RASCUNHO: PERSONAGENS SOBRENATURAIS

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Olá pessoal.

 

Eu sei que a gente tinha combinado de conversar sobre o ISBN no post dessa semana, mas como hoje é o Dia dos Vampiros, resolvi adiar essa explicação para falar de algo mais “temático” em comemoração ao dia de hoje.

 

 

Na fantasia tudo é permitido. É! Tudo mesmo. Você pode criar o que você quiser, do jeito que você quiser. Por essas características ela acaba sendo um bom estilo para autores que estão começando (já que ela tem uma elasticidade típica do estilo), mas ao mesmo tempo, pode se tornar uma escolha muito traiçoeira.

O que quero dizer é o seguinte: O camarada está começando agora e pensa “não tenho muita experiência, nem de vida nem de escrita, mas quero escrever, de QUALQUER JEITO”. Aí olha para um lado e para o outro e começa a escrever uma fantasia sob o manto do “Pode tudo, né? Então, não tenho como errar”. Isso é golpe baixo, e é esse tipo de atitude que contribui para fortalecer o preconceito contra o estilo.

Primeiro: Escrita não se força. Não escreva porque você TEM que escrever. Escreva porque a ideia veio, você a desenvolveu, ela te agradou e você começou a colocar no papel (ou no computador, enfim… dá pra entender a ideia ^^).

Segundo: Não é porque a fantasia é um estilo maleável que ela pode ser tratada de qualquer jeito. Por isso eu digo que é um estilo traiçoeiro para escrever. Porque é um campo imenso de possibilidades (infinto, eu diria) mas, ao mesmo tempo, tem que ser muito bem trabalhado para evitar entrar no nonsense ou no ridículo. Mesmo que sua intenção seja fazer uma história louca, ou um horror trash, ainda assim, você tem que tomar cuidado com o que escreve e como escreve. Há uma diferença monstruosa entre uma história louca e uma sem sentido, ou entre uma história trash e uma simplesmente ruim. Não dê desculpas para o seu texto! Se você ler algo que não ficou legal, não diga pra si mesmo “ah, foi de propósito”. Ao invés disso, revise seu trabalho e veja como pode melhorar.

Escrever personagens sobrenaturais é ainda mais delicado que escrever personagens convencionais. Isso por um motivo bem simples: Você não precisa descrever as habilidades de um humano. Não precisa descrever como ele nasceu, ou por quê, ou o que ele consegue fazer. Se você diz que o personagem é um homem saudável de 24 anos, por exemplo, o leitor já vai fazer diversas inferências de graça:

– Ele tem uma mãe e um pai biológicos (mesmo que não os conheça)

– Ele nasceu depois de um período de 9 meses de gestação (talvez um pouco menos se foi prematuro)

– Ele tem a força e a velocidade que se espera de um ser humano do sexo masculino dessa faixa etária

Entre diversos outros conheimento de raiz biológica que todos nós temos de forma inerente.

Mas se você apresenta em sua narrativa um personagem que é um demônio, por exemplo, isso vai dizer muito pouco para o leitor. E mesmo o pouco que for dito implícitamente, ainda pode ser modificado. Quero dizer, pode ser que o universo que você criou seja “ao contrário” e os demônios sejam bons e os anjos ruins. Se esse for o caso, a palavra “demônio” – que geralmente se associa a algo maléfico – vai significar NADA para o leitor. Ele vai querer saber de onde esse demônio veio, como ele foi formado, quais as habilidades que tem. Ele é o último de sua espécie? Ou existem outros de sua raça? Como é o seu relacionamento com humanos? Enfim… toda uma gama de perguntas que você vai ter que responder mesmo que superficialmente durante a história.

Como leitora – e como escritora também, mas com outra perspectiva – já percebi que é chato em uma história quando o autor não explica alguns elementos sobrenaturais com a desculpa do “isso não é relevante para a narrativa”. Cara, você não precisa explicar TUDO para os leitores: eles são espertos, vão preencher as lacunas sozinhos. Mas espera-se de você, como criador da história, que pelo menos indique o caminho.

Vamos as dicas de uma maneira bem prática e direta. Lembrando, como eu sempre gosto de fazer, que literatura é MUITO uma questão de estilo. Tanto para o leitor como para o escritor. Eu não sou a dona da verdade, pode ser que o que funciona para mim, não funcione para você. O que eu vou dar aqui são apenas dicas que funcionam para mim. Espero que ajudem:

1. Crie seu personagem antes de introduzí-lo na história.

Não comece a escrever dizendo “ah, aí agora… vai… ahn… aparecer esse cara”. Não! Pegue um papel e rascunhe. Qual o nome do personagem? Que tipo de criatura sobrenatural ele é? Quais poderes ele tem? Como ele foi criado? Rascunhe um resumo da história de vida dele. Se você tiver essas linhas gerais prontas, vai facilitar muito na hora de escrever. Você só vai precisar escolher em quais momentos vai divulgar quais informações explicativas sobre a sua criatura.

2. Conheça o seu personagem.

Você não pode apresentar pros leitores alguém que você sequer conhece. Pense no seu personagem com muito carinho. Pense antes de dormir, pense na fila do banco, pense enquanto estiver cozinhando ou tomando banho, sei lá… Mas tenha ele em mente. Converse com ele. Coloque ele em situações corriqueiras e extraordinárias e imagine como ele reagiria. Isso vai deixar o personagem mais palpável quando você for trabalhá-lo na história.

3. Tenha a mesma base mitológica para todos os elementos.

Isso é importante. Se você começa a história dizendo que Neo pode interagir com a Matrix e controlá-la, e por isso ele voa e pára balas, não chegue lá na frente e diga que Trinity aprendeu a fazer isso porque descobriu que existe um elemento sobrenatural chamado Força e que ela descobriu que seu corpo tem midhclorians suficientes para que a Força esteja ao seu lado. Escolha uma linha de narrativa e FIQUE COM ELA. Seu vampiro morre no sol? Então, eles todos vão morrer não sol. Só alguns morrem no sol? Explique por quê. Seu lobisomem morre quando chupa pirulitos de morango? Então todos os lobisomens devem ter aversão a pirulitos de morango. A ideia é essa.

 

Esse texto já está ficando bem grandinho. E, pela minha experiência, as pessoas geralmente não lêem textos muito grandes na internet. Então, vou ficar por aqui. =D

Beijos pra todos!

E Feliz Dia dos Vampiros! =)

Ju

 

 

  • Rita souza

    olha eu estou adorando cada vez mais essa coluna e espero q vc continue a escrever.Eu realmente tenho muitas idéias na cabeça mas tenho medo de dar vida a elas por o ponto de ter q dar muitos detalhes,e seu texto mostrou q é possivel desenvolve-lás sem ter q explicar Tudo!!

    • Oi Rita! Que bom que vc está gostando ^^ É Isso mesmo… Não tenha medo de colocar as ideias no papel! Beijos! =D