RESENHA: “O Último Dia Antes do Fim do Mundo”, colocando o coração do homem na balança

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Capa
Capa

Autores:  Vários
Editora: Novo Século
Origem: Brasileira
Ano: 2012
Edição: 
Número de páginas: 250
Skoob
Sinopse: Vinte visões sobre o último dia antes do fim do mundo. Uma antologia emocionante e surpreendente, que vai fazer você refletir sobre os piores medos, angústias e valores do ser humano. Contos surpreendentes da primeira à última linha que vão abalar suas estruturas, e talvez mudar seus conceitos sobre este suposto cataclismo.
Onde comprar? Loja do Ases da Literatura, Livraria da Travessa.

Book Trailer:

Contos:

  1. Sollaria Alpha – Fábio Abreu.
  2. O Preço da Fama – Robson Gundim.
  3. O Fim do Mundo De Ava – Lucas Ordersvänk.
  4. Lírios para Antonieta – Carolina Cequini.
  5. Uma matéria inesperada – V.R Spilman.
  6. O menino que viu o fim do mundo – Marcelo Maropo.
  7. Despertar – Paula Scaf.
  8. O último pôr do sol – Glau Tambra.
  9. Amor em meio à guerra – M.J. Atalaia.
  10. Cinza – Fernanda Brandalise.
  11. O último dia – Augusto Assis.
  12. A Integração – Adriana Ramiro.
  13. Tempestade de Dezembro – Maud Epascolato.
  14. Amor antes do fim – Cristiane Broca.
  15. Será o fim – M.F.Venceslau.
  16. Depois do fim – Michele Mourão.
  17. Inicio do fim – Michel Amorim.
  18. No fim a verdade sempre vem à tona – Elen Queiroz.
  19. Encontro final – Pâm Vital.
  20. O garoto dos meus sonhos – Duda Oliveira.
  21. Sollaria Ômega – Fábio Abreu.

Análise:

“Eu, se fosse Deus, já tinha dado um game over faz é tempo. Ia focar lá em outro planeta do sistema solar, com seres mais evoluídos, pois aqui a experiência falhou, meu amigo.”

—Pág. 105.

Saudações, caros leitores! Ano passado tivemos mais uma data para o “fim do mundo” (21 de dezembro), um fenômeno comum ao longo da história humana. Como já sabemos, a civilização há milênios é baseada em ciclos ou períodos, daí podemos concluir que esse fascínio pelo fim é na verdade uma conclusão “lógica”. Ora, se vivemos e morremos, por que o próprio universo ou mundo estaria isento de tal processo? Com isso, podemos deduzir que obras (pinturas, livros, músicas, esculturas etc) que reflitam sobre o Fim sempre existirão. Então, vou começar a minha análise do livro “O Último Dia Antes do Fim do Mundo”.

A resenha será um pouco diferente do que tradicionalmente faço (comentar conto por conto), mas o motivo será explicado mais a frente. Ao invés disso, irei falar um pouco das histórias que chamaram mais a minha atenção e a antologia como um conjunto.

A primeira coisa que saliento é que os textos não são de terror ou ficção cientifica, apesar de alguns poucos citarem coisas típicas do segundo gênero, mas voltados para o drama. Tanto que a proposta da antologia é suscitar reflexões sobre os valores humanos da maneira mais emocionante possível, ou seja, sensível. Todavia, ocorre uma repetição de ideias em algumas das narrações: personagens com elevado senso de religiosidade, o que pode ser cansativo para um leitor laico, questionamento dos valores que as pessoas carregam a partir de seu próprio ponto de vista, às vezes isso poderia ser mais bem desenvolvido nas entrelinhas e não tão explicitamente, pessoas que alcançam um tipo de “redenção” na conclusão, entre outras coisas.

Os escritores poderiam ter ousado  um pouco mais nas suas visões sobre o fim do mundo, proporcionando uma variedade maior de perspectivas. Entendo que muitos podem estar começando agora na profissão, mas ainda assim poderiam ter feito mais experimentações de ideias. A impressão que fica é que alguns contos foram escritos por uma única pessoa, tamanha a semelhança no estilo. Em compensação, há contos que se destacam muito no grupo.

Sollaria Alpha e Sollaria Ômega do Fábio Abreu é um dos casos que arrisca sair um pouco do perfil da maioria dos contos. Mesmo com o drama de forma bastante acentuada, há um pouco de ação e aventura. Tendo referência a um item histórico que foi crucial para a civilização ocidental, inclusive. O desfecho é no mínimo poético.

O Preço da Fama do Robson Gundim faz referência a um dos maiores clássicos da literatura brasileira (não direi qual é), mas se você cursou o ensino médio na época em que alguns livros eram leitura obrigatória para o vestibular, irá reconhecer sem dificuldades. Achei a releitura dele muito interessante, digamos que ficou mais visceral que a trama original.

O Fim do Mundo De Ava do Lucas Ordersvänk cativou pela delicadeza de suas protagonistas, duas garotinhas, que mesmo em frente a um cenário aterrador se firmam no amor entre si para realizar uma jornada pela salvação. O autor também brinca um pouco com a nossa visão da história, o que causa uma surpresa ao constatar o que verdadeiramente está acontecendo.

Lírios para Antonieta da Carolina Cequini fisga o cerne da antologia e o que o torna um dos que mais frisam a pergunta: O que é importante para você? A Carolina optou por construir dois olhares para o evento fatídico, logo ficamos alternando entre eles, e isso tornou a experiência mais interessante. Um ponto de vista torna o outro ainda mais pungente emocionalmente.

Uma matéria inesperada do V.R Spilman faz uma oposição de crenças (será ou não o fim do mundo?) por meio de um jornalista que consegue a oportunidade de uma matéria de capa. O sarcasmo do personagem principal é cativante. Justamente esse humor é o deixou a passagem de páginas saborosa. No final das contas, acabamos nos identificando com o personagem.

Cinza da Fernanda Brandalise, esse é provavelmente o mais aterrador dos “fins do mundo”. O caráter crível da tragédia faz você concluí-lo com uma expressão entre a perplexidade e o temor. Sinceramente, não descarto a possibilidade que a ficção arquitetada pela Fernanda, um dia seja realidade.

O último dia do Augusto Assis possui algumas peculiaridades que ficaram muito bem encaixadas, considerando o foco da narração. Tais particularidades são: frases fragmentadas em várias partes (exemplo: Virei a esquina. Olhei para os dois lados. E atravessei a rua) e o uso de linguagem informal em algumas passagens. Como disse antes, os dois aspectos servem para compor o melhor possível o texto como uma manifestação que exala do protagonista. Além disso, também enxergamos uma triste realidade social aqui.

A diagramação está exemplar, a fonte das letras agradável e as ilustrações internas merecem aplausos, a revisão teve alguns deslizes, mas não chegam a um número gritante. Alguns escritores me despertaram mais o interesse, mas isso é natural. Cada fruto amadurece em seu tempo devido. Desejo muito sucesso para os Ases! A minha nota é dois selos cabulosos e meio.

Nota:

Avaliação
Avaliação
  • É coração…

    Livro de contos muitas vezes podem ser repetitivos…
    Ainda mais com um tema desses!
    A maioria se apega a fé!
    Alguns a tecnologia.
    E outros vão na onda do apocalipse e acabam com o mundo de vez!
    kkkkk

    Ótima resenha!
    Gostei do “Uma matéria inesperada” – V.R Spilman
    Quando tiver uma oportunidade irei ler!

    Beijokas!!!

    • Sim, antologias com um tema específico trazem esse risco. Não tenho nada contra contos que falem sobre fé, mas a constância do assunto ao longo da obra cansa. Obrigado por comentar, quando ler, me diz o que achou.

      Beijos!

  • Eduardo

    Gosto muito de livros de contos. Seria legal se cada autor tivesse explorado um gênero ou subgênero: ficção científica, romance, terror, drama, policial, fantasia. Mesmo com repetições e não sendo tão bem avaliado, se tivesse oportunidade acho que daria uma chance a esse livro. É como os antigos LPs ou CDs, às vezes tem aquelas músicas que valem por todo o álbum…

    • Também gosto de livros de contos, Eduardo, são oportunidades de conhecer vários autores em somente uma obra. Sim, caso todos os autores tivessem variado mais no gênero, a antologia seria uma leitura mais suave. Excelente analogia, uma coletânea de contos sempre tem aqueles que mais agradam (varia de caso em caso) e esse é que fazem o livro estar em alto patamar no nosso conceito.