[Evento] LC na Bienal – 23/8

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Por Lucas Rafael Ferraz

 

Hoje estive na Bienal do Livro de SP representando o Leitor Cabuloso e foi bem bacana. Vou contar um pouco de como foi o dia.

 

A ida

Como esteva na Zona Leste de SP, peguei o metrô e desci na estação Tietê, de onde sairiam os ônibus gratuitos para o pavilhão do Anhembi. O terminal do Tietê está muito bem sinalizado, da saída do metrô à porta dos ônibus, não precisa ter medo de se perder nem nada. Ao chegar na fila dos ônibus, entretanto, veio o primeiro problema. Ou melhor, a primeira fila, que se estendia por toda rua e virava o quarteirão, andando bem devagar.

Tive a atenção desviada por um cara que gritava no meio-fio de forma insistente: “Bienal, bienal, bienal, sem fila!”. Me dirigi até ele e peguei um van duvidosa, ao custo de R$ 5,00. Provavelmente não o mais aconselhável, mas não resisti ao fugir da espera. Uma vez na van, três garotas pintadas com símbolos estranhos, que me pareceram meio egípcios ou sei lá subiram. Elas discutiram de forma engraçada se deviam chamar a autora de Cassandra, ou de Cassandra, imitando sotaque americano. Não contive um riso, sorte que elas também riam de si mesmas.

 

A Chegada

Descendo do ônibus, vi um mar de gente. Literalmente, um mar. Não tirei fotos nesse momento, preocupado em entrar logo. À minha frente na van tinha uma senhora com um credencial, que acabei nem sabendo se era imprensa, professora ou autora. Ela me informou que par pegar credencial tinha que ir no portão lá da frente. Fui me enfiando no meio do povo, passando pela gigantesca fila, e ao chegar ao portão veio a confusão. Eram portões distintos para quem ia pegar credencial, para os já credenciados, e para o público geral, mas a enxurrada de gente, principalmente jovens, tentava entrar por todos, que não estavam bem divididos fisicamente e não contavam com organizadores o suficiente para conduzir a entrada.

Quando cheguei na cara do portão, falei que precisava pegar a credencial. O senhor que estava lá mandou entrar e ver isso depois. Atrás de mim veio entrando muita gente mesmo. E lá estava eu, entre os estandes da Bienal, sem credencial e sem ingresso. Poderia ter entrado na faixa. Acabei dando uma volta pelo pavilhão antes de voltar, e depois de muito custo enfim achar a fila certa para retirar a credencial. Estava dentro.

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Autores e eventos

Depois de andar bastante e ver vários estandes, me familiarizando com o pavilhão, acabei vendo a palestra de Harlan Coben. Admito nem saber da existência do autor, mas foi muito interessante ouvir o que ele tinha a dizer. Apenas alguns poucos sentavam-se confortavelmente dentro de uma área reservada, aqueles que conseguiram uma das parcas senhas disponíveis, enfrentando uma fila gigantesca. Muitos mais se aglomeravam em volta, e ouviam o autor e o viam nos telões disponíveis.

Ao lado, a fila de Cassandra Clare seguia longa. Centenas de adolescentes, sobretudo garotas pintadas com vários símbolos que suponho serem elementos da série Instrumentos Mortais, conversavam animadamente segurando seus volumes, esperançosas por conseguir uma senha e falar rapidamente com a autora. Algumas corriam em busca da fila em histeria, gritando. Parecia que eu via a platéia do show de uma boy band. Sinceramente, nem que eu fosse fã encararia o entusiasmo das meninas. E não que ache isso ruim, na verdade acho fantástico ver tanta gente jovem num estado de animação tão grande devido à leitura. Isso é fantástico, parabéns pra Cassandra, que acabei não vendo nem de longe, mas movimentou um grande público!

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Às 14:00, assisti a um bate-papo com o autor Fábio Yabu. Ele foi muito atencioso, falou sobre sua carreira, sobre Combo Rangers, Princesas do Mar, os livros da Nerdbooks e tudo mais. Em seguida, respondeu a uma bateria de perguntas da platéia, falando sobre escrita, dando dicas para os aspirantes a escritores, explicando melhor o seu processo criativo e tudo mais.

Yabu criticou os livros infantis bobinhos, e disse que quando lê para a filha Luna, de 3 anos, incrementa as narrativas on the go, criando descrições e situações mas interessantes e que maravilham muito mais a criança. Sobre mercado editorial comentou que não é fácil se estabelecer no ramo, porque é necessário ter vários livros publicados para ter sua maquininha de escrita girando, conseguir tirar algum lucro disso e se aprofundando ainda mais, e pouca gente tem essa persistência. Após as perguntas, os fãs puderam receber autógrafos e tirar fotos com Fábio, e eu não perdi minha chance.

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Segui então para o estande do Grupo Autêntica, com a intenção de comprar o livro Exorcismos, Amores e uma Dose de Bluesde Eric Novello. O estande estava tomado por fãs de Paula Pimenta, Bruna Vieira, e outras autoras juvenis. Era até bonito de ver quantas menininhas acompanhadas pelos pais lotavam o lugar, comprando os livros e torcendo para ver suas autoras preferidas. Enfrentei uma fila, disputando meu espaço com as pequenas, e consegui adquirir meu exemplar.

Saindo do caixa, encontrei o Eric próximo, e conversei brevemente com ele, peguei seu autógrafo (escolhi pesadelo, quem for pegar o autógrafo vai entender), e tirei uma foto. Eric foi muito simpático, e gostaria de ter conversado mais com ele, mas esse ponto já estava com muito cansaço e tinha que voltar para casa devido a um compromisso à noite. Valeu Eric!

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Dicas e Conselhos

  • Leve dinheiro. Em espécie. O pavilhão tem sinal ruim para as máquinas de cartão sem fio, às vezes nem passa, e certos lugares de alimentação nem levaram. Mesmos nos estandes, com dinheiro é mais fácil e rápido.
  • Cuidado na entrada. A organização da Bienal afirmou que amanhã já vai estar mais organizado, mas mesmo assim, mantenha o olho aberto. Com muita gente, qualquer alvoroço pode ser perigoso.
  • Ao passear pela bienal com amigos, faça a gentileza de não irem de mãos dadas, formando correntes humanas grandes no meio do evento. A mobilidade já é complicada, e isso atrapalha muito.
  • Leve coisas de comer e água de casa. Faça sua vida mais fácil.
  • Vá com calçados confortáveis, e se prepare para ficar MUITO tempo em pé em filas. Para pegar senha, para comer, para pagar seus livros, para ir ao banheiro, para tudo. Fique tranquilo, respire fundo, e enfrente-as!

 

E é isso, amanhã estarei lá novamente, e lhes conto sobre o que verei nesse mega evento. Abraços!

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  • Olá!

    Não fui ainda à Bienal deste ano, só devo ir hoje (24/08), mas infelizmente não estranho esta muvuca toda.
    O órgão, instituição ou sei lá como é chamado quem organiza a Bienal está totalmente fora de sintonia com os leitores e não consegue prever algo tão banal como:
    Cassanda Clare é uma autora de best-seller internacional que virou filme me Holliwood, portanto irá atrair muito público! Será que é bom reforçar a segurança e organização no dia que ela vier?
    Qualquer blog de leitura consegue prever isso, mas não a organização da Bienal!!

    Digo que não estranho porque no ano em que o Eduardo Spohr lançou A Batalha do Apocalipse também não estavam preparados para receber os fãs dele…
    Sem falar que não há banheiros suficientes, alimentos são caros, etc e tal.

    Mas mesmo assim vou pra lá, porque quando muitos livros se juntam formam um buraco negro e todos sabemos que ninguém consegue escapar do poder de atração de um buraco negro
    XP

    abraço

    • Lucas Ferraz

      Oi Nilda,
      Ontem (24/08) senti uma maior organização. A mudança da fila de senha da Cassandra pra fora do pavilhão ajudou. A entrada também estava separada, cada fila em seu portão de acesso correto.
      A entrada foi tranquila pra quem veio com ônibus da Bienal, pelo menos onde o meu parou foi de boa. Pra quem veio da rua vi um senhor falando que tinha fila de 4 km.
      Mas enfim, faltou meio prever melhor e se organizar melhor. Agora eles ficam mais espertos.

      obrigado!
      Lucas

      • Olá!

        Realmente no domingo a desorganização não me pareceu grande, apesar do lugar estar extremamente lotado.
        A fila para comprar o ingresso estava enorme, mas andou razoavelmente rápido.

        Fiquei umas 4 horas lá no domingo, e fugi dos grandes stands e eventos, pois eles estavam insuportavelmente lotados. Mesmo assim deu pra aproveitar muito, principalmente nos stands de editoras menos badaladas, como a Paulus e do SESC.

        E as dicas que você deu ajudaram muito a não ser extorquida na praça de alimentação.

        abraço

  • Victor Hugo Oliveira

    Pena que não terei como ir, gostaria de ter estado na “palestra” do Abuphobia.
    O evento me pareceu tão caótico quanto a última Bienal do Rio. Realmente o pessoal que organiza tem que perceber a força que o evento tem tomado e buscar uma estruturação melhor. Por mim também Bienal já podia ter virado Unianal a muito tempo xP.

    • Lucas Ferraz

      Olá Victor,
      Estava bem legal o bate papo com o Yabu, ele é muito simpático e atencioso.
      A bienal poderia mesmo ser anual!

      Abraço,
      Lucas