nos leva a pensar, quebrando diversos paradigmas e preconceitos.

Parte importante do livro, a meu ver, é a forma de A ver e viver a vida. Por não estar preso a um único corpo, ele precisa valorizar, diariamente, diversas pequenas situações que muitas vezes nos passam batidas. Além disso, por não estar preso em um único corpo cujo sexo é X ou Y, A é uma pessoa livre de preconceitos e consegue entender e lidar melhor com as diferenças e com os próprios relacionamentos nos quais acaba se envolvendo involuntariamente (inclusive no seu).

De uma ideia astuta e perigosa surgiu um livro muito bom.

Um livro que nos lembra mais uma vez que devemos nos responsabilizar por nós mesmos, vivendo o presente sem interferir nas escolhas ou decidir por outras pessoas. Dia a dia, o futuro é construído, de uma forma contínua, livre e perfeitamente equilibrado.

É por tantos pontos positivos, que vale a pena investir na leitura dessa obra. Pode ser um excelente passatempo, porém se você abrir os olhos e a mente poderá notar situações similares a pessoas que você conhece, mudando assim sua forma de ver.

Que tal tentar? Se eu fosse você, daria uma chance nesse novo dia que está chegando!

Nota

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Ficou interessado(a)? Então compre o livro:

TODO_DIANome: Todo Dia
Autor: David Levithan
Edição:

Editora:
Galera Record
ISBN: 9788501099518
Ano: 2013
Páginas: 280
Sinopse: Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.
Skoob

 

  • Apesar desse clichê da mudança de corpo é um ótimo livro.

    • Olá Lula!
      Obrigada pela visita e por seu comentário!
      Você acha clichê? Legal! Eu nunca vi uma estória assim antes!

  • Adorei a resenha!

    Eu tenho esse livro faz algum tempo e comprei porque havia lido WIll&Will, no qual o David me cativou com a narrativa e o modo dos seus personagens. Daí procurei saber mais sobre ele e achei esse com essa sinopse mais incomum. Trocar de corpo ok, igual o Lula comentou ali embaixo, mas nunca havia visto da forma com o qual ele tratou.

    Sem gênero, sem sexualidade e sem muitas complicações sobre o que somos ou o porquê de se somos algo; ele me fez ficar empolgada em uma leitura que até hoje recomendo muito para meus amigos. Também não acho que o foco era o romance, ou qualquer coisa assim – nem desconstruir paradigmas HUHSAUS – mas sim mostrar um personagem que, apesar de não ter um corpo próprio, ainda assim procurar o amanhã de sua forma e ser uma pessoa real, com personalidade, mas que enxerga o mundo de uma forma totalmente diferente.

    O final do livro não me decepcionou, apesar de ser meio previsível. Acho que o clímax dos livros do David não são o final e sim, como ele se desenvolve para que láaa nas últimas páginas você absorva o que aconteceu. A pra mim é um dos personagens favoritos e isso não mudou ainda nem depois de 1 ano que eu li esse livro. Gostei do romance apressado, cheio de reviravoltas mas que mesmo assim, em sua simplicidade, conseguiu ser calmo e mostrar força. Todo Dia foi uma leitura que eu considero prazerosa e apaixonante SADHAHDHDDHADJDLADJ

    Bjos~