CabulosoCast #49 – A Literatura na Escola

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Sim, Leitores! Está no ar mais um CabulosoCast! E neste episódio Lucien o Bibliotecário (@lucienobiblio10), Thiago Miro (@ThiagoMiro) do TelhaCast e Igor Guedes (@professorigor), o Historiador também do TelhaCast falam sobre como a literatura é tratada dentro dos muros da escola. Por que a escola falha em formar novos leitores? Será culpa dos professores ou culpa do próprio sistema educacional? A leitura obrigatória dos clássicos necessária? Ou uma imposição anacrônica? Saiba a resposta a essas e outras perguntas ouvindo este incômodo episódio.

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  6. Caninos Brancos
  7. Crepúsculo da Stephanie Meyer
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  10. O Mágico de OZ do L. Frank Baum
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  12. Os miseráveis do Victor Hugo
  13. O Senhor dos Anéis do J. R. R. Tolkien
  14. O Triste fim de Policarpo Quaresma
  15. O que é leitura Maria Helena Machado
  16. Quem manda morreu Marcos Rey
  17. Robson Crusoé do Daniel Defoe
  18. Steven Jackson

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  • Submarino

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  11. O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë
  12. Os miseráveis do Victor Hugo
  13. O Senhor dos Anéis do J. R. R. Tolkien
  14. O Triste Fim de Policarpo Quaresma
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  • Augusto

    Augusto Tenório
    Recife – PE
    Querendo ser engenheiro (se a federal permitir)

    Ainda estou no começo deste episódio, e já concordo com o que o primeiro convidado falou sobre os livros indicados pela escola. Também sofri para ler o chamados “paradidáticos”, da literatura nacional, com apenas TRÊS exceções: “Ela” e “Droga da Obediência”, aos 11 anos, e “Fernando e Isaura”, aos 13.

    Mais tarde, li alguns livros mais filosóficos (principalmente sobre Aikido e dinheiro), tentei ler SdA, mas “Tom Bombadinho” não me deu escolha. Quando estava perto do filme de Harry Potter, devorei os 3 primeiros livros, e nesse último ano, os três livros de Spohr estão prendendo muito minha atenção (e cada vez melhores).

    Ah, “Senhora” é foda, eu tb não consigo ler 10 páginas sem voltar. Só fiz boa prova do colégio pq li um resumo ótimo na net, e depois consegui digerir quase metade do livro.

    Robson Crusoé é realmente uma história foda. Li pela primeira vez uma adaptação da turma da mônica (com bidu) e depois comecei a ler em algum site perdido uma passagem, Muito bom.

    Sobre a prova de português, eu também me dei bem várias vezes sem saber regra. Com 14 anos pus na cabeça que iria falar certo, e desde então, passei a tirar 8 ou mais em português.

    • Augusto,

      Qual é a sua idade?

      Rapaz, nem vou enumerar os livros que li no período escolar, pois foram tão poucos…

      Os livros do Spohr são incríveis e o cara está evoluindo muito em sua escrita o que me motiva bastante a continuar lendo.

      Nunca li Robson Crusoé, mas já que está sendo tão bem indicado vou acrescentá-lo as minhas leituras.

      Muito obrigado pelo seu comentário.

      Abraços.

      • Augusto

        27

  • Ademar, 33 anos (São Paulo/SP)

    Olá, Lucien. Meu primeiro comentário por aqui.

    Embora consumisse muitos ‘gibis’ e tenha sido alfabetizado antes do primário, fui interessar-me por livros com 15 anos. Sempre achei os livros pré-Realismo chatos, contudo lembro de ter gostado de Dom Casmurro e o Cortiço. Recordo também da professora pedir que lêssemos “O Xangô de Baker Street” do Jô Soares, para a aplicação de uma futura avaliação, bem como lembro de um professor que sempre pedia alguns livros nacionais desconhecidos, cujo cotidiano era adolescente.
    .
    Apesar de minha fase colegial não ter sido tão traumática, hoje leio poucos autores nacionais (não por preconceito) e devoro obras estrangeiras, fato este que nunca tive oportunidade na adolescência, salvo raras exceções.
    .
    Em relação ao ensino no Brasil, não só em relação ao Português, é um sistema engessado, antigo e que não prepara para a vida. Hoje as escolas colocam como leitura obrigatória aquilo que o vestibular exigirá dali a três anos, ou seja, há uma restrição de qualquer liberdade por parte do colégio, cujos responsáveis dizem que preparam o “seu filho para passar no vestibular”.
    .
    Excelente a escolha do tema e parabéns pelo episódio.

    • Ademar,

      Dom Casmurro e o Cortiço são muito bons!

      É como dissemos a escola valoriza pouco a literatura estrangeira. Nunca li O Xangô de Baker Street, mas muitas já disseram ter gostado do filme e outros afirmaram que a escrita do Jô Soares é muito boa.

      Na verdade, Ademar, você tocou num assunto importante a literatura exigida pela vestibular: aqui em Pernambuco a Federal só libera a lista de livros exigidos com três ou dois meses de antecedência, mesmo sendo a grande maioria dos livros repetidos, os responsáveis sempre mudam algo.

      Obrigado pelo seu comentário.

      Abraços.

  • 2.9, Oz, BR
    T.I.

    * Livros-Jogos: quando citaram os livros interativos, logo me lembrei dos livros jogos, tenho vários aqui até hoje. Eles são ótimos não só para incentivar a leitura, mas também para o raciocino lógico (pelo uso dos dados e cálculos feitos em jogadas de sorte ou para calcular danos.
    * Clarice Lispector: apesar de ter sido uma leitura indicada na escola para fazer um trabalho, no final das contas (após a explicação dos signos do livro pela minha professora) gostei muito de “A Hora da Estrela” e pretendo reler a obra novamente.
    * Dos grandes clássicos (em língua portuguesa) pretendo começar a ler Machado de Assis. O primeiro interesse que tive no autor, veio ainda na infância, quando li a “dedicatória” de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, achei genial a ironia usada. Depois, podem rir, foi em Malhação. Um dos personagens, chamado Sávio, ganha uma coleção das obras de Machado de Assis, é seu autor favorito e rola uma identificação, pois assim como ele, Machado de Assis também era negro (ou mulato, como queiram). Isso me surpreendeu, não tinha conhecimento disso. Já nos anos 2000, o interesse veio com a música “Assis” da banda punk / hardcore Devotos, que homenageia o autor e conta um pouco sobre sua vida. Hoje em dia, vejo TODO mundo falando bem de Machado de Assis, chegando até a dizer que seus livros são os únicos que, até mal traduzidos para outras línguas , continuam sendo ótimos. Acho que se houvesse toda essa abordagem em torno da vida do autor, expondo essas curiosidades, despertaria muito mais interesse nos alunos para lerem por livre e espontânea vontade. E, mesmo não sendo capazes de entender a obra como um todo, poderiam entrar em discussões com os professores, perguntando sobre partes não compreendidas, gerando maior interatividade.
    * Lucien, genial seu exemplo e persuasão no caso do aluno do celular que “não tinha tempo de ler”.
    * E sim, amigos do Telhacast e amigos professores, é complicado mesmo tentar inovar no sistema de educação atual. Esses dias estava assistindo um programa / documentário chamado “Passagem para… 2008” onde o apresentador visitou a Nicarágua. Disse que desde a época de escola se interessava por aquele país, por conta da Revolução Sandinista. Pois bem, ele entrevista algumas pessoas, entre eles os que participaram da revolução. E, na época da mesma, fizeram o que chamaram de “Cruzada pela Educação”, onde voluntários começaram a alfabetizar crianças e adultos. Com isso, o índice de analfabetismo caiu de mais de 50% para 12%. Eles citam que usaram como base o método de Paulo Freire (aprendido quando mesmo esteve no país). Eles tinham essa mentalidade de que, a partir do momento que o povo soubesse ler e escrever, teria mais poder e consciência para lutarem e contra a ditadura. Com isso faço um paralelo com o que foi dito: que o cidadão alienado, que não tem incentivo para ler, é mais fácil de ser controlado pelo governo. Vamos então, fazer uma “Cruzada” pela Literatura! 🙂

    • Diego,

      Gostei bastante das suas reflexões quanto a utilidade dos livros-jogos.

      Vale a pena ler qualquer livro do Machado de Assis. Simplesmente fantástico. Achei interessante você citar que ouviu falar de Machado em Malhação, pois reforça aquilo que foi dito no programa, que se fosse um professor indicando ou obrigado a ler talvez você não se interessasse.

      Já tinha lido sobre a “Cruzada pela Educação” nos próprios livros do Paulo Freire. Acho que precisamos de uma reestruturação completa de educação, como disso o Igor, precisamos derrubar as escolas queimá-las e reconstruí-las das cinzas.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Eriton

    Eriton Araujo
    Goiana – PE
    Estudante/ Escravo do 3º ano do Ensino Médio – Leitor Quase Profissional (me falta tempo pra exercer essa profissão)
    Adorei o cast cara! Foi simplesmente tudo que eu esperava de um cast sobre um cast falando de literatura na escola. Eu concordo com boa parte do que disseram, inclusive a teoria conspiratória do Thiago sobre estarmos sendo alienados e afastados dos livros para podermos ser manipulados (é a mais pura verdade). Aliás discorrendo sobre o assunto os ouvintes do podcast já podem (na minha opinião) se considerarem canceres no sistema destrutivo e corrupto da “cultura da não leitura”, vocês estão ajudando a quebrar essa jossa o/. E falando sobre outro assunto muito abordado aqui no cast venho dar meu respaldo sobre os clássicos que fui obrigado a ler no colégio (é “fui” mesmo hoje em dia eu discuto com minha professora saio da sala e não leio o que não quero, ninguém vai me obrigar a ler Dom Casmurro de novo ¬¬ que isso fique bem claro). Enfim os livros de literatura clássica brasileira que eu li não são poucos, mas infelizmente foram poucos os que eu achei bom (digo infelizmente porque sou inclinado a crer que por ler alguns livro obrigatoriamente deixei de saboreá-los para tornar a leitura mecânica). Mas como tudo tem seu lado bom (mentira nem tudo) eu acabei conseguindo saborear alguns desses livros justamente por influencia de outros professores e de outra pessoas que ao comentar sobre o mesmo me abriram a curiosidade sobre o romance (um premio para o Lucien que me fez gostar d’O Cortiço, só por ter mostrado em sala que era baseado, mesmo que um pouco, na teoria de Darwin). Sobre tais exceções eu gostaria de dizer que a leitura obrigatória nos colégios pode ser prazerosa se os alunos conseguirem se identificar com a obra. O que é apenas mais um motivo para reforçar a teoria de que a extinção de tal tipo de literatura nos colégios poderia contribuir na criação de leitores. Terminadas minha considerações sobre este cast gostaria de elogiar o cast #48 que, por falta de tempo, não pude comentar. Agradeço ao Leitor Cabuloso por me propiciar mais um ótimo momento de reflexão sobre o mundo da literatura….
    P.S.: Entrei de ferias vou ter tempo pra ler mais uma vez \o/
    P.S.2: Alguem ai se habilita a dar carona a um pobre garoto goianense que quer ver o Eduardo Spor dia 12 ? o/

    • Eriton,

      Olha só nos considerando capazes de mudar o rumo do universo dos leitores…

      Esse argumento, meu caro, de que a leitura obrigatória tira o sabor da leitura é um consenso entre os leitores que passaram por este trauma.

      Eu acho que se toda a escola tivesse uma biblioteca de verdade e não um sedo de paradidáticos, quem sabe nossos alunos sentissem que possuíssem para leitura prazerosa.

      Espero que suas férias sejam proveitosas para a leitura.

      E infelizmente eu não possuo carro, senão lhe dava uma carona, meu caro, vou de ônibus daqui de Caruaru para Recife e outro ônibus para o RioMar. Sorry.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Allan Cavalcante Teixeira

    Excelente podcast. Também concordo, que o modo de ensino atual está falido e a possível solução seria o uso da tecnologia nos aprendizados.

    Infelizmente, a minha escola nunca me incentivou a ler. Pelo contrário, passei a ter um desprezo a qualquer livro. Estudei numa escola religiosa, onde a leitura era obrigatória e não podíamos escolher qual livro ler.

    Só voltei a ler livros na faculdade e acabei pegando o gosto pela leitura.

    OBS: Aos 14 anos, achava qualquer coisa escrita pelo Tolkien uma porcaria. Claro que não penso mais assim.

    • Allan Cavalcante Teixeira

      Esqueci de colocar. Rio de Janeiro – RJ, tenho 22 anos e sou Desenvolvedor.

  • Luiz Teodosio, 23 anos, estudante de Letras, Rio de Janeiro

    Estou muito satisfeito com minha opção de bacharelado na faculdade, dessa forma nem cogitarei a possibilidade de ser um professor de literatura, pois, como docente, eu me renderia a missão utópica de formar leitores e conhecedores sobre o homem e o mundo através da leitura. Embora a verdade é que não leve jeito para ser professor por mais que admire muita a profissão quando executada em sua total liberdade, o que, infelizmente, é impossível no âmbito de nosso atual sistema educativo. Talvez no futuro eu siga o exemplo de alguns escritores que visitam as escolas para despertar nos alunos o verdadeiro prazer da leitura.

    O tema “Literatura na escola” já rendeu alguns textos para o meu blog. Escrevi um contando minhas desventuras com os clássicos (http://golenerd.blogspot.com.br/2012/11/formacao-como-leitor-02-um-olhar.html), discorrimentos sobre a formação do leitor (http://golenerd.blogspot.com.br/2013/03/artigo-formacao-do-leitor.html); o preconceito aos best-sellers que podem despertar o gosto pela leitura ( http://golenerd.blogspot.com.br/2013/05/artigo-best-sellers-como-surgem-ler-ou.html) e provavelmente escreverei muitos outros por se tratar de um assunto urgente e inesgotável enquanto essa arte estiver submissa a um sistema cuja pretensão é torná-la invisível às pessoas. Porque essa é a verdade: não existe literatura na escola, apenas uma disciplina chamada por esse nome. Até quando? Gostaria de saber.

    Parabéns pelo episódio. O tema foi abordado de maneira rica e instigante. E acho que começarei a ouvir o TelhaCast, o Thiago e Igor me impressionaram nesse episódio.

  • Danielly Wanessa, 29 Jaboatão dos Guararapes – PE
    Ola!!!
    Também não gostava quando os professores foçava a gente a ler, essa leitura por pressão/obrigação era um saco!!!! Concordo com oThiago na questão da teoria da conspiração, o professor é tb forçado a compactuar com este de tipo de manipulação, infelizmente. Eu lembro que no fundamental, a professora queria que a gente lesse a Turma da Rua quinze, o qual não queria ler de jeito nenhum(eu morava na rua 17 e tinha maior raiva do pessoal que morava da rua 15), bem eu li e não gostei de jeito nenhum e minha avaliação sobre o livro, critiquei bastante e a professoar me avaliou como + ou -, porque eu não gostei do livro, ela falou que eu não entendi muito bem a leitura, mas se a opinião era minha eu poderia falar o que realmente achei, né??!!! Mas enfim eu tinha uma amiga na outra turma que a mesma professora passou outro livro, o qual queria ler muito, O escaravelho do diabo, aí nas férias pedi este livro para minha amiga e amei a leitura!!! Outro livro que li e releio até hoje foi no ensino médio A Marca de uma lágrima li várias vezes, e nesta época minha professora me forçava a ler Dom Casmurro que não li, só quando me formei li o Dom Casmurro e gostei muito.
    Eu li O Alquimista depois de me formar por tanto minha amuga pedir pra eu ler, ale sempre dizia que não deveria julgar sem ter lido então fui ler, e sinceramente não gostei, e agradeci muito por não ter sido leitura obrigatória rsrsrsr
    Lucien amei a trilha sonora deste podcast(A Origem e Uma mente brilhante), eu tenho estas trilhas no meu ipod rsrsrsrsrsrs Me ajudam muito na leitura.

    P.S. O nome do meu blog é excêntrico e não vou mudar!!!! rsrsrsrs Palavras Prolíferas.

    Bjos!!

    • Dany,

      Só você mesmo para reparar nas trilhas que uso. Nós que amamos trilhas sonoras temos este cacoete, né?

      Engraçado é que no caso do Turma da Rua 15 o seu ódio era pessoal, hein?

      É interessante como a cada depoimento vemos os mesmos argumentos o leitor que lê por que quer.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Que episódio provocar.

    Acho que não é novidade (e nem surpresa) o fato de eu também ter passado por um “trauma literário”, digamos assim, quando mais novo. Lembro de ter comentado isso até mesmo em uma gravação do CabulosoCast, mas lá pela quinta série tive que ler “Ensaio sobre a Cegueira” de Jose Saramago. Fora os outros clássicos todos, é claro.

    Posso afirmar que levei certo tempo pra me recuperar do “golpe” e enfim descobrir prazer na literatura. O que me faz pensar em muito do que vocês expuseram ao longo do produtivo bate-papo.

    O que acredito ser novidade é que penso muito em ser professor. Penso (pensava) em me cursar letras no final do ano, ensinar crianças e tentar mudar um pouco dessa realidade que me vi inserido quando mais novo. Talvez seja ingenuidade minha acreditar que posso sim apresentar a literatura de um modo mais atraente, levar alunos para a biblioteca e brindar-lhes com a liberdade de escolher um título (como o Igor comentou) e tantos outros pontos. Mas sinceramente prefiro pensar que há um meio de criar mais apaixonados por livros e menos conhecedores de clássicos pura e simplesmente, se é que me entendem.

    O que me assustou, entretanto, foi a perspectiva de vocês. É tão imutável isso assim? O professor sente-se tão engessado neste modelo educacional? Sei lá, acho essencial manter alguma esperança. Gosto tanto de livros que chego a ficar triste pensando no tempo que fiquei sem ler justamente pelo modo como fomos apresentados um ao outro.

    Parabéns pela discussão e firmeza nas opiniões. Certamente o problema é maior e mais essencial do que parece. Forte abraço e até a próxima!

    Marcelo Zaniolo, 26 anos, Florianópolis-SC, host do LivroCast.

    • Marcelo,

      Numa 5º série você ser obrigado a ler Saramago, ai é sacanagem mesmo. Esse professor estava sacaneando a turma ou ele estava tão empolgado com a leitura que ele fez do Ensaio sobre a Cegueira que na empolgação esqueceu o bom-senso.

      Eu não considero ingenuidade, Marcelo, se você levar em conta o trabalho que fazermos com nosso podcasts acho que de forma direta ou indireta acabamos por fazer isso. Eu sem sombra de dúvida me sinto mais útil aqui no CabulosoCast do que na sala de aula.

      Se você falar de dentro, como eu e o Igor, entenderia nosso sentimento de forma mais concreta. Hoje, o que mais ouço são pessoas dizendo que apesar das dificuldades algo precisa ser feito, porém estamos em uma situação periclitante e não há mais nada que um professor possa fazer para mudar a educação em grande escala, pois se ficarmos comemorando resultados isolados, vamos deixar de enxergar o problema como um todo.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Lucien, esse tal livro-jogo nacional que citou que havia lido quando criança por acaso não era uma história que envolvia as palavras no mundo estarem desaparecendo e haver uma espécie de “mundo da literatura” e devoradores de palavras? kkk Se for eu tenho esse livro até hoje guardado na minha estante (li também quando era menor)

    • Isaac,

      Não lembro mais do enredo do livro me desculpe. A única coisa que lembro é de ser um autor nacional…

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Ei, agora cheguei mais pro fim do podcast e o assunto virou “intolerância religiosa”. Bom, eu sou evangélico/batista/protestante/crente e etc (kkk) e digo que esse comportamento de queimar livro e ser intolerante a esse ponto é repudiado por mim e por uma boa parte dos cristãos que conheço (não se queima um livro nunca!).
    Agora, é claro que as vezes a escola vai te trazer algum ponto/assunto/tema que se pode discordar, por exemplo: Eu sou criacionista (não me apedrejem! kkk) e sempre acreditei nisso desde criança, então sempre que alguma prova envolvia “como o universo foi formado…” e etc eu respondi como “de acordo com a teoria do big bang e etc…” e se me perguntassem se eu acreditava eu diria com certeza que não mas eu sabia a matéria. A escola não quer te doutrinar a nada (ou pelo menos não deveria), ela só quer te ensinar a tal da teoria.
    Acho a decisão do pessoal de não fazer o trabalho foi bem dramática, bastava saber separar o que era a matéria de escola do que eles acreditavam.
    (E na minha experiência de todas as escolas em que estudei, meus pais sempre avisavam antes da matrícula “olha, nossos filhos não participam em halloween etc e tal” e nisso se fazia sempre um acordo saudável. Falta bom-senso pra todo mundo kkk).

    • Isaac,

      Não acho que o assunto tenha chegado a vias de “intolerância religiosa”, mas a respeito. Concordo com você, se eu que me formei em Letras precisei estudar matemática, física e química, matérias que considero importantes para minha formação, por que aquele grupo de evangélicos não poderia fazer o mesmo? Por que simplesmente aquele menina não doou o livro para outra pessoa? A “intolerância” começa quando você não quer compreender o outro quando você simplesmente julga sem saber.

      Você está de parabéns pela sua atitude.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Rodrigo Barros do Nascimento

    Olá Pessoal do Cabuloso Cast, aqui é o Sem Nome mais uma vez, ler esse cabulosocast me vez pensar em talvez escrever um livro curto, já estou pensando até em um título. O mesmo iria focalizar esse universo da educação, da literatura, das escolas, enfim, tentando não simplesmente dar um tapa na cara desse governo que parece alienado em relação a educação (são poucos os governantes e legisladores que pensam em educação). Por fim, estou até pensando em um título: Revolução dos Livros; Revolução na Educação; ou talvez outro.

    • Rodrigo, meu caro irmão,

      Você tem todo o meu apoio para criar este livro.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Mariana

    Mariana, 26 anos, Joinville/SC

    Olá! Mais uma vez um excelente cabuloscast!! Me levou a pensar o que me fez gostar de ler e não consigo lembrar! Eu concordei com as opiniões dadas pelos participantes, embora eu achei elas um pouco negativistas… Não sei se foi sorte ou o quê, mas eu não me lembro de ter problemas com a literatura imposta pela escola no ensino fundamental. Eu me lembro que quando estava na 5ª série em um dos semestres o livro proposto(imposto) pela escola foi História Sem Fim e fiquei tão feliz, pois foi me apresentado o mundo onde os livros são mais legais que os filmes!!! O que ajudou no meu desenvolvimento como leitora foi a amizade com a Bibliotecária da escola, que me deu a oportunidade de ler as edições originais do Sítio do Picapau amarelo (ficavam trancadas num armário no fundo da biblioteca), que nem sequer eram citados na sala de aula. Mas apesar da experiência como leitora ser boa, eu era tachada como cdf, nerd e esquisita… Eu acredito que até mesmo dentro do ambiente escolar o fato de ler e ter livros é considerado uma coisa elitista o que gera até mesmo um certo preconceito à leitura/leitores.

    (Eu tinha pensado em um monte de coisas para escrever no comentário enquanto ouvia o podcast, mas só saiu isto).

    Obrigada pelo maravilhoso cast! Abraços!

    • Mariana,

      Então você é uma sortuda, pois diante dos comentários aqui e seu acaba sendo uma exceção e ainda mais por ler História Sem Fim. Não se preocupe com os apelidos eu tenho certeza que hoje você tem uma série de facilidades que os não-leitores possuem.

      Isto, sobre a leitura ser considerado algo elitista, já vi até aqui nos comentários. Gente dizendo que o fato de ler em público era um exibicionismo. Estranho que ler em público é querer mostrar um status, mas escutar som alto de celulares isto é educado…

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.

  • Isabela

    Olá Lucien o Bibliotecário (confesso que pensei “que nickname exótico, por que não tenho criatividade pra criar um assim?”), vim parar aqui por recomendação em um dos episódios do Telhacast e gostei muito do que ouvi (estive tão entretida com a discussão que bebi água da torneira – bem, não estamos em Londres – em vez do bebedouro de tanta distração)!

    Por sorte, não tive nenhuma trauma em relação à leitura obrigatória na escola. Pelo contrário, aguardava ansiosamente pelos livros da lista escolar antes de cada início de ano letivo. Sim, antes mesmo das aulas começarem, eu já havia lido – e muitas vezes, relido – todos os livros paradidáticos. Explico: fui filha única, era muito tímida quando criança/adolescente e passava as tardes no trabalho do meus pais, então o ócio imperava. Por isso, os livros da lista escolar eram praticamente o meu único passatempo, levando em conta que celular/computador só tive contato no final do ensino médio (hoje, tenho 28 anos). Além disso, tenho ascendência oriental e como é próprio dessa cultura, para o bem ou para o mal, meus pais me incentivavam/obrigavam a estudar em exaustão e ler bastante. É claro que, dentro da gama de livros da lista escolar, eu sempre lia primeiro os de publicação mais atual, como os do Pedro Bandeira (guardo comigo A Droga da Obediência – série Os Karas – pra sempre, haha), os das séries “Para Gostar de Ler” e “Vagalume”. Até os meus 14, 15 anos de idade, a grande maioria dos livros que tive contato eram os de leitura escolar obrigatória, pois, infelizmente, meus pais acreditavam que era tolice comprar e ler “livros de historinha” que não aqueles indicados pela escola. Não detestei ler os clássicos, mas hoje eu vejo claramente que a minha leitura desses livros naquela época era, além de desprovida de empolgação, engessada e superficial. É bem como o Igor apontou, é difícil para um adolescente entender e compreender as nuances de um livro da Clarice Lispector ou Álvares de Azevedo, por exemplo (por outro lado, ler o mesmo livro em momentos diferentes da sua vida e assim ter percepções diversas é um dos grandes encantos da leitura).

    Está visível que o sistema educacional é arcaico e defasado e transformou a educação numa linha reta em que o ponto final é o vestibular. Me parece que os professores não têm mais tempo de incentivar os alunos a gostarem de ler e aprender, pois de certa forma são obrigados a injetar mecanicamente o conteúdo acadêmico. É triste concordar com o Igor e ver que, realmente, a literatura é pautada quase que somente pela avaliação. É triste ouvir que ele e você tentaram sair da regra comum (eu teria pirado de alegria se um professor tivesse trazido uma caixa de quadrinhos para a aula) e foram tolhidos pelas respectivas instituições de ensino. Concordo com o Thiago que o professor, em vez de se mostrar superior ao aluno, tem que ser acessível e amigo. Demonstrar empatia e ser um exemplo para o aluno, como você mesmo apontou. Apesar da realidade pouco esperançosa, ainda sou otimista e acredito que é possível mudar o quadro atual. Aliás, acho que já vem mudando, ainda que milimetricamente. Num dia desses, vi Crônicas de Nárnia numa lista escolar. Poxa, acabei de ouvir um podcast com dois professores que pensam diferente. Um dia, vou ter filhos e não serei uma mãe que vai à direção da escola e condenar um professor por passar filme ou Harry Potter aos alunos. É claro que são pequenas ondulações num mar de adversidades, mas acho e espero que já seja um começo…

    Um abraço, Isabela.

    P.S.: adorei a música do Gabriel O Pensador perto do final =)

    • Isabela,

      Nossa! O programa prendeu mesmo sua atenção, hein?

      É interessante o que você comentou, pois recebi um e-mail de uma ouvinte que mora no Japão e ela falou que os pais dela pouco contribuíram para a formação como leitora. Contudo você teve o ócio forçado pelo trabalho dos seus país… é interessante percebermos como as histórias de como nos tornamos leitores variam tanto. Complementando sobre os livros que você comentou: sou muito fã do Pedro Bandeira, e li um livro da coleção Para Gostar de Ler quando velhinho e gostei bastante.

      Concordo. Já reli alguns livros e a maturidade como leitor garante uma leitura sempre diferenciada.

      Minha cara, hoje o professor vive para receber seu salário e pagar suas contas. Não há o menor incentivo do governo de ver este professor evoluir chegando a um mestrado ou doutorado. O que existe é uma burocracia para qualquer um que tente fazer isso. Hoje, para mim, a educação é um vácuo que se auto consome e vai acabar engolindo a própria sociedade em vez de modificá-la. Se eu possui esperança, ela se extinguiu com os anos que passei/passo dentro de sala de aula.

      Espero que (diante do contexto correto) você não vá apontar o dedo na cara do professor (como já aconteceu comigo diversas vezes) e perguntar por que o professor deu uma nota baixa para o rebento…

      Obrigado, muito obrigado mesmo por este comentário de valor imensurável.

      Abraços.

  • Lucien, parabéns! Que programa bárbaro! Infelizmente o Igor tem razão qdo diz que a escola é a morte da leitura no formato como é hoje. Sou formada em Letras, mas não peso em dar aula exatamente pelo sistema de ensino empregado nas escolas. Dizer aos formandos em Letras que desistam me parte o coração, mas é a realidade, tanto que eu preferi manter um emprego que não tem nada a ver com aquilo que amo, que é a literatura. Claro que gostaria de ensinar aos jovens a despertar o amor pela leitura, mas o ônus de ser professor é muito maior que o bônus, e me desinteressei. Enquanto não crio coragem para encarar as salas de aula, vou divulgando a literatura e compartilhando opiniões pelo blog, tentando, de alguma forma, disseminar o gosto pela leitura. O podcast de vocês é um dos melhores que já encontrei sobre literatura, e vou ouvir todos a partir de agora.
    Abraço!

    • Joana,

      Seja muito bem vida a família cabulosa. Infelizmente o seu discurso é muito ouvido por mim por todos que estão cursando letras: “eu gosto do curso, mas não quero ir para a sala de aula”. Continue com seu trabalho no seu blog, incentivando a literatura de lá.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços.