[Resenha] Bob: um gato fora do normal do James Bowen

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bob_um_gato_fora_do_normalEdição: 1
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581634159
Ano: 2014
Páginas: 208
Tradutor: Maria Angela Paschoal

Sinopse:

“Nós ganhamos segundas chances todos os dias, mas geralmente não as aproveitamos. E então eu conheci o Bob.” James Bowen é um músico sem-teto que se apresenta nas ruas de Londres para sobreviver. A partir do momento em que ele encontra um gato de rua machucado, com o pelo cor de laranja e grandes olhos verdes, sua vida começa a mudar. Juntos, James e Bob enfrentam o mundo – e vencem. Uma história verdadeira sobre amor e amizade que vai fazer você sorrir muito.

Análise:

Acabei de fazer a leitura desse livro e a conclusão a que cheguei é que é uma obra leve e agradável, que cativa pela simplicidade. De autoria de James BowenBob – Um gato fora do normal fala sobre a experiência nas ruas de um gato e seu dono, que após encontrá-lo na soleira da porta de seu apartamento, acolheu e cuidou do bichano, e desde então não mais se separaram. Publicado pela Ed. Novo Conceito, é um lançamento de abril/2014.

James vivia nas ruas, se drogava e depois que Bob entrou em seu caminho sua vida mudou completamente. Bob passou a ser seu filho adotivo, que o acompanhava nas ruas, quando ia tocar seu violão a fim de ganhar os trocados de pagar o aluguel, e depois quando passaram a vender as revistas Big Issue nas esquinas e em frente as estações de metrô. O sucesso de James devia-se ao fato de Bob atrair a atenção dos transeuntes, que se admiravam com a personalidade peculiar do gato, muito senhor de si, que ficava pacientemente o dia inteiro ao lado de James, fazendo com que as pessoas comprassem mais e mais revistas. Claro que esse fato atraiu a atenção de gente invejosa, e James teve que lidar com algumas situações chatas descritas no livro. Mas, como ele andava ‘na linha’, conseguia resolver esses problemas sem maiores dificuldades. Como ele mesmo diz em alguns trechos, pra cada pessoa que os olhava de forma negativa, dez os viam com bondade.

Coisas simples, como um jantar apropriado, viram motivo de festa para os dois amigos, visto que antes, eles viviam nas ruas, à margem da sociedade, e quando ganhavam umas libras a mais, nada melhor que festejar com um bom prato e petiscos.

– Que tal um belo saco de ração chique, Bob? – sugeri no supermercado. – E alguns pacotes de seus petiscos favoritos, e um pouco de leite especial para gatos? Vamos aproveitar. Foi um dia inesquecível.

Muitos achavam linda a amizade entre James e seu gato. James fala que por vezes tinha a impressão que Bob transformava o dia das pessoas, dava um brilho especial em suas rotinas, quando cruzavam com ambos nas ruas.

… para cada pessoa que me olhava de um jeito meio bravo, havia dezenas que sorriam e acenavam. Uma senhora carregada de sacolas de compras nos deu um sorriso largo e simpático. – Vocês dois formam uma imagem linda – ela comentou.

 Havia o problema com as drogas. James foi viciado por vários anos e se encontrava em reabilitação quando acolheu Bob. Mas a medida que o tempo passava, ele sentiu a necessidade de parar completamente com seu vício, de se ‘limpar’ pois havia agora uma vida sob sua responsabilidade. Era um lado escuro de seu passado que ele não queria trazer para a convivência com o gato. E com muito esforço e força de vontade, ele conseguiu superar. E Bob estava lá, em todos os momentos, mostrando para James que ele não estava só…

Com Bob a seu lado, James não se sentia um indigente, uma ‘não pessoa’. Ele conseguiu recuperar sua dignidade O livro não traz uma narrativa mirabolante e sim, um registro do dia-a-dia de um homem das ruas com seu animalzinho de estimação. Ele era sua companhia, sua responsabilidade, seu refúgio. Por vezes, me peguei pensando durante a leitura se foi James que salvou Bob ou o contrário… Creio que ambas as conjecturas se encaixam na história…

Uma das partes mais emocionantes pra mim foi quando James fala sobre um natal ao lado de Bob. Segundo o próprio James, foi o melhor natal que teve em anos. Ao fim do livro, temos várias photos coloridas de James e Bob, dando mais graça a obra. A capa é linda, a diagramação é fantástica, há sombras de gatinhos espalhados por todos os capítulos. A estética do livro é impecável, e a história, como havia dito no início da resenha, cativa por sua simplicidade. Aos fãs de gatos, uma ótima distração entre leituras mais complexas. Aos que não são fãs de bichanos, uma experiência válida e encantadora…

James Bowen é um artista de rua londrino, Ele encontrou Bob em 2007 e desde então, eles são companheiros. Escreveu também Um gato de rua chamado Bob e O mundo pelos olhos de Bob.

Nota:

Avaliação: 4 selinhos cabulosos
Avaliação: 4 selinhos cabulosos
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Maria Valéria tem 29 anos [mas sempre me dão entre 20 e 25], cabelos coloridos, tatuagens e professora de História. Um dia ainda vou ao Egito, à França e à Grécia, fazendo uma escala em Praga e Moscou. Gosto de coisas e pessoas estranhas e de música dos anos 80. Escrevo para nunca esquecer de mim, uso batom laranja ou vermelho e coturno desgastado. Tenho fascínio por suicidas e me lambuzo comendo algodão-doce… como diria Ana C., pois sem saber, ela escreveu isso pra/sobre mim: “Sou amativa antes de tudo embora o mundo me condene…”.