[Resenha] Lugar Nenhum do Neil Gaiman

8

lugar_nenhum_neil_gaiman

Quem acompanha os Pombo Correios que faço, sabe que comprei vários livros do Gaiman sem ter lido nada dele. Lugar Nenhum foi o primeiro desses que li e me senti muito bem por ter comprado todos os outros.

Richard é o protagonista escocês que se mudou para Londres a trabalho. É um cara comum que gosta de ser comum. As coisas deixam de ser ordinárias quando ele se depara com uma menina sangrando na rua. Jéssica, sua namorada um tanto controladora, parece não ligar muito, mas ele vai contra todas as regras sobre não tocar em alguém estranho, sujo e machucado e leva a garota para sua casa. Descobre que seu nome é Door e que ela faz parte da Londres de Baixo, uma outra cidade existente nos túneis por baixo da capital inglesa.

Agora, porque ajudou Door, Richard acaba fazendo parte desse outro mundo, o que significa ser apagado do seu mundo, ficar completamente invisível para as pessoas da Londres de Cima, o que não é nada agradável. Sem nenhuma alternativa ele acompanha Door que deseja vingar a morte de sua família na esperança de poder retornar para sua vida comum.

É engraçado pensar que recebi a indicação desse livro em um CabulosoCast com o Eduardo Spohr, quando eu nem fazia parte da equipe do site. A indicação veio por causa do anjo Islington que faz parte, de certa forma, da Londres de Baixo.

A narrativa de Gaiman me lembrou um pouco Douglas Adams. Ele acrescenta humor em praticamente tudo (até os vilões tem seu toque), mas o livro é sério e nunca poderia ser chamado de comédia.

A Londres de Baixo é composta por todo tipo de gente, alguns com habilidades especiais (como Door que consegue abrir qualquer coisa) e outros comuns – se pudermos chamar alguém da Londres de Baixo de comum – que aprendem a sobreviver em um mundo cruel, mas não uma crueldade diferente da do nosso mundo, na Londres de Baixo não existem só pessoas e você pode morrer rapidamente.

Uma coisa interessante que Gaiman usou foi colocar os moradores na Londres de Baixo estranhos, usando roupas estranhas e muitas das vezes sujas. E o fato das pessoas “normais” da Londres de Cima não conseguirem vê-las não faz parte da ficção. Esses tipos de pessoas são completamente ignoradas por nós e muitas vezes fingimos não vê-las.

Agora não consigo deixar de pensar quando vejo pessoas desse perfil: esse faz parte da Londres de Baixo.

NOTA:

5 selinhos

Lugar Nenhum foi originalmente uma série da BBC em 1996, porém não fez muito sucesso (a grande maioria diz que é uma grande merda) e meio que para reparar isso Gaiman lançou a trama em livro.

neverwhere-serie

Lugar Nenhum também tem uma Graphic Novel lançada pela Vertigo, da Panini onde o desenho é bem, vamos dizer, ousado.

neverwhere hq

A última notícia que a Rádio 4 está produzindo uma novela baseada em Lugar Nenhum. O elenco é bem famoso, como podem ver na foto:

Neverwhere radio

Ficha Técnica:
Editora: Conrad
Autor:  Neil Gaiman
Origem: Estrangeira
Título original: Neverwhere
Ano: 2010 (2ª edição)
Número de páginas: 336
Skoob

  • Li a versão em quadrinhos que saiu pela panini aqui no Brasil. Acredito que o livro conte mais coisas sobre Londres Abaixo e alguns personagens. O quadrinho focou só em Richard e Lady Porta.

    • Daniel, sério que no quadrinho ela ganhou o nome de Lady Porta?! Eles traduziram? Ficou tão feio… aahahah
      Obrigada pelo comentário!

      • Hehe, já eu achei esquisito o “Door”. Questão de costume, mesmo.
        Mas eu defendo a tradução de nomes, viu. Tipo, no idioma original eles associam o nome com algo que existe lá, no caso PORTA, e aqui quem não sabe inglês jamais saberia isso, sendo necessária a tradução de Door para Porta.
        Já me peguei pensando nos nomes indígenas, que literalmente possuem significados “entendíveis”, enquanto a maioria dos nossos nomes não tem isso. Esmeralda, Salvador, Margarida, todos nomes que dá para associar com o significado só de ver, mas tipo o meu, Daniel. Não dá para saber que significa “Deus é meu juiz”.
        Se não me engano o Japão é um dos países cuja língua ainda proporciona essa facilidade no entendimento do nome: Hikari = Luz, Sakura = flor, etc.
        Seria estranho aqui no Brasil você perguntar o nome de alguém e a pessoa responder “Nariz grande”, mas não sei, acho que seria interessante.

        • Já eu sou contra a tradução dos nomes, mas eu concordo com vc que quem não conhece a língua inglesa ficaria meio perdido nisso, porém uma nota de página (como tem no livro) já seria o bastante. Seria a mesma coisa que traduzir Mary pra Maria ou John pra João, na minha opinião. É legal saber o significado dos nomes (e pra isso é bom que se tenha um minimo de curiosidade), mas eu gosto quando eles mantêm o original.

  • Lucas Ferraz

    Neverwhere é incrível, pra mim uma referência de steam-punk/fantasia.
    Realmente único.

    • Também gostei bastante Lucas e olha que vi comentários que esse é um dos livros mais fracos do Gaiman. Estou louca pra ler os outros então! haahha
      Abraços!

      • Lucas Ferraz

        Não acho um dos mais fracos, nem de longe.
        O pessoal fala isso só porque Neverwhere era série antes de ser novelizado, ai já viu.
        Sinceramente, o novo e tão alardeado The Ocean At the End of The Lane é bem mais fraco que Neverwhere.
        Mas a obra prima é mesmo American Gods.
        Esse é épico.

        • Priscilla Rubia

          É… acho que isso de ser série antes e a série não ser mto boa estragou pra quem a viu. Como eu não vi achei mto bom! Tenho Deuses Americanos, mas ainda não li. Todos me dizem que é realmente o melhor e vou ler em breve!
          Abraços!