ENTREVISTA + PROMOÇÃO: Georgette Silen e Walter Tierno

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Saudações, caros leitores! Hoje vocês lerão uma entrevista dupla! Isso mesmo, um combo! Depois de concluir a leitura de “As Crônicas de Kira” – para ler a resenha: clique aqui – decidi entrevistar tanto a escritora (Georgette Silen), quanto o responsável pelas ilustrações da obra (Walter Tierno). Espero que vocês gostem e no final tem uma promoção!

Georgette Silen
Georgette Silen

Olá, Georgette! Seja bem-vinda a mais uma entrevista no Leitor Cabuloso. Como gosto de conversar sobre cada livro que leio e recentemente conclui “As Crônicas de Kira”, aqui estou. Não quero tomar muito de seu tempo, então vamos para a nossa conversa…

Olá Ednelson, e olá para a galera do Leitor Cabuloso! Eu agradeço pela oportunidade de responder mais uma entrevista para o blog. E fico feliz em ver o sucesso dele junto aos seguidores. Continuem sempre assim, com essa garra e vontade! ^^

1 – Esse livro segue o estilo “Espada e Magia”, logo gostaria de saber como foi a sua primeira experiência com o gênero. O que a atraiu nisso?

Eu tomei contato com o gênero Espada&Magia na adolescência, quando comecei a ler as HQs da Espada Selvagem de Conan, publicadas pela editora Abril. Aquilo para mim se tornou um portal mágico! Depois que comecei a colecionar as HQs, passei a procurar outras publicações que tivessem o mesmo tipo de abordagem, universos semelhantes, e fui garimpando preciosidades. Nessa época aprendi que aquelas histórias tinham um gênero próprio, que infelizmente os livros ainda não haviam sido traduzidos para o português e que eu teria muito trabalho para encontrá-los em inglês nos sebos. Mas fui em frente e hoje tenho uma coleção de fazer inveja a muitas pessoas.

O que me atraiu foi justamente a junção de guerreiros e magia, algo que eu nunca tinha visto antes. E também a naturalidade com que os elementos se juntaram e se harmonizaram, tornando os enredos fantásticos. Uma vez que você conhece esse mundo, fica difícil escapar dele. Depois que Robert E. Howard, criador de Conan, iniciou o gênero, muitos autores começaram a elaborar universos e histórias nesse estilo, o que ajudou a consolidar essas narrativas junto ao público.

2 –A pergunta que todo leitor curioso faz: Como foi o processo de criação dessa obra? Você se inspirou em alguém para criar Kira?

A Kira surgiu de um convite. A Editora Argonautas, do Rio Grande do Sul, possuí uma série de livros em formato de bolso especial chamados de Sagas. E o primeiro volume, lançado em 2010, foi Sagas – Espada&Magia, uma forma de prestar tributo a esse tipo de narrativa, e um grupo de autores foi convidado a criar histórias para esse livro. Eu fui uma delas. E nesse contexto, com tantas referências que eu tinha em mente de anos de leitura do gênero, decidi criar uma personagem feminina, inspirada nas heroínas de Robert E. Howard, como Sonja e Bêlit. Assim nasceu Kira, uma guerreira amazona, princesa de uma terra onde as mulheres dominam, repleta de rituais mágicos e seres encantados, mas onde a força de uma espada pode fazer a diferença nas horas cruciais. Kira tem uma missão e ela está ligada a esse fardo através de promessas de sangue, honra, magia e força. E ela não pode falhar.

3 –Kira é uma mulher imponente, busca aquilo que acha justo e não há submissão a outra pessoa em seu jeito (somente os Deuses parecem superiores aos olhos dela), logo quero saber se você nota uma repercussão diferente entre o público masculino e feminino.

Kira cresceu numa terra onde as mulheres são dominantes. Elas são ensinadas a serem assim desde o nascimento. Lá não existem homens, eles são convidados de tempos em tempos apenas, mas as mulheres de Hisipan, terra natal de Kira, mantêm contatos frequentes com outros povos e negociam com homens e mulheres da mesma forma. Elas possuem regras de conduta severas mescladas a idealismos e um forte misticismo, como honrar os deuses de seu panteão, em especial Kor – Deusa da Vida e da Guerra, e seguir a vida dentro de preceitos estabelecidos como corretos. Um exemplo: a escravidão é proibida em Hisipan, e se alguma delegação de um país escravagista vier visitar a rainha em missão diplomática, não poderá trazer escravos, pois eles não são permitidos nas terras de Hisipan.

No que diz respeito à repercussão de que falou, eu ainda não tive retorno nesse sentido. Não houve manifestações sobre tais aspectos. Apenas uma vez tive uma conversa interessante com uma leitora que me perguntou se nas terras de Kira o homossexualismo seria uma forma livre de amor ou não. Foi um papo bem legal e que me rendeu argumentos para mais histórias sobre a guerreira.

4 –Você já tem definido em quantos volumes dividirá a saga de Kira? Pode nos revelar se este ano sairá algum?

A princípio serão 4 livros, um para cada missão que ela deve cumprir. Depois disso, ainda penso em criar mais aventuras dela, mas sem estar vinculada a busca que ela deve empreender nesses primeiros 4 livros. Estamos fazendo o possível para que mais um volume dela seja lançado nesse ano, vamos esperar para ver.

5 –No livro, vemos algumas ilustrações de Walter Tierno (com o qual você já trabalhou em “Fábulas ao Anoitecer”), como foi essa parceria?

O Walter é um cara e tanto quando se trata de ilustrações. Digo isso porque ele tem a capacidade de enxergar imagens onde eu só vejo texto, o que para mim é um atributo que eu invejo nas pessoas que possuem. Eu consigo traduzir em palavras uma imagem, mas o inverso é impossível.

Eu e ele nos demos bem desde o começo, o Walter acertou em cheio nas ilustrações, apenas alguns detalhes foram ajeitados, mas no geral foi uma simbiose bem sucedida. Eu falei bastante sobre isso na resenha do Fábulas ao Anoitecer, do quanto me emocionou ver as ilustrações prontas. Ele é um profissional que eu indico sempre a todas as pessoas que procuram esse tipo de trabalho.

6 –O seu romance é adotado em algumas escolas como leitura paradidática, portanto você pode falar como isso aconteceu? Como você se sente? Conte-nos sobre esta experiência.

Eu sou professora de Arte em algumas escolas. O curioso é que quase nunca falei desse lado de escritora onde trabalho. Foi meio que por acaso que os colegas de trabalho ficaram sabendo, os alunos aproveitaram para espalhar e os coordenadores me pediram para ver os livros e analisar a possibilidade de adoção. E acabou dando certo em algumas escolas. Depois que eles leem os livros e fazem os trabalhos pedidos pelos professores de português e literatura, eu sempre sou convidada a palestrar e bater papo com os alunos. E são tantas perguntas!!! Muitas vezes as perguntas deles me dão mais idéias para novos enredos, e a coisa vai crescendo e muito. Eu adoro palestrar em escolas e sempre me coloco a disposição delas para isso. Hoje eu visito muitas escolas para mostrar os livros, oferecer parcerias e propostas de adoção aqui na minha região, e estou aberta a contatos de escolas que desejem ver o material para adoção junto aos alunos.

7- Mudando um pouco o foco da entrevista, vamos falar de algo muito aguardado entre os seus fãs: “Panaceia” (continuação de “Lázarus”). O livro está sendo “cuidado” para que esteja em muitas estantes em breve, quais as suas expectativas? Se puder falar um pouco dele…

Para quem leu e gostou do Lázarus, Panaceia é um livro bastante aguardado. Já fui chantageada pela continuação, já me ameaçaram (rsrsrs), já me pediram para ser leitor beta, já quiseram subornar a minha filha para ela entregar os originais, enfim, muitas coisas sobre o livro dois aconteceram nesse período entre a definição de uma nova editora para a série e a proximidade da publicação. Sobre expectativas, o que posso dizer? Acho que as minhas são maiores que as dos leitores. Quando o livro está em fase final de produção, e você, como autor, está focado nos detalhes, tudo gera ansiedade. Mas é preciso manter a calma para concluir com êxito um trabalho. Mesmo que o frio na barriga seja constante. Os últimos meses têm sido bem pesados de trabalho sobre os originais, mas vale a pena. Tudo tem que ser perfeito para o leitor.

Alguns detalhes técnicos do livro dois são: texto de quarta capa feita pela autora Simone O. Marques, autora das séries Paganus, Marina e os Tesouros da Tribo de Dana e Sabores de Sangue; capas feitas pelo Rafael Victor (que ficaram lindas) e o cuidado extremo da equipe da Giz Editorial para que os livros fiquem lindos.

8 – Qual foi o último livro que você leu e o que achou?

Não posso dizer que foi o último livro que li, mas foi o que mais me impressionou: Fios de Prata, de Raphael Draccon. Narrativa de tirar o fôlego e uma mistura de conceitos universais que levam o leitor a questionar tanta coisa no dia a dia, sobre sua espiritualidade e materialidade e as causas e consequências de um sobre o outro, que renderia um debate e tanto. Parabéns ao autor por esse trabalho maravilhoso. O que posso dizer sobre o livro? Nas palavras do autor: “O sonho divaga. A morte é direta.”

9 – Como você já deve saber, o número nove é sempre o momento em que dou completa liberdade para o entrevistado falar o que quiser.

Nove é um número bom, eu gosto dele XD. Galera, muito obrigada mais uma vez pelo espaço. Vocês são bem-vindos sempre para mim, e estar em contato com a equipe do Leitor Cabuloso é mais que uma honra, é um privilégio. Quero escrever muitas histórias ainda e quero ver todas elas tratadas com tanto respeito e cuidado por vocês, sempre.

E para quem quiser saber um pouquinho mais sobre mim, trocar idéias, falar de livros ou de pastel com caldo de cana, seguem os contatos:

Muito obrigado por ser tão gentil em conceder a sua atenção para esta entrevista! Abraços, beijos e conte com o Leitor Cabuloso sempre que precisar!

Eu que agradeço e desejo sucesso a todos vocês! Vida longa e próspera ao Leitor Cabuloso \\_//

Walter Tierno
Walter Tierno

Olá, Walter! Primeiro, obrigado por conceder a entrevista. Por ter gostado bastante de suas ilustrações em “Fábulas ao Anoitecer” e “As Crônicas de Kira”, acho justíssimo apresenta-lo aos leitores do blog. Vamos ao bate-papo…

Eu é que agradeço. E que bom que curtiu as ilustrações. Espero que estejam agradando os leitores.

1 – Como foi participar da construção destes dois livros da Georgette Silen?

Fui literalmente convocado pela editora para fazer as capas dos dois livros da Georgette e mais um da Rosana Rios com Regina Drumond (O despertar das tatuagens). Foi uma correria. Um mês para fazer tudo. É interessante dizer que o Fábulas ao Anoitecer foi a capa que teve melhor resultado e a mais rápida para criar e fazer. Montei um rascunho durante uma vídeo-conferência com a editora, ela aprovou e, uns três dias depois, estava pronta. A da Kira deu bem mais trabalho.

A primeira edição de Fábulas não tinha ilustrações internas. Foi durante uma feira… acho que foi a de Suzano, que me deu a ideia de sugerir ilustrar os contos. A editora e a Georgette curtiram a ideia. O processo foi rápido. Os contos da Georgette são muito fáceis de ilustrar e ela fornece bastante material. Está entre as minhas autoras preferidas para trabalhar. É muito profissional.

2 – Como surgiu o seu amor por desenhar e qual é a sensação em trabalhar com isto?

Não me lembro do momento exato. Toda criança ama desenhar. Algumas esquecem ou reprimem isso quando crescem. Eu apenas não fiz nem uma coisa nem outra. Quando tenho a oportunidade de realmente trabalhar com desenho, é muito gratificante. Mas a maioria de nós não consegue trabalhar apenas com o que gosta, o tempo todo.

3 – Além de ilustrador, você é escritor, como essas duas esferas se comunicam em sua vida profissional?

Não acho que sejam duas atividades excludentes. Afinal, aí estão as HQs para provar isso. Na verdade, acho que conseguir me virar nas duas áreas é uma vantagem…

4 – Você pode nos falar um pouco de seu trabalho como escritor? O que já lançou? Há algo a caminho?

Como escritor, em 2010, lancei Cira e o Velho, que é uma fantasia histórica. Uma história de vingança no Brasil colonial, que usa fatos históricos e personagens do folclore. Também é editado pela Giz Editorial. Quanto a projetos futuros, não gosto de adiantar, mas tenho alguns contos a serem lançados ao longo do ano e mais um livro que espero levar para a bienal do Rio. Tem mais uns projetinhos ali na fila. Vamos ver…

5 – Quais conselhos você daria para escritores ou ilustradores iniciantes?

Seriam tantos e, mesmo assim, tenho dúvidas se tenho direito a dar conselhos. Acho que ainda tenho tanto a aprender, também… Mas se eu fosse dizer algo aos dois, seria: Não se satisfaça facilmente com seu trabalho. Sempre dá para melhorar.

6 – Qual foi o último livro que você leu e o que achou?

No momento em que estou escrevendo estas respostas, acabei de ler Carcereiros, do Dráuzio Varela. Ótimo. Está falando sobre sua experiência como voluntário no sistema carcerário, como em Estação Carandiru. Dessa vez, do ponto de vista dos funcionários.

7 – Como faço em minhas conversas com escritores, o espaço final é para você falar o que quiser.

Eu gostaria de sugerir aos leitores que tentassem dar uma chance aos autores nacionais. Não estou dizendo para consumir livros nacionais só para participar de alguma patriotada demagógica. Sei que tem muita coisa ruim por aí, mas acontece que existem coisas boas escritas por brasileiros e que acabam abandonadas nas prateleiras (ou pior), esmagadas por obras importadas que, muitas vezes, apesar de todo marketing e números de vendas, não passam de verdadeiras bombas.

Abraços, muito sucesso! Quando precisar divulgar os seus trabalhos, pode entrar em contato com o Leitor Cabuloso.

Bom… agora falta vocês falarem sobre Cira e o Velho…hehe…

Promoção:

Semana passada, fiz uma enquete pelo facebook para determinar qual livro da Georgette seria colocado em uma promoção e a obra escolhida foi…

Enquete - Facebook
Enquete – Facebook

“Fábulas ao Anoitecer”! Fiquem atentos às regras!

Regras:

Observações:

  • Há outras opções para acumular “entradas”, mas são opcionais!
  • O ganhador será avisado através do e-mail usado no Rafflecopter e terá 48 horas para responder a mensagem, caso contrário um novo ganhador será selecionado!
  • Tentativa de trapaça implicará em desclassificação automática!
  • O ganhador precisa ter um endereço de entrega no Brasil!
  • Novas opções para acumular pontos podem ser adicionadas durante a promoção.

Formulário:

a Rafflecopter giveaway

  • Olá pessoal!
    Mais uma vez, obrigada pelo carinho e espaço. Vai ser redundante dizer, mas o blog está caminhando para um espaço de bastante sucesso e fazer parte dessa jornada me dá muita alegria.
    Vida longa e próspera ao Leitor Cabuloso ^^

    • Olá, Georgette!
      Por nada, ficamos felizes com as maravilhosas visitar nesta “casa”. Mantemos o espaço por amor, particularmente o uso para apoiar boas pessoas e como uma terapia.

      Vida longa e próspera para você também!

  • Rita souza

    Adoro entrevistas com ilustradores,e muito legal ver o outro lado da moeda,da Georgette nem falo nada,ela é criativa e interage muito com os leitores,tem tudo pra fazer sucesso!!

    • Uma obra é formada por diversos trabalho, neste caso achei merecido mostrar um pouco da experiência do Walter. Sim, a Georgette é talentosíssima e ainda tem uma comunicação com os leitores excelente, eu a apoio por isto! É uma amiga também.

  • Olá Rita Souza!
    Obrigada pelas palavras, valeu por acompanhar o trabalho ^^
    Bjs a vc e a todos os seguidores do Leitor Cabuloso!