RESENHA: “ZERO ABSOLUTO” DO CHUCK LOGAN

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Capa
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Autor:  Chuck Logan
Editora: Record
Origem: Americana
Ano: 2004
Edição: 1
Páginas: 495
Sinopse: O ex-tira Phil Broker substitui o tio como guia de uma excursão pelas montanhas geladas do estado de Minnesota. O grupo, formado por um cirurgião, um escritor e um advogado, embrenha-se pelas trilhas cobertas de neve, mas é surpreendido por ventos fortes quando atravessava um rio em caiaques. O acidente muda o curso das relações entre os membros da excursão. O escritor, Hank Sommer, acaba em coma após uma cirurgia sob circunstâncias adversas. Sua esposa, uma mulher prestes a se tornar uma viúva milionária, seduz todos os homens ao seu redor. Até Phil. Apesar da aparente normalidade, os instintos de Phil não o deixam tranquilo. Ainda que sob a influência dela, seus instintos policiais o deixam alerta. Teria sido realmente um acidente? Ou haveria uma trama assassina por trás daquela série de coincidências infelizes?
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Análise:

“Como tinta, a escuridão se espalha. Sombras se contorcem. São fagulhas ou bolhas? Levitam ou estouram? Não sei. O ego vasculha os destroços e encontra as gavetas da memória. O ego se rearranja e se move. A memória responde. Houve água fria, depois dor. Agora luzes brilhantes. Faces preocupadas envoltas em auréolas. O ego assume a personalidade. A personalidade encontra parte de sua bagagem.”

—Pág. 135.

Saudações, caros leitores! Tudo okay? Como estão suas leituras? Espero que vocês estejam cheios de livros bons para ler, a minha fila de livros está imensa, exatamente como adoro.

Hoje, venho lhes falar do livro de um autor que até então não conhecia, espero que vocês gostem da minha análise e se sintam estimulados a também mergulharem nessa trama de suspense, afinal as minhas impressões são resultados de uma experiência individual com o livro e talvez os seus julgamentos possam diferir drasticamente dos meus. Bem, sem mais demoras vamos diretamente ao assunto.

O livro começa muito bem para uma obra de suspense nos jogando no meio de uma situação de adrenalina e estabelecendo um mistério acerca de um contexto do qual sequer vislumbramos a mínima explicação, porém mais a frente começamos a nos situar no enredo através do uso de um retorno no tempo e progressivamente avançamos até ficarmos paralelos com os eventos iniciais.

O nosso principal “acompanhante” durante essa jornada é Phil Broker, um ex-tira que, amargurado pela recente separação da mulher, busca um refúgio se isolando em uma cabana no meio de uma floresta, todavia mal imagina ele que sua tentativa de fugir do mundo o conduziria a um retorno forçado às suas atividades como policial.

Durante uma excursão em que Phil resolve trabalhar como guia para faturar algum dinheiro acaba ocorrendo um acidente envolvendo Hank Sommer, um escritor de sucesso moderado. Diante desta situação, agravada pelo fato de se encontrarem em uma região de temperaturas baixas e no meio de uma nevasca, o grupo formado por Phil Broker, Hank Sommer, Milton Dane (advogado) e Allen Falken (cirurgião), que inicialmente almejavam viver uma aventura, tem de agir rapidamente para salvar a vida de Hank.

A partir do acidente, uma rede de complexidade começa a se formar e este evento imprevisível se prova o estopim para especulações variadas. A narração em terceira pessoa deixa o tom dos discursos do narrador em um nível de impessoalidade ideal para que o próprio leitor vá formando suas análises sem interferências do escritor de forma tão brusca, além de que essa falta de declarações objetivas deixa a incerteza como uma constante.

Os elementos lançados nessa obra me fizeram considera-la em parte como um livro com traços de Noir, visto que temos aqui um clássico exemplo deste sub-gênero da literatura policial: A femme fatalle.

Esta figura feminina de natureza dúbia ganha forma na personagem Jolene Sommer, atual esposa de Hank Sommer. Jolene ao longo da obra é uma personagem de grande complexidade de caráter, sua psique não demonstra contornos muito fortes e a oscilação de seu humor e modo de agir nos deixa com uma pulga atrás da orelha, ora achamos que ela tem boas intenções, ora a consideramos a mulher mais vil que pode caminhar sobre a terra. É incrível como o autor conseguiu me fazer odiar e amar tanto uma personagem.

Há também espaço para o desenvolvimento de histórias românticas no livro, para ser mais preciso um triângulo amoroso (não falarei mais detalhes para evitar spoiler). Inicialmente achei todo o romance muito forçado e artificial, contudo no decorrer do livro o texto foi se tornando mais confortável e bem trabalho e se até mais ou menos a página 150 o achava enfadonho, depois comecei a adorá-lo!

O livro se torna ainda mais saboroso de se ler porque além de oscilar de perspectiva, utilizando quase todos os personagens em capítulos separados, também usa a perspectiva de Hank Sommer que em coma passa a perceber o mundo de uma maneira diferente e o escritor soube muito bem usar de linguagem poética para descrever os pensamentos e sentimentos de Hank.

Phil Broker, um dos personagens que recebem uma atenção maior dos holofotes, é uma pessoa muito simples e seu jeito é o do clássico policial durão que se julga imbatível e capaz de solucionar até mesmo coisas insondáveis. Sinceramente, detesto personagens que parecem não se afetar com o mundo ao seu redor. Não peço que os personagens sejam pessoas que lamentam pelo mundo ou que sempre se mantenham como meros reflexos do que está ao seu redor, mas que ao menos demonstrem que estão vivos e que o que acontece perto deles significa o que elas dizem significar para si mesmas. Entendem? Não consegui enxergar vida em Phil Broker, mas o enredo se salva com Hank Sommer e Jolene Sommer.

Durante as últimas 100 páginas foi impossível fechar o livro, mas tal fato se deveu mais ao ritmo de ação contínua que o autor soube criar e manter do que pela tensão de algum grande mistério (elemento que, aliás, passou longe dessa obra, ao menos na dose que esperava). A maior incógnita no final das contas acaba sendo as motivações de Jolene.

“Zero Absoluto” é um bom livro para distrair, mas não é uma recomendação que faria para quem busca um verdadeiro mistério em que possa satisfazer seu desejo de exercitar suas “habilidades de detetive”. Boa leitura a todos! Dou dois selos cabulosos e meio.

Nota:

Avaliação
  • carliane sousa silva

    nao gosto muito de livros no estilo “‘policial”” mas gostei bastante dessa historia….a resenha ficou otima me deu vontade d ler o livro! =]

    • Legal saber que o livro despertou o seu interesse, sinal de que a minha resenha surtiu efeito. O bacana é que quem leia a resenha, sinta vontade de buscar o livro, pois assim podemos estabelecer um bom debate 🙂 Obrigado pelo comentário.

  • Bundy

    Eu tive que ler novamente quando cheguei quase na metade do livro. Não prestei atenção e durante todo o tempo, achei que Broker fosse o cirurgião. Jesus fucking Christ. Com mais calma, li novamente. E gostei, achei bom. O bom ritmo de ação, como você citou, me prendeu também desde o início.

    p.s. Eu ainda não acredito que achei Zero Absoluto numa feira de livros por apenas cinco dilmas.