CabulosoCast #58 – Blogueiros: os novos críticos literários?

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vitrine 960 CC58Sim, Leitores! Sejam muito bem-vindos a mais um CabulosoCast! E neste episódio, Lucien o Bibliotecário (@lucienobiblio10), do Ricardo Herdy (@programagw) e Gustavo Magnani vão tocar num tema polêmico: será que os blogueiros literários são os novos críticos da literatura brasileira? E qual é o valor dos críticos hoje? Faça sua trincheira, arme-se e ouça este programa que promete dar muito o que falar. Bom episódio para vocês!

Vitrine: Andre Wallace – CoffeUnlocked

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Tamanho do Episódio: 91 minutos

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  • v.

    meus críticos literarios favoritos sao blogueiros com quem ocasionalmente me comunico. um deles trabalha como jornalista e a outra eu nao faço a menor ideia com que trabalha. encontrei-os quando buscava resenhas sobre livros do philip roth e me identifiquei com ambos. tamanha é minha sintonia com boa parte das resenhas deles, hoje sao os unicos blogueiros que leio constantemente.
    o bom critico, para mim é esse que faz o leitor pensar em como seus gostos sao parecidos, aqueles que se identificam com as obras abordadas e para mim, eles sao uma fonte de novas descobertas na literatura. meus dois favoritos aí:
    http://livrada.com.br/
    http://www.livrosabertos.com.br/

    abraço.

    pedro víctor santos, 25, de maceió, morando em recife, quase médico.

    • Pedro,

      O mesmo já aconteceu comigo. O blogs que sigo hoje são por questão de identificação.

      Os blogs serão citados.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Rafael Botter

    Ouvindo sobre esse episódio, creio que é um tema bem polemico e vai ser bem repercutido.

    Devo confessar que esse assunto me agradou e muito, pois quero seguir minha carreira como critico literário, pretendo cursar faculdade de letras e ir me especializando em literatura.

    Não quero criar problemas com meu ponto de vista, mas eu sigo um ditado que um professor meu de photoshop sempre dizia “Você tem que saber trabalhar e nunca se esqueça de usar o filtro mais importante quando estiver trabalhando: O bom senso”

    Já me deparei com blogueiros bons e ruins da mesma forma que já vi críticos bons e ruins. Certa vez eu acompanhava um determinado blog e via também os vídeos dessa pessoa no youtube, mas chegou um certo ponto em que essa pessoa começou a falar coisas sem sentido sobre os livros e os vídeos dele(a) ficaram ainda piores.

    Agora minha opinião sobre o cast foi muito bem trabalhado e os convidados mandaram muito bem com suas participações e o Lucien administrou muito bem o papo com a galera e abordou o tema sendo muito explicativo e dando suas opiniões e claro sem perder o bom humor.

    • Rafael,

      Fiquei curioso para saber de quem você está falando. Será que poderia deixar um link ou coisa do tipo?

      Quanto aos elogios, como eu já falei: os convidados fizeram toda a diferença.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Ola
    Lucien eu também penso 10 vezes antes de ler uma critíca de um filme ou livro que quero muito ler ou assisti. Geralmente minhas analises com a dos critícos nunca batem.
    Realmente tem blogueiro que apela muito nas resenhas, as vezes só pela sinopse já faz a resenha(o que o Ó!!!), tem blogueir que resenha contando toda a estória(reescrevendo o livro) dando os maiores spoillers sem avisar que vai soltá-los.Mas esta autora realmente pecou pela generalização, temos ótimas resenhas que faz com que compremos os livros e que realmente gostamos da leitura baseado na expectativa da resenha que lemos.
    Eu sou blueira e penso muito antes de escrever uma resenha, principalmente uma negativa pra não agredir o autor e nem o leitor mostrando sempre que é uma opinião minha que é sobre meu ponto de vista, principalmente, se for um gênero que não gostou sempre analisando pelo gênero e público alvo.
    Bjos
    Dany, Palavras Prolíferas

    • Dany,

      Concordo com você. Já li várias resenhas desse tipo que ao ler, você percebe que o blogueiro está contando toda a história e se eu quisesse saber da história eu leria o livro, né?

      Agradeço muito o seu e-mail.

      Abraços.

  • Acho que a solução mais acertada é na conscientização do leitor de críticas. A internet é uma ferramenta que proporciona (e que deve seu sucesso a) a democratização total da troca de informações. Sempre terá gente dando opinião superficial na internet, e os acadêmicos muito provavelmente vão continuar se restringindo a analisar os livros de fora do “espectro popular”, até para justificar a própria academia, creio eu.
    Mudar esses paradigmas são muito difíceis, para não dizer impossível, mas uma medida que é solução imediata é justamente o entendimento por parte do leitor. Se ele vai ler crítica num blog, já sabendo do teor opinativo e não analítico, cabe somente a ele fazer a filtragem das informações retiradas do texto. O mesmo com uma análise crítica de um acadêmico.
    Mostrar a diferença entre os dois, para mim é muito mais fácil que promover a união desses dois posicionamentos antagônicos.

    • Daniel,

      Concordo com você. Os leitores críticos existem, mas recebem pouco feedback dos seus seguidores, é o que eu acho! Acho que já existem bons trabalhos de blogs que procuraram fazer a ponte.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Augusto Tenório

    AAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEE PORRRRAAA! MAIS UMMMMMMMMMMM. BAIXAANDOOOOOO!

  • Succ Kammiekazzie

    Se estou a fim de ler determinado livro ou ver um filme, não pesquiso as criticas, pois, estou pouco me lixando para a opinião de terceiros nesse aspecto. Não irei gostar ou deixar de gostar porque alguém elogiou ou meteu o pau.
    Acho que a maioria dos críticos e dos blogueiros levam sua opinião pessoal acima de qualquer coisa e acaba não respeitando gostos e gêneros.
    Por outro lado, eu adoro quando leio algo interessante sobre um livro que desconheço e bate uma vontade alucinada de comprar imediatamente o meu exemplar, como aconteceu diversas vezes aqui.
    Beijim, amo esse sotaque nordestino… <3

    • Succ,

      Esta sempre foi a postura do LC e sempre será. Mesmo quando fazemos resenhas negativas de um livro propomos que o leitor leia a obra mesmo que nós a tenhamos criticado. O CabulosoCast é assim também, eu dei 2 para o livro 2 de Percy Jackson, porém no final do programa convidei as pessoas para lerem a obra, isto não é uma conduta contraditória, mas democrática.
      Fico feliz em saber que você gosta de nossas indicações.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços

  • Augusto Tenório

    Meus críticos literários favoritos são os do LC.
    CC tá ficando melhor que NC
    Rebeca = Serena =D
    quase médico foi ótimo
    Luciã, uma crítica, mandei emails essa semana toda e todos retornaram, tanto via site quanto via hotmail
    Luciã, creio que a única diferença de um tradutor juramentado e um não é poder traduzir documentos oficiais (usados em imigração, transferência de documentos para instituições de ensino estrangeiras, etc.).
    ÉPICO

  • Boa discussão, assunto bem delicado esse. Acho que várias das propostas apresentadas são válidas. Em minha opinião, leitor deve ser sua própria ponte no “abismo” entre Blogueiros e críticos literários. Assim como no cinema, tem gente que quer apenas saber a “sinopse” do filme para ver se lhe interessa ou não. Já outros, vão além e querem aprender sobre as técnicas usadas, os signos, referências, etc. E quem busca isso, passa de um “simples” leitor (ou cinéfilo) para um “estudioso” do assunto, acaba comprando livros de análises de roteiro, técnicas de redação, etc. Mesmo que nunca venha a se tornar um profissional da área, mas sim para poder absorver e entender melhor as obras que tanto gosta.

    • Frank,

      Apensar de sabermos que somente com muita leitura podemos nos sentir seguros nesta seleção, acho que o leitor é o melhor crítico e seletor do que deseja receber como informação.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Olás!

    Muito esclarecedora esta discussão. Mais do que a possível polêmica, o fato de terem esclarecido o que é um crítico, diferenciar o crítico acadêmico do jornalista, e estes do blogueiro foi o que mais acrescentou a esta discussão. Antes de tomarmos posições nesta discussão temos que entender quem é quem e o que fazem ou deveriam fazer.
    Sobre os blogs que tem mais comentários e likes que conteúdo: só o tempo dirá se irão persistir, melhorar ou apenas sumirem neste oceano que é a internet.

    E as dicas, no final do episódio, de como escrever, indicar ou resenhar um livro me foram muito úteis. Ajudaram a expandir meus conhecimentos e usarei a maioria delas como guia na hora de escrever e revisar minhas indicações de livros lá no Mitografias.

    abraço a todos

    • Nilda,

      Vou dizer logo que é uma honra ter alguém da equipe do Mitografias aqui nos nossos comentários.

      Fico extremamente satisfeito que você possa ter encontrado neste programa dicas úteis para você.

      Muito obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Fala Amigos das Biblosfera.

    Acho que os críticos fizeram com o público leitor causou uma fisura emocional relativa à distância da conversa do Leior/Crítico. Todos, repito Todos os escritores que conheço preferem a atençao dos Blog do que dos crticos formados. O Público leitor acaba se sentido afendido com a distância entre a Gama de conhecimento e o que o leitor realmente quer saber. Muitos autores que o público quer realmente ler e quer dividir o emocional entre as páginas e ele, não condiz com com o que a Gama de sapiência do Crítico profissional passa. Temos Blogs ruins, assim como temos críticos ruins; Temos críticos bons, assim como temos Blogs bons, é tudo questão de seleção, mas entre um crítico bom e um blog bom, fico com o Blog, pois me identifico muito mais com a opinião de um igual do que com uma pessoa que se expressa além do comum.

    • Daniel,

      Os autores que conheço também valorizam muito o trabalho dos blogueiros, acho que os críticos existem como uma memória necessária para determinados autores que escapam aos blogs, como bem citou o Gustavo.

      Hoje sou muito mais a favor de ler um conteúdo de um blogueiro do que de um crítico, pois, concordando com você, acho que eles falam a minha linguagem.

      Muito obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • FFSinval

    Excelente programa, Lucien.
    Gostei muito das opiniões de cada um, mas uma em especial chamou minha atenção. E essa opinião foi a sua, Lucien. Parabéns pela condução do “Leitor Cabuloso” e por ter tido a coragem de optar por não receber “subornos” (repetindo o termo que você utilizou) de editoras para montar a pauta do Cast ou para fazer resenhas e indicações de livros. Isso só aumenta – ainda mais! – a credibilidade do Leitor Cabuloso.
    Parabéns, mais uma vez, e que você tenha força e disposição para manter o blog e o podcast. O LC é uma jóia em meio a tanto cascalho na blogosfera/podosfera e imagino o quão difícil e desafiador seja mantê-lo e ainda conciliá-lo com sua vida pessoal.

    Abraço fraterno,
    FFSinval

    • FFSinval,

      Muito obrigado pelo carinhoso comentário. Não foi uma decisão fácil, mas os frutos já vieram. Hoje o LC cresceu mais sem as parcerias obrigatórias e sem promoções impostas.

      É muito importante receber esse feedback de vocês.

      Obrigado.

      Abraços.

  • Muito bom o cast.
    Meus comentários:
    “Toda generalização é um exercício de estupidez”.
    Vocês foram muito assertivos em pontuar que a crítica tem qualidade em qualquer lugar, seja na websfera ou no meio acadêmico. Em ambos, são feitas pelas mesmas criaturas, o ser humano, que pode ser divino e medíocre, independentemente do título ou meio de propagação de seu trabalho.
    “Sobre autores atuais lembrarem antigos autores”
    Eduardo Sporh com seus “Filhos do Eden”, tem um personagem chamado Denyel que é testemunha de várias guerras e eventos do séculos vinte. José Geraldo Viera, autor da primeira metade do século vinte, tem um obra chamada “A quadragésima porta”, onde um personagem é testemunha de várias guerras e eventos do século vinte.
    Imaginem que coisa rica fazer essa analogia? Você ao mesmo tempo apresenta para o público, dois autores e duas obras, convidando-os a lerem e tirarem suas conclusões. Se for um leitor escritor, pode até surgir um novo livro.

    • Oliveira,

      Não sabia desta curiosidade a cerca da obra do Spohr, será que ele supõe isso? Muito bom mesmo, estou estupefato!

      Excelente pontos que você colocou sobre o trabalho humano, acho que isto se encaixa bem no contexto do programa.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Obrigado.
        Esqueci de me apresentar como todos pedem. Desculpe.
        Oliveira Lima, 41 anos, Rio de janeiro, Gerente de Sistemas e Aspirante a Escritor

        • Oliveira,

          É muito importante sempre deixar os dados em todos os comentados.

          Obrigado por colaborar.

          Abraços.

  • 23 anos, estudante de Letras, RJ

    Temática polêmica, mas muito bem desenvolvida. De fato, os dois lados ainda estão devendo, porém, acredito que seja uma questão de tempo para que amadureçam: os blogueiros literários ainda são entidades recentes nesse ofício; e os críticos literários lentamente estão abrindo o leque para os escritores contemporâneos. Por enquanto, dou mais valor aos blogueiros (aqueles que realmente fazem uma boa crítica) por abordarem a forma e o conteúdo de maneira que o leitor entenda.

    A questão da qualidade das resenhas é algo que certamente será melhorada com o tempo. Apesar de ter esse lado ruim que faz os leitores lerem tal livro baseado numa resenha bastante pobre, deve-se levar em conta também que é melhor o blogueiro tecer um comentário escrito de suas impressões da obra do que não falar nada por não ter certa “competência” para criticá-la. Por isso, não recrimino tanto os blogs ruins com resenhas que devem um pouco de qualidade, pois sei que essa fase será necessária para que melhorem futuramente. O problema é que essa melhora ocorre de maneira bem lenta porque os próprios leitores desse blog também são inexperientes. E se aquela “resenha-sinopse” ganha 20 comentários positivos, é claro que o blogueiro não mudará essa postura superficial. A partir do momento que cobrarmos resenhas com mais embasamento, os blogueiros terão que rebolar para fazerem algo melhor.

    Estou louco para conhecer as teorias do Bakhtin que batem perfeitamente sobre o que eu penso a respeito da literatura e da arte em geral. Pena que o acervo da biblioteca na facul nunca tem os livros que eu quero =\ sem contar que boa parte dos exemplares são beeem antigos.

    Ah, e fui eu que lhe passei aquele texto dos blogs literários Aqui está o link para ele. http://www.literal.com.br/acervodoportal/nao-sou-de-outra-geracao-nem-senil-sou-realista-6061/
    O engraçado é que o pessoal desse site mudou o link do texto, uma vez que muitos blogs fizeram artigos respostas (bem escritos e desenvolvidos até, o que contradiz a afirmação da autora) linkando a esse texto.

    Abraços.

    • Luiz,

      Não tinha pensado sobre o ponto de vista dos leitores, mas concordo com você. Se o leitor cobrar mais do seu blogueiro ele procurará melhorar. Isto bate com o CabulosoCast sobre a Ficção Científica no Brasil, onde o Paulo Elache (o pAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAi da ficção científica no Brasil) disse que para esse gênero crescer aqui no país é necessário que os leitores melhores também, acho que casa bem com a ideia que você propôs no seu comentário.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Rafael Flores

    Meus dados: Funcionário Público, 33 anos, moro em Santa Maria, pequena cidade do RS, e estou lendo atualmente alguns livros mais técnicos, e menos “literários”, como: “História da vida Privada” (uma coleção de história mesmo), “As diversas faces do cuidar” (livro sobre psicanálise) e um livro de tirinhas (quadrinhos) chamado “Tapejara: o último guasca”…
    É, meio eclético, hehehe…

    Quanto ao podcast: Tema complicado, mas bem levado pelo “bibliotecário”, como sempre… minha posição é simples: como alguém comentou no podcast, eu comparo a questão dos críticos à crítica culinária. Todo mundo come, assim como todo mundo (ou muita gente, ao menos) lê. Mas há vários níveis de interesse nisso: você pode simplesmente comer (ler) por “necessidade”, pode se interessar um pouco mais por isso e ficar curioso com novos “restaurantes” ou tipos diferentes de comida (novos autores, outros estilos literários), e, com o tempo, pode até querer ir mais a fundo e começar a cozinhar (escrever), ou a ter uma opinião valorizada pelos amigos (e mais além) sobre comidas, lugares, etc (livros, autores…).
    Dito isso, não acho que os críticos devam abandonar seu elitismo – aliás, acho que eles não fazem isso mesmo… hehehe – porque eles atendem a um nicho bem específico, esse das pessoas que já tem um conhecimento mais profundo sobre o assunto. É claro que eles podem abrir mão de sua especificidade – suas ferramentas, sua bagagem, etc – , mas isso quase equivale à abrir mão daquilo que os define como críticos. Nessa linha que vai da generalidade à especificidade, do “gosto comum” às “ferramentas técnicas” específicas do pessoal que tem formação na área, o blogueiro, a meu ver, deve ficar mesmo com a parte mais popular, mais geral.
    É claro que, se as coisas são assim mesmo, o crítico vai atingir um publico menor, embora, por outro lado, vá atingir seu publico com mais consistência, mais peso. O blogueiro, embora possa atingir um publico maior, tende a ter um efeito mais passageiro, creio eu, mais “fogo de palha”… Mas, como já disse, acho que as coisas têm que ser assim. Afinal, retomando o paralelo, poucos vão à restaurantes caros todo dia, e tem conhecimento suficiente para analisar “de fato” aquilo que estão comendo… e o mesmo vale para a literatura. O mais das vezes ela fica no “bastantão”, no feijão com arroz um pouco mais elaborado… Por fim, como em tudo, um feijão com arroz bem feito pode servir de convite pra um prato mais elaborado… e essa deve ser a essência tanto do blogueiro quanto do crítico, a meu ver: ajudar as pessoas a saborear melhor aquilo que estão lendo (ou provando…), levando-as à querer mais – pratos melhores, livros melhores…
    Função que acho que vocês, do blog cabulosocast, cumprem super bem. Parabéns!

    • Rafael, me sinto na obrigação de informá-lo que li seu comentário em um momento muito inoportuno. Meu estômago está roncando aqui sem almoço. =\ Tem ideia do que estou sentindo aqui agora?

    • Rafael,

      Obrigado por nos considerar como cumpridores da nosso função, considero valiosíssima essa sua analogia, simplesmente perfeito, se pensarmos por este ponto tendemo-nos a crer que existem públicos para ambos e que cada um cumpre bem o seu papel.

      Fico realmente, inclinado a crer que por terem públicos tão distintos ambos devem permanecer onde estão.

      Excelente contribuição para a discussão.

      Abraços.

  • Marcos

    Isso serve também para os Vlogueiros?

    • Marcos,

      O poder de argumentação é estendido aos blogueiros sim.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • 29 anos, graduado em Letras, Uberlândia, MG.

    Nem sei por onde começar. Talvez pelas “segregações” literárias. Parece que classificamos as obras em eruditas e populares, ou quaisquer outras classificações porque precisamos organizar o mundo ao nosso redor. É o que nosso cérebro faz quando olhamos para uma nuvem e ele tenta enxergar ali uma forma conhecida. Fazer essas organizações na literatura é apenas uma parte do que fazemos o tempo todo.

    Uma das coisas que aprendi com algumas leituras de filosofia foi que na Grécia Antiga se usava os conceitos de “bom x ruim”. Ou seja, uma coisa era boa por ser útil ou bem feita, ou ruim por ser inútil ou mal feita. Com o Cristianismo, passou-se a usar “bom x mal”, de forma que tudo aquilo que não fosse bom, era visto com uma carga negativa. As coisas já não eram mais inúteis ou mal feitas, elas eram más.

    Talvez isso reflita ainda hoje na crítica. Muita gente mal preparada costuma analisar um livro dizendo se ele é bom ou mal. Ou seja, se ele agrada ou não agrada àquela pessoa que está escrevendo a análise. Um crítico sério — da academia, do jornal ou de blog — deveria analisar um livro levando em conta o “bom x ruim”, no sentido de que ele procuraria verificar se a proposta do livro foi bem desenvolvida, ou se ficou ruim.

    Algo ruim, ainda pode ser apreciado pelas pessoas. É o que ocorre, por exemplo, no cinema “trash”, um nicho “ruim” ou “mal feito” da sétima arte que tem um público fiel. E esse público gosta do “trash” exatamente porque ele é ruim. Não porque ele seja mal. É uma opção estética.

    Durante o programa alguém disse que talvez fosse preciso abandonar as ideias de Aristóteles e buscar novas maneiras de classificar os livros. Mas acho que isso já vem sendo feito há muito tempo. Muito mesmo. Quando Aristóteles escreveu sua “Poética”, o livro servia como um manual para dizer o que era bom e o que era ruim. O exemplo máximo, para ele, do que era uma boa tragédia era “Édipo Rei”. Mas à medida que novos gêneros literários foram surgindo, novas análises foram sendo necessárias, e Aristóteles já era passado, apesar de ainda ser a base das análises.

    Para se ter uma ideia da importância de Aristóteles, basta dizer que foi ele que primeiro valorizou a literatura entre os grandes poetas gregos. Platão, o mentor de Aristóteles, acreditava que a literatura deveria ficar fora de uma sociedade perfeita, descrita em “A República”, pois trazia fatos e acontecimentos que não eram reais, ou seja, era uma imitação falsa do mundo. Aristóteles disse, contrariando o mestre, que a literatura não tinha a função de imitar o mundo como ele era, mas como ele poderia ser. E assim, começou-se a valorizar a literatura como uma arte que possibilita a criação de um mundo diferente do real e, ainda assim, ela é válida.

    Voltando à questão da crítica: tanto a acadêmica quanto as outras críticas atendem a nichos específicos. A academia é bastante fechada por ter uma linguagem mais complexa. E ela precisa desta linguagem mais complexa, mais técnica, pra poder expressar muita coisa em poucas palavras. Talvez falte alguém para tentar aproximar a crítica literária acadêmica do público mais amplo, assim como alguns autores fazem com a filosofia ou a história. De qualquer forma, uma crítica deve ser pautada em argumentos, não em impressões. Impressões cada um tem as suas, e não é com impressões que um advogado convence o juri de que alguém é culpado ou inocente, é com argumentos.

    Ferreira Gullar, que além de poeta atuou como crítico de arte, tendo escrito diversos livros sobre o tema, disse (não com essas palavras) em entrevista ao programa “Roda Viva” que, enquanto crítico, seu papel era dizer se a obra era boa ou ruim, se estava bem feita ou não, se transmitia expressividade ou não. Mas nunca chamou nenhum artista de burro ou incompetente, pois sempre partiu do pressuposto de que ele, o artista, merecia respeito e se não fez algo melhor, foi porque não teve capacidades para tal. Gullar respeitava, inclusive, a falta de preparo dos artistas, sem ter que apelar para ofensas e coisa do tipo.

    No geral, é isso. A classificação é necessária, mas precisa respeitar critérios. Sendo sincero, não leio os textos aqui do blog, mas já ouvi diversos programas e gosto bastante. Mas fico feliz com sua postura, Lucien, de deixar claro para seu leitor que os textos representam impressões suas, e não são críticas. Acho que todos tem o direito de dar suas opiniões, e se tiverem aparatos para tal, de escrever uma crítica também. Há muito espaço para isso na internet, o importante é cada um saber seus limites e não tentar fazer aquilo que (ainda) não sabe.

    • Robson,

      Que texto! Que texto! Demorei a comentar, pois estava querendo lê-lo com a mente descansada.

      Desconhecia essa papel de Aristóteles para a literatura, vou procurar outras referências sobre o filósofo para poder adquirir esse conhecimento. Essa postura do Gullar é imprescindível para qualquer pessoa que deseja falar de forma crítica ou amadora de livros em redes sociais. Quando lemos a obra de um autor devemos respeitá-lo enquanto artista. Aquele livro não foi produzido “de uma sentada”, mas levou tempo suficiente para que ganhasse um valor pelo esforço de quem o produziu.

      Muito obrigado por engrandecer a discussão deste episódio.

      Fico feliz que tenha gostado dos demais programa e espero sempre contar com um ouvinte como você.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

      • Obrigado, Lucien. Fico feliz que tenha gostado. O comentário acabou ficando enorme, mas achei que tinha algo importante a dizer. Pode ter certeza que vou continuar ouvindo o CabulosoCast.

        Queria sugerir um tema: professor de literatura. Afinal, como eles ensinam literatura hoje nas escolas? Acho que ouvi você dizendo que não ensina da maneira tradicional, então, como você faz exatamente? Quero saber opiniões de pessoas que fazem isso de maneiras novas. Estou tentando mudar algumas coisas, mas ainda estou no começo.

        Um abraço!

        • Robson,

          Nós adoramos comentários longos (isso é um recado para todos que se queixam disso)

          Esse tema nos passou batido no ano passado quando o dia 15 caiu exatamente na segunda-feira (antiga data de publicação do CabulosoCast). Mas não esperarei um dia específico para falar deste assunto, logo acho que fica para a pauta de 2014, mas o tema lá estará.

          Obrigado pelo comentário.

          Abraços.

  • Obrigado pela parte que me toca. 😉
    SEO Master do Cabuloso é um bom título. 😀

  • Oi Lucien, sou ouvinte nova e baixei vários episódios antigos do Cabuloso Cast. Hoje terminei esse episódio aqui e achei SENSACIONAL! Super alto nível dos convidados!

    Adorei a discussão sobre crítica literária versus as “pseudo”-resenhas dos blogueiros. Não me considero nenhuma expert em crítica tampouco. Sou jornalista, até estudei literatura no contexto do jornalismo cultural, mas estou muito longe de conseguir escrever como crítica. Meus textos sobre livros são opiniões pessoais mesmo.

    Meu blog não é literário, mas eu sempre falo dos livros que leio por lá.

    Parabéns pelo programa!

    • Ana,

      Muito obrigado pelo seu comentário. Oficialmente, seja muito bem-vinda a família Cabulosa.

      É interessante frisar que as resenhas dos blogueiro podem ser consideradas boas como ruins. Da mesma forma que os textos críticos podem ser considerados bons como ruins.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Isabela O.

    Fiquei beeem curiosa pra ler esse texto citado no começo do Podcast. Procurei mas parece que não está mais disponível, só achei textos escritos em resposta.
    Uma coisa em relação a essa coisa de blogueiros literários é que 90% deles não escrevem resenhas, não dissecam o livro que leram, pesam prós e contras, analisam a história, a narrativa, etc. Simplesmente fazem um resumo, uma sinopse estendida, e dizem “Indico esse livro pois achei bom”, “Não indico pois achei ruim”, “Indico pois ganhei de cortesia”, etc.

    A mesma coisa em relação aos booktubers, eles não fazem resenha de livros, eles simplesmente seguram um livro na frente da câmera e comentam sobre como a capa do livro é bonita, falam que tal personagem é chato, que tal casal é legal, mas não fazem realmente uma resenha sobre. Só fazem uns comentários aleatórios sobre o livro e fim. Da até preguiça, são poucos os booktubers que eu me dou ao trabalho de acompanhar.

    Mas pra mim também não faz muita diferença já que raramente leio resenhas antes de ler um livro, me contento só com a sinopse. Procuro ler resenhas e análises sempre depois de ter lido o livro, pra ver se deixei algo passar, pra saber o que outra pessoa achou do livro e tal.