CabulosoCast #98 – Reforma Ortográfica: Presiza diçu?

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Olá Cabulosos! Sejam muito bem-vindos a mais um CabulosoCast, e neste capítulo Lucien o Bibliotecário recebe Cecília Garcia e Igor Rodrigues para discutir a polêmica que permeou os últimos dias nas redes sociais de um suposto novo acordo ortográfico que propunha mudança gráfica de queijo para keijo, por exemplo. E ai, de que lado você está? É a favor ou contra? Ouça esse polêmico, porém argumentativo programa. Bom episódio para vocês!

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  • Lucas Ferraz

    Bom dia pessoal Cabuloso/30:Minutoso/WhiteRobotoso!

    Podcast FENOMENAL! Muito bom mesmo!
    Esse tema é bastante complexo e muito polêmico e vocês trataram muito bem.
    Alguns pontos e opiniões:

    1 – O frenesi que coisas como essa geram na internet (e fora dela) ainda é algo que me surpreende. As pessoas não param para pensar antes de falar, antes jogam o primeiro impropério que lhes vem a cabeça com tanta propriedade e sem abertura para debate que nem dá ânimo de tentar iniciar uma discussão em cima do tema. Mas triste mesmo é fazer luta de classe, e sentir que a simplificação da língua tiraria dele alguma superioridade intelectual em relação à pessoas menos favorecidas academicamente. Ridículo ao extremo.
    2 – Vocês levantaram tópicos MUITO interessantes que me deixaram pensativo. O primeiro é: qual a real dificuldade de alguém que não sabe nada aprender uma grafia ou outra? Isso é muito interessante. Realmente concordo que nesse sentido não faria tanta diferença. Entretanto, o que o Igor disse também é verdade: regras mais simples facilitariam, senão o aprendizado em si, a aplicação das regras ortográficas na prática quando do caso de palavras onde as mesmas são, hoje, realmente muito nebulosas. Exemplo, existem duas palavras hoje, expectador e espectador. Ambas corretas, com sentido diferentes. Será que precisa mesmo? Isso é um de muitos exemplos que realmente ocorrem.
    Baseado nesses dois posicionamentos, eu concordo que tem que ter muito estudo antes de elaborar uma proposta mais definitiva, porém acho que ela poderia, num primeiro momento, se ater a eliminar esses casos que causam confusão mesmo em quem escreve e lê o tempo todo. Já seria um avanço.
    Agora, eu discordo de colocar “z” no lugar de todo “s” simples com som de “z” por exemplo. Não vejo necessidade, é algo simples, você aprende e domina com certa facilidade. O lance de tirar o “u” depois do “que” e “‘qui” também acho desnecessário. Diminui uma letra, mas e ai, qual o real efeito positivo na língua?

    Enfim, é um tema bem complicado. Ainda não me posicionei completamente, acho que tem que ser levantado muto bem, discutido muito bem e feito com calma, a passos lentos, sem nenhuma mudança brusca. O problema seria a mudança brusca.
    A minha maior barreira ainda é a estética. Não consigo quebrar esse obstáculo. Me dá náuseas ler o trecho abaixo por exemplo:
    “A vida é xeia de obrigasões qe a gente cumpre por mais vontade qe tenha de as infrinjir deslavadamente.”

    Enfim, valeu pelo cast e pelas ótimas análises e opiniões, tava querendo ouvir alguém falando sobre isso!

    Lucas Ferraz, 25 anos, Consultor de Ti de Sorocaba, SP
    Lendo Rani e o Sino da Divisão de Jim Anotsu

    • Oi Lucas,

      Vou tentar responder algumas dúvidas e lançar outros questionamentosque não falei na gravação:

      O primeiro é: qual a real dificuldade de alguém que não sabe nada aprender uma grafia ou outra? Depende da idade. Sendo criança, quase nada, dá pra alfabetizar em norueguês. O problema fica por conta do desenvolvimento pós-afabetização. Eu tenho 31 anos e estou até hoje fazendo memorização de ortografia, isso porque leio igual um maluco. E nem só em palavras desconhecidas, mas no dia-a-dia tira o peso da memorização, trocando pelo raciocínio lógico. Pense nesse caso como uma interface tão amigável que o usuário consegue executar a ação que ele quer sem ter que recorrer a uma pesquisa externa para tarefas simples.

      O caso das homônimas é complicado e por isso requer estudo. Se de um lado usar só “espectador” pode confundir, por outro lado usamos “manga” para dois sentidos sem confusão.

      A racionalização do “Z” (casa, exemplo, azar) faz sentido lógico. É tão complicado assim usar “S”? Para os que já conhecem a regra não, mas resolve vários problemas. Minha crítica a essa salada vem de anos, afinal porque diabos tantas maneiras de representar um som? Dá pra aprender do que jeito que está? Dá, mas porque escolher o caminho mais complicado de propósito, sem qualquer benefício? Várias palavras tinham letras duplicadas e não eram difíceis, mas eliminamos (aggravar, commando, Allemanha).

      Um exemplo que dou é a da experiência de usuário em interfaces. A interface de sucesso é a que permite ao usuário chgar do ponto A ao ponto B da maneira mais simples possível ou com a menor curva de aprendizado. Se o cara quer escrever um email pode-se usar um ícone “+” um botão “Novo” ou um botão “Escrever e-mail”. Se você quer que todo usuário possa usar aderir a ferramenta, vá pela última opção. “Mas não é lógico que “Novo” quer dizer um novo e-mail?” Depende. Pra mim é, pra minha mãe não e ambos temos que usar e-mail. Ela, menos educada em tecnologia, deveria ser capaz de dominar ao menos as ferramentas básicas através da observação, sem precisar de ajuda a todo momento. A tendência é que ela realize menos atividades no computador. E da mesma forma com a escrita. Só achamos normal escrever “casa” porque é assim desde que nascemos, mas ensine “caza” pra uma geração inteira em alfabetização que logo, logo as coisas mudam.

      Claro, vários fatores precisam de estudo e isso é só um conceito inicial, afinal como ficam os sotaques? Eu sou carioca e pronuncio tudo chiado, o que talvez complique a vida de carioquinhas sendo alfabetizados. Gaúchos falam o “T” corretamente, a maior parte das pessoas falam “tch” (a Diana vive me questionando sobre isso”. Ou seja, é necessário debruçar-se sobre o tema para achar soluções eficientes levando em conta todos os aspectos, mas não dá pra barrar o pensamento só apoiado no status quo.

      O “QU” ainda me gera dúvidas. É que o “Q” é – ao meu ver – uma letra sem função no momento em que ela não desempenha nenhum papel sozinha. Ela SEMPRE precisa de companhia e não há cristão que me explique isso já que no latin o “U” é pronunciado como em “status quo”. Então porque diabos “quero” precisa do “U”?

      Vejamos o caso do “G” que é similar, mas quase sempre é mais lógico. “Gato” não precisa de “U”, mas “aguaceiro” sim e não achamos feio (questão de costume, de novo). A mesma lógica poderia servir pro “Q”. Claro que tem o lance do “G” antes de “E” e “i”, mas iso é outra maluquice a ser discutida.

      Quanto ao “H” mudo nem se fala! Por mim remove-se, como no italiano e romeno que cortaram o maldito. Homem e helicóptero lá são “uomo/om” e “elicottero/elicopter” respectivamente. Ambas línguas românicas.

      Por último peço sempre cabeça aberta quanto às (tem crase? nunca sei) questões estéticas. É só estranheza do nosso tempo, mas passa e não influência em nada na beleza do nosso idioma. A garota de Ipanema continua aquela coisa mais linda, qe vem e qe passa, mesmo que ela comece a pasar ou paçar.

      A paçoca não fica pior se virar pasoca. Estamos acostumados a “Maizena”, mesmo ela sendo com “S”, porque uma empresa nos educou assim. Gilette em vez de gilete e ninguém acha ruim! No Rio quase todo mundo escreve “pichação” com “X” (sim, pixação) e vai tentar corrigir! Uma marca de roupas popularizou a grafia, e hoje ninguém discute muito.

      Pra finalizar vamos lembrar de palavras que já mudaram:
      Hespanha, Suissa, atraz, polonezes, chimica, cholorophylla, assucar, psalmo, egreja, exgottar, mez, sahida, gymnasio, sciencia.

      Qestão de ábito e tempo! 🙂

      • Cara eu tô literalmente dividido em dois!
        Sou extremamente racional e as propostas fazem total sentido lógico.
        Mas não consigo desapegar da feitura gritante da grafia! Não duvido que com o tempo isso se consolide, mas é algo que vai levar muito tempo pra me acostumar. Por isso a resistência!

        • Lucas,

          Somos resistentes a mudança, somos apegados a tradições, mas na língua mudanças ocorrem queiramos ou não. O professor que eu citei, Marcos Bagno, em seu livro Preconceito Linguístico, propõe por exemplo que aceitemos “As casa”, como uma variante correta do português brasileiro, pois segundo seus estudos, que pude comprovar observando a maneira como as pessoas falam, é uma tendência do falante considerar o “as” como o marcador de plural da frase. Logo quem diz: “As casa pegou fogo”, usa uma variante aceita por boa parte da comunidade nacional. É lógico, isso não? Se muitas pessoas usam, por que impor uma regra antiga e aparentemente em desuso?

          O problema entra no contexto. Hoje a escrita tem um peso muito diferente. Se antigamente os monarcas e o clero sabiam dominavam a escrita, hoje a educação é um direito de todos. Todos hoje (levemos em consideração que nem todos tem acesso a educação) podem aprender a ler e a escrever, o que implica que nosso código, hoje é visto por uma maior quantidade de brasileiros do que, sei lá, 50 anos atrás. Logo qualquer mudança, impactará uma maior quantidade de pessoas hoje em dia.

          O curioso é que se você ler um livro de 10 anos atrás, vai encontrar mudança no uso das palavras (semântica) e na organização das frases (sintaxe), logo mudanças sempre ocorrem, queiramos ou não, e observe são mudanças que ocorreram naturalmente, por que resolver agora na base na caneta?

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

          • Isso que é um problema, uma quantidade absurda de mudanças extremamente invasivas de uma vez só na canetada. É chocante demais pra minha cabeça! hahaahha

      • Igor,

        Mas sobre as parônimas e homônimas, entramos em um conflito, que tendo em vista o atual contexto acabará ficando como são hoje as regras de heroico e herói, ou seja, vamos resolver a grafia para tais casos, mas para outros, o que vai continuar obrigando o falante a decorar.

        Concordo que existem diversas mudanças que iriam “facilitar” a escrita automática, porém, com toda a sinceridade o que haverá de tão revolucionário assim? Vejo pessoas se alfabetizarem e sua capacidade de linguística é a mesma (em criança, jovens e adultos). Esses mudanças só vão afetar os já alfabetizados. Fora, como disse acima, a competência linguística, a meu ver não estar em dominar o código da sua língua, mas em decifrá-lo, atribuindo assim sentido e, em alguns casos, indo além do sentido.

        Paçoca não deixará de ser pasoca se for escrita com “s”, porém se a pessoa escreve pasoca, mas não consegue ler um texto em que esta palavra está inclusa e compreendê-lo, a mudança em nada contribui.

        O elitismo na língua é semântico (significado das palavras), é léxico (acervo de palavras que temos na línngua) não ortográfico.

        Fora que, venhamos e convenhamos, o que custa abrir o dicionário para tirar uma dúvida de uma palavra?

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

    • Lucas,

      Infelizmente sempre que discutimos qualquer mudança na língua, seja em qualquer nível: ortográfico, gramatical ou semântico, permeamos a linha tênue do preconceito linguístico. Contudo acredito que devemos discutir, como você ouvi aqui de forma sensata e tentar identificar onde fica o começa o preconceito e onde se inicia a discussão.

      Sou a favor das mudanças, mas não com o argumento que isso vai facilitar a escrita ou coisas do tipo, só acho que nós, falantes e usuários da língua faremos nossas próprias escolhas. O trema caiu e ninguém falou nada. Havia um jornal no Brasil, não me lembro qual, que simplesmente não usava mais (mesmo antes do acordo), porque considerava uma “economia de tinta”. E muitos perceberam isso, não foi à toa que o trema não foi muito discutido quando os protesto da mudanças de 2008 ocorreram.

      Mas, existe um posto que não entrou na discussão. Quando falamos em alfabetização, realmente, talvez fique mais fácil para o adulto usufruir da ortografia da sua língua, mas afirmar que isto será o início do fim do prestígio de se dominar ou não seu próprio idioma é um pensamento muito ideológico, principalmente se levarmos em conta que o que realmente “dá prestígio” e ainda é usado por uma classe para manipular outras é a compreensão do que está sendo dito. Tenho como exemplo meus alunos (quando falo aluno me refiro a crianças, adolescentes, adultos e idosos, já que ensinei a todos). Muitos leem, repetem o que veem escrito, mas não conseguem compreender, ou seja, dominam o código de sua língua, o decodificam, mas não conseguem mergulhar no significado do texto.

      Não é por acaso que o número de analfabetos no país vem diminuindo, mas o número de analfabetos funcionais vem crescendo em larga escala. Por isso, continuo afirmando que se por um lado sei que as mudanças ocorrerão, por outro sei que a aquisição de um código será para a crianças, adolescente e adulto difícil. Não importa se casa seja com “s” ou com “z”. Se o adulto sente dificuldade, tudo bem, talvez para ele seja mais lógico usar um conjunto de regras ortográfico que seja mais próximo da sua fala, contudo mudar de casa para caza não faz o brasileiro ser politizado e consciente do seu papel enquanto cidadão. E não acho que estou fugindo da discussão, só acho que deveríamos estar preocupados em trazer outras mudanças para a pessoa que se alfabetizou.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Com certeza Lucien, é preciso dissociar completamente essa questão da simplificação de qualquer conotação elitista de qualquer natureza, seja social ou intelectual, porque não tem nada a ver e só gera mais confusão.

  • Augusto Tenório

    Ainda não escutei, mas essa capa já me deu uma agonia…

    • Augusto,

      Espero que goste do episódio. Foi uma discussão muito interessante. Principalmente as opiniões do Igor em prol do acordo.

      Não esqueça de voltar aqui para deixar suas impressões.

      Abraços.

  • Eu tô junto com o Igor nessa, também sou a favor de algumas modificações, mas principalmente a extinção (ou seria extinsão, talvez estinção…) de tantos porques.

    Falando sério, apenas agora em 2014 eu aprendi mesmo a usar os 4 corretamente.
    Pra avacalhar poderíamos usar apenas “pq” e tava tudo ótimo.

    • Acho que de todas as regras malucas essa é a que mais me irrita. Pra falar a verdade eu só uso “porque” em tudo e que se dane os outros 3.

      • Igor,

        Acho o uso dos porquês muito bacana. São elementos gramaticais de fácil domínio. O grande problema, a meu ver é quanto ao ensino de gramática na sala de aula. Nossos alunos são ensinados a decorar a gramática e não a consultá-la como um bom dicionário. Se você tem uma dúvida no uso formal da sua língua o que custa abrir uma gramática para consultar?

        Cada porquê possui um porquê de seu uso, quando observamos as regras de seu uso percebemos facilmente que há um motivo para cada um deles que vai muito além do uso se acentos e eles estarem juntos ou separados, mas mudanças semânticas para a frase.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

        • Refuto, caro colega, a ideia de “fácil domínio”. Em educação sou a favor do ensino da pesquisa em detrimento da decoreba, mas a ideia de que é uma regra fácil é do ponto de vista de quem já sabe e pelos motivos pelo qual você já sabe. Agora distancie-se um pouco dessa realidade.

          Dona Maria tem 50 anos estudou até a 8ª série aos trancos e barrancos. Boa admnistradora e sagaz com números ela sabe muito bem fazer o seu trabalho é empreendedora e tem suas responsabilidades. Só que ela é obrigada a escrever avisos que vão ser lidos por muita gente. Ela sabe escrever, mas sempre se vê nessas sinucas gramaticais. Achar que a Dona Maria vai parar para consultar a gramática cada vez que se deparar com um obstáculo é fora da realidade. Ela já precisa aprender coisas novas a cada dia (básico de informática para redigir seus textos, noções de economia, impostos, etc), todas essas essenciais pra vida dela. Dona Maria não se sente empoderada a escrever a própria língua e sabe que escrever errado pode lhe tirar a credibilidade. E ela não é capaz de chegar a uma conclusão sozinha sobre qual “Porque” usar. Justamente com algo tão corriqueiro. Um deles é substantivos, outro uma junção de pronome+preposição. Mas peraí, Dona Maria tem que, a essa altura do campeonato, ter em mente o que é uma preposição? Mais fácil passar a tarefa pra outra pessoa ou desviar-se dos obstáculos mudando o texto.

          Assim como essa personagem outros milhões de brasileiros precisam da escrita todos os dias. Não é o caso do adolescente classe média que tem preguiça MESMO de escrever qualquer coisa ou que escreve assim de sacanagem (eu conheço que escreve errado de sacanagem, por estética). Estamos falando de gente que se sente coibida de se comunicar, seja por email, seja no twitter pelo medo do tribunal público. Ou que tem uma boa ideia pra contar uma história, mas como fazê-lo se mesmo com alguns anos de estudo ele ainda não tem as ferramentas básicas para escrever palavras que ele usa no dia a dia. Porque não tornar a coisa, não mais fácil, mas mais lógica? Pra quê (tá certo?) colocar obstáculos no caminho se eles podem ser eliminados, como no caso de algumas homófonas?

          Muitos programadores acham usuários preguiçosos e dados à burrice por não quererem aprender linhas de comando e gostarem mais de ícones. Oh, Senhor, eu só quero dar “play” na música!

          Enfim, é só uma defesa da queda dos porques, a causa que talvez me incomode mais.

          Abraço, caro colega! 😀

          P.S.: Eu sempre me confundi na escrita de “dia a dia”, mas graças ao bom Pai eliminaram a necessidade de hífen e minha vida ficou mais fácil. Caso contrário eu trocaria por “diariamente”. Viu como dá pra racionalizar? O mesmo vale para infraestrutura. Graças a isso não preciso mais ficar caçando sinônimos.

          • Eu entendo os porquês. Entendo o uso de cada um (eu acho), maaaas sim, fica aquela sensação de que 4 grafias pra algo que tem o mesmo som, exatamente o mesmo som, é algo meio inútil, por um motivo.
            Na língua falada, você diferencia os porquês pelo contexto sem o menor problema.É tão transparente que muitas vezes não se sente que há diferença. Se o contexto pode determinar de maneira tão clara qual a necessidade de diferenciar na grafia?

          • Lucas e Igor,

            Eu não sou a favor desse argumento “não usamos, as pessoas não compreendem as regras”, logo devemos descartar. Não importa o que falem acho que com leitura e uma educação de qualidade (coisa que infelizmente não possuímos) essas discussões teriam outro âmbito. Não culpabilizo os usuários atuais por compreenderem as normas, mas existem diversos conhecimentos que a escola nos passa que não usufruo no meu cotidiano e nem por isso acho lógico retirá-los. Como disse, a língua escrita ocupa um papel diferenciado, quem lida com ela, como ferramenta de trabalho, precisa procurar dominá-la.

            Mas, me dou por vencido, infelizmente meus argumentos terminam aqui. 😀 Sei que o que o Igor propõe é algo lógico e racional e vai ajudar diversas pessoas. Como a Cecí disse é impossível prever o impacto disso. Talvez estudioso tenham chances de vislumbrar mais adiante benefícios e malefícios.

            Obrigado pelo debate instigante, caros amigos, fazia tempo que não um tema não puxava tanto do meu lado linguista. 🙂

            Abraços.

    • Thiago,

      4 porquês, 3 passados (pretérito perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito) só no modo indicativo, uso de pronomes como tu e vós, se fôssemos excluir tudo o que o falante comum não usa ou acha desnecessário seria mais conveniente apenas falarmos e abandonarmos a escrita, não acha? A língua, como bem Cecília frisou, não é um jogo de Lego. Mudanças não afetam apenas que gosta ou não. Hoje, mais do que em outros tempos, a escrita é de suma importância. Observemos por exemplo as mídias sociais: a escrita domina. Apesar de termos meios de usar imagem, vídeo e áudio, mas a escrita ainda é um grande meio utilizado pelos usuários para trocarem informações.

      Já imaginou o que aconteceria se mudássemos ao bel-prazer dos falantes? Como disse no programa, sei que as mudanças ocorrem e sei que muitas mais irão ocorrer, mas precisamos pensar e estudar tentando mensurar os impactos. Estudo e pesquisa foge do campo do “gosto ou não gosto” e/ou “uso ou não uso”. Uma decisão destas não pode ser individual.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Talvez não tenha a ver com o programa, como ele também é sobre o português tenho que dizer. Eu realmente lamento não ter percebido antes de terminar o ensino fundamental e médio o quão lindo o idioma/lìngua/português é.

    • Francisco,

      Como explicamos no episódio, o tal acordo é falso, logo você ainda pode aproveitar e falar abertamente que a língua portuguesa é linda.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Vamos lá. Acabei de ouvir a primeira parte e gostaria de fazer algumas considerações.
    Eu sou formado em Letras e meu mestrado foi em Historiografia Linguística (Focando em Paleografia). Provavelmente eu posso falar alguma besteira pois estou puxando informação de cabeça. Não vou puxar livro da estante para comentar, dá muito trabalho (hehehehe).
    Um acordo ortográfico internacional é importante para unificar a produção escrita e facilitar a edição de obras produzidas por nações que compartilham a mesma língua. Isso é possível, e tem como objetivo somente isso. O resto eu ainda não fui convencido pelos artigos que li.
    O espanhol, francês e o inglês já são línguas unificadas. E por causa disso existe um intercambio maior de títulos e obras por existir esse facilitador.
    Lembro também que existem línguas que sofreram mudanças muito mais drásticas e hoje apresentam tanto resultados positivos como negativos: Um deles é o Vietnam.
    Até meados do século XVII o vietnamita utilizava o sistema de escrita chinesa, porém, para aumentar a alfabetização adotou um sistema de escrita romanizado baseado no alfabeto francês. Hoje, existem muito mais vietnamitas alfabetizados na época (Apesar de ser contestável ligar a alfabetização somente à mudança ortográfica já que o PIB do país subiu muito desde o século XVII). Porém, existem muito menos estudiosos de textos clássicos e de documentação antiga. Tornando cada vez mais inacessível o contato com tais documentações.
    Agora vou ouvir o resto do cast… hehehehe

    • Interessante isso da unificação como facilitador de intercâmbio de textos científicos e tal.
      Assim, com o inglês é de utilidade indiscutível. O espanhol, que é falado em grande parte da América Latina e Central além do México, Espanha e outros lugares, também teria uma grande abrangência. E agora vou falar do que não sei, mas no caso do português, será que isso seria algo tão necessário? Temos bem menos países falando, e o maior intercâmbio imagino que se dê mesmo entre Portugal e Brasil.
      De repente é um super trabalho de unificação e normatização pra suportar uma troca de informações que não justifique. Mas de novo, apenas conjecturo sobre o que não sei.

      • Lucas,

        Essa unificação foi a maior falácia da história da língua portuguesa! Só faço uma pergunta, já que você não é formado em letras e no caso é um usuário comum do português: qual foi a grande vantagem, hoje, desse acordo que você vivencia? Se você consegue pensar em algo rapidamente então o acordo teve um propósito, se não…

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

    • Rodrygo,

      Tudo bem, eu compreendo a ideia do acordo, mas observando hoje, 4 anos após sua implementação, qual foi sua real contribuição para os países lusófonos? Ano passado estive na Bienal-PE e lá ouve um bate-papo com um autor angolano que ao ser questionado sobre a “lusofonia” pareceu simplesmente desconhecer o assunto. O que me levou a questionar a validade do acordo.

      Muito obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Ótimo CabulosoCast! Apreciei-o sem nenhuma parcimônia.

  • Continuando…
    Somente para implementar, lembrei de alguns outros casos.
    A língua galega sofre hoje por causa de dois movimentos ortográficos. Segundo um de meus maiores amigos, professor de filosofia na Galícia, a ortografia tradicional galega utiliza um sistema único de escrita e que marca a identidade dessa minoria linguística. Porém, existe um movimento de reforma linguística que utiliza uma racionalização da língua tanto etimologicamente como foneticamente, e muitos, principalmente os do oeste galego são contra pois esta reforma se baseia na variante presente próxima de Portugal.
    Um exemplo prático é que, enquanto na grafia tradicional escreva-se “xente”, a nova proposta pede que se escreva “gente”, deixando o x somente para o som de ks. Mas existem dialetos que pronunciam “ksente”. O meu medo nessa racionalização da língua é que ela nunca será uniforme, e sempre valorizará um único dialeto. Poderemos em teoria estar ajudando na alfabetização (O que eu discordo pois já alfabetizei crianças e adultos e tanto faz), mas estaríamos causando outra série de problemas. Diminuiríamos o preconceito entre socioletos, mas fortalecendo o preconceito entre diferenças regionais.
    Adorei o cast, continuem assim. Grande parte do que trouxe acabou sendo mais curiosidade, já que vcs comentaram sobre outros casos.
    PS: Cecília sua Linda! Amo quando tem cast com você!!!

    • Ponto muito interessante, mas a definição formal de uma língua e sua grafia, seja qual for, nunca vai fechar com todas os modos de falar do povo de todos os cantos do país, especialmente com a extensão territorial do Brasil, então esse problema de preconceito regional já não existiria?
      Mas o que eu sinto, pelo menos nos círculos que frequento, não é preconceito ou estranhamento, mas curiosidade e interesse por saber como o outro fala. Isso acontece comigo sendo do interior de SP, com um sotaque um tanto carregado, e trabalhando na capital. Isso acontece na empresa, que tem muitas filias no Sul do país, então falamos com gaúchos o tempo todo.
      Será que apenas a definição formal que tendesse para um “dialeto” específico faria mesmo alguma diferença nesse sentido?
      Claro que estou falando de Brasil, imagino, novamente sem certezas, que no caso do galego as diferenças sejam maiores, caracterizando dialetos mais específicos realmente.

    • Rodrygo,

      Você trouxe informações importantíssimas, nunca despreze o conteúdo dos comentários. Sobre as informações que você trouxe é verdade, infelizmente o preconceito linguístico atingirá nos sotaques e regionalismos, contudo não deixo de ver como natural a proposta do Igor. Espero que, como a Cecília disse, não tenhamos um acordo decidido na caneta.

      Muitíssimo obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Lucien,

    Acredito que a língua é viva e não é necessário mudanças por meio de decretos. Penso que nossos acadêmicos devem se preocupar com pesquisas que realmente irão impactar a comunidade. Toda essa discussão que vem ao longo de anos está, pra mim, desgastada, afinal, nem todos os países envolvidos nessa questão estão usando o acordo assinado.
    Nunca fez sentido pra mim essas mudanças por meio de decretos, a língua não precisa disso ela é um organismo vivo e os acadêmicos devem estudar esses processos de mudança e suas consequências.
    As discussões foram pertinentes. Parabéns pelo programa.

    Abraços.

    • Wilson,

      Sobre o acordo de 2008, que acho que é o que você comenta, concordo com você, infelizmente foi uma perda de tempo tê-lo implementado da maneira como o foi. As discussões que linguistas travaram na época foi o velho “miguxeis” do “Vamos unificar o idioma”, mas e os outros fatores que iriam impactar os usuários do português escrito foram simplesmente descartados do debate. Ou seja, o acordo, que hoje vigora, foi aprovado por uma meia dúvida de pessoas que usaram um único argumento para justificá-lo.

      A língua é viva, concordo com você, e os falantes decidem sozinhos, sem decretos, sem caneta, o que é melhor para eles.

      Muito obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Ah! Sobre a menina que comentou no Face “Não existe língua com uma letra por fonema”, eu não respondi porque o tom foi meio agressivo e fiquei com medo de ser mal interpretado.

    É uma afirmação meio corajosa levando em conta que exitem alguns milhares de idiomas e dialetos no mundo. ou usar um exemplo prático que mencionei no cast: búlgaro. O alfabeto cirílico foi iventado na Bulgária (bom, mais ou menos) e o búlgaro emprega o alfabeto com quase todo fonema representado por apenas uma letra. Existem duas quase exceções. Digo quase porque a diferença de letra é por conta da entonação que parece a mesma pra gente, mas tem um estresse maior, bem sutil.

    🙂

    • Igor,

      Também achei o tom meio agressivo, mas não tinha argumentos para contradizê-la ou confirmar sua argumentação. Concordo que é exagerado a afirmação de que não há língua onde um fonema corresponda a uma letra, porém tendo em vista o tom da frase, acho que ela simplesmente bradou acerca do que estava escrito, em suma, ela não ouviu o episódio.

      Muito obrigado pelas elucidações, meu grande amigo.

      Abraços.

  • Lucien, já faz mais de uma semana que escutei esse episódio mas lembro que você em algum ponto citou um filme sobre o aprendizado da escrita pelas crianças (se não me engano indicado por alguma professora sua). Qual o nome desse filme? É este “Crianças aprendendo a escrever” que está em Citados durante o programa?

    • Thiago,

      Eu procurei e não encontrei. Infelizmente o tenho em meus DVD’s, mas nem sei se pega ainda. 🙁 Peço desculpas.

      Abraços.

  • Victor Hugo Oliveira

    Só para esclarecer, ainda que atrasado, meu comentário lido a cerca do podcast 97 de animaiszinho: Minha namorada trabalhou na revisão dos livros da saga Percy Jackson, então ao encontrar um problema de tradução incluiu a tal fala do pão (O cachorro no original fala algo como skirt – saia – que para o Ricky Riordan deve parecer com a onomatopeia de latido americano), então assim ficou na versão nacional do livro.
    Uvindo u cast, vorto dispois para cumentar

    • Victor Hugo Oliveira

      Muito bom o cast, discussão muito interessante apesar de ter minhas dúvidas se um consenso é alcançável neste tema. O paralelo da língua com seres vivos, sujeita então a uma evolução natural é perfeito, mas também é preciso ver que se o homem trata atualmente de controlar a evolução de plantas, bactérias, animais, não haveria porque não haver desejo de controlar a língua também em algo mais “produtivo”. Se isso é moralmente ético ou feliz, é complicado de dizer. Até acho válido a busca por aproximar as línguas lusófonas e não é porque ninguém está seguindo com o acordo que ele é ruim, considerei este um argumento estranho, pois a execução depende nestes casos unicamente da instauração política, que como sabemos é volúvel e comumente ineficiente. O ponto que o Igor defende na verdade nos levaria a usar a matemática como linguagem universal, já que é o código criado pelos humanos de maior complexidade e capacidade descritiva baseado no menor conjunto de axiomas (regras estipuladas “arbitrariamente” e decoradas – paralelo aos signos para fonemas) e talvez seja importante dizer que isso não torna a matemática necessariamente mais acessível a todos. É importante comentar também que a língua, sobretudo a escrita, sempre será deficiente no sentido de que é construída em lógica discreta, enquanto que nosso pensamento se desenrola no continuo ( O signo se limita a 1,2,3,4.. enquanto que o significado pode ser 0,999999…). Discordo da Cecília e acho que, de certa forma, a língua é um jogo de lego sim xP e por princípio defenderei sempre que quanto maior o número de peças mais rica é a brincadeira. Inclusive, para mim, o mais importante para qualquer língua é a sintaxe (relacionada ao encadeamento das ideias/peças) e não a grafia/forma. Então sou por princípio contra tais reformas, até porque ninguém gosta ter retrabalho aprendendo algo de novo, e também precisaria de um estudo mais detalhado sobre o efeito real dessa “facilitação” antes de abraçar mudanças. Agora, dar adeus aos hifens é feliz, não há como negar.

    • Victor,

      Então a Pri estava correta e eu errado. 😀

      Espero que tenhas gostado do episódio.

      Abraços.

  • Renato

    Cara, meu processo de alfabetização foi bizarro.
    Eu aprendi a escrever em japonês sem saber falar japonês, o Hiragana. Sabia escrever muitas palavras básicas do japonês e praticamente o alfabeto Hiragana inteiro, antes de aprender o português. (Isso foi na pré-escola, foi um lugar maluco onde estudei)
    Tive muita dificuldade em aprender o português, pq o raciocínio das duas formas de grafia são diferentes, no japonês não existe a junção de C + A = CA . Ele é representado por um símbolo: (か)
    Pra entender melhor a confusão, eu deixo aqui um link:
    http://www.japones.net.br/hiragana/

    Outra coisa que me confundia era, no japa, tem um símbolo por exemplo que diz respeito ao fonema SO. Se for pra soar ZO, se coloca no mesmo símbolo dois tracinhos em cima… tipo assim. SO”.
    Imagina depois a minha dificuldade para entender a grafia portuguesa com as variantes “Z” “S” “SS” “Ç’.

    Quando comecei a aprender o alfabeto português, tentava usar a lógica do japonês. E nesse processo tive muita dificuldade, cometia muitos erros.
    Resolvi isso gradualmente, por volta dos 8 anos já escrevia a maioria das palavras com grande indicie de acerto. A solução pra isso foi muita leitura. Foi intuitivo, de tanto ler, fui assimilando a forma escrita com a falada.

    Por isso, não defendo a mudança radical de padronizar tudo, para facilitar a alfabetização de crianças. É um processo natural ir se acostumando com as diferenças de grafia para o mesmo fonema, tipo, caSar, vaZar.
    No fim, concluo que defender uma reforma ou não, é uma questão de “quero” ou “não quero”, usando os argumentos válidos para ambas as partes.
    No meu caso, prefiro que deixe como está, por experiência própria, percebi que aprender a grafia tbém se faz através da assimilação por leitura, e não é tão complicado que mereça uma reforma. Mas achei válido os argumentos do Igor. Minha escolha é por conservadorismo e pelo processo que passei.

    De qualquer forma, acho o debate válido. Abraço a todos.

    • Renato,

      Que sensacional o seu relato. Poxa, era disso que eu falava quando pedi para as pessoas comentarem. Eu queria que outras pessoas que aprenderam idiomas diferentes dessem sua opinião.

      Apesar de também concordar com o Igor, eu sempre defendi que uma educação de qualidade e leitura seria suficiente.

      Obrigado pelo comentário. Ele será lido no Notas de Rodapé no dia 26 de dezembro.

      Abraços.

      • Renato

        Oi Lucien, blz?
        Já rolou a leitura desse comentário? O Cabulosocast que foi divulgado dia 28/12 não teve notas de rodapé.

        Abraço.

        • Renato,

          Não ainda não. O Notas de rodapé será um programa separado para conseguirmos dar conta da demanda de comentários. Sairá no início de fevereiro.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.