CabulosoCast #84 – Ninguém mexe no meu Machado de Assis!

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vitrine-960-CC-84Olá Cabulosos, sejam bem-vindos a mais um CabulosoCast e neste programa, à pedido dos ouvintes, Lucien o Bibliotecário (@lucienobiblio10) recebe Cecília Garcia e Vilto Reis (@ViltoReis) do 30 MIN e Igor Rodrigues (@rodriguesigor) do The White Robot para falar sobre a polêmica envolvendo uma adaptação de Machado de Assis. Escolha o seu lado, prepare seus argumentos, afie a língua que um combate ideológico os aguarda nos próximos minutos. Bom episódio para vocês!

Citados na leitura de e-mail’s

– CabulosoCast de aniversário:

Os ouvintes devem enviar 4 perguntas pessoais para cabulosocast@gmail.com subject/assunto: aniversário

As perguntas são direcionadas para Lucien, Serena, Priscilla e Sr. Estranho

O motivo é que queremos aproveitar o que o senhor estranho está entre nós e queremos deixar esse episódio já pronto até o meados de junho.

Lembrando aos Cabulosos que quiserem enviar áudios desejando feliz aniversário pode fazê-lo também. Para isso:

– gravar a mensagem, salvar em mp3, não editar, não trilhar

– upar em algum local, dropbox, google drive, 4shared…

– Mandar o link para o e-mail cabulosocast@gmail.com; subject/assunto: aniversário.

Neste áudio, o Cabuloso ou Cabulosa deve se apresentar, informando:

– Nome;

– Idade;

– Onde mora.

Citados durante o programa

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Tamanho do Episódio:  91 minutos

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Atenção!!!

Para ouvir basta apertar o botão PLAY abaixo ou clique em DOWNLOAD (clique com o botão direito do mouse no link e escolha a opção Salvar Destino Como para salvar o episódio no seu pc). Obrigado por ouvir o CabulosoCast!

  • Marcos Martins

    Curtindo agora o CabulosoCast #84, que está falando de um mestre da literatura, cujo sou totalmente contra essa adaptação para os “tempos fugazes” de nossa modernidade. Acho que se investissem mais em educação, não seria preciso traduzir nosso português para brasileiros que não sabem que ainda se usam dicionários no século XXI.

    Li Machado quando tinha 12 anos e confesso que não estava pronto para ele, mas o tempo passou e certa vez chegou as minhas mãos o conto “A igreja do diabo”, do Machado, então tomei vergonha na cara e reli Dom Casmurro aos 30 anos (que foi o livro que tive que lê no colégio aos 12 anos), fiquei fascinado, tanto que depois li: Memórias Póstumas de Brás Cubas, (1881); Ressurreição, (1872); A mão e a luva, (1874); Quincas Borba, (1891) e estou no início de Memorial de Aires, (1908). Ah! E isso é só o começo!

    Machado de Assis é mais do que palavras rebuscadas! E tenho dito. 😉

    • Marcos,

      Também acho que com uma reforma educacional não precisaríamos de um “Machado para leigos”.

      Obrigado pelo comentário.

      P.S.: Onde estão os seus dados, moço?

      Abraços.

      • rsrsrsrs. Lucien, sou poeta, escritor e faço bico como auxiliar administrativo para pagar as contas em uma escola municipal em Jaboatão dos Guararapes. Tenho 36 anos, porém um corpinho de 18 (rs). Estou na luta para conseguir me firmar como escritor nesse País, que é 8° país com o maior número de analfabetos adultos, assim disse a Unesco ao avaliar a situação de 150 países. Abraços literários! 😉 Caso queira ler algo que eu escrevi fala com a Serena, mandei um de meus livros (uma distopia) em pdf para ela dar uma lida. (espero que não esteja sendo uma tortura para ela (rs).

        • Marcos,

          Infelizmente, repito, infelizmente não tenho tempo para ler meu caro, uso o pouquíssimo tempo que tenho para ler os livros para o CabulosoCast. Você sabe que o que o LC puder fazer para lhe auxiliar nós faremos.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

          • Marcos Martins

            Sem problemas, meu velho. E o que eu puder fazer para divulgar esse fabuloso site farei. Abraços literários! 😉

          • Marcos,

            Humildemente agradeço.

            Abraços.

  • Roman Schossig

    Sobre o Cabulosocast #84
    Essa foi até agora a melhor discussão que li sobre essa polêmica da adaptação do Machado de Assis. Internet é espaço de discussão, mas também de muita histeria e meias informações, onde a vontade de gritar a opinião é sempre maior do que o bom senso de pesquisar e pensar racionalmente o assunto. E aí que entra os Cabulosocast da vida, para trazer informação e discussão de bom nível. Se os colegas sentem-se desesperançosos com a educação no país e seus papeis enquanto educadores, saibam que pelo menos enquanto divulgadores de informação na internet sua importância tem sido imensa.
    Continuem assim
    Abraços.

    • Roman,

      Obrigado por considerar o CabulosoCast um divisor de águas nesta discussão. Como o Igor disse, expor argumentos e poder sentar para tomar uma cerveja depois é melhor discussão que existe.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Felizmente a discussão no podcast tomou o único desfecho possível: todos concordaram que esta transformação do texto de Machado de Assis não terá impacto profundo algum. Será como A arte da guerra para mulher/empresário/etc e só comprará quem tiver interesse na versão adaptada, haja visto que nada será feito ao original.
    E quanto ao público que terá o acesso por meio de ementa escolar, como já foi dito no programa, precisa de uma mudança muito mais contundente em termos de ensino para que só então esteja preparada para encarar um Machado de Assis, adaptado ou não. E mesmo os que porventura estejam aptos, as exceções, como foram chamados, ainda sim terão acesso às obras originais, a não ser que a escola queime ou jogue fora o que já tem de acervo.

    E sobre a própria natureza da iniciativa, como o Igor bem explicou, se trata de pegar patrocínio com empresas que terão como benefício umas regalias financeiras frente ao governo, e a divulgação das cifras, se forem mesmo as constadas na coluna do estadão, me cheira a um projeto planejado desde o início para ser ferramenta administrativa das empresas controlares seus demonstrativos financeiros, porque essa quantidade de dinheiro aí, se fosse para difundir a cultura literária no Brasil, garantiria o título de Mecenas Contemporâneo às referidas empresas.

    Link da coluna no estadão: http://blogs.estadao.com.br/babel/quanto-custou-o-projeto-de-simplificar-classicos-de-machado-de-assis-e-jose-de-alencar/

    Daniel Monteiro, 26 anos, sul de MG, lendo A bússola dourada. Li por último O processo (Franz Kafka).

    • Daniel,

      É uma boa teoria: empresas que queria controlar gastos com a receita patrocinar um projeto sem nem ao menos saber do que se trata, mas apenas visando os lucros futuros.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Wilson Brancaglioni, Bancário, São Paulo/SP

    Eu adorei a polêmica gerada, pois é necessário que os estudiosos da educação pensem na defasagem que as escolas estão enfrentando quando se trata de leitores. Não é um assunto novo para vocês que por inúmeras vezes relataram as mazelas da educação e consequentemente a falta de novos leitores. Não li a obra criada pela Patricia Secco, porém, prefiro que sua obra atinja o público a que se pretende, pois os brasileiros não têm o hábito de leitura e talvez seja uma oportunidade para alcançar novos leitores. É obvio que o assunto é polêmico e há várias opiniões, no entanto, fico feliz em ouvir um programa de alta qualidade que se propõe a falar de livros e respeita as diversidades de opiniões. Achei esse programa fantástico. Parabéns a todos.

    • Wilson,

      Fico feliz que tenhas gostado do programa.

      Sem sombra de dúvida que é um assunto que renderá muito ainda, mas por um lado acho que com o estrago que é feito pelo péssimo sistema educacional infelizmente devemos admitir que existe a chance de uma pessoa ler a versão adaptada e tornar-se um leitor voraz.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Mayara

    Muito bom o programa! A narração no final foi uma sacada genial! Eu sou contra a adaptações de clássicos em geral, porque faz o texto perder tudo que o trona relevante. Shakspeare, Machado e muitos outros não se destacaram pelo conteúdo, por isso, repassar esse conteúdo não deveria ser o foco. Caso o leitor não esteja preparado ou até mesmo não esteja afim de ler isso ( direito dele) tem um mundo de coisa que ele pode ler por aí, e pode fazê-lo mais feliz do que ler Machado, seja a série vagalume, Pedro Bandeira ou qualquer outro. A literatura infanto tem autores suficientemente competentes para alcançar o objetivo de apresentar o mundo literário ao leitor, por essa razão, não vejo necessidade de passar adaptações. E quanto a Frozen eu considerando uma releitura( muito boa) com um objetivo muito definido e seu objetivo cumpre bem seu papel.

    • Mayara,

      Esse é o meu pensamento atual. Se a pessoa não se acha competente para ler Machado, existe outras leituras para introduzi-lo no mundo dos leitores.

      Muito obrigado pelo seu comentário.

      Abraços.

  • Leandro Donda

    Olá leitores cabulosos!

    Meu nome é Leandro Donda, 31 anos, Engenheiro, Berlin-Alemanha.
    Lendo Barbaren Dämmerung – Tobias O. Meissner; Eu Robô – Isaac Asimov

    É a primeira vez que comento aqui ainda que ouvindo os Casts há um bom tempo. Sobre a adaptação de Machado de Assis seguem minhas considerações sobre o que ficou:
    – A Cecília insiste que não tem nada contra quando na verdade fica claro que TEM SIM. Ela não aceita nenhum agurmento contrário ao colocado.
    – Um leitor dos 11-15 anos NÃO QUER desafios de leitura ou com certeza abandonará a obra a qual estará lendo. Li as obras de MA durante o período escolar e fui começar a gostar no final do ensino médio por questão de “maturidade”.
    – Sou a favor da adaptação de autores clássicos, respeitando-se o conteúdo através da escolha dos melhores sinônimos atuais, para introduzir novos leitores a eles. Se a pessoa gostar ela, possivelmente, irá buscar outros livros do mesmo autor.
    – Uma adaptação deveria vir com o seguinte texto na frente: Uma Adaptação para a Linguagem dos Dias de Hoje. Acho que não sobraria dúvidas para quem ler.

    Abraços!

    • Leandro,

      Eu, Cecília, Igor e Vilto temos nossas opiniões. O objetivo deste programa foi meramente expor vários pontos de vista e não termos a mesma opinião. Se a Cecília não concorda, é um direito dela, da mesma forma que é um direito de qualquer ouvinte concordar ou discordar de nossas opiniões. Ninguém é dono da verdade.

      Acho que eu e Igor lemos livros adaptados e essa mensagem é um excelente aviso para os leitores de modo geral.

      Muito obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Leandro Donda

        Olá novamente!

        Meu ponto sobre a Cecília é que não há problema em ser contra, apenas deixe claro que é e pronto!
        Durante todo o episódio ela ficou AFIRMANDO que não era contra mas não concordou com nenhum ponto a favor das adaptações, entendeu?! Contradição pura!

        Voltando à questão FantasiaXDrama, ela AFIRMA que Fantasia não contribuí para a formação de novos leitores! Isso é uma declaração extremamente preconceituosa, pois vejo que a maioria dos adolescentes são atraídos para a literatura, principalmente, pelos livros de fantasia/ficção científica.

        Lucien, uma sugestão: sei que fica muito corrido e difícil postar um Cast novo toda semana, se for o caso por que não segue a periodicidade do LiterarioCast, a cada 10 dias, acredito ser um tempo excelente para se preparar.

        Abraços e continuem com o esmero dos programas.

        • Leandro,

          Entendo o seu ponto de vista, mas como falei no twitter eu considero a opinião da Cecília, a opinião dela. Fico feliz que você tenha esse espaço para expor a sua também.

          Sobre a periodicidade: no momento dou conta e me sinto mal por não postar, sei lá, todo dia. Gosto muito do que faço e sei que se pudesse editaria mais programas.

          Agradeço pelo seu comentário.

          Abraços.

  • Leandro Donda

    Esqueci de comentar:

    Quer dizer que para a Cecília o Drácula, 20.000 Léguas Submarinas, a Odisséia e outros são literaturas merdas por que são fantasia?!
    Acho que ela deveria descer desse pedestal de arrogância no qual ela classifica o que é bom e o que é ruim, segundo ela mesma, devido ser de um estilo que ela gosta ou não, afinal, ela é muito elitizada na questão literária, pois é Bacharel!

    • Leandro,

      A Cecília não classifica nada. Ele é uma leitora como eu e você. Tudo não passou de uma brincadeira. Ontem no seu facebook, ela anunciou que estava lendo a saga Jogos Vorazes. Todos sabemos do valor que há a leitura.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Baixando pra ouvir. Mas já posso dizer que gostei da vitrine? rs

    • Sara,

      Pode sim, mas vale dizer que o mérito pertence ao André que fez a arte com tanto esmero mesmo doente.

      Abraços.

  • Alvaro Rodrigues

    Alvaro Rodrigues, 26 anos, Rio de Janeiro

    Parabéns pelo episódio, pessoal. Dessa vez, não somente pela edição, mas pelo preparo que cada participante teve para o tema em questão. E que tema! Confesso que em muitos momentos “fui jogado” de um lado a outro, ora contra, ora a favor dos pontos de cada participante. Entendendo melhor a notícia e ouvindo cada ponto de vista, pude, enfim, compreender que (não me levem a mal) sou desfavorável a essas mudanças. Não tomo uma posição pseudoespecialista ou retrógrado a mudanças, mas a intenção de se aproximar um texto rebuscado a uma linguagem mais próxima da nossa realidade é controversa. Quem poderá dizer o quão difícil um texto será para um determinado público? Quem poderá dizer que esse texto será aprazível ou se adequará a uma cultura regional, por exemplo?
    Como supracitado pelo Lucien, a leitura é algo muito particular e deve-se tomar muito cuidado em ditar como ela será introduzida, por exemplo, no campo acadêmico. Acredito, também, que a “escada literária” deve ser respeitada, não induzida ou forçada. Aproximar a linguagem de um texto e/ou adaptá-la a fim de se introduzir a obra original posteriormente quando outras obras (como exemplo a também supracitada Coleção Vaga-Lume) podem fazê-lo é desnecessário. O que um leitor inicial preferiria? Dom Casmurro em quadrinhos ou Sandman? Qual dos dois oferece maior “obstáculo” a fim de fazer o leitor pensar, procurar referências, aprender a utilizar um dicionário, evoluir? Ambos poderiam fazê-lo, porém para muitos leitores iniciais a resposta seria uma só. Não é a linguagem, não são os obstáculos, e sim o prazer. A leitura é movida apenas por dois fatores geradores de curiosidade: necessidade e/ou PRAZER.
    Além disso, se a aprovação de se remover a carga literária é uma opção para a inicialização ou aproximação da leitura, então, futuramente teremos o inverso? Daqui a alguns anos teremos uma releitura de Harry Potter para aumentar a carga dramática e linguagem para leitores mais experientes? Vamos criar obstáculos (como dito por um dos participantes) para a coleção Vaga-Lume? Desnecessário. Quem já começou a experiência literária lendo J. K. Rowling ontem, hoje pode muito bem ler o Alexandre Dumas ou Machado, sem nenhum tipo de “adequação” do texto. A evolução é natural, e como dito anteriormente, pessoal. Deveríamos ter uma campanha para incentivo a leitura, independente de qual seja a linguagem ao invés de tentar aproximar algo que não desperte a vontade de ler dos leitores. Concluindo, facilitar Machado não é o caminho, mas apresentar outros autores que possam ocupar os degraus da “escada literária”.

    # O que terminei de ler: The Walking Dead: O caminho para Woodbury (Robert Kirkman e Jay Bonanzinga)
    # O que estou lendo: Os Goonies (Steven Spielberg e James Khan); O Essencial da Estratégia (Maquiavel, Musashi e Sun Tzu)

    • Alvaro Rodrigues

      Um adendo pois terminei de ouvir o episódio agora a pouco.
      Por comentários como o da Cecília sobre a fantasia é que o Brasil não forma leitores.
      Esse é um tipo de comentário que desestimula o novo leitor e até mesmo os mais antigos. Acredito que o Lucien, assim como eu, acredita que o importante é a leitura, independente do estilo, do gênero, etc. Mudar da fantasia pra ficção científica, daí para livros de não-ficção e então voltar a ler fantasia novamente agrega conhecimento e também faz parte da escada literária e base de educação, formação de valores, conceitos. Também comecei a minha escada literária pelos quadrinhos. Turma da Mônica, X-Men, fantasia/RPG, clássicos, ficção/não-ficção, técnicos (voltados a minha formação acadêmica de engenheiro) e… Atualmente leio fantasia, histórias em quadrinhos, e todos os outros, reiniciando o ciclo.
      Não é por gostar mais de Tolkien do que Augusto Cury, por exemplo, que minhas opiniões serão desvalorizadas ou postas em uma balança ao se comparar com outra. A leitura forma opinião e ela deve ser respeitada, deve ser expressada. O respeito ao espaço, direitos e opiniões alheias não é algo que se aprende na faculdade.

      Enfim, a própria confessou que só queria gerar polêmica, talvez tudo tenha sido uma grande brincadeira, não julgo, não me importo e perderia mais tempo dando valor ao caso.

      • Álvaro,

        Os leitores já perceberam que possuem liberdade para ler o que quiser não importa o quanto haja um discurso de imposição na escola. Sei que muitas pessoas gostariam de apressar a subida dos degraus no ritmo de cada leitor, mas eles sabem que quem manda na leitura deles são eles mesmos.

        Obrigado pelo comentário.

        Abraços.

    • Álvaro,

      Eu concordo com você quanto a leitura ser motivada pelo prazer. Quem lê, não importa qual livro de que tipo, gênero… quem lê ler por prazer, por que gosta, por que ama. E outra coisa, cara, não precisa ficar receoso quanto a sua opinião. Ninguém aqui é dono da verdade.

      Agradeço pelo seu comentário.

      Abraços.

  • Pergunta embaraçosa: Como ensinar o movimento literário conhecido como Parnasianismo fazendo uso de uma obra “simplificada” de Machado de Assis?

    • Bruno,

      Uma correções: Machado não é Parnasiano, mas Realista. Concordo com você, neste caso o professor apresenta a obra original, mesmo que existam versões simplificadas.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Isso me espanta… até onde entendo Machado de Assis é sim Realista, mas não deveria ser ignorado como importante participante do Parnasianismo. Machado de Assis, me parece, tem duas fases bem distintas, uma romântica e outra parnasiano-realista. Estou enganado?

        • Bruno,

          Nunca tinha lido nada sobre isso, contudo quando chegar na época do CabulosoCast sobre o realismo quem sabe numa pesquisa mais aprofundada possamos esclarecer este ponto.

          Muito obrigado pelo esclarecimento.

          Abraços.

  • Uma coisa que não foi mencionada é a questão de financiar este projeto com dinheiro público o que, a meu ver, só seria justificável de um ponto de vista mais fundamentado pedagogicamente.

    • Oi Bruno, mencionei isso no cast, mas falarei novamente. Não há dinheiro público envolvido em nenhum projeto da lei de incentivo à cultura. A lei autoriza que o projeto possa captar recursos por si só, utilizando incentivos fiscais, ou seja, a escritora terá que correr atrás de patrocínio ela mesma com empresas ou pessoas físicas, e pode oferecer como moeda de troca desconto nos impostos de quem patrocinou o projeto. Só isso. A imprensa tem a mania de promover a lei de incentivo à cultura como “doação do governo” sempre que um projeto controverso aparece, dando a impressão que estão gastando o dinheiro do contribuinte em bobagens. Existe sim um fundo nacional de cultura que o MINC utiliza em alguns projetos, mas o dinheiro também é captado de fontes externas mediante incentivo fiscal. A diferença aqui é que o MINC faz a captação por você.

      Respondendo à pergunta do ensino: Não dá pra ensinar parnasianismo utilizando livros adaptados, mas essa não é a função da adaptação, somente aproximar os jovens alunos dos autores. Outro problema das notícias que circulam é que não tem detalhes mostrando como o projeto funciona ou detalhes do texto final. Qual a intenção da autora ao utilizar os livros em sala de aula? A ideia está sendo cruxcificada baseada em uma nota de menos de 300 palavras (tendenciosas) e fecha com um arrogante “Apresentar como sendo de Machado de Assis uma mutilação bisonha de seu texto não devia dar cadeia?”. Quanto radicalismo.

      Deixo aqui 1 link que ajuda a entender o outro lado da polêmica:
      http://www.estadao.com.br/noticias/arte-e-lazer,patricia-engel-secco-defende-projeto-de-facilitar-obra-de-machado-de-assis,1164221,0.htm

      Li um editorial do Estadão (link abaixo) que me dá raiva e tristeza. É uma coletânea de arrogância e uma demonstração de desconhecimento da realidade brasileira. com palavras pomposas e frases elegantes que muitas vezes não apresentam nenhum recheio como argumento, o autor mostra que , existe uma elite intelectual que quer mais que o povão se fod*, como se a grande maioria das pessoas que não leem ou abandonam a escola o fizessem de sacanagem. Mas não, ninguém gosta de ser burro.
      http://www.estadao.com.br/noticias/arte-e-lazer,especialista-em-machado-de-assis-analisa-iniciativa-de-simplificar-obras,1164214,0.htm

      • Extremamente relevante sua explicação sobre o projeto não envolver dinheiro público. É conflitante com algumas das fontes às quais tive acesso e corroborada por outras. Confio mais no seu argumento e me parece bem mais coerente de fato.

        Sobre “aproximar os alunos dos autores” eu não entendo como isso seja possível já que a obra, depois de alterada, não é mais do autor, mas de quem a alterou. Isso é um assunto a ser longamente discutido e, afinal, não lemos a adaptação.

        Eu veria mais mérito em uma proposta de aproximar o leitor da literatura através da literatura pulp, Crepúsculo e títulos do gênero do que através de uma adulteração da obra original de um autor (qualquer que seja).

        Se me perguntarem em que contexto uma obra “simplificada” seria razoável de ser utilizada eu diria, relutantemente, que faria algum sentido apresentar uma (ou mais) obras simplificadas do mesmo autor contanto que se revisitasse a narrativa feita originalmente, assim expondo o aluno-leitor a alguma forma de evolução… mas não trata disso o projeto.

        Estou entendendo que serão “simplificados” dois títulos, pelo valor de R$ 1.039.000,00 e tiragem de 600 mil exemplares… Confere?

        • Isso mesmo. Ela queria mais uma grana pra fazer 4 livros diferentes, mas o MINC não deixou. Aliás outro ponto interessante é a limitação de patrocínio que a obra pode captar. O MINC determina que o projeto só pode captar X valores utilizando os incentivos fiscais.
          http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8313cons.htm

          Mais do que ser contra ou a favor, esse caso me mostrou como viviemos na era da desinformação. Pesquisando para o podcast eu não achei mais do que republicações ou derivações da pequena nota inicial da Folha. A única coisa que sabemos até agora é a substituição de “sagacidade” por “esperteza” em algum lugar do texto. Só. A imprensa não divulgou mais do que isso.

          Farei o seguinte, o livro será lançado e distribuído mês que vem perto da minha casa. Vou pegar um exemplar de um deles, ler e comparar com o original e depois publicar uma resenha completa do negócio. 🙂

          • Igor,

            Apoiado em sua proposta e já conta com um leitor para a sua resenha: EU.

            Obrigado por contribuir para o debate.

            Abraços.

      • Igor,

        Agradeço por contribuir com o debate. E que argumentos, hein? Muito obrigado mesmo, meu amigo.

        Abraços.

  • Marcelo Zaniolo, 27 anos, Florianópolis – SC, host do LivroCast.

    Bom dia, amigos, tudo bem? Ótimo episódio.

    Quando soube da polêmica, também via Twitter, fui logo criticando. Meu posicionamento era o mesmo da Cecília: contra a “releitura” de Machado, a substituição de palavras e simplificação do vocabulário. Depois, entretanto, fui cedendo.

    Minha opinião agora é “por que não?”. Desde que, é claro, fique SEMPRE claro que a adaptação NÃO passa disso e Não é a obra original e que HÁ uma obra original. Acabei vendo prós e contras e achando que a nova versão acarretará em bem menos consequências do que a polêmica pareceu enxergar.

    Ótimo episódio. O problema da leitura no Brasil passa ainda muito longe de iniciativas como essa, como vocês bem abordaram. Grande abraço e até a próxima.

    Ps: MELHORES EXTRAS DE TODOS OS TEMPOS!

    • Marcelo,

      Pois é, acho que essa é a grande conclusão a que todos chegamos, se a intenção da autora é ajudar a incentivar à leitura ela escolheu um caminho que pouco efeito terá. Uma coisa que fiquei pensando enquanto editava é que se estivéssemos falando de outra realidade quem sabe a discussão não cairia para outro debate, mas como é o Brasil Baronil, não se pode fugir da educação.

      Muito obrigado por comentar.

      Abraços.

  • Olha, eu até certo ponto sou a favor da ATUALIZAÇÃO das obras, com o passar do tempo. A linguagem muda, as expressões mudam, as palavras mudam. O que sou contra é a simplificação BURRA, que é o que me parece ser a forma de atualização que essa “autora” está propondo. Sou a favor da atualização de palavras que morreram em sua forma original e foram substituídas, mas “sagacidade” não é uma delas.

    Atualizar não é simplificar, são coisas diferentes. Mas acho que obras devem sim ser “acertadas” de acordo com a época do momento. Senão todos os livros clássicos que lemos seriam recheados de “PH”s e “C”s mudos. Só isso já é uma atualização, ortográfica, mas ainda assim uma alteração da forma original como a obra foi escrita. Não fosse assim, teríamos que fazer nossos alunos ler esse trecho aqui e cobrar deles o pleno entendimento de seu significado:
    “Snõr

    posto queo capitam moor desta vossa frota e asy os
    outros capitaães screpuam avossa alteza anoua do acha
    mento desta vossa terra noua que se ora neesta naue
    gaçam achou. nom leixarey tam bem de dar disso
    minha comta avossa alteza asy como eu milhor
    poder ajmda que perao bem contar e falar o saiba
    pior que todos fazer. / pero tome vossa alteza minha
    jnoramçia por boa vomtade. aqual bem çerto crea q[ue]
    por afremosentar nem afear aja aquy de poer ma
    is caaquilo que vy e me pareçeo. / da marinha
    jem e simgraduras do caminho nõ darey aquy cõ
    ta a vossa alteza por queo nom saberey fazer e os
    pilotos deuem teer ese cuidado e por tanto Snõr
    do que ey de falar começo e diguo.”

    (quero ver adivinhar de onde é, sem usar o Google)

    • Márcio,

      Excelente ponto que você levantou diferenciando simplificação de atualização.

      Isso é um fragmento da carta de Pero Vaz de Caminha?

      Muito obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • v.

    quando vi a pauta pensei: “heh, lucien se virando nos 30 para poder encaixar essa polêmica nas pautas do ano. certo ele.” um assunto importante a ser discutido. bons argumentos de ambos os lados, por sinal. gostaria de me colocar do lado que diz que a obra pode ser adaptada, da mesma maneira que se adaptam livros clássicos para deixá-los mais acessíveis (os contos de fadas são os exemplos mais óbvios disso). digo adaptar, veja bem, desde que convivendo com as obras originais. não creio ser correto pegar o canônico e substituir como se nos envergonhássemos. sim, adaptações podem facilitar a vida de muitos estudantes do ensino fundamental (única época em que me recordo de terem me sido indicadas essas adaptações), mas o trabalho que o autor teve para criar uma história, as escolhas das palavras que aquele autor fez (como foi dito ao longo do cast), não podem deixar de ser levadas em consideração.
    quanto à tradução: perdemos muito nas traduções, que não são mais que adaptações da obra a outra língua, no entanto, hoje em dia o que vejo dos tradutores mais sérios não é uma simplificação da linguagem do original para o português, mas uma adaptação. uma vez postei aqui um artigo de um tradutor cujo trabalho acompanho há tempos: paulo henrique britto. nesse artigo, britto fala sobre a tradução de um livro que usa vocabulário do século XVIII. fica claro, pelo menos para mim, que há um esforço para que o mínimo de perdas ocorra na boa tradução. e diferentemente do que disse o convidado que esqueci o nome ao longo do cast, as traduções mais antigas de obras clássicas muitas vezes não são as melhores ou mais próximas do original, porque o que era bastante comum naqueles tempos eram as traduções de traduções (especialmente os russos, que eram vertidos a francês, depois traduzidos do francês para o russo). claro, existem as traduções clássicas de décadas atrás, mas elas não me parecem ser a regra, e sim a exceção.
    excelente programa. abraços a todos.
    pedro víctor santos, 26 anos, médico, recife-pe (natural de maceió-al), no momento lendo “o conceito de angústia”, de kierkegaard, e complete poems, de walt whitman.

    • Pedro,

      Acho que você levantou um ponto interessante sobre as traduções de traduções; hoje é possível ver que há um trabalho mais sério, não é à toa que a versão que li do Conde de Monte Cristo se “gabava” por ser traduzida do original e não de uma outra tradução (como do inglês, por exemplo).

      Excelente ponto.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Carol Siqueira

    Gostaria de parabenizar pela excelente discussão sobre a polêmica. Primeiro pela exposição dos fatos e também pelas opiniões fundamentadas. Confesso que eu tinha uma opinião absolutamente contra essa adaptação, mas após ouvir o cast, essa opinião apesar de permanecer, já não é tão rígida e compreendo melhor ambos os lados.
    Bom trabalho pessoal!

    • Carolzita!

      Fico imensamente feliz que tenhas gostado da discussão e como sei que você é uma ouvinte exigente fico ainda mais feliz.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Alguém já extraiu o áudio da leitura da Cecília de Suaves Ósculos na Espádula? Lucien e Cecília, tem problema se eu extrair só esse trecho para compartilhar? Claro que vou incluir referência para o Cabuloso Cast.

  • Olá pessoa! Formei no ano passado no ensino médio e a discussão me fez lembrar sobre uma professora de português que acreditava que a tendência de nossas leituras seria de focar cada vez mais apenas na história. Estudei numa escola pública, mas como era técnico federal, então tem uma seleção (vestibular) para a entrada, então a maioria dos alunos lia algum livro no momento. A ideia dela era de que a minha geração tenta ler os livros com a mesma velocidade que as informações chegam, então com a internet a necessidade de ler cada vez mais rápido aumentou e isso compromete nossa capacidade de leitura. Entendendo que capacidade de leitura está na habilidade de ler um texto observando qualidades além da história.
    Esta ideia foi uma discussão feita na sala para analisar se algum dia a nossa necessidade de obter muitas informações fizesse com que os livros fossem apenas acessíveis caso não comprometesse a velocidade de leitura. Interessante como a mesma “solução” foi discutido na nossa sala para “leitores excessivamente vorazes” e em outro lugar pode ser discutido para pessoas que não tem contato com literatura!
    Victor Eiti Yamamoto, 19 anos, São Paulo (capital). Li recentemente o guia do mochileiro das galáxias e o mundo segundo garp. Lendo Harry Potter e o enigma do príncipe e Futari no kyori no gaisan de Honobu Yonezawa.

    • Victor,

      Faz um tempo que publicamos uma notícia que falava de um novo sistema de leitura que acelerava a leitura, mas lembro bem, rolou uma incrível discussão sobre o quanto determinados livros que tem construções linguístiscas elaboradas não se encaixam nisso. Acho que isso vai da cabeça das pessoas de generalizar a leitura, como se um livro pudesse ser igual a outro.

      Muito obrigado pelo comentário.

      Abraços.